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4.2.1. NORM_DATA Message

2.1.1 Aspectos Regionais do Nordeste

Historicamente a Região Nordeste do Brasil sempre se posicionou entre as regiões mais importantes do país, incialmente representado pelas atividades extrativas de pau-brasil e cana-de-açúcar, sendo considerada a região mais rica do país até a meados do século 18.

Figura 1 – Região Nordeste em evidência no mapa do Brasil Fonte: IBGE, 2014 e Google Earth PRO, 2016 – Elaborado pelo autor

Em 2014, com um Produto Interno Bruto de R$ 805,09 bilhões, maior do que países como Chile, Singapura e Portugal, todavia seu PIB nominal per capita segundo IBGE (2014) correspondia a R$ 14.329,13, o menor entre as regiões brasileiras.

Dentre os estados componentes da região, a Bahia, Pernambuco e Ceará, situam-se entre as regiões mais ricas, respectivamente. Quando o assunto é o PIB nominal per capita, os estados que ocupam as primeiras colocações, em ordem decrescente são: Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará, Paraíba, Alagoas, Maranhão e Piauí.

Figura 2 – Limites estaduais da Região Nordeste

Fonte: IBGE, 2014 e Google Earth PRO, 2016 – Elaborado pelo autor

Na última década, investimentos significativos em infraestrutura ajudaram a região a alavancar sua economia. Um dos exemplos é o do município de Ipojuca, em Pernambuco, que em 2011, era o município com maior PIB per capita da Região Nordeste além do 16º do Brasil: R$ 116.198,31, sendo impulsionada pela construção e efetivação complexo portuário de Suape; outras cidades nordestinas situadas entre os maiores PIBs per capita do Brasil são: Guamaré (RN), São Francisco do Conde (BA), Cairu (BA) e Candeias (BA).

Todavia a desigualdade social entre os municípios nordestinos ainda é clara, um exemplo disso é o município de São Vicente Ferrer (MA) que possui o 3º menor PIB per capita no Nordeste.

Como citado anteriormente, investimentos maciços em grandes obras de infraestrutura auxiliaram a impulsionar a economia regional desde os anos 2000, impulso este capaz de minimizar os efeitos provocados pela crise mundial 2008/2009 quando foi a região em que mais cresceu em relação a anos anteriores, no país. Todavia, a recém crise político-econômica 2015/2016 não só provocou a desaceleração da economia, como também uma retração do PIB nordestino. Espera-se que com a retomada do conjunto de obras hídricas, como por exemplo a Transposição do Rio São Francisco e Cinturão das Águas; ferroviárias, como a Norte/Sul e Transnordestina; Portuárias e Industriais, como o Complexo de Suape-

PE e rodoviárias, com a reforma e ampliação das rodovias estaduais e federais, impulsione os setores primários, secundários e terciários, que aliados com políticas públicas consigam provocar a retomada de crescimento da região.

Mesmo diante da atual conjuntura econômica, o setor industrial marca uma significa presença nas Regiões Metropolitanas de Recife, Salvador e Fortaleza. Entre outros principais polos econômicos, com exceção das capitais, podemos citar: as regiões Metropolitanas de Campina Grande (PB), Caruaru (PE) e Feira de Santana (BA).

Já o Polo Gesseiro do Araripe, em Pernambuco, é o mais importante fornecedor de gesso (produto obtido pelo beneficiamento da gipsita) do país, sendo responsável por 95% da produção brasileira; Outro produtor expressivo é o estado do Rio Grande do Norte, este é responsável pela produção de 95% do sal marinho consumido no Brasil.

Na Região Metropolitana do Recife, o Complexo Industrial Portuário de Suape reúne condições de triplicar o PIB de Pernambuco até 2030. O mesmo absorve empresas como o Estaleiro Atlântico Sul (maior estaleiro do Hemisfério Sul), Refinaria Abreu e Lima e central de logística da General Motors. Em relação a tecnologia o município possui um dos maiores centros de informática do país, o Porto Digital. Já suas proximidades, no município de Goiana, a Fiat já é responsável por absorver mão de obra do litoral norte do estado. Já o município de Caruaru, é o segundo maior polo têxtil do país, representando significativa movimentação na economia do estado, assim como a região do Vale do São Francisco, localizada na RIDE Petrolina - Juazeiro

Na Região Metropolitana de Salvador, o Polo Petroquímico de Camaçari é o maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul. Responsável por abrigar grandes empresas, entre elas, uma unidade de fábrica da Ford, sendo esta a primeira montadora de automóveis da Região Nordeste. A empresa baiana Odebrecht, durante os últimos anos se situou entre as maiores empresa no ramo petroquímico e de construção da América Latina, com faturamento anual R$ 31,5 bilhões. Todavia, assim como a Pernambucana Queiroz Galvão e outras grandes construtoras do país, atravessam atualmente delicados momentos por possíveis envolvimentos em escândalos políticos e financeiros, que influenciaram também a desaceleração/retração da economia brasileira.

