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Nemaska Lithium – Synthèse de l’hydroxyde de lithium à partir de l’électrolyse

4. EXPOSITION DES CAS À L’ÉTUDE

4.2. Nemaska Lithium – Synthèse de l’hydroxyde de lithium à partir de l’électrolyse

Foi possível perceber os traços do discurso jornalístico, enfatizados na linguagem visual, em diferentes trechos do filme “O Assalto ao Trem Pagador”, que é um dos aspectos constituintes do discurso fílmico. As cenas mostradas entre os 22min43s e os 23min10s apresentaram um dos integrantes do bando que assaltou o trem pagador, o personagem Grilo Peru (Reginaldo Farias). Ele observa as notícias nos jornais de um ponto de venda, em Copacabana, região central da cidade do Rio de Janeiro. As notícias observadas por ele são sobre o possível envolvimento de ferroviários no assalto ao trem. A produção dessas cenas teve origem nas notícias veiculadas em O Globo, em dois aspectos:

a) primeiro aspecto: os traços físicos do personagem Grilo Peru relacionam-se

com a descrição de um dos suspeitos de assalto ao trem, Jaime Laureano de Freitas, com o qual fora encontrado um croqui do local do assalto, segundo notícia publicada em 17 de junho de 1960, em O Globo. Segue a descrição desse suspeito, conforme o jornal impresso: “um indivíduo de péssimos

antecedentes, sempre envolvido em assaltos espetaculares e furtos de grande vulto. Forte, de cor branca e boa aparência, também em seu aspecto físico parece identificar-se com um dos assaltantes descritos pelas testemunhas.” (O

Globo, 17/06/60, p. 3).

b) segundo aspecto: além das cenas compreendidas nesses trechos terem relação

com a edição de O Globo de 17 de junho de 1960, verificamos ainda que a produção das cenas fez uma alusão ao que ocorreu, na realidade, com um dos assaltantes do trem pagador, Geraldo da Silva Ribeiro, o “Manacéia”, que descobriu, pelo jornal, que estava sendo acusado e procurado como um dos executores do roubo, segundo informações do O Jornal, publicadas em 1973:

Um dia, Geraldo saía do Armazém 8 do Cais do Porto, quando um colega lhe mostrou um jornal, com uma reportagem, que se referia a ele e ao assalto ao trem pagador. Manacéia não perdeu a calma, pelo menos aparentemente. No íntimo, entretanto, aquilo foi como uma erupção vulcânica. (O Jornal, 25/11/1973).

Em relação à releitura do factual pelo discurso fílmico, percebemos que um único personagem da ficção, Grilo Peru, interpretado pelo ator Reginaldo Farias, fez alusão a dois acontecimentos reais, relacionados a dois assaltantes distintos: Jaime Laureano de Freitas e Geraldo da Silva Ribeiro, o “Manacéia”, e que ambos foram assunto de notícias pela mídia impressa, as quais serviram como fonte de informação para a composição de trechos fílmicos, que analisados, detalhadamente, apresentaram, de modo implícito, várias informações jornalísticas. Isso, explica, parcialmente, o lançamento do filme dois anos após o acontecimento real, o que possibilitou à produção fílmica reunir diversos contextos do factual, os quais mesclados às linguagens audiovisuais serviram como conteúdo para basear o discurso da trama policial.

Outras características presentes nessas cenas, nas quais o discurso fílmico se inspirou na descrição jornalística, aparece quando, ao observar uma das manchetes dos jornais, cujo título era “Suspeito de cumplicidade: o pagador da Central”, esse mesmo personagem faz um gesto irônico, similar a alguém que está zombando do que foi publicado. Esse gesto facial do personagem transmite ao espectador a ideia de que os rumos seguidos pela polícia, quanto ao envolvimento de ferroviários no assalto, constituem suspeitas totalmente errôneas, pois os ferroviários foram vítimas do assalto e não cúmplices ou mentores do crime, como desconfiava a polícia da época. A suspeita

da polícia foi tão grande em relação à cumplicidade dos ferroviários, que até o próprio pagador do trem assaltado, Cícero de Carvalho Filho, esteve na mira das investigações policiais. Além dessa informação, publicada em 16 de junho de 1960, O Globo noticiou também que o funcionário prestou depoimento mediante a presença de um advogado, conforme pode ser constatado no trecho seguinte, intitulado “Constituiu advogado”:

[...] Em Japeri, onde procedia a várias diligências em torno do eletricista tido como participante do bando de salteadores, o delegado foi informado de que o pagador Cícero constituiu advogado para defendê-lo e, em companhia dele, vai apresentar- se amanhã para prestar depoimento. O Sr. Amil Reichaid, na ocasião manifestou a sua estranheza, pois – disse – absolutamente em condições normais, não haveria razão para essa preocupação do pagador. Era pensamento do delegado ouvir hoje mais alguns dos funcionários que viajavam na composição, mas em face do propósito do pagador, de apresentar-se com advogado, resolveu ouvi-lo isoladamente. Amanhã, então, tomará o depoimento dos outros. (O Globo, 16/06/60, p. 6).

Segundo o depoimento46 do filho de Cícero, José Eduardo dos Santos, o pai chegou a ser acusado, na época, como cúmplice no assalto ao trem, mas conseguiu, anos depois, provar sua inocência em relação àquele crime. O pagador, de acordo com seu filho, faleceu, em 1997, com 82 anos, tendo sido vítima de câncer na próstata.

Na análise das cenas fílmicas que compõem os trechos constituintes da segunda parte do corpus de análise desta pesquisa, percebemos que o discurso jornalístico esteve presente nas diferentes linguagens fílmicas; inclusive na linguagem gestual dos personagens da ficção, as quais, em diferentes partes do filme, reafirmaram o que o jornal havia noticiado sobre o fato, de modo que houve um diálogo entre os discursos dos dois meios midiáticos. Esse diálogo dá ao espectador a impressão de que o discurso jornalístico encontra-se subentendido em diferentes trechos da obra cinematográfica, que unidos podem formar uma versão única do fato tendo como base as informações impressas.

46 Comentário sobre o DVD intitulado “O Assalto ao Trem Pagador”. Disponível em:

<http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_resenha_dvd.asp?produto=6203>. Acesso em: 06 jul. 2010, 12:50.

3. AS LINGUAGENS MUSICAIS DO FILME “O ASSALTO AO TREM