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Note spécifique sur l’élaboration de la stratégie de diffusion

2. LES ACTIVITES DE STRUCTURATION INSTITUTIONNELLE

2.4. Note spécifique sur l’élaboration de la stratégie de diffusion

A pequena dimensão do espólio de Chãos Salgados é contrária ao estabelecimento de grupos ou sub-grupos macroscópicos de fabricos, situação reforçada pela homogeneidade, embora não total, observada.

A própria investigação, ao longo das duas últimas décadas, tem reforçado a ideia de uma incapacidade de confirmação laboratorial dos grupos macroscópicos estabelecidos pelos arqueólogos.

Já em 1990, C. Wells chamava a atenção para a impossibilidade de se atribuírem origens, mesmo a fragmentos com marcas de oleiro (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.2), apesar de já existirem grupos com uma melhor caracterização química, como são os casos de Arezzo e Cincelli, segundo G. Schneider e B. Hoffmann (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.27). A própria decoração deixou igualmente de ser tida como um critério de proveniência (Schindler-Kaudelka; Fastner; Gruber, 1998, p.260).

Para além desta situação, há um consenso quanto à falta de um conhecimento integral das áreas e centros produtores que terão existido no espaço itálico, que ultrapassam as principais áreas detectadas: Arezzo, Pisa, Pádua, ou a região de Nápoles (Schindler- Kaudelka; Schneider; Zabehlichy, 1997, p.481).

As diferenças químicas entre os grupos de referência da terra sigillata itálica são pequenas, e a maioria deles – para além de Arezzo, Pisa e Lyon - foi estabelecida até ao momento com recurso a uma quantidade pequena de análises que os torna estatisticamente inválidos. O panorama actual, segundo G. Schneider e M. Daszkiewicz (2006, p.538 e 542), aponta para uma incapacidade na atribuição de centros aos grupos químicos de Roma, tal como aos grupos da área de Nápoles; cumulativamente, são ainda desconhecidos os locais de produção na área padana e mesmo as atribuições a Lyon são objecto de muitas dúvidas, pois os vasos importados pela área setentrional do Império não encaixam nos grupos de referência do dito centro.

Apresentamos, contudo, uma descrição das principais diferenças detectadas no espólio de Chãos Salgados.

O fabrico mais abrangente do conjunto define-se por uma pasta dura, de fractura algo linear, com pequenos vácuos, alongados ou arredondados, em pouca quantidade e poucos enp de muito pequena dimensão, brancos ou branco-amarelados. Cor N37/39. Verniz com algum brilho, geralmente bem conservado, de espessura média. Cor R19/20.

O nº 26 possui uma pasta dura, de fractura algo conchoidal, granulosa, mas compacta, com bastantes enp brancos de pequenas dimensões. Cor L50. Verniz fino, sem brilho, que

se desfaz mais facilmente, parecendo por vezes ter sido mal aplicado. Cor R20, embora no caso do nº 11 seja R25.

No bojo nº Arq-1623 (sem estampa) a pasta não é granulosa mas fina e o verniz tem algum brilho e é de espessura média, cor P20.

Por último, ao nível crono-morfológico, a formulação tradicional composta por um horizonte / facies antigo e um horizonte / facies clássico, elaborado a partir dos dados dos sítios do limes renano – no primeiro caso, Dangstetten, Nimegen, Vindonissa, Rödigen e Oberaden, onde predomina o serviço I; no segundo caso, Haltern, onde predomina o serviço II – (Genin, 1997, p.13), é hoje questionado a partir dos resultados estratigráficos de Magdalensberg. Schindler-Kaudelka (2002, p.264-270) chama inclusive a atenção para o facto de as raras estratigrafias do espaço itálico, salvo Bolsena (Goudineau, 1968), serem datadas pelo modelo criado sobretudo com base no sítio alemão referido, o que, na falta de novos contextos, tem produzido um efeito de “círculo vicioso” na datação das formas.

