Os dados e informações sobre as características da viagem do turista estrangeiro ao pólo turístico de São Luís (MA), referentes ao período compreendido entre 1996 e 2001, quando apresentados e analisados em conjunto com os dados do Brasil e das suas cidades mais visitadas, permitem detectar tendências e fazer considerações pertinentes ao quadro do turismo local.
Fica clara a grande representatividade do fator negócios/trabalho como motivação de viagem ao pólo turístico de São Luís (MA), em que pese o turismo ser a resposta mais freqüente dos turistas estrangeiros. Na comparação feita com as oito cidades mais visitadas do país, a freqüência do motivo turismo em São Luís (MA) se assemelha mais com os resultados das cidades que não possuem praia, como é o caso de São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), do que com as cidades do litoral nordestino, como Fortaleza (CE), Recife (PE) e Salvador (BA).
Contudo, para quem veio a passeio ou fazer turismo, os atrativos turísticos são o principal fator motivador, tanto em São Luís (MA), quanto na média geral do Brasil. O patrimônio histórico/cultural e os atrativos naturais de São Luís (MA) praticamente se igualam como fatores decisórios dos turistas estrangeiros, com as manifestações populares, tão ricas na capital maranhense, ficando para um segundo plano.
O item “informações de amigos”, assim como na avaliação geral do país, com 47,36% em 2001, vem sendo recorrentemente apontado pelos turistas estrangeiros como o principal fator que influencia a decisão da visita à cidade de São Luís/MA, com 43,75% no mesmo período.
Ao contrário do panorama geral do Brasil, os turistas estrangeiros em visita ao pólo turístico de São Luís (MA), considerando os anos de 1996 a 2001, costumam, em grande parte, viajar sozinhos, com média de 46,28%, superando a opção viajar com a família, cuja média é de 22,54%, provavelmente por conta do grande contingente de viagens para realização de negócios/trabalhos ou para participação em congressos/convenções, discutidas anteriormente.
Assiste-se a uma elevação do número de turistas estrangeiros que não utilizaram os serviços de agências para organizarem suas viagens ao pólo turístico de São Luís (MA), passando de 75,86% em 1996 a 95,85% em 2001. No mesmo período, no cenário nacional, em proporções menores, também ocorreu um crescimento, aumentando de 63,8% em 1996 para 78,26% em 2001.
Enquanto observa-se uma estabilidade na escolha dos hotéis como meios de hospedagem nas cidades de Salvador/BA (72,70% em 1996 e 75,24% em 2001), Recife/PE (64,50% em 1996 e 60,94% em 2001) e Fortaleza/CE (71,40% em 1996 e 69,50% em 2001), em São Luís/MA, verifica-se que os turistas estrangeiros reduziram de 57,27% (1996) para 29,75% (2001) sua demanda por alojamentos do tipo hotel, tendo buscado outras alternativas de hospedagem, muito provavelmente, mais econômicas.
De um modo geral, os bens e serviços adquiridos por um determinado turista têm uma relação direta com o seu nível de renda. Como foi visto, no período de 1996 a 2001, São Luís (MA) passou a receber turistas com menor nível de renda, explicando, de certa forma, a diminuição na procura de hotéis por parte dos turistas estrangeiros. Somando-se a isto, o fato dos preços dos hotéis em São Luís (MA) serem basicamente os mesmos dos grandes centros turísticos do Brasil, contudo, sem igualar a qualidade dos serviços.
A permanência média do turista estrangeiro em São Luís/MA, com média de 10,07 dias no período de 1996 a 2001, é bem inferior à média Brasil, que no mesmo período foi de 12,89 dias.
Este fato pode estar associado à realidade de um turista que, com um menor nível de renda, acaba permanecendo menos tempo; ou ligada a uma pequena diversificação da oferta turística, ou ainda a uma fraca divulgação do produto turístico e não inclusão nos roteiros dos turistas.
Como não podia ser diferente, com a vinda de turistas estrangeiros com níveis de renda menores (US$ 31.702,92 em 1996 e US$ 23.080,68 em 2001), verifica-se uma queda de 67,60% do gasto médio per capita/dia do turista estrangeiro em visita a São Luís (MA), caindo de 63,70 em 1996 para 20,64 dólares em 2001. No mesmo período, ocorreu um aumento de 15,37% no gasto médio diário per capita no Brasil, que cresceu de 70,39 para 81,21 dólares.
Vale observar que, segundo os dados do boletim conjuntural da SUDENE (1999), as exportações do Maranhão em 1998 foram de 635,6 milhões de dólares. De acordo com ROLIM (1999, p.235) a receita cambial gerada com o turismo é resultado da multiplicação do número de turistas pela permanência média e pelo gasto médio per capita/dia.
Dado que em 1998 o número total de turistas no Maranhão segundo a GEPLAN/MA foi de 431,32 mil e que 2,20% foram turistas estrangeiros, com uma permanência média de 10,16 dias e gasto médio per capita/dia de 41,06 dólares, e considerando São Luís (MA) como único portão de entrada dos visitantes internacionais, a receita proveniente do turismo internacional no Maranhão em 1998 foi de 3,96 milhões de dólares, o que representa 0,62% das exportações maranhenses no período.
No mesmo ano, no Brasil, as receitas, considerando o turismo internacional, foram de 3.678 milhões de dólares, enquanto as exportações, segundo o boletim conjuntural da SUDENE, somaram 51.120 milhões de dólares.
Desse modo, no ano de 1998, as entradas com o turismo internacional no Brasil corresponderam a 7,2% das exportações do país, comprovando a pequena representatividade da receita turística no Maranhão.
Comparando com o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado do Maranhão em 1998, que foi de 11.445 milhões de dólares, verifica-se que as exportações maranhenses no mesmo ano representaram 5,55%.
Por fim, o item “intenção de voltar” que, de um modo geral, acaba refletindo a imagem de todo o pólo turístico. Em São Luís (MA), no ano de 1996, dos turistas vindos de outros países, 89,03% demonstraram intenção de voltar. No mesmo período, a média Brasil foi praticamente a mesma, com 89,30%.
Contudo, este percentual, no ano de 2001, cai para 79,08%, trazendo consigo, provavelmente, reflexos de um nível mais elevado de insatisfação ou de decepção com o produto turístico local. O quadro de insatisfação fica mais evidente ainda, quando, neste mesmo ano, 97,11% declaram intenção de visitar o Brasil novamente.
Considerando, no quadro 40, somente as cidades do Nordeste brasileiro, verifica-se que no ano de 2001 a intenção de voltar a Fortaleza (CE), a Salvador (BA) e a Recife (PE), respectivamente, 88,17%, 97,88% e 98,27%, também superam, com folga, o percentual da capital maranhense.
3.3. AVALIAÇÃO DA INFRA-ESTRUTURA, EQUIPAMENTOS, SERVIÇOS E