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A triangulação dos dados coletados, de acordo com Minayo (2005), pode ser operacionalmente realizada em oito passos:

formulação do objeto ou da pergunta referencial que vai guiar todo o processo e planejamento geral da avaliação; elaboração dos indicadores; a escolha da bibliografia de referência e das fontes de informação; construção dos instrumentos para a coleta primária e secundária das informações; organização e a realização do trabalho de campo; análise das informações coletadas; elaboração do informe final; entrega, devolução e discussão com todos os atores interessados na avaliação, visando à implementação de mudanças (MINAYO, 2005, p. 242).

Os passos da triangulação de dados propostos pela autora foram contemplados nessa pesquisa, exceto aqueles relacionados à Indicação de Indicadores e Devolução e discussão com todos os atores interessados na avaliação, visando à implementação de mudanças. As etapas detalhadas estão indicadas no Quadro 2. Foram utilizados como base para análise dos dados, as narrativas de vida dos estudantes com deficiência, entrevistas com terapeutas ocupacionais e dados do Programa de Inclusão, nomeado “Unidiversidade”, presente em uma IES comunitária localizada em Sorocaba.

Quadro 2 – Passos da Triangulação de Dados durante o estudo

(Continua)

Etapa Descrição Especificidade

Formulação do objeto

ou da pergunta

referencial (guiou todo processo)

1- Conhecer as trajetórias de vida escolar de estudantes com deficiência em sua vivência no ensino superior, elencando fatores facilitadores e impeditivos encontrados nos percursos de estudantes com deficiência, que possam auxiliar para construção de estratégias de intervenção que melhorem a inclusão no ensino superior. 2- Acrescentar ao estudo a experiência de outros terapeutas ocupacionais que desenvolvem ações nesse contexto, de forma a identificar e discutir como a Terapia Ocupacional pode intervir em programas de inclusão no ensino superior.

Planejamento geral da avaliação

1- Seleção de metodologia a ser utilizada

2- Participação da pesquisadora na disciplina sobre História Oral oferecida pela Profª. Eclea Bosi para aprender a conduzir a coleta da história oral.

Elaboração de indicadores Não se aplicou Escolha da bibliografia de referência e das fontes de informação

- Modelo Social da Deficiência - Leitura sobre Disability Studies (indicação de

autores pela orientadora ou banca de

qualificação)

- Estudo da literatura a partir de busca em Periódicos CAPES

- Levantamento de legislações e programas brasileiros sobre ensino superior e Inclusão - Busca de Terapeutas ocupacionais que escreveram sobre a temática

Construção dos

instrumentos para

coleta

- Roteiro História Oral

estudantes

- Levantamento de Dados de um programa de inclusão (IES Sorocaba)

- Entrevista com terapeutas ocupacionais

- Revisão bibliográfica sobre Modelo Social da Deficiência - Levantamento de Dados sobre a Inclusão de Pessoas com Deficiência no ensino superior no Brasil

Organização e

realização do trabalho de campo

De 2017 a 2018 - Entrevistas com 5 terapeutas ocupacionais em

diferentes regiões do Brasil - História Oral (10 estudantes)

- Levantamento dos dados de um Programa de Inclusão até 2018

(Conclusão)

Etapa Descrição Especificidade

Análise das informações

coletadas

- Conforme Bardin (2011)– Análise de Conteúdo

- Conforme Minayo (2005) -

Triangulação de Dados

Realizada a Ordenação e classificação dos dados

O tratamento dos dados foi realizado

considerando-se a ordenação e

classificação dos dados e a análise final, consideradas etapas interdisciplinares, e de acordo com Assis e Jorge (2010) como dinâmicas e intercomplementares.

1- Análise Documental dos dados

brasileiros sobre Educação

Superior e Inclusão

2- Análise das Narrativas e elaboração de Quadro de categorias

estudantes e subcategorias

analisadas dos estudantes (divisão em 4 subcategorias)

3- Quadro de análise dos terapeutas ocupacionais

Superior e Inclusão (divisão em 3 subcategorias)

Elaboração do informe final -Triangulação de Dados conforme

Minayo (2005) para elaborar a conclusão da análise dos dados e incluir reflexões pessoais.

1- Impressões da pesquisadora 2- Estudantes

3- Profissionais

4- Dados analisados do programa Unidiversidade

5- Literatura Devolução e discussão com

todos os atores interessados na avaliação, visando à

implementação de

mudanças.

