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2nde Partie

Dans le document Session 3 (Page 41-56)

Através do resultado das avaliações e da elaboração do planeamento anual, foram realizados os planos de treino de cada aluno, ajustados ao longo do ano após 3 momentos: outubro – 65%1RM, fevereiro – 75% 1RM, maio – 80%1RM, no sentido de melhorar a funcionalidade do quotidiano dos alunos.

Cada plano de treino foi dividido em três partes: Parte inicial: aquecimento, de forma a preparar o corpo para as atividades seguintes; Parte fundamental: com realização de trabalho de força específico através da realização de exercícios dinâmicos utilizando os principais grupos musculares, nas máquinas de peso acumulativo de resistência variável ou na zona livre com materiais; Parte final: realização de um relaxamento recorrendo a alongamentos para facilitar o retorno à calma.

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4.2.3.4. Avaliação intermédia

Ao longo do programa de treino sucederam-se desistências de alguns alunos devido a problemas de saúde ou problemas familiares, que resultaram em faltas na segunda e terceira avaliações.

Tal como anteriormente referido, foi necessário realizar uma avaliação intermédia de 1RM, para ajustar as cargas e o novo plano. Os resultados da avaliação intermédia encontram-se descritos na tabela 14.

Tabela 14: Avaliação intermédia da aptidão física e funcional através da 1RM

Sexo Idade

Membros inferiores Membros superiores Leg curl (lb) Leg extension (lb) Abdução (lb) Adução (lb) Remada (lb) Supino (lb) Bíceps (lb) Tríceps (lb) F1 65 130 120 91 172 118 50.5 37 37 M1 65 140 80 199 185.5 104.5 64 91 131.5 M2 71 100 110 172 172 199 118 64 64 M3 78 130 120 172 199 172 118 91 91 M6 83 90 80 118 172 172 91 77.5 77.5 Média 73.5 115 98.3 147.3 183.3 156.3 84.3 77.5 84.3

Após se realizar a avaliação intermédia, foi possível constatar melhorias generalizadas nas diferentes capacidades. Este bom desempenho pode ser explicado pela percentagem de assiduidade de cada aluno, isto é, da 1ª para a 2ª avaliação, os alunos em questão estiveram presentes em mais de 50% das aulas.

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4.2.3.5. Avaliações finais

No final do programa de treino, foi essencial realizar as avaliações finais, de modo a perceber qual o impacto que o programa teve ou não nas diversas variáveis inicialmente avaliadas. Para tal, os valores finais do SFT encontram- se descritos na tabela 15.

Tabela 15: Avaliação final da aptidão física e funcional através do SFT

De uma forma geral e segundo os pontos de corte de Marques et al. (2014), foi possível verificar melhorias nas diversas variáveis avaliadas. A variável da flexibilidade dos MS foi a componente que modificou consideravelmente. É de notar que, após 9 meses de treino e excetuando a componente da flexibilidade dos MS, todas as componentes foram melhoradas e todos os alunos conseguiram alcançar os valores normativos da população portuguesa reportados por Marques et al. (2014).

A tabela 16 apresenta os valores finais da composição corporal. Sexo Idade (anos) Levantar e sentar (reps) Flexão do antebraço (reps) Sentar e alcançar (cm) Alcançar costas (cm) Ir e vir 2.44m (s) 6 Min (m) F1 65 13 27 10 -19 5.22 500 M1 65 20 19 -6 -22 5.33 483 M2 71 22 22 -16 -27 5.22 520 M3 78 14 20 -17 -8 6.15 610 M4 79 14 20 -2 -43 10.42 364 Média 71.6 16.6 21.6 -6.2 -23.8 6.5 495.4

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Tabela 16: Avaliação final da composição corporal

Sexo Idade (anos) Peso (kg) Altura (m) IMC (kg/m2) Perímetro de cintura (cm) F1 65 62.9 1.48 28.7 85 M1 65 83.4 1.72 28.2 105 M2 71 75.2 1.61 29.0 98 M3 78 67.3 1.72 22.7 96 M4 79 90.4 1.74 29.9 113 Média 71.6 75.8 1.70 27.7 99.4

Relativamente às variáveis da composição corporal, descritas na tabela 16, foi possível constatar-se que 4 alunos não conseguiram atingir o valor de IMC recomendado por Lipschitz (1994) e, de 5 alunos, apenas 2 não conseguiram obter o valor de PC recomendado pela OMS (2000).

