• Aucun résultat trouvé

I.4 Organisation du manuscrit de thèse

1.5 Niveau distal

O Agronegócio pode ser entendido, segundo Massruhá (2011) como o conjunto das atividades ligadas à produção vegetal e animal. Isto significa que ele compreende não só a agricultura e a pecuária, ou seja, a produção na fazenda, como inclui também atividades relacionadas ao for- necimento de insumos para a agricultura e pecuária (fertilizantes, defensivos, corretivos e medicamentos); a produção agrícola (lavouras, pecuária, florestas e extrativismo); o transpor- te e a comercialização de produtos primários e processados, a industrialização desses produ- tos; e ainda os serviços de apoio, como administrativos, financeiros, de pesquisa e assistência técnica.

Portanto, segundo Massruhá (2011), a agricultura moderna, mesmo a familiar, extrapola os limites físicos da propriedade. Depende cada vez mais de insumos adquiridos fora da fazenda e sua decisão de o que, quanto e como produzir encontra-se fortemente relacionada não so- mente ao mercado consumidor, como também aos fornecedores à perfeita gestão de recursos humanos e tecnológicos.

A Tecnologia da Informação – TI, por sua vez, são um conjunto de tecnologias que têm como base a informática (computadores e softwares), a microeletrônica (sistemas embarcados, de identificação, controle e monitoramento) e as telecomunicações (internet, telefonia e satéli- tes). Estas tecnologias, intensivas em informação, flexíveis e inovadoras são quase que inte- gralmente responsáveis pelas profundas transformações nos modelos de produção e acumula- ção até então vigentes e configuram o surgimento da denominada Sociedade da Informação (IBGE, 2009).

Além de facilitar o acesso, armazenamento e processamento da informação, a TI pode desem- penhar um papel importante na integração dos setores das cadeias produtivas, do estabeleci- mento agropecuário às agroindústrias, incluindo transportadoras e certificadoras, aumentando a eficácia e auxiliando o processo decisório nos empreendimentos (BATALHA e SCARPEL- LI, 2002).

Segundo Mendes (2011), uma evidência desta importância pode ser demonstrada pela posição que o mercado de software ocupa no mercado mundial, tendo chegado ao 12° lugar em 2009, com movimento aproximado de US$15,3 bilhões, equivalente a 1,02% do PIB do Brasil da- quele ano. Deste valor, US$ 5,45 bilhões corresponde ao total movimentado pelo setor de software produto (sem incluir serviços de TI) o que representa 1,69% do mercado mundial e 47% do mercado da América Latina. No mesmo ano, o mercado mundial de software e servi- ços atingiu o valor de U$ 880 bilhões (ABES, 2010).

O setor financeiro e industrial foram os que mais consumiram software no Brasil, em 2009. Como observou Mendes (2011), estes setores representam quase 50% do mercado usuá- rio/comprador de software doméstico. A agroindústria, no entanto, vem conquistando espaço, pois na variação entre 2009/2008, o setor apresentou o maior aumento entre os compradores, obtendo uma variação positiva de 11,7% em relação a 2009 (ABES, 2010).

A agroindústria, como parte do sistema produtivo, não ficou imune a esta nova sociedade da informação e, embora de uma forma mais lenta e menos intensiva, iniciou o seu processo de adoção, uso e disseminação das novas tecnologias da informação (OTA, 1992; ZAMBALDE, 1998; SILVA et al., 2002; SARAIVA, 2003; Embrapa, 2010; PAGLIS, 2010).

Existem poucos trabalhos na literatura relacionados à oferta e à demanda de software agrope- cuário, notadamente sobre os cenários de adoção de Tecnologia da Informação pelo setor ru- ral. Este tema vem despertando interesse porque a TI é um dos pilares para a modernização da agricultura, justificado por contribuir no incremento da produtividade e da produção agrícola. Entre 2008 e 2010 foi desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária, em parceria com diversas instituições de pesquisa e desenvolvimento um estudo que mapeou um total de 162 empresas desenvolvedoras de software para o agronegócio no Brasil, o que representa menos de 2,5% das 7.936 empresas declaradas pela ABES (Macedo et. al., 2009) como inte- grante da indústria de software. Considerando o número de empresas de software mapeadas e a quantidade de estabelecimentos agropecuários identificada no Censo Agropecuário de 2006, do IBGE, existem aproximadamente 25 mil estabelecimentos agropecuários para cada empre- sa de software para o agronegócio no Brasil.

