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I. 2.3.1.2. Réseau maillé

I.3. Les standards DVB

I.3.5. La norme DVB-RCS : voie retour sur satellite :

Prof. Fernando S. Moraes

Vamos prosseguir iniciando a primeira Sessão que trata da contri- buição científica do Prof. Dias, englobando não só a Geofísica, como também a Antropologia. Vou convidar o Prof. Walter Eugênio de Me- deiros, da UFRN, que também foi aluno na UFBA e na UFPA, quando o Dias era Coordenador dos respectivos Programas.

Walter Eugênio de Medeiros, Dr. (Coordenador da Sessão) Professor Ad- junto, Dep. Física e Geologia / UFRN - Bom dia a todos! Agora é que

eu entendi porque a Organização me convidou para participar dessa primeira fase: porque o Prof. Mércio Pereira Gomes é po- tiguar, assim como eu. Vou apresentar o Prof. Mércio P. Gomes, da Universidade Federal Fluminense (UFF), o qual formou-se em Antropologia pela Universidade de Oregon, EUA, em 1973, e fez seu doutorado na Universidade da Flórida, em 1977. Ele foi o pri- meiro antropólogo a perceber e escrever sobre a recuperação da sobrevivência dos povos indígenas no Brasil; seu primeiro livro, “Os Índios e o Brasil”, demonstrou que os povos indígenas que so- breviveram até à década de 50, mesmo em pequenas sociedades, estavam revertendo a curva histórica demográfica decrescente e começavam a experimentar um verdadeiro e sustentável cresci- mento populacional. Desde 1975, o Prof. Mércio tem realizado pesquisas de campo com diversos povos indígenas, entre os quais os índios guajajara-tenetehara, sobre os quais tem escrito livros e artigos. O seu livro “O índio na História: o povo tenetehara em busca da liberdade” trata da saga de sobrevivência desses índios ao longo de mais de 400 anos de relacionamento com segmen- tos da sociedade ocidental, desde franceses e portugueses até a sociedade nacional brasileira. Em reconhecimento à sua visão antropológica sobre a questão indígena no Brasil, o Prof. Mércio

foi convidado para ser Presidente da FUNAI pelo Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, no período de 2003 a março de 2007. Nesse papel, ele delimitou 51 novas terras indígenas, obteve 31 portarias de demarcação no Ministério da Justiça, in- clusive a terra indígena “trombeta” com 4 milhões de hectares, e ajudou a realizar a homologação de 66 novas terras indígenas com destaque para a controvertida terra indígena “Raposa - Serra do Sol”. Ao final de sua gestão, tida como a mais longa e estável, as terras indígenas aumentaram em 12 milhões de hectares, além de “abrir” a FUNAI para o diálogo com os povos indígenas. O Prof. Mércio convocou e realizou a I - Conferência Nacional dos Po- vos Indígenas, em abril/2006, com a participação de mais de 700 lideranças, reunindo representantes de 210 povos indígenas do Brasil. O Prof. Mércio tem uma brilhante carreira universitária, atualmente lecionando e pesquisando na Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Tem dado contribuições a várias Uni- versidades brasileiras, a exemplo, UFRN, UNICAMP, UFRJ, bem como a Universidades fora do Brasil, a exemplo, Oxford, Instituto da Flórida, bem como o Instituto Latino Americano de Berlim. Então, como parte da programação de comemoração de 70 anos do Prof. Carlos Alberto Dias, que também tem contribuições na área da Antropologia, essa sessão científica contará com a partici- pação do Prof. Mércio, do Prof. Edson Sampaio e do Prof. Olivar Lima. Com relação aos professores Edson Sampaio e Olivar Lima, é mais fácil para mim apresentá-los, porque ambos foram meus professores na Universidade Federal da Bahia (UFBA). O Prof. Ed- son Sampaio foi o primeiro aluno de doutorado do Prof. Dias, e o Prof. Olivar o segundo, ambos tendo feito teses com marcantes contribuições para a Geofísica brasileira e internacional; em espe- cial, o Prof. Olivar, que eu conheço um pouquinho mais de perto, por exemplo, apresentou uma idéia e desenvolveu uma técnica revolucionária de injeção e armazenamento subterrâneo de água em bacias sedimentares secas do nordeste brasileiro. Esses Pro- fessores, Edson e Olivar, tem destacada atuação de liderança na Geofísica brasileira, e em particular na Universidade Federal da

do à posição de pesquisadores nível 1-A do CNPq. Atualmente, o Prof. Edson Sampaio está aposentado, mas dando continuidade ao seu trabalho científico; o Prof. Olivar continua em exercício pleno sendo atualmente o Diretor do Centro de Pesquisas em Geofísica e Geologia da Universidade Federal da Bahia (CPGG/UFBA).