Além do Polo de Camaçari, outro complexo industrial baiano que merece destaque é o Centro Industrial de Aratu (CIA), onde o Porto de Aratu absorve de empreendimentos dos segmentos químico, mecânico, alimentício, metalúrgico, de minerais não metálicos, plásticos, fertilizantes, eletroeletrônicos, bebidas, logística, têxtil, serviços e comércio. Também na Bahia está localizada a Refinaria Landulpho Alves, segunda maior refinaria de petróleo do Brasil

O estado do Ceará, abriga o 5º maior polo têxtil do Brasil. O Distrito Industrial de Maracanaú se configura como o maior centro industrial do Ceará. Não esquecendo do o Complexo Industrial do Pecém, que nos últimos anos esteve em constante expansão.

Na capital, Fortaleza, os segmentos mais fortes da indústria são a produção de calçados, produtos têxteis, couros, peles e alimentos, notadamente derivados do trigo, além da extração de minerais. No interior, Juazeiro do Norte se destaca como o 3º maior polo calçadista do país. Destacam-se também as empresas do setor alimentício, M. Dias Branco é líder no ramo de massas alimentícias no Brasil, detendo 15% do mercado brasileiro de biscoitos e 20% do de massas; e a J. Macêdo, que atua no mercado de moagem de trigo, segunda maior do país no ramo. Referente a mineração, o estado é conhecido pela exploração de rochas ornamentais e calcário, além da recente exportação de minério de ferro. O setor das rochas ornamentais (granitos e mármores), apresentou, no primeiro semestre de 2015, crescimento de 51% das exportações do Ceará, em comparação ao mesmo período de 2014, de acordo com a FIEC. Segundo a mesma, o estado é a principal fronteira dos granitos superexóticos, quartzitos e limestones do Brasil.

No estado de Sergipe, o volume total de exportações do estado aumentou consideravelmente desde 2009, atingindo a marca de US$ 149.000.000,00 (cento e quarenta e nove milhões de dólares) no último em 2012. Este montante é representado, principalmente por suco de frutas (63,79%), açúcar in natura (10%), calçados de borracha (9,86%), secantes preparados para pintura (5,52%) e calçados de couro (2,14%)

Em 2013, anunciou-se a ampliação de duas fábricas de cimento, pertencentes Votorantim e a Nassau; o anúncio de uma nova fábrica do Grupo Brennand Cimentos, de uma indústria de vidros do grupo Saint-Gobain, além da nova indústria do grupo Yazaki, em Nossa Senhora do Socorro, e da unidade da Almaviva, em Aracaju. Todavia com a falta de repasse de verbas federais, nos últimos anos, e

obras paralisadas, a desaceleração da construção civil, em geral, foi inevitável. Destaca-se também o complexo da Vale - Taquari Vassouras, mineração de potássio localizada em Rosário do Catete (SE).

Comparado com a estimativa do crescimento do PIB Brasileiro em 2014, que foi de apenas 0,1% (praticamente nulo), os 2,1% de variação positiva estimada do PIB alagoano mantêm o Estado ao lado de outros do Nordeste que cresceram acima da média do país. Além de Alagoas, os estados da Bahia, Ceará e Pernambuco foram um dos que cresceram mais que a média nacional no ano. Apesar do crescimento acima da média, a retração diante do crescimento de anos anteriores foi significativa, muito devido à recente e atual crise econômica brasileira.

Já a economia alagoana, baseia-se principalmente, na indústria (química, açúcar e álcool, cimento e alimentícia), agricultura, pecuária e extração de sal-gema, gás natural e petróleo. Apesar de ser o maior produtor de cana-de-açúcar do Nordeste, não foi o setor agrícola que representou a maior fatia do PIB e sim o setor de serviços que alcançou expressivos 70% do total produzido, em 2014, segundo o governo do estado.

No Piauí, a economia se baseia, principalmente no setor de serviços (comércio), na indústria (química, têxtil, de bebidas), na agricultura (soja, algodão, arroz, cana-de-açúcar, mandioca) e na pecuária extensiva. Ainda merecem destaque o setor de mineração, onde a Piauí Níquel está em operação no município de Capitão Gervásio Oliveira-PI, onde foi encontrada a segunda maior reserva de níquel do maior reserva de níquel do da empresa de cimento Nassau, em Fronteiras (PI) , onde se obtém matéria-prima para sua produção. Estudos geológicos demonstram a existência de potencial de exploração mineral e entre as ocorrências de maior interesse econômico, encontram-se o Mármore, amianto, gemas, a ardósia, o talco, vermiculita e ferro, cuja estudos apontam grandes reservas no município de Paulistana (PI).

O quadro 1 e a figura 3, apresentam dados dos nove estados e a representação do Nordeste diante do Produto Interno Bruto das demais regiões país, respectivamente. Nesses dados geográficos, sociais e econômicos visam evidenciar o atual panorama nordestino, facilitando assim possíveis conclusões através dos resultados obtidos no presente estudo.

Figura 3 – Representatividade do PIB do Nordeste entre as Regiões do Brasil Fonte: IBGE, 2014

Quadro 1 - Dados socioeconômicos dos estados do Nordeste Fonte: IBGE, 2014 Centro-Oeste 9,39% Nordeste 13,93% Norte 5,33% Sudeste 16,41% Sul 54,94%

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