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55 nord Lei

Dans le document Édition 2001 (Page 28-76)

Nos dois primeiros editais lançados pelo MEC para a implantação da Licenciatura em Educação do Campo em instituições de ensino (BRASIL, 2008, 2009), a formação de professores da área de Matemática estava integrada à área das Ciências da Natureza. No entanto, a natureza própria de cada uma destas áreas provocou o debate entre pesquisadores, professores e estudantes.

Antunes-Rocha (2009) relatou que a organização do curso na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) suscitou questionamentos sobre o lugar ocupado pela Matemática na formação dos professores do campo: “onde ela se encaixava? Nas Línguas, Artes e Literatura, ou nas Ciências da Vida e da Natureza? Nesse caso não foi possível manter a duplicidade de lugares; criamos uma habilitação específica” (2009, p. 51). Por sua vez, Britto (2011, p. 170) ponderou que os professores e pesquisadores das Ciências da Natureza e da Matemática deveriam considerar a “dialogicidade, problematização, contradição e interdisciplinaridade como orientadoras das reflexões/ações na prática educativa desenvolvidas na interface entre as teorias freireanas, currículo e Educação”. Caldart (2011) também questionou o lugar da docência nas diferentes áreas do conhecimento. A autora traz para o debate a dimensão da integração entre os diversos conhecimentos para o processo educativo e reforça a pertinência da reflexão sobre tais conhecimentos para a formação humana e para o exercício da docência.

Esse debate impulsionou a mudança no último Edital nº 02 publicado em 31 de agosto de 2012 (BRASIL, 2012), que organiza os cursos de Licenciatura em Educação do Campoem cinco áreas do conhecimento, desvinculando a Matemática das Ciências da Natureza nas matrizes curriculares dos cursos.

A formação de professores de Matemática na LEdoC busca atender aos objetivos da Educação do Campo e da formação específica em Matemática. Trata-se de considerar os princípios da Educação do Campo nos processos formativos e, ao mesmo tempo, garantir a formação em Matemática de acordo com a legislação vigente, como definem as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior e a formação continuada (BRASIL, 2015).

As pesquisas que tratam sobre a formação de professores de Matemática no Brasil e no mundo apresentam diversas temáticas emergentes que indicam desafios e perspectivas à Licenciatura em Matemática. Entre elas: os conhecimentos necessários aos professores, o ensino de Matemática na formação inicial, os programas de formação de professores, as histórias de professores, o desenvolvimento profissional, a identidade profissional, a aprendizagem e a articulação entre a universidade e a escola (CYRINO, 2018).

Cabe refletir também sobre o lugar da Matemática nas Licenciaturas em Matemática. A esse respeito Fiorentini e Oliveira (2013, p. 919) problematizam e discutem questões do tipo: “de que matemática estamos falando, quando dizemos que o professor precisa saber bem matemática para ensiná-la? Que práticas formativas podem contribuir para que o futuro professor possa se apropriar dessa matemática fundamental para seu trabalho profissional?”.

Refletir sobre o lugar da Matemática nas licenciaturas é uma maneira de romper com a dualidade entre a formação específica e didático-pedagógica e ainda ampliar o olhar para outras dimensões do processo formativo. Fiorentini e Oliveira (2013) defendem que o professor de Matemática precisa conhecer com profundidade e diversidade a matemática enquanto prática social. Por sua vez, Sachs e Elias (2016) analisaram o lugar da Matemática nos Cursos de Licenciatura em Educação do Campo em oito Projetos Político-pedagógico dos Cursos. Quanto aos papéis da Matemática Científica e da Matemática Escolar, os autores concluem que ainda há uma predominância da Matemática Científica e os projetos abrem pouco espaço para a Matemática Escolar. Os autores revelam também que o papel da Matemática é central na LEdoC e que o contexto social dos camponeses é trazido em grande parte dos projetos analisados.

Tomando por base esses estudos, consideramos relevante afirmar que a Matemática na Licenciatura em Educação do Campo deve ter o lugar da formação política, social e profunda em conhecimentos científicos escolares, respeitando a diversidade cultural dos futuros professores. A Matemática na LEdoC deve se propor a discutir e ensinar o conhecimento matemático na perspectiva da formação humana, da justiça social, além do que é necessário para exercer a docência nos anos finais do ensino fundamental e ensino médio. Para contemplar esses aspectos no processo formativo faz-se necessário compreender que a Matemática não é neutra e que é possível estabelecer relação entre os conteúdos matemáticos e as dimensões política, social e cultural do campesinato em contraposição aos interesses do agronegócio.

O ensino de Matemática na LEdoC poderá discutir o papel político da Matemática no campesinato. Em outras palavras, é uma maneira de ler e entender o mundo com a Matemática conforme anuncia Gutstein (2006). Portanto, a formação matemática, nesses cursos, poderá se preocupar, por um lado, com os fins políticos e sociais para os quais a Matemática se destina e, por outro, com a maneira como se ensinam e se aprendem os conteúdos matemáticos visando à emancipação dos camponeses.

5 EDUCAÇÃO MATEMÁTICA CRÍTICA E EDUCAÇÃO DO CAMPO

Apresentamos neste capítulo reflexões sobre a Educação Matemática e a Educação Matemática Crítica (EMC) e, em seguida, destacamos os conceitos que aproximam a Educação Matemática Crítica e os princípios da Educação do Campo com a finalidade de compreender a relação entre os conteúdos matemáticos e as dimensões do campesinato na Licenciatura em Educação do Campo.

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