Desde a publicação do livro “Open Innovation” em 2003 por Henry Chesbrough, que esta temática tem atraído grande atenção por parte dos empresários. A literatura existente e a própria evolução dos mercados a nível global têm conduzido a uma procura e a uma discussão deste tema.
Sendo a Universidade um espaço privilegiado para a expansão e crescimento da inovação aberta é importante compreender as tendências globais e qual o caminho que segue esta forma específica de inovação, que muitos consideram ser a chave para o crescimento futuro das empresas.
A inovação aberta pode ser distinguida em duas grandes características. A “fronteira” interna da inovação aberta diz respeito à origem da tecnologia e do conhecimento vinda a partir do exterior de parceiros como Universidades, centros de investigação organizações, concorrentes, fornecedores e/ou clientes.
A fronteira externa da inovação aberta é muito mais recente e está relacionada com a estratégia das empresas para alcançar cada vez mais receitas provenientes do desenvolvimento interno de conhecimentos e tecnologias que ainda não foram comercializados (OCDE, 2008).
A evidência empírica sobre esta temática está actualmente bastante difundida através de variados case studies focalizados especialmente em indústrias de alta intensidade tecnológica como a indústria farmacêutica e de biotecnologia. Contudo, Chesbrough (2006) discutiu o uso mais amplo do conceito de inovação aberta na prática, e analisou a inovação aberta em indústrias que não sejam de alta tecnologia.
Ao analisar 124 empresas, Gassman e Enkel (2004) constataram que a inovação aberta é uma abordagem típica de indústrias caracterizadas por produtos “high modularity”, de indústrias sujeitas a transformações rápidas devido aos avanços tecnológicos, onde é imprescindível a existência de conhecimento explícito e onde existem interfaces altamente complexas.
Estes autores sugerem identicamente que o processo de inovação aberta “outside-in” é mais importante em sectores de baixa tecnologia que produzem bens altamente
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modulares, e onde a vantagem competitiva das empresas é fortemente baseado no conhecimento.3
O processo ”inside-out” é mais evidente nas empresas e nos sectores orientados para a investigação, este processo caracteriza-se pela disponibilização de patentes, licenciamentos e spin-outs.
A nível internacional, os estudos sobre inovação aberta utilizaram sobretudo dados de alianças ao nível de I&D, especialmente recolhidos em bases de dados privadas sobre o número e tipologias de colaboração a nível de tecnologias entre as empresas. Hagedorn (2002) analisou de uma forma mais exaustiva a evolução das alianças tecnológicas entre as empresas, bem como a distribuição e características geográficas, institucionais e sectoriais desses acordos estabelecidos.
Dada a informação existente, recolhida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e apresentada no Community Innovation Survey 4 (CIS-4),4 podemos efectuar uma análise aos dados sobre I&D e actividade inovadora das empresas que nos transmite uma perspectiva do “estado da arte” ao nível de indicadores sobre a inovação aberta nos vários países e, em particular, do panorama português. Os dados do CIS-4 revelam que a colaboração entre empresas é um factor muito importante que conduz a novas mudanças no contexto tecnológico e de inovação. Este relatório indica que uma em cada quatro empresas inovadoras na Europa colaborou com um parceiro em actividades de inovação entre 2002 e 2004.
O gráfico 30 presente no Anexo I, constante da página 187, mostra os dados gerais em termos de cooperação em inovação e aponta para o facto de as grandes empresas potenciarem quatro vezes mais esta capacidade face às PME. Neste universo, a taxa de colaboração é relativamente semelhante entre os vários países apresentados e não ultrapassa os 20%. Entre as grandes empresas a variabilidade é maior, chegando a alcançar os 60% nos países Nórdicos que lideram este gráfico.
No caso de Portugal, este encontra-se numa posição pouco favorável, apresentando uma performance ao nível da colaboração das PME muito fraca (não chega a 10%) e, no que concerne às grandes empresas, esta ronda os 30%.
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Outside in significa Inovação “de fora para dentro”, a qual se caracteriza pela utilização de agentes externos (fornecedores, clientes, universidades) em cooperação e contratação de I&D externo e aquisições.
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4th Community Innovation Survey ou Inquérito Comunitário à Inovação. O CIS é o principal instrumento estatístico de recolha de informação sobre Inovação nas empresas. Este inquérito, realizado de acordo com as orientações metodológicas e no âmbito das exigências do Eurostat, recolhe informação sobre as actividades relacionadas com a introdução de inovação de produto e de processo e também com as actividades de inovação organizacional e de marketing em cada país. (www.gpeari.mctes.pt)
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Contudo, é de realçar que este gráfico torna-se um pouco incompleto pois apenas revela que existe colaboração não especificando que tipo e que intensidade, ou seja, torna os resultados um pouco insuficientes para explicar o tema.
Não representada no gráfico, mas ainda no que diz respeito só à forma de colaboração com as Universidades, destaca-se a percentagem de 39% de empresas nacionais que colaboram com estas em termos de inovação. O que oferece uma boa perspectiva no contexto de spin-offs académicas, tendo em conta que está dentro da média dos restantes países. A líder é a Finlândia com 75% de empresas a colaborar com Universidades e organismos na área da educação.
Em síntese, as empresas procuram colaboração principalmente com fornecedores e clientes, enquanto que a colaboração com concorrentes e laboratórios especializados em actividades de I&D fica negligenciada para um segundo plano. Este facto pode ficar a dever-se à maior proximidade de relações e à facilidade que existe no contacto entre as empresas e as entidades da envolvente transaccional mais próxima e à desconfiança e risco que pode apresentar uma parceria com concorrentes.
No que concerne às Universidades, estas são consideradas de uma forma geral como importantes parceiros na transferência de conhecimentos associadas a uma fase mais a montante no processo de inovação, ou seja em actividades de investigação. (OCDE, 2008).
Podemos concluir que, na maior parte dos países que compõem este estudo, ainda se dá a preferência a estabelecer parcerias com entidades mais próximas da cadeia de valor, embora a tendência seja para procurar cada vez mais parcerias nas Universidades, em que a liderança é assumida ainda pelas grandes empresas, que têm mais recursos disponíveis e também se preocupam mais com a procura de novas soluções de inovação para consolidar a sua posição nos mercados.
Relacionadas com a colaboração em inovação e I&D, estão as despesas neste contexto levadas a cabo pelas instituições. Estas despesas podem ser um sinal de que as empresas ou Universidades estão a apostar mais em produtos ou tecnologias inovadoras
No gráfico 1 podemos observar a evolução da despesa total em I&D por entidades, para o período de 1982 a 2005 no contexto nacional.
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Gráfico 1- Evolução da despesa total em I&D, a preços constantes, por sector de execução (1982-2005)
Analisando o gráfico anterior, em termos de despesas em I&D por entidades, o panorama mostra-se favorável com uma tendência crescente para despesas em I&D quer das empresas quer por parte das instituições de ensino superior desde os anos 80 até 2005. E, nesse mesmo ano, a despesa em I&D por parte das empresas superou pela primeira vez o valor dispendido pelas Universidades, situando-se nos 400 000 milhares de euros, demonstrando a importância dada à investigação e a mudança que tem acontecido nas empresas no contexto de inovação.
A par da cooperação em termos de I&D das Universidades com empresas e vice-versa, acompanha-a um aumento progressivo das despesas em I&D. Neste ponto são as Universidades que mais se destacam ao apostarem cada vez mais em investigação, que por sua vez, poderá dar origem a produtos comercializáveis no mercado.
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