No final do programa de treino, foi essencial realizar a avaliação final de 1RM, de modo a perceber qual o impacto que o programa teve ou não nas diversas variáveis inicialmente avaliadas. Para tal, os valores encontram-se descritos na tabela 17.

Tabela 17: Avaliação final da aptidão física e funcional através da 1RM

Sexo Idade

Membros inferiores Membros superiores Leg curl (lb) Leg extension (lb) Abdução (lb) Adução (lb) Remada (lb) Supino (lb) Bíceps (lb) Tríceps (lb) F1 65 140 140 104.5 172 118 64 50.5 50.5 M1 65 150 100 199 199 118 64 91 131.5 M2 71 110 120 185.5 185.5 199 131.5 64 77.5 M3 78 140 130 185.5 212.5 172 118 104.5 104.5 M4 79 110 100 145 199 185.5 77.5 104.5 118 Média 71.6 130 118 163.9 193.6 158.5 91 82.9 96.4

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Após se realizar a avaliação final, foi possível constatar melhorias generalizadas nas diferentes capacidades. Este bom desempenho pode estar explicado pela assiduidade e empenho de cada aluno.

4.2.3.6. Comparação pré e pós programa

De modo a perceber se o treino de 9 meses foi efetivo nesta turma, foi realizada uma comparação entre os valores da primeira, segunda e terceira avaliações nas diferentes variáveis. Esta comparação foi realizada apenas nos participantes que cumpriram os requisitos mínimos de assiduidade de 60% descritos na tabela 18. A amostra final dos alunos para comparação foi composta por 5 indivíduos.

Tabela 18: Comparação entre a primeira e última avaliações físicas e

funcionais através do SFT (*p<0.05) Avaliações - SFT Avaliação Inicial (média ± dp) Avaliação final (média ± dp) Valor de p Levantar e sentar (reps) 15.80 ± 2.60 16.60 ± 4.10 0.438

Flexão do antebraço (reps) 18.60 ± 4.98 21.60 ± 4.10 0.075

Ir e vir (s) 6.35 ± 1.19 6.50 ± 2.24 0.678

Sentar e alcançar (cm) -5.40 ± 12.52 -6.20 ± 11.10 0.260

Alcançar costas (cm) -26.70 ± 51 -23.80 ± 12.79 0.398

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Tabela 19: Comparação entre a primeira e última avaliações da composição

corporal (*p<0.05) Avaliações – Composição corporal Avaliação Inicial (média ± dp) Avaliação final (média ± dp) Valor de p Peso (kg) 77.86 ± 13.74 75.84 ± 11.29 0.500 IMC (kg/m2) 28.14 ± 2.73 27.70 ± 2.86 0.225 Perímetro de cintura (cm) 93.40 ± 16.44 99.40 ± 10.45 0.144

