5.3 Secure memory zeroing for sensitive information
7.1.4 Non-robust types: references, function pointers, enums
Wallerstein fornece uma importante contribuição para o entendimento das relações hierárquicas do sistema inter-Estatal no sistema-mundo capitalista ao observar as dimensões econômicas e políticas entre centro e periferia12. Sendo que as relações entre centro e periferia estão definidas pela divisão mundial do trabalho entre as diversas regiões da economia-mundo capitalista, nas quais são
12 “Nessas zonas periféricas, a vida do homem evoca freqüentemente o Purgatório, ou mesmo o Inferno” (BRAUDEL, 1987, p. 70).
desenvolvidos cada um dos elos das cadeias mercantis. A transferência dos excedentes, via troca desigual, tende então a tomar a direção do centro, como citado anteriormente. Para Braudel o capitalismo necessita desta hierarquia, de modo que,
o capitalismo não inventa as hierarquias, utiliza-as, do mesmo modo que não inventou o mercado ou o consumo. Ele é, na longa perspectiva histórica, o visitante da noite. Chega quanto tudo já está em seus devidos lugares. (BRAUDEL, 1987, p. 62)
A observação espacial do sistema-mundo, orientada por Arrighi (1997) indica um modelo estruturado em três zonas: o núcleo orgânico, a semiperiferia e a periferia13. O mosaico formado pela divisão dos países em zonas distintas, de certa maneira, expressa as transformações sociais e econômicas que estes enfrentam; sendo que a existência desta formação triádica consiste num fator fundamental no que tange à legitimidade e estabilidade do próprio sistema-mundo. Como coloca Braudel (1987, p.67), em relação desta hierarquia no decorrer do sistema-mundo,
os países prósperos e os países pobres não permanecem imutavelmente os mesmo; a roda girou. Mas, em sua lei, o mundo praticamente não mudou: continua no plano estrutural, repartido entre privilegiando e não privilegiados.
13 Modelos anteriores determinam a separatividade dos países em dois grupos distintos, como a teoria da modernidade – separando-os em maduros e atrasados - e, a teoria da dependência; ambos não consideram as particularidades de uma zona intermediária, subscrevendo-as somente como zonas temporárias, ou seja, enquanto os países não encontram alocação entre o centro (países maduros) ou a periferia (países atrasados). Na década de 70 começa a se aceitar a importância das posições intermediárias, principalmente pela teoria da dependência. Numa primeira instância passa- se a observar não à limitação espacial detida nas fronteiras dos países, mas sim a estrutura das cadeias de mercadorias que perpassa estas fronteiras se as atividades que as permeiam.
Sendo assim, as atividades de núcleo orgânico são aquelas que detém grande parcela do total do excedente14 gerado entre os elos das cadeias de mercadoria; e, na outra ponta estarão as atividades periféricas que absorvem uma parcela reduzida deste excedente. Deste modo, pode-se imaginar que dentro das fronteiras de um mesmo país podem-se encontrar atividades consideradas como sendo de núcleo orgânico coexistindo com atividades periféricas.
É certo que a disputa das empresas capitalistas dentro dos processos competitivos nunca esteve isolada dos cenários políticos, estando sempre relacionada com os Estados.
Seguindo a teoria dos sistemas mundiais, supomos (1) que uma multiplicidade desses Estados (cada um com responsabilidade autônoma pelas políticas dentro de sua jurisdição, e cada um dispondo de forças armadas para sustentar sua autoridade) foi parte integrante da formação da economia mundial e (2) que quase todas as cadeias de mercadorias de alguma importância atravessaram suas fronteiras (ARRIGHI, 1997, p.152).
Vale ressaltar que nenhuma atividade é exclusivamente de núcleo orgânico, ou de periferia, se observadas ao longo do tempo, ao passo que cada atividade está sempre conectada com outras atividades dentro da cadeia de mercadorias, já que as relações de cooperação e competição que permeiam estas cadeias são sempre mutáveis, assim como o caso das atividades industriais, que serão discutidas a seguir.
As atividades de núcleo orgânico tendem a se agrupar em um número reduzido de empresas que busca transferir a pressão competitiva para outras
14 O conceito de excedente dentro da análise do sistema mundo recebe uma roupagem distinta da aplicado pelos economistas clássicos, aqui indica “uma designação abreviada do diferencial entre o produto total de uma cadeia de mercadorias e as recompensas totais que adviriam para os fatores de produção se eles fossem remunerados de acordo com as taxas obtidas nas atividades periféricas” (ARRIGHI, 1997, p.146).
empresas; enquanto, do outro lado deste domínio competitivo estarão as atividades periféricas agrupadas em um maior número de empresas, que absorvem a pressão competitiva.
Desta maneira, um país da zona do núcleo orgânico será, por sua vez, um país em que grande parte das atividades alocadas dentro de seu perímetro é de atividades que detém uma substancial parcela do excedente das cadeias de mercadorias às quais fazem parte (atividades de núcleo orgânico); enquanto nos países dispostos na periferia destacam-se as atividades periféricas. Isso resulta num desenho interessante do ponto de vista de que os primeiros tornam-se um “locus de acumulação e de poder” enquanto os segundos se apresentam como um “locus de exploração e impotência”. (ARRIGHI, 1997, p.140). 15
Os países semiperiféricos, por sua vez, são imprescindíveis para que a determinação deste processo desigual e polarizado se perpetue. Nestes encontrar- se-ão, de forma equiparada, tanto atividades de núcleo orgânico quanto atividades periféricas. Nota-se que estes países se encontram em constante pressão para não descerem a uma posição periférica neste esquema triádico, e ao mesmo tempo, dificilmente conseguem ascender à zona do núcleo orgânico. Desta forma, há uma perene permanência da localização dos Estados neste modelo no decorrer da história mundial da economia capitalista.
De uma maneira objetiva, utiliza-se o conceito de semiperiferia com o intuito de posicionar os países frente à divisão mundial do trabalho. E não somente relacionando-os quanto à posição em que ocupam no sistema inter-Estatal da economia mundial, em que se tende a dar maior ênfase aos aspectos políticos (capacidade do Estado na busca de controle de mercado) e econômicos
(determinado pelos lucros alcançados dentro do sistema de troca desigual). (ARRIGHI, 1997, p.144).
Por mais que os Estados não sejam unidades puramente maximizadoras de lucro, como são as empresas, eles lutam para não passar pelo rebaixamento a zonas inferiores e buscam melhorar suas atividades para alcançar patamares superiores. Para lograr tal objetivo, buscam atrair capital do núcleo orgânico para dentro de suas fronteiras, porém, para isso precisam desenvolver sua capacidade inovadora dentro da divisão mundial do trabalho, e possibilitar que suas empresas alcancem uma maior vantagem competitiva dentro da economia-mundo.
Os Estados do núcleo orgânico têm maior capacidade, em comparação aos periféricos, na retenção e atração de capital para dentro de suas fronteiras. Isto se dá em função de três principais fatores: a) conseguem controlar o acesso às cadeias de mercadorias de forma a garantir remunerações mais atrativas; b) desenvolvem um cenário político ideal ao desenvolvimento das capacidades competitivas das empresas capitalistas; e, c) os Estados no Núcleo orgânico têm condições maiores de gerar a infra-estrutura necessária às atividades típicas de núcleo orgânico. Deste modo, conseguem não somente garantir o fluxo e refluxo de capital do núcleo orgânico dentro de seu restrito conjunto de Estados, mas também atrair este capital das regiões periféricas. (ARRIGHI, 1997, p.154).