C.3 Improved resolution for ultrasound Fourier imaging
3.14 Notations utilisées dans les calculs relatifs aux ondes focalisées
As infecções em utilizadores de drogas ilícitas constituem muitas vezes um desafio para os clínicos por uma multiplicidade de razões:
Aspectos psicossociais complexos (má aderência ao seguimento médico e à terapêutica); Antibioterapia prévia frequente;
Multiplicidade de gérmens envolvidos;
Febre e sinais inflamatórios frequentemente ausentes. Infecções mais frequentes
1 – Pele e tecidos moles
Infecções muito frequentes nesta população, sobretudo as colecções abcedadas e celulites. Os locais afectados relacionam-se com os acessos venosos utilizados pelos consumidores (mais os membros superiores).
A flora encontrada nestas infecções é na maioria dos casos uma flora mista – S. aureus (incluindo S. aureus meticilino-resistente adquirido na comunidade) e anaeróbios provenientes da boca (estes últimos devido ao hábito que têm os toxicómanos de passar a agulha na boca para a “lubrificar” antes de se injectarem. Outros microorganismos potencialmente envolvidos são os Streptococcus spp., Pseudomonas aeruginosa e outros Gram negativos (E.coli, Klebsiella, Enterobacter, Proteus e Serratia).
Testes diagnósticos específicos:
Coloração por Gram, cultura e sensibilidade de material colhido do local infectado. Terapêutica:
Estas situações podem evoluir para infecções necrosantes difusas e, assim, a drenagem cirúrgica atempada (quando indicada) e antibioterapia precoce são essenciais. O regime de tratamento (em ambulatório ou internamento) e a via de administração dos fármacos depende da gravidade da situação.
Clindamicina 450-600mg de 6/6horas;
Cefazolina 1g EV de 8/8horas + Metronidazol 500mg de 8/8 horas; Piperacilina-Tazobactam 3,375 g de 6/6 horas ou 4,5 g de 8/8 horas; Vancomicina 15 mg/Kg de 12/12h + Metronidazol 500mg de 8/8 horas;
Teicoplanina 6 mg/Kg de 12/12h (primeiras 3 tomas) seguido de 6 mg/Kg id +Metronidazol 500mg de 8/8 horas;
Linezolide 600 mg 12/12h + Metronidazol 500mg de 8/8 horas.
2 – Osteoarticulares:
Podem resultar de disseminação hematogénia (endocardite, p.ex.) ou de focos de contiguidade (pele e/ou tecidos moles).
Esqueleto axial é o mais atingido.
As manifestações clínicas são variáveis e podem ou não incluir queixas constitucionais e sinais e sintomas locais dependentes do local atingido (dor, tumefacção, incapacidade funcional, défices motores).
As infecções piogénicas predominam (> 90% dos casos): S. aureus;
Estreptococos do grupo A e G; Bacilos Gram – negativo; Polimicrobianas.
As infecções não piogénicas do esqueleto incluem a tuberculose e as infecções por Candida spp. Testes diagnósticos específicos:
Necessárias punção aspirativa e/ou biopsia para exame directo e cultural. Terapêutica (empírica, até isolamento do gérmen):
Devem utilizar-se AB endovenosos durante 4-6 semanas e limpeza cirúrgica se necessário. Flucloxacilina (2 g EV 6/6 horas) + Ciprofloxacina (750 mg oral 12/12 h)
Na infecção por Candida spp, deverá utilizar-se a Anfotericina B, os derivados azóis ou as equinocandinas (caspofungina).
Para as osteomielites, infecções graves e possíveis infecções por Staphylococcus aureus meticilino- resistentes associar Vancomicina ou Teicoplanina nas doses acima descritas.
3 - Endocardite Infecciosa
Causa mais comum de bacteriémias nos toxicodependentes.
Os S. aureus (incluindo Staph. aureus meticilino-resistente adquirido na comunidade) e os Estreptococos dos grupos A, B, G são os microorganismos mais frequentemente envolvidos e, no conjunto, representam > 75% dos casos.
O S. epidermidis aparece com menos frequência; Enterococos e gérmens Gram-negativo são pouco frequentes. Os fungos, sobretudo Candida não albicans representam cerca de 5 % dos casos.
Nos últimos anos tem-se assistido a um aumento das infecções polimicrobianas.
A válvula tricúspide é a mais atingida, excepto nas mulheres, em que predomina o atingimento da mitral (> incidência de prolapso).
Manifestações clínicas variáveis: febre, sintomas constitucionais, infiltrados pulmonares frequentes na endocardite do coração direito (embolização séptica); febre nem sempre presente (apenas 35% dos doentes com endocardite da tricúspide apresentam sopro).
