NOUVELLE GESTION PUBLIQUE ET ÉVALUATION : UN COUPLAGE RÉUSSI GRÂCE À LA LÉGISTIQUE ?
2. Nouvelle Gestion Publique, mandats de prestation et indicateurs de performance
O desenho de um estudo qualitativo inclui elaborar um problema de pesquisa, selecionar os informantes, coletar e analisar os dados, e por fim, descrevê-los (MERRIAM, 2002). A figura 9(3) ilustra o desenho metodológico desta pesquisa com os procedimentos que foram utilizados em sua operacionalização.
Após a definição do problema de pesquisa, realizou-se uma revisão teórica com a definição dos principais construtos da pesquisa, como a experiência de consumo e a atmosfera de loja.
Figura 9(3): Desenho metodológico
Fonte: Baseado em Flick (2004, p. 61)
A redação da revisão teórica é realizada no intuito de cumprir alguns propósitos como, por exemplo: compartilhar os resultados de outras pesquisas que estão associadas àquela que está sendo realizada; relacionar um estudo ao diálogo maior e contínuo na literatura; e proporcionar uma estrutura para estabelecer a importância do estudo e comparar os resultados com os de outros (CRESWELL, 2010). O autor ainda complementa que estas razões podem ser a base para a redação da revisão da literatura em um estudo.
No que diz respeito à coleta de dados, existem três principais fontes para uma pesquisa qualitativa – entrevistas, observações e documentos. A técnica de coleta a ser utilizada é determinada de acordo com a pergunta central do estudo e pela sua capacidade de produzir informações que respondam tal pergunta (MERRIAM, 2002). Para efeito deste estudo, a coleta de dados ocorreu por meio das entrevistas episódicas e observação participante, as quais serão discutidas nas próximas seções.
A análise dos dados por sua vez, pode ocorrer de forma simultânea com a coleta, pois permite ao pesquisador fazer ajustes ao longo do estudo, redirecionar a coleta de dados, e testar conceitos emergentes, temas e categorias em relação aos dados posteriores (MERRIAM, 2002). Esta etapa transforma os dados em resultados e um dos desafios consiste em atribuir sentido a grandes quantidades de dados, identificar padrões significativos e construir uma estrutura para comunicar a essência do que os dados revelam (PATTON, 2002).
ETAPAS
Revisão Teórica
Coleta de Dados
Análise dos Dados
Definição dos Construtos
Entrevista Episódica Observação Participante
Os dados obtidos a partir das entrevistas no presente estudo foram analisados de acordo com a técnica de análise de discurso.
Na próxima seção, são detalhados os procedimentos referentes à coleta de dados.
3.2.1 Coleta de dados
Levando em consideração que a pesquisa qualitativa é criativa e interpretativa, esta fornece ao pesquisador uma diversidade de métodos para a coleta de materiais empíricos que variam da entrevista à observação direta, passando pela análise de artefatos, documentos e registros culturais e pelo uso de materiais visuais ou da experiência pessoal (DENZIN; LINCOLN, 2006). A coleta de dados nesta proposta seguiu a orientação metodológica da pesquisa qualitativa, e uma das ideias foi a seleção intencional dos informantes. Assim, os informantes-chaves foram selecionados por seu potencial em conceder contribuições para o entendimento do fenômeno estudado (YIN, 2001; CRESWELL, 2010).
Seguindo esta orientação e em conformidade com a problemática apresentada neste estudo, a seleção dos informantes envolveu dois critérios: o primeiro, que estes fossem deficientes visuais, podendo ser com cegueira total ou com baixa percepção luminosa; e o segundo, que tivessem o hábito de realizar compras de roupas e calçados.
Nesse sentido, para ter maior acesso aos informantes da pesquisa, foi necessário entrar em contato com uma instituição de apoio às pessoas com deficiência visual. A instituição contatada foi o Instituto de Educação e Assistência aos Cegos do Nordeste – IEACN, situada na cidade de Campina Grande – PB.
O instituto foi fundado em 1952, fruto da idealização do professor José da Mata Bonfim (in memoriam). Ao longo das décadas, foi responsável pela escolarização e inclusão ao mercado formal e informal de trabalho, de centenas de pessoas com deficiência visual provenientes de diversos municípios do interior Paraibano, como também de outros estados (IEACN, 2014). Atualmente dispõe de instalações e equipamentos que visam à melhoria na qualidade de vida das pessoas com deficiência visual, possuindo cerca de cento e oitenta alunos assistidos, os quais são pessoas cegas ou com baixa visão. O Instituto oferece: educação infantil, informática, desporto, musicalização, assistência social, além de outras atividades baseadas nas necessidades das pessoas cegas (IEACN, 2014).
Nas subseções, são apresentadas as duas técnicas de coleta de dados utilizadas nesta pesquisa.
3.2.1.1 Entrevista episódica
A entrevista pode ser entendida como “um processo de interação social entre duas pessoas na qual uma delas, o entrevistador, tem por objetivo a obtenção de informações por parte do outro, o entrevistado” (HAGUETTE, 2001, p.86). No que se refere às pesquisas realizadas junto a pessoas com deficiência, Faria, Vergara e Carvalho (2011) ressaltam a habilidade que o pesquisador deve possuir para interagir com indivíduos surdos, cegos ou com Síndrome de Down, por exemplo. Além disso, é preciso considerar as questões éticas nesta etapa de coleta de dados, que consistem em não colocar os participantes em risco, respeitar as populações vulneráveis, considerando suas necessidades especiais (CRESWELL. 2010).
As entrevistas individuais semiestruturadas foram realizadas junto aos informantes com deficiência visual foram do tipo, episódica, as quais possuem sua base metodológica assentada na fenomenologia (BARBOSA, 2006), o que vai ao encontro dos pressupostos definidos neste estudo. A autora destaca que “os episódios vivenciados na experiência de consumo, só podem ser interpretados por intermédio das narrativas dos consumidores acerca destas experiências” (BARBOSA, 2006, p. 130). Desse modo, o ponto de partida para a entrevista episódica é a suposição de que as experiências adquiridas por um indivíduo sobre um determinado domínio estejam armazenadas e sejam lembradas nas formas de conhecimento narrativo-episódico e semântico (FLICK, 2004), ou seja, essa técnica procura a contextualização das experiências.
Sua operacionalização contou com um guia de perguntas (ir ao apêndice A) e foi realizada seguindo as nove fases propostas por FLICK (2002), que objetivam analisar o conhecimento cotidiano do entrevistado sobre um tema ou campo específico, que nesta investigação consistirá em suas experiências de consumo. As fases da entrevista são as seguintes:
Fase 1: preparação da entrevista - diz respeito a compreensão preliminar do pesquisador