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O tema sobre PSP vem sendo desenvolvido e aperfeiçoado por diversos esforços apresentados pelo pesquisador Fábio K. Schramm (como por exemplo, Schramm, 2004; Leite et al., 2006; Saffaro et al., 2006; Schramm, 2009; Schramm et al., 2009). Nesse contexto, merece destaque o modelo criado em 2004 e aperfeiçoado em 2009 para Empreendimentos Habitacionais de Interesse Social (EHIS).

Schramm (2004) destaca os benefícios na consideração simultânea entre o projeto do produto e dos processos de produção individuais para a obtenção de facilidades na execução, redução de tempos e custos da produção. Outra constatação importante do autor é a necessidade de integração entre o PSP e o PCP, a partir da qual se discute e avalia a eficácia e eficiência das ações propostas para concepção da produção.

Seus estudos concordam com Slack et al. (2009) quando considera que as etapas de elaboração do PSP devem ser realizadas em consonância com a estratégia de produção da empresa. Embora faça essa afirmação, conforme o modelo proposto por Schramm (2004), apresentado na figura 3, a sua pesquisa não abrange as todas as categorias de decisões apresentadas pela literatura de produção.

O escopo de decisões do modelo é definido com base em uma série de seis etapas agrupadas de acordo com a unidade de análise a que se referem: a unidade-base ou o empreendimento como um todo (SCHRAMM, 2004).

Figura 3 - Modelo de elaboração do PSP para EHIS.

Fonte: Schramm (2004).

De acordo com o modelo, as etapas devem ser percebidas de forma integrada, uma vez que a modificação de uma das decisões estabelecidas repercutirá, em maior ou menor grau, sobre as demais. Desta forma, há setas em dois sentidos, uma no sentido do fluxo de decisão, caracterizado pela definição da etapa, e a outra no sentido do fluxo de revisão, necessária em função do aspecto iterativo do processo. Nesse contexto, cada etapa é descrita a seguir:

definição da sequência de execução e pré-dimensionamento da capacidade dos recursos de produção da unidade-base: são coletados dados preliminares a respeito do tipo de empreendimento em estudo; define-se a unidade-base de produção; determina-se a sequência de execução dessa unidade- base; discute-se o nível de integração vertical e seleção das tecnologias construtivas a serem utilizadas;

estudo dos fluxos de trabalho: são estabelecidos fluxos de trabalho das equipes de produção nas unidades-base com relação às dimensões espaço e tempo para identificar e sanar possíveis interferências entre equipes; sugere-se a utilização da técnica da linha de balanço (LOB), dada sua característica de fornecer, de forma gráfica e de fácil compreensão, trajetórias e ritmos de produção e informações de duração;

definição da estratégia de execução do empreendimento: é realizada a subdivisão do empreendimento em zonas de trabalho; organizadas as trajetórias das equipes de produção para formular uma estratégia de ataque composta pelas trajetórias das várias equipes de execução dos processos;

estudo dos fluxos de trabalho no empreendimento: compreende a análise dos fluxos de trabalho a partir da estratégia de execução e do estudo dos fluxos de trabalho na unidade base principalmente com relação àqueles processos considerados críticos para o sistema de produção;

dimensionamento da capacidade dos recursos de produção: os dados do pré-dimensionamento da capacidade dos recursos de produção (equipes e equipamentos) idealizados na primeira etapa são revisados para execução do empreendimento;

identificação e projeto de processos críticos: detectam-se as atividades que interferem na produção como um todo e se projeta em detalhe seus processos para minimizar os efeitos negativos que devem acarretar ao sistema.

Schramm (2009), em sua tese, incrementa o seu modelo proposto em 2004, tendo a simulação computacional como ferramenta de apoio à tomada de decisão (figura 4). Tal modelo continua com seu escopo limitado a decisões de caráter operacional, deixando de fora as decisões relacionadas ao caráter estratégico.

O modelo de simulação utilizado no estudo viabiliza a compreensão das interações dinâmicas entre os diferentes processos que compõem o sistema de produção dos empreendimentos e a consideração da variabilidade inerente aos processos produtivos. Assim, quanto mais cedo o modelo de simulação estiver disponível, maiores as oportunidades para seu potencial emprego (SCHRAMM, 2009).

Para o autor, deve-se ter cuidado com emprego de modelos mais detalhados, pois os mesmos apresentam algumas desvantagens, tais como: afeta o esforço e o tempo requeridos para o desenvolvimento de cada cenário a ser simulado; bem como, qualquer pequena modificação na configuração do sistema de produção requer a respectiva atualização do modelo.

Figura 4 - Modelo de elaboração do PSP por Schramm (2009).

O modelo proposto divide o PSP em duas fases que se sobrepõem. A fase determinística com definições baseadas no modelo anterior (SCHRAMM, 2004) e a fase dinâmica, onde são desenvolvidos os modelos de simulação e testados cenários para apoiar a tomada de decisão.

Na fase determinística, outras duas decisões estão presentes, além das presentes no modelo anterior: o dimensionamento dos lotes de produção e a transferência e definição preliminar dos ritmos dos processos produtivos; pois são informações importantes para o desenvolvimento do modelo de simulação.

Na fase dinâmica existem três etapas. A primeira é a modelagem da unidade-base, onde se define o escopo do modelo a ser desenvolvido abrangerá todo o empreendimento ou apenas uma parte do sistema de produção. Em seguida, o nível de detalhamento do modelo, diretamente relacionado ao esforço e ao tempo necessários para o seu desenvolvimento. Ainda nesta fase pode ser necessária a coleta de dados complementares, taxas de produção para um determinado processo, entre outros.

A segunda etapa trata da modelagem do empreendimento para definir o número de modelos ou submodelos necessários para representar o sistema de produção do empreendimento, com base na definição da estratégia de execução do empreendimento. Nesta etapa, podem-se desenvolver ferramentas de visualização para facilitar a percepção e a avaliação dos cenários a serem simulados, como a linha de balanço.

A simulação do empreendimento é a terceira etapa da fase dinâmica. Nesta são definidos e testados os cenários, o emprego das ferramentas de visualização para apoiar a análise e a discussão dos resultados, que são utilizados para avaliar decisões no nível do empreendimento, como a estratégia de ataque, o estudo dos fluxos de trabalho e o dimensionamento da capacidade dos recursos de produção.

Schramm (2009) conclui que a implementação do PSP deve ocorrer em estágios que coincidem com o nível de consolidação do PSP como uma prática gerencial e que o emprego da simulação tem seus maiores benefícios para empresas que se encontram no estágio de maior consolidação do PSP e que detém certo domínio sobre a tipologia e tecnologias construtivas empregadas no empreendimento.

Apesar do refinamento do modelo original de 2004, este se baseou no somatório das evidências oriundas de quatro estudos realizados, não sendo formalmente aplicado em nenhum desses. Mesmo assim, a relevância da pesquisa de Schramm (2009) reside no fato de contribuir para um melhor entendimento acerca dos sistemas de produção da

construção civil e para a consolidação do PSP como um processo gerencial neste setor, pouco abordado na literatura acadêmica.

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