Sinais clássicos são raros (nódulos de Osler, lesões de Janeway). Testes diagnósticos específicos:
Hemoculturas positivas em 80-100% dos casos. Ecocardiograma sugestivo em cerca de 90% dos casos. Terapêutica:
Empírica:
Penicilina G 3.000.000 U EV de 4/4 horas (4 semanas) OU
Ampicilina 3 g EV de 6/6 horas + Gentamicina 1mg/Kg de 8/8 horas (2 semanas) OU
Vancomicina 15 mg/Kg EV de 12/12 horas (< 2 g cada 24 horas) + Gentamicina 1mg/Kg de 8/8 horas.
Enterococo:
Ampicilina 3 g EV de 6/6 horas + Gentamicina 1mg/Kg de 8/8 horas (4 semanas) OU
Vancomicina 15mg/Kg de 12/12h, EV se alergia à Penicilina. Estafilococo:
Flucloxacilina 3 g EV de 6/6 horas (4-6 semanas) + Gentamicina 1 mg/Kg de 8/8horas durante 3-5 dias (discutível a associação do aminosídeo)
OU
Vancomicina 15 mg/Kg de 12/12 horas (<2 g cada 24 horas), EV (se se tratar de um Estafilococo meticilino-resistente) (4 a 6 semanas) + Gentamicina 1mg/Kg de 8/8 horas (3 dias) + (ou em alternativa à Gentamicina) Rifampicina 300 mg EV ou PO de 12/12 horas.
Estreptococo viridans:
Penicilina G 3.000.000 U EV de 4/4 horas (4 semanas) + Gentamicina 1mg/Kg de 8/8 horas (4 semanas).
As indicações cirúrgicas são semelhantes aos não toxicodependentes. 4 - Infecções pulmonares
São extremamente frequentes em toxicodependentes. Podem ocorrer:
Pneumonia bacteriana (a mais frequente);
Embolização séptica a partir de focos distantes (endocardite direita, p.ex.); Derrame pleural/empiema;
Abcesso pulmonar;
Infecções pulmonares oportunistas associadas ao VIH. Gérmens mais frequentemente envolvidos:
S. pneumoniae; Anaeróbios da boca; S. aureus;
P. aeruginosa.
Testes diagnósticos específicos: Radiografia do tórax;
Antigénios urinários para Legionella e Streptococcus pneumoniae; Cultura de aspirados traqueobrônquicos/expectoração/líquido pleural; Hemoculturas;
Broncofibroscopia com lavado broncoalveolar na suspeita de pneumocistose; Intradermorreacção com tuberculina.
Terapêutica:
Pneumonia (da comunidade): a)Tratamento em ambulatório:
Macrólido p.o. (ex.: Azitromicina ou Claritromicina 500mg id); Fluoroquinolona respiratória p.o. (ex.: Levofloxacina 750 mg id); b)Tratamento em regime hospitalar:
-lactâmico (Cefoxitina 1g EV de 8/8 horas OU Ceftriaxone 1g EV de 12/12 horas) + Macrólido e.v. (nas doses acima preconizadas) OU
Fluoroquinolona respiratória (Levofloxacina 750 mg iv id).
Flucloxacilina 2 g EV de 6/6 horas ou Cotrimoxazol 960 mg de 12/12 horas se S. aureus Meticilino-sensível.
Na pneumonia por S. aureus Meticilino-resistente usar Vancomicina, Teicoplanina ou Linezolide nas doses já referidas.
Na suspeita de Pseudomonas usar -lactâmico anti-pseudomonas e antipneumocócico (Piperacilina-Tazobactam 4,5g i.v. de 8/8h, Cefepime 1 a 2g de 12/12 horas OU Carbapenemos - Imipenem 500 mg de 6/6 ou 8/8h ou Meropenem 1g de 8/8horas) + Quinolona antipseudomonas (Ciprofloxacina ou Levofloxacina) OU
-lactâmico anti-pseudomonas e antipneumocócico (Piperacilina-Tazobactam 4,5g i.v. de 8/8h OU Cefepime 1 a 2g de 12/12 horas OU Carbapenemos) + Aminoglicosídeo (Amicacina 15 mg/Kg cada 24 h) + Azitromicina 500 mg id OU
-lactâmico anti-pseudomonas e antipneumocócico (Piperacilina-Tazobactam 4,5g i.v. de 8/8h OU Cefepime 1 a 2g de 12/12 horas OU Carbapenemos) + Quinolona antipseudomonas (Ciprofloxacina ou Levofloxacina) + + Aminoglicosídeo (Amicacina 15 mg/Kg cada 24 h).
Abcesso pulmonar ou Pneumonia necrosante:
Clindamicina 600-900 mg de 6/6 horas + Netilmicina 6,5mg/Kg cada 24 h OU Imipenem 500mg de 6/6horas
Empiema pleural: