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15. Normal derivatives of third and higher order
O foco deste tópico limita-se à abordagem da filosofia Just In Time (JIT) sob a perspectiva das estratégias orientadas para a operação e processo produtivo. O interesse central é o fundamento dessa filosofia para a construção do modelo de gestão de suprimentos baseado em relacionamento de longo prazo entre cliente e fornecedor. Tal modelo incentiva a redução de estoques e de custos operacionais produtivos e a engenharia integrada entre os parceiros. É nesse sentido que o estudo busca subsídio na filosofia JIT.
A perspectiva do JIT identifica a eficiência como qualquer ação que busca a redução de custos e o lucro só pode ser obtido por esse viés. O custo de manufatura não possui nenhuma importância para o consumidor. Por essa razão, tomar o custo pela metodologia clássica de análise (Custo, preços de vendas = Lucro + custo real) não tem espaço na filosofia JIT. “A questão é se o
produto tem ou não valor para o cliente. Se o preço alto for colocado em virtude do custo do fabricante, os consumidores simplesmente não comprarão” (OHNO, 1998. p. 30).
Ohno (1988) estabeleceu uma análise total de desperdício, pela qual a maior eficiência só faz sentido quando associada à redução de custos e que, tal eficiência só deve ser melhorada em cada estágio e, ao mesmo tempo, para a empresa como um todo. Para tanto, ele identificou pelo menos sete classes de desperdícios que devem ser identificados e eliminados: 1) superprodução; 2) tempo disponível (espera); 3) tempo de transporte; 4) tempo do processamento em si; 5) estoque disponível; 6) movimento; 7) produção de produtos defeituosos.
Os objetivos fundamentais do JIT são a qualidade e a flexibilidade, visando reduzir estoques, eliminar quaisquer elementos que não agreguem valor ao processo (desperdícios), manufatura de fluxo contínuo, esforço de melhoria contínua para resolução de problemas e desenvolvimento de fornecedores a partir da gestão integrada. A chave do sistema de produção JIT está na troca rápida de ferramentas (OHNO, 1988).
De maneira convencional, o fluxo clássico de produção fornece materiais de um processo anterior para o processo final. Já o fluxo do processo JIT considera que o fim da linha de montagem é tomado como o ponto inicial e, isso faz com que o material avance dos processos iniciais até a montagem final propriamente dita (OHNO, 1988).
A autonomação, pela qual é considerada a automação com os fatores humanos do processo, sem o qual há elevado risco de se produzir defeitos em massa. Para evitar que peças e componentes sejam produzidos em escala com algum tipo de erro, é instituído um poder ao ser humano para provocar paradas de máquinas, assim que uma falha é detectada.
Ohno (1988) argumenta, ainda, que apenas após a compreensão clara do problema é possível implementar a melhoria. Para tanto, o ser humano deve estar treinado para distinguir uma operação normal de uma anormal, para evitar a produção de defeitos, expondo o problema e permitindo a melhoria do processo e conseqüente redução de custos.
O método de operação do JIT é o Kanban que indica com precisão e simplicidade “o quê”, “quanto” e “quando” é preciso produzir. Trata-se da ferramenta de gestão que opera todo o sistema que orienta a retirada, movimentação, produção e sinalização para o processo de abastecimento de uma operação, a partir da necessidade do cliente. A utilização do Kanban pressupõe um ambiente de produção altamente racionalizado. Aplicá-lo ou utilizá-lo, inadequadamente pode causar sérios problemas e desperdícios para a organização, dado que essa ferramenta controla o fluxo de mercadoria e produção.
White e Prybutok (2001) e Chung (2002b) sustentam que as práticas de gestão fundamentadas no JIT não devem ser reduzidas somente a uma estratégia de controle de estoque, apesar de ser aplicável na disciplina de logística. Estes autores postulam que esse fenômeno organizacional geralmente envolve uma base larga no sistema de produção e consiste de várias práticas de gestão associadas como fluxo eficiente de material, melhoria de qualidade, redução e eliminação de desperdícios, redução de lote de produção e sistema de transferência de produção por postos de trabalho, sincronizando o fluxo via ferramenta kanban, aplicando manutenção preventiva, melhoria na capacidade de colaboradores e outros (LI et al, 2005).
Segundo Kannan e Tan (2004), várias propostas para melhoria de desempenho da gestão de operações vêm sendo abordadas, sendo que particularmente o JIT vem recebendo especial atenção, orientando a gestão de suprimentos e gestão de qualidade. O estudo efetuado por eles, comprovou que há forte interação entre estas três propostas (JIT, TQM e SCM) e a integração efetiva da sinergia entre estas práticas pode agregar valor e melhorar a posição da organização.
Humphreys e Yeung (1998) apontam aplicação interessante da filosofia JIT como estratégia para a função compras nas organizações e como fator de vantagem para redução de custos, melhoria na qualidade de produtos e melhor desempenho na entrega independentemente da distância que separa clientes e fornecedores.
Womack e Jones (1996) sintetizam o pensamento baseado no sistema de gestão fundamentado no JIT da seguinte forma:
[...] o pensamento enxuto é enxuto porque é uma forma de fazer cada vez mais com cada vez menos – menos esforço humano, menos equipamento, menos tempo e menos espaço – e, ao mesmo tempo, aproximar-se cada vez mais de oferecer aos clientes exatamente o que eles desejam. [...] também é uma forma de tornar trabalho mais satisfatório, oferecendo feedback imediato sobre os esforços para transformar desperdício em valor. E, em contraste marcante com reengenharia de processos, é uma forma de criar novo trabalho, em vez de
simplesmente destruir empregos em nome da eficiência”. WOMACK e JONES (1996. p 3 e 4).
O JIT incentiva a integração das atividades da cadeia de valor estendida e motiva a integração dos fornecedores e clientes. E, neste sentido, também inspira a construção do modelo, objeto deste trabalho, que além de emprestar fundamentos do JIT, no tocante à estratégia de engenharia integrada entre cliente e fornecedor para redução de estoque e de custos operacionais, também oferece a métrica da relação entre cliente e fornecedor e avalia seus efeitos no âmbito econômico.