Abrindo esta sessão, que diz respeito à contribuição científica do Prof. Dias, eu convido então o Prof. Edson Sampaio a fazer a sua apresentação.

Relato por Edson Emanoel Starteri Sampaio, Dr. Professor Ti- tular (aposentado), IG-CPGG/UFBA - Bom dia a todos! Desejo,

em primeiro lugar, agradecer à organização do evento, por ter me dado a oportunidade de vir aqui falar, e o suporte financeiro para a minha vinda. Para mim, é uma honra e uma satisfação muito grande estar participando deste evento, e, de certa maneira, abrir a parte relacionada com a contribuição científica do Prof. Dias.

Primeiro slide [“Por que multipliquei?”]

Os alunos da Escola de Geologia, que estavam para se formar em 1968, tinham uma disciplina de geofísica, do curso de graduação em Geologia. Certo dia, foram surpreendidos porque o professor da disci- plina apresentou um recém-chegado cientista, um doutor importan- tíssimo, que naquele dia iria ministrar a aula. Então, o professor se retirou para o fundo da sala. Esse cientista era o Prof. Carlos Alberto Dias, recém-chegado a Salvador, após ter terminado seu doutorado, vindo de outras paragens: “arriou sua mala” e começou a “vender seu peixe”. Chegou ao quadro negro e “toma-lhe” fórmulas e explicações de Física. Eu tenho a impressão de que o Dias não tinha a idéia da inaptidão que o geólogo tem naturalmente para matemática e física; o geólogo é até hoje muito ligado à parte, digamos assim, mais na- turalista, e os alunos ficaram estupefatos e preocupados com aquilo, “será que aquele assunto vai entrar em prova? Estamos para terminar o curso, imagine só?!”

Bom, mas o pior estava para acontecer. Em dado momento, o Dias, em um ímpeto de surpresa, virou-se para o primeiro aluno da direita

e disse: “Por que multipliquei?”. Quem quer que tenha sido aluno de Dias sabe que quando ele faz uma pergunta dessas dá calafrios na gente, eu sei porque já senti isso (risos). Inclusive ele tem o hábito de fazer exames orais em grupo, então ele faz pergunta para um alu- no, mas o cidadão lá da ponta tem que ficar preocupado porque se ninguém responder a pergunta vai chegar para ele também. Isso é um procedimento típico do Prof. Dias. Eu tentei fazer isso, mas não deu certo, eu não tive aquela qualidade de fazer isso bem. Mas, essa prática é importantíssima porque cria – é verdade que cria também tensão no estudante – mas cria no estudante uma atitude de tentar entender a explicação, em vez de ficar somente absorvendo-a como se fosse uma mensagem, isto é, ele procura entender o que está se passando durante o curso e interagir de uma maneira dialética com o professor, nas aulas como também nos próprios exames. Poucos professores usam com maestria esse procedimento. Mas o Prof. Dias, naturalmente, tem outras características. Mas, desse modo, terminou a primeira fila dos cinco ou seis alunos, passando a pergunta para a segunda fila, sem ninguém conseguir responder porque ele tinha multiplicado. Mas, na medida em que ele continuava – eu soube (em conversa posterior com o Prof. Johildo, aluno naquela época e hoje Professor Titular de Geologia) – que cresceu na turma uma preocu- pação muito grande de que ele fizesse a pergunta para o professor. Você já imaginou?! Fazer a pergunta para o professor e ele não res- ponder?! (risos). Mas ele, muito sabiamente, quando chegou no pro- fessor pulou-o, e continuou, e ninguém respondeu. Então isso é um exemplo típico da característica da personalidade do Prof. Dias.

Próximo slide [“Vidas Paralelas”]

Eu dei o título desse segundo slide Vidas Paralelas porque é um as- sunto que tem a ver com o relacionamento que eu tive com o Dias a partir de 1968. Então, isso é um testemunho meu do relacionamento com o Dias, primeiro entre aluno e professor, segundo como amigos, e depois como dois colegas. O Prof. Dias sempre teve a característica de acolher os seus alunos; inclusive, na época em que começamos, acolheu-me em sua residência, eu conheço sua família; além de alu- no e professor, nós éramos e somos também amigos, nós criamos um

laço de amizade duradoura e, mais tarde, depois que amadureci como cientista, também somos dois colegas.