Não contempladas nessa pesquisa

Fonte: Elaborado pela autora a partir de orientações propostas por Mínayo (2005) e estudos identificados pela revisão integrativa

O tratamento dos dados foi realizado considerando-se a ordenação e classificação dos dados e a análise final. Etapas estas interdisciplinares, consideradas, de acordo com Assis e Jorge (2010), como dinâmicas e intercomplementares.

A etapa de Organização dos dados teve o objetivo de estabelecer uma identificação do material empírico coletado no campo de estudo. Para tanto, todas as entrevistas foram transcritas e validadas pelo participante da pesquisa e, em seguida, fez-se a leitura preliminar do material que possibilitou, juntamente com os dados das observações e documentos, visualizar as categorias.

A classificação dos dados constituiu um segundo momento e possibilitou a construção dos dados empíricos a partir dos pressupostos teóricos e da teoria que sustenta a pesquisa. Para isso, foi realizada a leitura flutuante das entrevistas, documentos e observações, com o intuito de identificar as ideias centrais sobre o objeto de estudo, e, desta forma, foram encontradas as categorias principais.

No caso dos estudantes as categorias foram: 1- Memórias da vida escolar

Essa categoria foi planejada e analisada de forma a entender os facilitadores e dificultadores que ocorreram na vida escolar, e as estratégias que os estudantes utilizavam em seu cotidiano para manejar as situações vivenciadas.

2- Vida Diária na Universidade

Essa categoria pretende desvelar a influência da deficiência na escolha profissional, bem como o papel da Educação Superior na vida cotidiana. Pretende ainda com os estudantes tem identificado os impeditivos e facilitadores na vida universitária.

3- Expectativas sobre o ensino superior na Vida Cotidiana 4- Perspectiva sobre Inclusão

Pretende entender para os estudantes como entendem a concepção Inclusão.

No caso dos Terapeutas Ocupacionais as categorias trabalhadas foram: 1- Perfil dos terapeutas ocupacionais coordenadores de programas, 2- Rotina das atividades no programa

3- Abordagem teórica em que as profissionais baseiam suas atividades, bem como os diferenciais apontados por estas sobre sua ação no programa.

No caso do programa investigado foram elencados tópicos levantados a partir dos documentos tais como:

- Número de estudantes acompanhados pelo programa - Situações e condições que foram objeto de atendimentos - Medidas equiparativas oferecidas

Após a identificação das categorias, os fragmentos das falas realizadas nas entrevistas foram organizados em quadros, disponíveis nos apêndices 2, 3, 4 e 5.

Com o trabalho de análise preliminar devidamente completado, foi realizada a organização das narrativas a partir dos pontos chaves pré-determinados no roteiro de narrativa; “Assim, a escolha de pistas documentais apresentadas no leque que é oferecido ao pesquisador, deve ser feita à luz do questionamento inicial” (CELLARD, 2008, p. 303). A análise de conteúdo pressupõe “estabelecer essas ligações e de constituir configurações significativas, é importante extrair os elementos pertinentes do texto, compará-los com outros elementos contidos no corpus documental” (CELLARD, 2008, p. 304).

Para Bardin (2011), “a análise do conteúdo é um conjunto de instrumentos de cunho metodológico em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a discursos (conteúdos e continentes) extremamente diversificados” (p.15).

Afirmam Bauer e Gaskell (2008) que a análise de conteúdo pode realizar síntese de uma coleção de dados, no caso dessa pesquisa as narrativas textos.

A etapa da análise final de dados procurou considerar a triangulação do material empírico em diálogo com o referencial teórico, a exemplo do que sugerem Gomes et al (2005) em sua proposição de uso na pesquisa qualitativa. O diálogo entre os dados construídos por meio de diferentes instrumentos permite produzir olhares e falas, que possibilitam a verificação e validação da pesquisa, por meio do uso simultâneo de diversas técnicas de análise, diferentes sujeitos e visões distintas.

Nessa fase da análise apresenta-se um diálogo com a contribuição de autores que tratam o cotidiano de pessoas com deficiência na escola, bem como com as experiências dos pesquisadores como sujeitos do mundo e da pesquisa, em busca do conhecimento. Essa interação entre a realidade desvelada e as impressões do pesquisador favorece a produção de resultados e considerações.

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