Esta falta de estratigrafias em confronto, para além das respeitantes ao sítios “tradicionais”, está bem patente, a nosso ver, no Conspectus (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.72), onde as abordagens cronológicas são algo rápidas e feitas com base num raciocínio de ausência / presença nos sítios do limes.

3.1.2. Análise tipológica 3.1.2.1. Formas lisas 3.1.2.1.1. Prato

Consp. 4.5

Com diâmetros entre 148 e 198mm, os nºs 1, 2 e 3, apresentam a parede introvertida com quebra de perfil interna e a sua cronologia pode estender-se desde finais de Augusto a Tibério-Cláudio (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.58).

Consp. 12.1 e 12.4

Com diâmetros de 381 e 202mm respectivamente, os únicos exemplares de cada uma destas variantes – nºs 20 e 4 – apresentam as normais características nos bordos: o primeiro caso possui protuberância e sulco entre o bordo e a parede, e a parede interna do segundo e tri-segmentada. Ambas as variantes centram-se numa cronologia médio-tardo-augusta (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.72).

Consp. 19.1 ou 19.2

A única carena com diâmetro mensurável, nº 5, possui moldura interna e mede 200mm de diâmetro. A sua cronologia é augusto-tibéria (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.84).

Consp. 20 e 20.4

O único exemplar de Consp. 20, nº 6, mede 150mm de diâmetro de bordo e é possível que se integre numa das variantes 20.3 a 20.5, embora a sua parede seja algo dúbia, pois, embora seja extrovertida, não possui molduras externas no bordo ou na carena.

Já a forma Consp. 20.4 possui 5 exemplares em Chãos Salgados, tendo-se medido um único diâmetro de bordo, o do nº 7, com 150mm. O nº 8 é o único exemplar com a decoração aplicada conservada: um Cupido.

Quanto à cronologia, o tipo Consp. 20 foi produzido desde a época médio-augusta até Nero / Flávios, enquanto que a Consp. 20.4 parece ser mais frequente em meados do século I d.C. e contextos algo posteriores (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.86). Este último tipo parece ter uma datação entre 40-60 d.C. no que respeita a Arezzo, embora a produção padana pareça estender-se pela segunda metade do século I e ainda raramente no primeiro terço do século II (Schindler-Kaudelka; Fastner; Gruber, 1998, p.258). O exemplar mensurado de Chãos Salgados apresenta um valor de diâmetro abaixo dos grupos determinados num estudo sobre 700 exemplares da área nórica, no qual se definiram pratos mais fundos, com 170 a 220mm de diâmetro, e grandes pratos, muito raros, com medidas mais padronizadas. Já o motivo da decoração constatado no nosso exemplar é o mais frequente na dita área setentrional (Schindler-Kaudelka; Fastner; Gruber, 1998, p.252).

Suportados numa boa amostra estatística, os autores deste estudo são igualmente contra a tese de Ph. Kenrick (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.86) que propõe uma evolução no seio da Consp. 20.4, tese esta que parece não ter base no grande conjunto analisado.

3.1.2.1.2. Tigela

Consp. 22

Com diâmetros de bordo entre 90 e 114mm, este tipo está representado pelos nºs 9,

10, 11 e 12. Estas medidas colocam este conjunto entre os dois grupos de diâmetros

determinados por Ph. Kenrick, de 75-90 120-140mm. A cronologia deste tipo decorre entre 20 a.C. e os fins de Tibério (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.96).

Consp. 23.2

O único exemplar, nº13, mede 93mm de diâmetro de bordo e poderia possuir decoração aplicada, à semelhança do tipo Consp. 20.4, analisado supra. Data-se nos 2º e 3º quartéis do século I (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.92).

Consp. 27

Os nºs 14, 15 e 16 medem 100, 113 e 109mm de diâmetro e apresentam variações no bordo, desde um simples espessamento até à constituição de uma aba inclinada para o cimo ou horizontalizada. Este tipo data-se entre Tibério e Nero (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.100).

Consp. 28

O fundo nº 17, com 62mm de diâmetro de pé-de-anel (um outro exemplar mede 60mm) deve datar-se na primeira metade do século I (Ettlinger; et Al., 1990-2002, p.100).