Tabela 20: Comparação entre a 1ª, 2ª e 3ª das avaliações das aptidões físicas

e funcionais através da 1RM (*p<0.05) Avaliações – 1RM 1ª Avaliação (média ±dp) 2ª Avaliação (média ±dp) 3ª Avaliação (média ±dp) Valor de p (1ª-3ª) Leg curl (lb) 110.00 ± 18.71 120.00 ± 18.71 130.00 ± 17.89 0.025* Leg extension (lb) 94.00 ± 18.17 97.50 ± 20.62 118.00 ± 17.89 0.038* Abdução (lb) 150.40 ± 26.32 153.10 ± 42.26 163.90 ± 38.89 0.258 Adução (lb) 174.70 ± 14.79 185.50 ± 13.50 193.60 ± 15.39 0.038 Remada (lb) 142.30 ±37.46 153.10 ± 40.04 158.50 ± 38.18 0.063 3 Supino (lb) 72.10 ± 29.58 82.90 ± 32.51 91.00 ± 31.66 0.038* Bíceps (lb) 64.00 ± 28.00 77.50 ± 27.00 82.90 ± 24.52 0.038* Tríceps (lb) 69.40 ± 31.08 85.66 ± 36.47 96.40 ± 32.51 0.039*

Da comparação entre os resultados da primeira com a terceira avaliação, constataram-se diferenças significativas positivas nas variáveis das máquinas leg curl, leg extension, supino, bíceps e tríceps.

De acordo com o SFT, não se verificaram alterações significativas nas componentes da força dos MS e MI, flexibilidade dos MS e MI, agilidade, capacidade aeróbia, peso, IMC e PC. De acordo com as avaliações de 1RM, não foram verificadas alterações significativas nas máquinas abdução, adução e remada.

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Segundo Carvalho et al. (2004) e Pina et al. (2019), o treino progressivo de força, com intensidade moderada, pode ser efetuado com elevada tolerância por idosos saudáveis. Este tipo de treino desempenha um papel importante enquanto estratégia para a manutenção e/ou aumento da sua força dos músculos dos MI, que é indispensável para a qualidade da marcha, do equilíbrio postural, e de diferentes tarefas do quotidiano tais como subir e descer as escadas e levantar da cama.

Segundo Pina et al. (2019), o treino de força em idosos promove ganhos de força tanto nos MI como nos MS. Tais aumentos verificados são também determinantes para uma maior autonomia e eficácia na realização de tarefas como carregar sacos de compras, pegar nos netos, entre outros, que contribuiu para a melhoria da auto imagem e auto eficácias dos idosos.

4.2.4. Reflexão crítica

No segundo dia de estágio, dia 2 de outubro de 2018, foi a primeira aula da turma de musculação. Uma vez mais, fomos duas professoras a assumir o comando de uma turma e, tal como aconteceu na turma multicomponente, todo o processo foi facilitado, na minha opinião mais rica, pelo facto de sermos duas profissionais a colaborar em conjunto com o mesmo objetivo, tornando os métodos e procedimentos em aula muito mais criativos e dinâmicos. A primeira aula serviu para nos darmos a conhecer, conhecermos os nossos alunos e para começar a realizar as avaliações das 1RM.

As duas primeiras semanas de aulas foram essenciais para os idosos pois, aos poucos, puderam voltar à prática desportiva. Foram também fundamentais para a realização das avaliações das 1RM, a fim de elaborar os planos de treino ajustados a cada aluno. Estas primeiras aulas serviram para observar a turma e perceber de que forma o mesmo exercício podia ser mais desafiante para os alunos com melhores capacidades e menos exigente para os alunos com menores aptidões. Nesta faixa etária, o fator sucesso na tarefa realizada foi essencial para manter a motivação e a adesão às sessões de exercício físico, por parte dos idosos.

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De um total de 12 alunos, dois alunos deixaram de comparecer às aulas desde janeiro devido a problemas de saúde.

As aulas decorreram sempre dentro da normalidade e como planeadas. Após a elaboração dos planos de treino, os alunos realizavam o seu plano conforme o programa de exercícios e nós, enquanto professoras, ajudámos em todos os momentos e fizemos as correções necessárias. Com o avançar dos meses, fui ganhando mais confiança em mim, no controlo das aulas e a relação com os alunos foi sempre melhorando.

Uma das causas mais frequentes apontadas para a ausência dos alunos foram as consultas médicas e o frio que se fez sentir durante o inverno. Penso que as condições climatéricas desfavoráveis dentro da sala de musculação causaram algum desconforto e fizeram com que os idosos não viessem às aulas.

