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À quand la noce ?

Dans le document PAUL FÉVAL LA FÉE DES GRÈVES (Page 112-120)

Adryelle Ramos Bezerra (1); Beatriz Azevedo Rodrigues de Deus (2); Maria Rafaella da Silva (1)

(1, 2, 3) Discentes da Associação Caruaruense de Ensino Superior e Técnico- Faculdade ASCES

Introdução

A situação precária de vida a qual a população em situação de rua está sujeita, pressupõe um pensar saúde-doença de forma diferenciada, e tendo esse entendimento buscamos contribuir através do presente estudo para uma discussão acerca da relação entre a população em situação de rua e os serviços prestadores de assistência à saúde. Objetivos: apresentar questões de grade relevância política e social referente à população de situação de rua. Atentar aos problemas que são consequentes da situação precária de vida a qual está população está suscetível.

Metodologia

Trata-se de uma revisão de literatura narrativa, na qual os materiais usados para adquirir os conteúdos foram as bases de dados lilacs, scielo e bibliotecas os critérios de elegibilidade usados foram, artigos científicos, livros e revistas entre os anos de 1970 até 2014 como critérios de inclusão, e como critérios de exclusão artigos de caráter comercial. A coleta de dados se deu no período entre janeiro de 2014 a agosto de 2014 tendo como instrumento de coleta tabela contendo ano de publicação, tipo de material, autores e discursão acerca da temática.

Discussão e resultados

A desigualdade social é tratar o outro como desigual, centralizando o poder na mão de poucos. O que para Karl Marx era um fenômeno causado pela divisão de classes e que por existirem, nessas divisões, classes dominantes, estas se utilizavam da miséria gerada pela desigualdade social como instrumento de manter o domínio estabelecido sobre as classes dominadas, numa espécie de ciclo. A ideia de exclusão social assinala um estado de carência ou privação material, de segregação, de discriminação, de vulnerabilidade em alguma esfera. À exclusão associa-se um processo de desvinculação social. O excluído não escolhe a sua condição; ela se dá numa evolução temporal como resultado das mudanças na sociedade. (Townsend, 1979). A população em situação de rua se encontra a margem da sociedade, que se refere a um fenômeno que designa a exclusão de grupos sociais, fazendo com que estes não pertençam à sociedade vigente. Portando, ocorrendo uma desigualdade e exclusão social, que traz consigo consequências, como o desemprego, a falta de alimento, de acesso a serviços de saúde, de moradia adequada, de recursos que possibilitem desempenhar um papel social, que é o conjunto dos comportamentos que se espera de um indivíduo no desempenho das suas atividades diante da sociedade. Causalidade da situação de rua: Os principais motivos pelos quais pessoas passaram a viver e morar nas ruas se refere muitas vezes aos problemas de alcoolismo e uso de drogas ilícitas, desemprego, corte significativo de empregos, problemas mentais, vínculos familiares interrompidos ou fragilizados, competição, desigualdade social e exclusão social.(BRASIL, 2006) Fatores esses que levam uma população a ficar à margem da

sociedade, sendo obrigados a estarem afastados da sociedade vigente, sendo observados de maneira discriminatória, devido uma série de fatores que lhe puseram nesta situação. Snow e Anderson, 1998 afirmam que o mundo social dos moradores de rua constitui-se em uma subcultura, ainda que limitada ou incompleta. Trata-se de um mundo social que não é criado ou escolhido pelas pessoas que vivem nas ruas, pelo menos inicialmente, mas para o qual foram empurradas por circunstâncias alheias ao seu controle. Partilham, contudo, do mesmo destino, o de sobreviver nas ruas e becos das grandes cidades. Visão da sociedade sobre a população em situação de rua: Em sua obra Karl Marx afirma em relação a visão da sociedade vigente sobre a classe menos privilegiada que cada nova classe no poder é obrigada, quanto mais não seja para atingir os seus fins, a representar o seu interesse como sendo o interesse comum a todos os membros da sociedade ou, exprimindo a coisa no plano das ideias, a dar aos seus pensamentos a forma da universalidade, a representá-los como sendo os únicos razoáveis, os únicos verdadeiramente válidos. (MARX E ENGELSM, 1998). Processo saúde-doença entre a população em situação de rua: A situação de vida precária desta população causa muitas adversidades no seu processo saúde-doença, sendo necessário o entendimento desse problema para a formulação de ações através dos serviços de saúde. Sabe-se que o ato de se perceber doente é influenciado pela cultura, pelo trabalho e pela renda. O fenômeno de sentir-se doente ou da percepção do próprio corpo por parte dos vários segmentos sociais revela-se desigual, ao referir-se à "leitura” dos sinais de doença. Para os que dependem de seu trabalho para viver, ou até mesmo para sobreviver, os sinais de doença podem ser abafados. (BERLINGUER, 1988). Embora seja relativo de acordo com os fatores culturais, sociais e econômicos um dos aspectos que muito chama a atenção na abordagem dos moradores de rua é o relativo à saúde. São vários os problemas encontrados, desde os mais estritamente relacionados aos transtornos mentais, ao consumo de drogas e álcool, às deficiências físicas e mentais até aqueles causados por doenças infecto contagiosas e complicações envolvendo causas externas. Entretanto, o de maior índice nas ruas sejam os problemas psiquiátricos. Existem vários determinantes que interferem no processo saúde – doença da população em situação de rua, como por exemplo, o difícil acesso à água potável, a dificuldade na manutenção da higiene pessoal, os cuidados higiênicos como banho, escovação de dentes, raspagem de barba, lavagem de roupas são realizados geralmente de maneira precária, sem regularidade e em locais improvisados como fontes e praias. A má alimentação, muitos se alimentam de restos de comidas algumas vezes encontradas no lixo. Essa população está inserida em um contexto de extrema pobreza e extrema desigualdade, e quanto maior for à desigualdade social de um país, maior será a repercussão na qualidade de vida e, consequentemente de saúde. O empobrecimento populacional brasileiro exerce influências significativas na qualidade de saúde dos indivíduos, uma vez que a saúde individual não se limita às suas dimensões biológicas e psicológicas; ao contrário, está diretamente relacionada com as condições de vida dos seres humanos e sofre influência das políticas sociais e econômicas adotadas pelos países. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não a mera ausência de moléstia ou doença, ou seja, de acordo com esse conceito mesmo a parte dessa população que não apresenta sinais e sintomas de algum problema físico, está sendo provavelmente acometido de alguma forma por questões mentais e/ou sociais devido a sua condição de vida precária, o que causa um desequilíbrio no seu processo saúde-doença. Além te todas essas dificuldades encontradas em relação à população em situação de rua, observa-se que os serviços de saúde não estão preparados para o

