4. I&C PROJECT EXECUTION
4.4. New facilities
Em Biktash (2014), fez-se um estudo cujo objetivo era correlacionar o índice geomagnético, DST (Disturbance Storm Time), e, RCG, com a média anual da temperatura do ar na superfície, o local de estudo foi a cidade de Moscou, seguindo desde o ciclo solar número 20 até o 24, mais precisamente, entre os anos de 1965 e 2012. Biktash concluiu que a correlação entre o índice DST e a temperatura do ar foi insignificante, enquanto que entre os raios cósmicos e a temperatura do ar verificou-se uma correlação negativa significante, ou seja, quando o fluxo de raios cósmicos decresce, a temperatura aumenta e vice-versa. No trabalho de Frigo et al. (2013) também foi constatada esta mesma anticorrelação, contudo, a sua área de estudo foi o sul do Brasil. Conforme Lihua (2017), as oscilações da temperatura do ar superficial sobre as regiões continentais e oceânicas estão, possivelmente, sendo moduladas pela atividade solar. Um modelo apresentado por Shaviv (2002) e Shaviv e Veizer (2003), que propõe existir uma forte correlação entre o início e o fim das eras glaciais com as mudanças de posicionamento do sistema solar ao longo dos braços espirais da via láctea, é contestado por Sloan e Wolfandale (2013). Os autores reconstruíram o fluxo de RCG no último 1 milhão de anos, mas os resultados encontrados para raios gama apresentaram-se incompatíveis com o modelo de Shaviv.
Segundo Svensmark, Enghoff e Pedersen (2013) os experimentos com íons induzidos para formação de Núcleos de Condensação de Nuvens (NCN), apresentaram certo contraste com as expectativas baseadas na atual teoria de relação entre RCG e NCN, contudo, os autores cogitam haver mais um mecanismo ainda não reproduzido nos experimentos de laboratório que ocorre na atmosfera e que, portanto, favorece a formação das nuvens. Nos últimos anos várias pesquisas estão sendo realizadas utilizando-se o Large Hadron Collider (LHC) no sentido de reproduzir as interações dos raios cósmicos que formam NCN. Assim, nasceu o projeto Cosmics Leaving Outdoor Droplets (CLOUD) liderado por Kirkby. Recentemente, Kim et al. (2016) através de uma pesquisa no CLOUD encontraram que a higroscopicidade decresce com o aumento das partículas e que partículas de 10 nm formam-se majoritariamente na presença de ácido sulfúrico, mas também foi encontrado que na presença de dimetilamina as partículas podem crescer até 15 nm. Os autores também concluíram que componentes orgânicos contribuem significativamente para o aumento das partículas.
No trabalho de Jones et al. (2012) foram feitas simulações com um Modelo Climático de Balanço de Energia (MCBE), onde a finalidade foi prognosticar a influência de um novo mínimo solar durante o século XXI, levando-se em conta as projeções do IPCC em relação ao aumento de CO2 até o ano de 2100. Os autores concluíram que a redução da temperatura seria de menos de 0,13 K quando comparado às projeções do modelo HadCM3, adotando-se o cenário B2 do IPCC. No entanto, a radiação solar foi perturbada devido às variações de energia, ou seja, considerando-se pequenas oscilações na constante solar. Logo, não se incluiu às simulações a atuação dos RCG sobre a cobertura de nuvens. Outros trabalhos também foram realizados utilizando-se modelos climáticos, por exemplo, em Feulner e Rahmstorf (2010), foram realizados experimentos a fim de reconstruir a temperatura entre 1100 e 1900, baseando-se na variação da irradiância solar total estimada pela datação de núcleos de gelo por 10Be. Feulner e Rahmstorf (2010) também realizaram simulações baseando-se nos cenários A1B e A2 do IPCC, onde adicionaram prognósticos das variações da constante solar até 2100, supondo assim, como Jones et al. (2012), que haverá um novo mínimo solar. Os resultados estão de acordo com o trabalho de Jones, pois foi desconsiderado o efeito do ciclo solar no fluxo de RCG e, consequentemente, sobre a cobertura de nuvens global.
Um modelo climático de balanço de energia inspirado na teoria dos RCG foi desenvolvido por Rusov et al. (2010), os resultados encontrados foram comparados aos dados de temperatura estimados pelo European Project for Ice Coring in Antartic (EPICA)
consortium e os obtidos pela estação de Vostok. Os períodos analisados são de 420 mil anos
(Vostok) e 730 mil anos (EPICA). O modelo de Rusov et al. (2010) levou em consideração vários parâmetros, por exemplo: as variações da excentricidade da orbita terrestre; e, variações no campo geomagnético. Um importante resultado obtido neste estudo foi a reconstrução do evento Dansgaard-Oeschger (período de 25 oscilações da temperatura dentro da última era glacial), sendo este um indicativo de que a ação dos RCG como NCN é importante para o aprofundamento da compreensão do clima terrestre.
O papel ionizante dos RCG sobre o Ozônio (O3), Óxidos Nitrosos (NOX) e até mesmo sua influência à segurança de voos comerciais é discutida no artigo de Jackman et al. (2016). Este estudo teve como propósito analisar o período entre os anos de 1960 e 2010, onde foram adotados os seguintes modelos: Whole Atmosphere Community Climate Model (WACCM), o
Goddard Space Flight Center two-dimensional (GSFC-2D) e o Nowcast of Atmospheric Ionizing Radiation for Aviation Safety (NAIRAS). Um importante resultado encontrado por
Jackman et al. (2016) foi que embora o impacto dos RCG sobre o ozônio seja relativamente pequeno, este não é desprezível.
Nos últimos anos várias pesquisas sobre a relação RCG-Clima foram desenvolvidas (TSONIS et al., 2015; DIDEBULIDZE; TODUA, 2016; AGEE; KIEFER; CORNETT, 2012; USOSKIN, 2012; SVENSMARK, 2015, KRISSANSEN-TOTTON; DAVIES, 2013; DERGACHEV et al., 2011) com o objetivo de analisar e compreender os efeitos dos RCG sobre o tempo e o clima. Em Svensmark (2015), por exemplo, analisou-se a redução do fluxo de RCG devido a um evento Forbush, verificando-se que a quantidade de nuvens e aerossóis presentes na atmosfera apresentou, também, uma ligeira redução.
3. MATERIAL E MÉTODOS