Inicialmente, a turma de musculação foi uma turma relativamente assídua. Contudo, a partir de dezembro começaram-se a verificar muitas faltas e, por vezes, apenas estavam presentes 5 alunos, o que lhes causava uma certa desmotivação a quem estava presente assiduamente. Na tentativa de contrariar este número considerável de faltas, tentámos perceber o que se passava e falar com os alunos.

Tal como aconteceu na turma anterior, todos os anos os alunos realizam os testes físicos e, no dia das avaliações, os alunos cumpriram sempre o que lhes foi pedido, sendo sempre compreensíveis e empenhados. Todos deram o seu máximo na tentativa de superar o seu resultado anterior, em cada componente. A realização dos testes foi sempre informada aos alunos com antecedência, a fim de conseguir que todos estivessem presentes, porém infelizmente nem todos os alunos conseguiram estar presentes. Sendo assim, as avaliações desses idosos foram remarcadas para as aulas seguintes e os outros alunos que estiveram muito tempo a faltar às aulas não realizaram as avaliações.

No dia das avaliações, os alunos apenas realizaram um pequeno aquecimento na passadeira ou na bicicleta e, após a realização da avaliação, iniciaram o seu plano de treino.

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Os resultados do SFT foram positivos e verificaram-se melhorias significativas em todas as capacidades avaliadas, exceto a capacidade de flexibilidade dos MI. Esta pioria pode dever-se ao facto de ter sido uma capacidade pouco trabalhada ao longo das aulas. Relativamente às avaliações de 1RM verificaram-se melhorias, o que pode significar que a assiduidade é um ponto crucial na melhoria de resultados.

Durante o ano letivo, foram realizados vários convívios com a turma a fim de criar ligações mais próximas com os alunos fora do contexto de aula, promover a socialização entre alunos e quebrar a solidão que muitos podiam sentir pelo facto de morarem sozinhos.

No início de cada aula, os alunos realizavam um aquecimento de 10 minutos na passadeira ou na bicicleta. De seguida, realizavam os exercícios descritos no plano de treino e nos últimos 10 minutos de cada aula, em grupo, era realizado o relaxamento.

A escolha dos exercícios para a elaboração dos planos de treino, com base no planeamento anual, foi uma tarefa complexa. O facto de alguns alunos apresentarem limitações em certos movimentos fez com que os exercícios que seriam realizados nas máquinas fossem substituídos por exercícios funcionais com materiais livres. Assim, todos os alunos conseguiram realizar os exercícios propostos em cada plano de treino.

Durante o decorrer das aulas, apercebi-me que certos alunos não cumpriam a intensidade do plano de treino conforme estipulado e, assim, diminuíam a carga de alguns exercícios. Após tentar perceber a razão que os levava a diminuir a carga, apercebi-me que alguns idosos apenas necessitavam de mais incentivo e motivação. Desta forma, passei a ter uma atitude mais ativa para com os alunos, na tentativa de os encorajar a realizarem os exercícios com as cargas estabelecidas.

Durante os 9 meses de estágio nas aulas de musculação, sinto que aprendi muito desde o primeiro dia, onde ainda me sentia um pouco perdida e com falta de conhecimento nesta área, até ao último dia de aulas, não só em termos teóricos, como também práticos. O facto de ter tido a responsabilidade de comandar esta turma, com alunos com muito mais experiência neste tipo de

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aulas fez com que aprendesse com cada um deles, melhorasse e a crescesse enquanto professora.

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4.3. Grupo Demência

Esta turma apresentou características distintas de outas, devido ao facto dos participantes estarem diagnosticados com Demência.

Durante 9 meses, os participantes foram submetidos a um programa de exercício (2 vezes por semana/60 minutos por sessão, segundas e quartas- feiras), onde estavam incluídos exercícios de fortalecimento muscular, exercícios aeróbios, de equilíbrio e de postura.