3.1.2.2. Formas decoradas Indeterminada

Os óvulos do nº 18, de linha dupla e alternados por linguetas, são típicos de P.

Cornelius, oleiro diagnosticado em Chãos Salgados, embora haja uma possível relação com Annius, segundo Dragendorff e Watzinger (1948, p.163 e 143). No entanto, M. Perennius

também produziu esta decoração (Oxé, 1968, p.84) e mesmo alguns óvulos de Rasinus são parecidos (Stenico, 1960, p.53, nº5).

A decoração de romãs e folhas do nº 19 pode também pertencer a P. Cornelius (Draggendorff e Watzinger, 1948, p.511-514 e Dias, 1976-7, p.363).

3.1.3. Marcas

P. Cornelius e Anteros (nº 21) – Terá trabalhado a partir de 5. a.C. (Oxé; Comfort;

Kenrick, 2000, p.192). A marca de Chãos Salgados está publicada igualmente como OCK, 2000, nº 2.

C. TAP(urius?) (nº 22) – Terá trabalhado entre 10 a.C. e 10 d.C.. A marca de Chãos

Salgados é semelhante à OCK, 2000, nº 4 (Oxé; Comfort; Kenrick, 2000, p.417).

Vibien(us) (nº 24) - Terá trabalhado entre 10 a.C. e 10 d.C.. A marca de Chãos

Salgados tem alguma semelhança com a OCK, 2000, nº15, embora possua cantos laterais arredondados e não angulosos (Oxé; Comfort; Kenrick, 2000, p.472). Um exemplar deste oleiro surgiu num depósito augusto de Valência (Albiach; et Al., 1998, p.192).

C. Vibienus (nº 25) - Terá trabalhado entre 1 e 40 d.C. ou algo para além desta data. A

marca de Chãos Salgados condiz, na cartela e na grafia, com a OCK, 2000, nº 78 (Oxé; Comfort; Kenrick, 2000, p.472).

Xanthus (nº 23) - Terá trabalhado entre 5 a.C. e 20 d.C.. A marca de Chãos Salgados

é semelhante à OCK, 2000, nº 3 (Oxé; Comfort; Kenrick, 2000, p.505).

Anepígrafa (nº 26) – A roseta presente não possui paralelo em OCK (2000). A sua

cronologia deverá começar em 10 a.C. (Oxé; Comfort; Kenrick, 2000, p.522).

Oleiro / Interpretação Marca / Caixilho Nº de Inv. Tipo Morf. Morfológica Descrição Medições Observações

P. Cornelius e escravo Anteros ANTEROS / P(ublius) CORN(elius) ANTEROS / PCORN Cartela rectangular de cantos levemente arredondados 21 - Arq- 6837 p f Canelura no fundo interno. dp: ? Almeida, 1964, p.63, nº11. 5 a.C. em diante.

C. Tap(urius?) Cartela elíptica C.TAP 22 - Arq-396 t f dp: 50mm; hp: 8mm Dias (1976-7):18. 10.a.C - 10 d.C.

Vibienus

VIBI(enus) .VIBI[ 24 - Mir-3-397 p f

C. Vibienus

C. V(i)B(ienus) CVB 25 - Mir-26-4 p f

Xanthus

]XAN[TH ]XAN[ 23 - Arq-1944 t f Dias (1976-7):20

Anepígrafa Roseta 26 - Arq-931 t f dp: 51mm; hp: 5mm Dias (1976-7):19

Fig. 10: Marcas de oleiro de TSI em Chãos Salgados.

3.1.4. Análise crono-estratigráfica 3.1.4.1. Campanha de 1997-2000

O único exemplar em estratigrafia é o nº Mir-757-9, sem estampa, fragmento de fundo de prato, que surgiu no contexto 42, datado já no século II, o que deverá corresponder a uma situação posterior à sua utilização.

3.2. Terra sigillata sudgálica (La Graufesenque)

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