acolhimento dessa população, nem mesmo quando são procurados espontaneamente, ou quando os usuários são encaminhados por outros serviços da rede. Ainda fazem parte da realidade da estrutura do atendimento o preconceito e a discriminação com essa população. Exemplos disso são as exigências de que as pessoas tomem banho para que venham a ser atendidas, a necessidade de que estejam acompanhadas, a necessidade de apresentar algum tipo de documentação para poderem receber atendidos, e até mesmo em Estratégias de Saúde da Família (ESF) onde é exigido uma série de documentos para o cadastro na unidade.

Conclusão

No contexto apresentado, insere-se a população em situação de rua em um grupo populacional composto por pessoas com diferentes realidades, mas que têm em comum a condição de pobreza absoluta e a falta de pertencimento à sociedade vigente. São homens, mulheres, jovens, crianças, famílias inteiras. Com o tempo, algum infortúnio atingiu suas vidas, seja a perda do emprego, seja o rompimento de algum laço familiar, fazendo com que aos poucos fossem perdendo a perspectiva de projeto de vida, passando a utilizar o espaço da rua como sobrevivência e moradia. Essa realidade é característica do processo de exclusão social e desigualdade que existe no Brasil desde o início do milênio. A exclusão social e a desigualdade que passamos a conhecer tem origens econômicas, mas caracteriza-se, também, pela falta de pertencimento social, falta de perspectivas, dificuldade de acesso à informação e perda de autoestima. Acarreta em consequências na saúde geral das pessoas, em especial a saúde mental, relaciona-se com o mundo do tráfico de drogas, relativiza valores, e acaba colocando um grupo social a margem da sociedade vigente. A rua é vivida como um espaço de instabilidade, um mundo à parte da sociedade formal, onde a presença do Estado como garantidor da ordem, da saúde e da segurança nem sempre está presente neste contexto, e quando está inserida, está de forma distorcida como é o caso das políticas de segurança pública dirigida a essa população, que deveria ser para a sua proteção, mas geralmente está voltada para a criminalização de seus comportamentos e para a “tolerância zero” em relação aos seus atos de transgressão. A população em situação de rua apresenta diversas necessidades, necessidades gritantes por uma política pública que os ajudem a minimizar todos os problemas apresentados, essa população precisa que seja lançado um olhar mais atento à realidade das suas condições de vida, precisam de políticas públicas adequadas a suas realidades, e não que suas condições de vida precárias sejam “maquiadas” pela sociedade que predomina. Políticas públicas as quais também iram auxiliar o Sistema Único de Saúde (SUS) para que seja de fato universal e de acesso a todos, até mesmo para uma população “invisível” que não tem para onde ir.

Referências

BERLINGUER. Saúde e Serviço social no capitalismo: fundamentos sócio históricos. 1988. BRASIL. Política Nacional para Inclusão. Social da População em Situação de Rua. Brasília: 2008. Instituída pelo Decreto s/nº de 25 de outubro de 2006.

BRASIL. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Diálogos sobre a população em situação de rua no Brasil e na Europa: experiências do Distrito Federal, Paris e Londres. / Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Brasília: SDH, 2013.

JESUS, C.H. CREVELIM, M.A. A Estratégia Saúde da Família para a Equidade de Acesso Dirigida à População em Situação de Rua em Grandes Centros Urbanos. Saúde Soc. São Paulo, v.19, n.3, p.709-716, 2010.

MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A ideologia Alemã. São Paulo: M. Fontes, 1998.

ROSA, A.S. CAVICCHIOLI, M.G.S. BRETAS A.C.P. O processo saúde-doença-cuidado e a população em situação de rua. Rev Latino-am Enfermagem, 2005 julho-agosto.

SANTOS, T.G.D. GOMES, T.C.S. Os invisíveis que eles querem esconder: A luta por direitos básicos, a violência e os reflexos da Copa do Mundo FIFA 2014. 2013.

SPPE. Secretaria de Políticas Públicas de Emprego. Aspectos Conceituais da Vulnerabilidade Social. 2007.

SNOW, D. ANDERSON, L. Desafortunados: um estudo sobre o povo da rua. Petrópolis: Vozes, 1998.

PSICOLOGIA SOCIAL E RELAÇÕES INTERGRUPAIS: VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR

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