Cross-national efficiency comparisons of health systems,
7.4 Key progress and remaining challenges
7.4.3. More work is needed to properly attribute health outcomes to inputs One reason why some types of performance metrics are fairly common (for
Foi somente na década de 1960, no contexto ditatorial, que foram implantadas novas bases teóricas para repensar a atuação profissional bem como seu plano metodológico, momento em que “a profissão mesma se coloca como objeto de pesquisa [...].” (NETTO, 1991, p. 133), possibilitando a ruptura com o pensamento conservador que acompanhava a profissão até então. Netto (1991) é referência para tal análise e caracteriza o período como o movimento de reconceituação e renovação do Serviço Social. Conforme o autor, o movimento de reconceituação aconteceu em boa parte da América Latina e levou a profissão a uma revisão crítica de suas bases teórico-metodológicas que trouxe consigo uma recusa do conservadorismo clássico colocado anteriormente, e estabeleceu um pluralismo de novas perspectivas. No Brasil, este processo foi chamado de movimento de renovação.
Dentre estas perspectivas em disputa pela condução da profissão naquele momento, a que o autor chama de intenção de ruptura, gestada nas Universidades brasileiras, pretendia romper de forma mais incisiva com o Serviço Social tradicional, de bases conservadoras, portanto, é a que aqui nos interessa para análise.
Se anteriormente, eram predominantes influências teóricas advindas do neotomismo, do funcionalismo e da fenomenologia, a perspectiva de intenção de ruptura trouxe para a profissão a novidade da teoria marxista. Tal perspectiva “desenvolveu a sua politização, sempre em confronto com a ditadura [...].” (Ibidem, p. 259).
O movimento aludido pode ser agarrado de forma expressiva no eixo teórico-metodológico que, a par de singularizar esta perspectiva no campo da renovação do Serviço Social no Brasil, acompanha todo o seu
desenvolvimento. Trata-se da referência à tradição marxista - que, com a produção dos representantes desta perspectiva, pela primeira vez inscreve-se no universo simbólico dos assistentes sociais brasileiros de maneira significativa. Explícita ou discretamente, o projeto de ruptura remete a tradição marxista; [...] (Netto, 1991, p. 268).
Importa ressaltar alguns dos aspectos gerais que marcavam a década de 1970. Durante esse período, experimentava-se a nível global um esgotamento do padrão de acumulação capitalista, que na Europa se expressou no Welfare State, que trouxe consigo uma longa onda expansiva para o capital (NETTO, 1996). Conforme o autor, as mudanças econômicas se refletiram em mudanças de caráter social e cultural, expressas na emersão de novos protagonistas sociais, dos chamados “novos” movimentos sociais, no advento do movimento pós-moderno e do neoliberalismo, que no Brasil só se consolidou na década de 1990.
Nesta conjuntura, junto à explosão das greves operárias em fins da década de 1970, ocorreu em 1979 o III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais em São Paulo, representando um marco para perspectiva supracitada. Conhecido como “Congresso da virada”, deu espaço para as correntes críticas da categoria assumirem um protagonismo frente à direção da profissão, colocando-se como correntes hegemônicas e apoiando-se na aproximação com o novo sindicalismo e as organizações populares.
Na compreensão da aproximação do Serviço Social com a tradição marxista Netto (1989) pontua algumas problemáticas que permeiam a relação. No âmbito externo a profissão, a existência dos diferentes marxismos construídos historicamente desde a morte de Marx. Outra problemática seria a fragmentação dos “diferentes Marx” dentro de sua obra: “Marx e seu legado são recuperados frequentemente pelas correntes ‘críticas’ das chamadas ciências sociais a partir das referências nucleares delas mesmas.” (Ibidem, p. 96). Implica que no campo da economia, são analisadas suas contribuições econômicas, no campo histórico, suas contribuições históricas, e assim sucessivamente. No que se refere especificamente à aproximação do Serviço Social, identifica três traços:
Em primeiro lugar, tratou-se de uma aproximação que se realizou sob exigências teóricas muito reduzidas – as requisições que a comandavam foram de natureza sobretudo ideo-política, donde um cariz fortemente instrumental nessa interlocução. Em segundo lugar, e decorrentemente, a referência à tradição marxista era muito seletiva e vinha determinada menos pela relevância da sua contribuição crítico-analítica do que pela sua vinculação a determinadas perspectivas prático-políticas e organizacional- partidárias. Enfim, a aproximação não se deu às fontes marxianas e/ou aos “clássicos” da tradição marxista, mas especialmente a divulgadores e pela via de manuais de qualidade e níveis discutíveis (Ibidem, p. 97).
Importa destacar, que tanto Netto (1991) como Iamamoto (2011) já identificaram algumas consequências da apropriação inicial de Marx no Serviço Social, no que diz respeito, respectivamente, ao marxismo vulgar e ao militantismo decorrente da dificuldade de separação da profissão de sua militância política na época.
Destarte esse aspecto, Netto (1989) coloca como possibilidades dessa apropriação teórica, a utilização do aporte marxiano como possível base para compreensão do significado social da profissão, para pensar elementos da intervenção profissional, bem como dinamizar a elaboração teórica do Serviço Social, desde que esteja acompanhada de um rigor teórico. Ainda no desvendamento o autor pontua uma contradição fundamental:
Na ótica marxiana, a superação da “questão social” demanda, liminarmente, a ultrapassagem dos marcos do capitalismo. Ora, o pressuposto do serviço social original aponta para o enfrentamento da “questão social” nos marcos do capitalismo; mais precisamente, o serviço social surge vocacionado para subsidiar a administração da “questão social” nos quadros da sociedade burguesa. (Ibidem, p. 91).
Pelo exposto há um limite colocado na apropriação inicial da teoria marxiana por vias secundárias que, a nosso ver, pode dificultar a compreensão de questões essenciais advindas da análise de Marx. Este último limite, concordamos com Netto, pode ser superado através do rigor teórico e evitando os manuais de vulgarização associados ao ecletismo teórico. Por outro lado, a base teórica marxista possibilitaria a apreensão de elementos até então pouco abordados pela profissão, e também o aprofundamento de sua dimensão teórica, redimensionando de forma consequente a direção social e política assumida pelas vanguardas profissionais. No entanto, cabe salientar o limite último das mudanças no novo direcionamento exposto por Netto (1989): a ótica marxiana, como uma teoria de cunho revolucionário, não se confundiria com os mesmos objetivos da profissão em sua gênese, os quais se relacionam a administração das sequelas da chamada questão social, e não na sua superação com vistas à outra ordem societária.
3.2.2 Os desdobramentos do movimento de renovação expressos no Código de Ética e no