Segundo o estudo sobre o mercado brasileiro de software para o agronegócio, as tendências e perspectivas da TI aplicada à agricultura, num contexto global, ao longo dos últimos anos, a

adoção das tecnologias da informação não se efetivou de forma homogênea e generalizada nas mais diversas organizações. Ao contrário, organizações dos setores de serviço, comércio e indústria, por exemplo, conseguiram promover um ambiente propício ao seu desenvolvimento e disseminação de forma mais rápida do que o setor do agronegócio (Embrapa, 2010).

Ainda segundo o estudo sobre o mercado brasileiro de software para o agronegócio as proje- ções de crescimento da TI aplicada ao agronegócio trazem como reflexo as tendências de mercado dentre as quais, segundo dados da Internacional Data Corporation – IDC (2009) des- tacam-se: a) aplicações para mobilidade: com aumento de usuários, crescimento na venda de computadores portáteis e aumento da oferta de aplicativos; b) TV digital: surgimento de opor- tunidades para novos empreendimentos; c) infraestrutura: crescimento de tecnologias de rede, acesso e transporte; d) computação em nuvem: oferta de serviços deve triplicar até 2015; e) mercados crescentes: telecom., finanças e comércio serão os principais investidores em apli- cativos empresariais; f) TI e negócios: inteligência de negócios e aplicativos de análise deve crescer mais de 10% em 2010.

No que tange às tecnologias ofertadas, observa-se no estudo sobre o mercado brasileiro de software para o agronegócio que a maioria dos produtos de software é destinada à administra- ção e gerenciamento. Isso se deve à facilidade de adaptação de software destinado a negócios empresariais convencionais, como serviços, comércio ou indústria, ao meio rural (Embrapa, 2010).

Tais dados são confirmados se considerarmos que a maior parte do software disponível está ligada às culturas e criações com maior valor de produção, mais tecnificadas, geralmente en- contradas em grandes estabelecimentos rurais. A busca de competitividade desses setores os torna mais receptíveis a novas tecnologias, o que confirma a quantidade de software ligado a novas áreas de aplicação.

A despeito de um avanço no uso software e outras tecnologias da informação no meio rural, nos últimos anos, sua difusão ainda é bastante limitada. Segundo dados do Censo Agropecuá- rio (IBGE, 2006), apenas 3,55% do total de estabelecimentos rurais do país possuem compu- tador. Com relação ao uso da internet, apenas 1,46% desse mesmo total possui algum tipo de acesso. Soma-se a isso, a recente onda de consolidação do setor ofertante de software no Bra- sil, aliado às dificuldades que o mercado impõe às micro, pequenas e médias empresas, indica

a necessidade de promover políticas que visem fortalecer os agentes desse mercado e promo- ver maior difusão de tecnologias da informação para o setor agropecuário (Embrapa, 2010). O estudo sobre o mercado brasileiro de software para o agronegócio sugere a realização de ações coordenadas entre diversos agentes – tais como instituições de pesquisa e de ensino, empresas privadas, agências de fomento, incubadoras de empresas e associações setoriais – para aumentar a oferta de software para o agronegócio, bem como fomentar a difusão e a ado- ção de tecnologias da informação no setor rural (Embrapa, 2010).

Conforme Oliveira (2011), com respeito ao relacionamento entre a oferta e a demanda em software para o agronegócio, avanços tecnológicos recentes têm provocado profundas mudan- ças e adaptações nas empresas, produtos e serviços. O ritmo acelerado dessas mudanças está impactando segmentos agrícolas, até os mais conservadores, que pouco consideraram a neces- sidade ou importância do suporte tecnológico (COSTA e OLIVEIRA, 1998).

