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Notions sur les dessins de définition et d'ensemble et les

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A oralidade possui uma série de recursos que devem ser analisados em prol de se usar essa modalidade de maneira eficaz, apropriando-se de todos os recursos inerentes e disponíveis para efetivamente, em sala de aula, construirmos um trabalho satisfatório com ela.

Dentre os elementos que compõem o conjunto de expressões orais podemos também destacar a qualidade da voz. Ela deve ser audível para construir manifestações prosódicas (entonação, tom, velocidade etc.). Além disso, a fala costuma, no momento de sua produção, deixar algumas lacunas que podem ser preenchidas com outros elementos como gestos e olhares.

Conforme o que já foi mencionado por Dolz, Schneuwly e Haller (2013) e Kerbrat- Orecchioni (2006) em relação aos elementos paraverbais e prosódicos (vestimentas, cenário, postura, tonicidade, timbre da voz etc.) usados durante uma apresentação oral ou um debate, é possível perceber que alguns elementos elencados passam despercebidos para os alunos, pois o que vemos nas apresentações orais em seminários, por exemplo, é a falta de atenção ao modo de como se colocar à frente da turma, a qual postura manter e à altura ideal da voz, é o que percebemos durante a nossa prática cotidiana em sala de aula. Na escola, durante uma exposição oral, os alunos se esquecem de monitorarem esses aspectos da voz: falam baixo, de maneira rápida ou, ainda, inaudível, esquecendo-se do monitoramento que essas situações de uso público do oral exigem. Não se trata de fala espontânea e sim de fala que, por seu caráter formal, deve ser cuidada, lapidada, planejada, organizada, vigiada, selecionada e reelaborada.

Além das marcas não linguísticas que o texto oral apresenta, são próprias dessa modalidade características como repetição, correção e modalização.

3.1.1 As repetições, as correções e as modalizações

Consoante Marcuschi (2007), “a repetição é uma estratégia de formulação textual e se apresenta mais frequentemente em textos orais.” (MARCUSCHI, 2007, p. 113). A mesma ideia é defendida também por Jubran (2006, p. 115) e é retomada por Dionísio e Hoffnagel (2007), que demonstram como a repetição favorece o movimento da progressão textual valendo-se de elementos da oração, uma vez que, a cada estrutura repetida, uma nova informação é acrescentada ao texto.

Koch (2008) também discorre a respeito da repetição, mostrando as várias funções estabelecidas por esse recurso que propicia ao falante uma gama de possibilidades nas quais a repetição pode ser vista como recurso cognitivo e interacional. Além disso, a autora enumera os vários tipos de repetição mostrando que estudos recentes têm se preocupado com essas questões e destacam, principalmente, as auto-repetições e as alo ou hetero-repetições.

As repetições da fala do outro, denominadas por Koch (2008) como alo-repetições, podem ser usadas para garantir a posse do turno e ganhar tempo de planejamento; para entrega de turno; para perguntas e respostas; para manter a atenção de seu interlocutor; acompanhadas de certas expressões fisionômicas, serve para ridicularizar o que foi dito pelo outro; entre outras funções.

As auto-repetições são produzidas pelo mesmo falante e têm função cognitivo- interacional. Geralmente servem para ganhar tempo para o planejamento da fala e também assegurar a posse do turno. As ideias de Koch (2008) estão em consonância com as de Dionísio;

Hoffnagel (2007), pois as funções exercidas pela repetição levam a um novo tópico ou subtópico (uma nova informação). Para Galembeck (1999, p. 69), a repetição é simplesmente “defender uma tese, cumprindo a função de reforço, entendimento e concordância”.

As correções são pertinentes tanto a textos orais como escritos. Na fala, percebemos que durante o turno o falante pode se confundir no decorrer de um diálogo; pode voltar atrás e corrigir sua fala por meio de reformulações de ordem sintática, analítica, morfológica e até estilística; pode, inclusive, ser corrigido por um interlocutor. Assim, quando o aluno profere algo que está inadequado ao contexto de sua fala, pode ser corrigido por outro aluno ou até pelo próprio professor.

As correções na fala são decorrentes do fluxo de pensamento altamente espontâneo. Durante o imediatismo da fala algumas palavras saem em desacordo com as orações iniciais no discurso, assim o falante as corrige para manter a correlação certa dentro do discurso que pretende manter com seus interlocutores.

Em relação à modalização, podemos dizer, grosso modo, que são as atitudes do falante mediante determinado assunto do qual está tratando: seu posicionamento em relação a si mesmo, aos interlocutores e, ainda, sua opinião sobre determinado tópico pertinente ao discurso proferido por ele. Segundo Koch (2008, p. 85), “Ao produzir um discurso, o locutor manifesta suas intenções e atitude perante os enunciados que produz através de sucessivos atos de modalização, que atualizam por meio dos diversos modos de lexicalização que a língua oferece.” Expressões como “[É certo que] Maria virá”, analisada com base na sintaxe tradicional, a primeira oração é considerada a principal em relação à segunda, no entanto Koch (2008, p. 137) salienta que o conteúdo proposicional se encontra na segunda parte da oração, servindo a primeira parte apenas para modalizá-los.

Os modalizadores auxiliam no que podemos denominar de “sistema organizacional do texto4”, no qual são encontrados os posicionamentos ideológicos, cognitivos e lexicais do falante. Esses são essenciais para o entendimento e andamento do texto, mostrando qual direcionamento os argumentos levantados pelo locutor seguem para convencer seu interlocutor ou plateia.

4 Estamos denominando de sistema organizacional do texto todos os elementos que são essenciais para a composição do texto falado ou escrito como a coesão e a coerência, já mencionadas por Koch (2008) como sendo o conjunto de relações responsáveis pela tessitura do texto.

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