O pH é um parâmetro importante no reator já que a maioria das bactérias acidogénicas não opera em meios extremamente ácidos (pH=3) ou extremamente alcalinos (pH=12) (Liu et al., 2012). O pH ótimo apontado para a produção de AOV encontra-se na gama dos 5,25-11, sendo que uma gama mais específica depende do tipo de resíduo a ser utilizado (Lee et al., 2014). No caso específico da FORSU é apontado a gama de valores de pH média de 7,72±0,82 (Silva et al., 2013). Por sua vez, quando são utilizadas lamas, o pH óptimo situa-se no intervalo entre 8-11. Em condições alcalinas, dá-se um aumento da hidrólise das lamas, devido à ionização dos grupos que possuem carga (exemplo: grupos carboxílicos) de substâncias poliméricas extracelulares nas lamas (Nielsen and Jahn, 1999), nomeadamente as proteínas e os hidratos de carbono. Deste modo, é provocado uma grande repulsão entre as substâncias poliméricas extracelulares, originando no ambiente uma libertação de proteínas e hidratos de carbono. Assim, sob condições alcalinas, maiores quantidades de substratos solúveis estão disponíveis para a produção de AOV (Wu et al., 2009; Zhang et al., 2009). Nestas mesmas condições a metanogénese não é favorável, pelo que os AOV produzidos não são convertidos em metano (Zhang et al., 2009).
O tipo de AOV produzido também pode ser afetado pelo pH, mais especificamente, os ácidos acético, propiónico e butírico, que são os produtos predominantes deste tipo de processos biológicos (Bengtsson et al., 2008). As pesquisas de diversos estudos sugerem assim que o tipo de resíduos utilizado influencia diretamente a gama de pH ótima e consequentemente o tipo de AOV produzido (Lee et al., 2014).
1.3.3.2 Temperatura
Em diferentes estudos foi relatado que a produção de AOV, através da acidificação de resíduos orgânicos, foi realizada a diferentes condições de temperatura, nas gamas psicrófila
(4-20°C) (Yuan et al., 2011), mesófila (20-50°C) (Cai et al., 2009), termófila (50-60°C) (Zhuo et al., 2012) e hipertermófila (60-80°C) (Yuan et al., 2011). Além disso, foi mencionado que tanto a concentração de AOV produzidos (Maharaj e Elefsiniotis, 2001), como a sua velocidade de produção aumentaram (Bouzas et al., 2002) com o acréscimo da temperatura dentro das gamas psicrófilas e mesófilas (Yuan et al., 2011; Zhang et al., 2009). Um estudo de Cai et al. (2009) referencia que, devido a uma aclimatização mais rápida e a uma atividade acidogénica maior, o acréscimo da temperatura da gama mesófila para a gama termófila e, até mesmo para a gama hipertermófila, pode favorecer a produção de AOV. A temperatura é um parâmetro que se julga apresentar menor influência no tipo de AOV produzido em comparação com o pH. No entanto, são várias as questões levantadas sobre se as espécies microbianas, nomeadamente se à mesma temperatura são semelhantes ou diferentes, e se estas aquando diferentes são capazes de produzir o mesmo tipo de AOV (Lee et al., 2014).
1.3.3.3 Tempo de retenção
Outro dos parâmetros importantes na operação do reator para a produção de AOV é o tempo de retenção do resíduo e das respetivas culturas microbianas mistas. O tempo de retenção hidráulico (TRH) está relacionado com a determinação do volume do reator, bem como com os custos de investimento iniciais. Um TRH maior implica no interior do reator um aumento do tempo da atividade microbiológica proporcionando grandes vantagens para a produção de AOV (Bengtsson et al., 2008). No caso da utilização da FORSU como substrato para a produção de AOV, esta aumentou com a passagem do TRH de 2 para 6 dias (Sans et al., 1995). Porém, o alargamento excessivo do TRH apresenta as suas desvantagens, pois pode levar à estagnação da produção de AOV (Lim et al., 2008). Um TRH mais alongado acarreta mais custos, sendo crucial ajustar o TRH tendo em conta qual a concentração de AOV possível de produzir, dependendo do substrato em estudo (Lee et al., 2014).
1.3.3.4 Tempo de retenção de sólidos
O tempo de retenção de sólidos (TRS) no reator está relacionado com o regulamento da seleção das espécies microbianas. Certas pesquisas indicam que um TRS mais baixo pode levar a um menor domínio dos microrganismos metanogénicos, que por sua vez implica uma maior taxa de crescimento por parte dos microrganismos acidogénicos (Ferrer et al., 2010). Apesar de existirem muitas pesquisas sobre este parâmetro, estas são muito contraditórias, possivelmente pelas condições de operação diferentes, não existindo desta forma conclusões rigorosas (Lee et al., 2014).
1.3.3.5 Carga orgânica
A carga orgânica presente no reator pode ser expressa através da Carência Química de Oxigénio (CQO), dos sólidos voláteis (SV) e dos sólidos suspensos voláteis (SSV). É um
parâmetro que representa a quantidade de resíduo com que é diariamente alimentado o reator, por unidade de volume.
De modo a ser um processo economicamente viável, é essencial ter noção dos efeitos prejudiciais da aplicação de concentrações altas de carga orgânica, na produção de AOV. Na fase de acidificação da digestão anaeróbia, os parâmetros operacionais como, o pH, a TRH e a carga orgânica aplicada ao processo apresentam uma influência elevada na distribuição dos AOV. Por isso os efeitos da carga orgânica deviam ser avaliados nesta perspetiva (Lee et al., 2014).
1.3.3.6 Aditivos
De modo a existir uma maximização da produção de AOV é necessário que a fase da metanogénese não ocorra. Para tal, um dos métodos a aplicar pode ser o uso de inibidores metanogénicos durante o processo. Os inibidores metanogénicos podem ser classificados em específicos e não específicos.
Os inibidores específicos inibem apenas na fase da metanogénese as enzimas específicas, como a coenzima M e a hydroxymethylglutary-SCoA reductase. Através dos inibidores 2- bromoethanesulfonate e 2-chloroethanesulfonate, é inibida a coenzima M, no caso da hydroxymethylglutary-SCoA reductase, esta é inibida por ação da mevastatina e a lovastatina. No caso dos inibidores não específicos, como é o caso do etileno, acetileno, e vários hidrocarbonetos alifáticos halogenados (clorofórmio, fluoroacetato e fluorometano), estes inibem enzimas na fase metanogénica e nas fases não metanogénicas. De modo a garantir a viabilidade dos microrganismos acidogénicos, para a produção dos AOV, é necessário avaliar a influência destes inibidores, principalmente dos não específicos (Liu et al., 2011).