O cenário atual revela a crescente necessidade por informação de qualidade como subsídio essencial aos processos de gestão. À proporção em que o agronegócio avança, percebe-se a necessidade de se implantar medidas eficientes para que sejam superados os obstáculos identi- ficados ao seu bom desempenho (BRANDÃO E MEDEIROS, 1998).

Essas medidas, relacionadas à gestão da informação e à tomada de decisão para o agronegó- cio, demandam uma infraestrutura de tecnologia de comunicação eficiente, uma vez que o cenário na geração de produtos e serviços mais competitivos, em atendimentos às necessida- des de mercado crescente e de forte concorrência, requerem a adoção de novas tecnologias para automação de seus processos (COUTINHO E FERRAZ, 1994).

Uma das características marcantes da tecnologia da informação é sua abrangência. Suas apli- cações cobrem todos os setores da economia mesmo que de forma e intensidade diferenciadas em cada setor, ou até entre atividades dentro de um mesmo setor. Se suas aplicações aparece- ram inicialmente de maneira mais rápida e generalizada nos setores terciários e secundários, não tardaram a se expandir para o setor primário. Na agricultura, a tecnologia da informação pode ser compreendida como mais uma etapa no processo de modernização (ARRAES E LYRA FILHO, 1995).

Embora a tecnologia da informação englobe diversas formas de aplicação, a tecnologia de gerenciamento de informações por meio de computadores e aplicativos específicos são as que,

aparentemente, têm sido mais adotadas. Até porque, por alguns anos, sua oferta foi quase que exclusivamente em relação aos outros tipos de aplicação (automação, telemática, robótica). Entretanto, Oliveira (2011) ressalta que a opção tecnológica não deve ser exclusivamente ava- liada pelos seus benefícios econômicos refletidos no aumento da produtividade e da produção. Os aspectos ambientais e sociais e a forma de difusão devem ser analisados conjuntamente, caso se pretenda investir em prol do desenvolvimento agrícola sustentável. Neste contexto, o processo de informatização assume um papel muito importante, pois devido à heterogeneida- de estrutural da agricultura nacional, as formas de condução deste processo podem reduzir ou ampliar ainda mais as diferenças sociais existentes.

Segundo Mendes (2011), os demandantes de TI no agronegócio configuram os mais variados públicos: produtores rurais, cooperativas agropecuárias, agroindústrias, empresas de distribui- ção, organizações de extensão rural, entre outros. Verifica-se, ainda, grande pluralidade nas ofertas de software a tal público, desde controle de estoques e gerenciamento de pessoas até software tecnicamente mais elaborado que auxilia na manipulação da melhor mistura de in- sumos para certa cultura.

No estabelecimento agrícola a introdução da TI é histórica e internacionalmente reconhecida como um processo mais lento, mas não menos importante. Nos Estados Unidos, em 2003, em 62% dos domicílios havia computadores; enquanto no meio rural norte-americano esse núme- ro atingia cerca de 60%. Todavia, apenas 32% dos computadores em domicílios do meio rural eram utilizados no negócio agrícola. Segundo dados do Censo Agropecuário (IBGE, 2006), apenas 3,55% do total de estabelecimentos rurais4 do país possuem computador e 1,45% tem acesso à internet, indicando um imenso desafio de ampliação da aquisição de computador e acesso à internet pelo produtor rural. (IBGE-PNAD 2007; USDA, 2007; USDC, 2004).

O produtor agrícola, para aumentar sua competitividade e produção, tem necessidade de se qualificar para administrar o ambiente agrícola cada vez mais complexo e em rede, o qual exige dele a aquisição de novas habilidades nas áreas de gestão, tecnologias de produtos e processos, bem como acesso à informação sobre melhores condições técnicas e ambientais de produção. O desenvolvimento tecnológico atual tem a informação, mediada por objetos sofis-

4 Os estabelecimentos rurais no Brasil somam 5.175.489, dos quais 183.604 usam computador e 75.396 tem

ticados, como elemento motriz, em razão das operações dependerem da informação precisa em maior quantidade e qualidade (BUAINAIN, 2007).