4.3.1. Caraterização do espaço

A turma realizou as suas aulas dentro de uma sala nas instalações do Centro Hospitalar Conde de Ferreira, da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

A sala onde se realizaram as aulas tinha uma boa luminosidade e, apesar de não ser muito grande, tinha as dimensões necessárias para um grupo reduzido, que era o caso. A sala permitiu uma movimentação fluída dos alunos de forma a que estes não dispersassem. Um ponto a favor desta sala era o facto de não existir nenhum espelho pois, quando um idoso está diagnosticado com esta Demência, é comum olhar para o espelho e não se reconhecer, pensando que está na presença de outra pessoa.

Quando as temperaturas eram favoráveis, as aulas foram realizadas no jardim do Centro, de fácil acesso através de uma porta da sala.

4.3.2. Caraterização do material

Para a realização das aulas, foi cedido algum material da arrecadação do centro, tais como cadeiras, bolas e garrafas com areia.

Deste modo e devido à falta de material, para que as aulas decorressem dentro da normalidade foi necessário recorrer ao material disponível na arrecadação da FADEUP, tais como arcos, bastões, barreiras, elásticos, escada de agilidade, halteres, plataformas de instabilidade e steps. Sempre

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que necessário, foi efetuada uma deslocação até à faculdade com o intuito de levantar ou depositar o material requisitado.

4.3.3. Caraterização da turma

Contrariamente ao que aconteceu com as turmas anteriores, as avaliações iniciais desta turma foram realizadas após o início das aulas. Sendo assim, as primeiras aulas foram reservadas para a realização dos testes iniciais, da bateria de testes SFT.

Inicialmente, a turma foi composta por 6 alunos, dos quais 2 do sexo masculino e 4 ao sexo feminino com idades compreendidas entre os 61 e os 79 anos uma média de 72,8 anos. Dos seis alunos, apenas um tinha idade inferior a 70 anos de idade.

A tabela seguinte apresenta a comparação de características descritivas entre sexos.

Tabela 21: Características gerais da amostra

Variáveis Sexo Feminino Sexo Masculino Valores Totais

Número de indivíduos 4 2 6 Es c o la ri d a d e Ensino primário 2 1 3 Ensino profissional 2 1 3 Me d icaç ão Nº <5 Nº ≥5 1 3 0 2 1 5 Es ta d o c iv il Casado/a 4 2 6

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Para a prescrição dos planos de aula, foi necessário avaliar as patologias existentes, a medicação, ocorrência de quedas no último ano e a aptidão física e funcional dos alunos, de modo a perceber qual o tipo de exercício e treino mais aconselhado para a população encontrada.

A figura 3 apresenta os problemas de saúde mais comuns da turma.

Figura 3: Número de alunos com problemas de saúde

Foi possível perceber que os problemas de saúde mais recorrentes eram as doenças cardiovasculares e doenças pulmonares, com 3 alunos respetivamente. De seguida, as lombalgias, as doenças osteoarticulares, a depressão e a ansiedade com 2 alunos respetivamente. E por último, um aluno reportou ter artrite reumatoide e outro uma prótese total na anca.

4.3.3.1. Avaliação inicial

Após o preenchimento dos questionários, foi realizada uma Avaliação Inicial do estado de aptidão física e funcional dos alunos.

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Como não existem valores de referência para este tipo de população, foram utilizados como valores de referência os valores sugeridos por Marques et al. (2014).

A seguinte tabela apresenta os valores da avaliação inicial.

Tabela 22: Avaliação inicial da aptidão física e funcional através do SFT

De acordo com os valores normativos da população portuguesa, foi possível verificar que esta turma apresenta uma baixa e generalizada aptidão física funcional. A componente que apresentou melhores resultados foi a componente da agilidade, seguida da componente da força dos MI, em que apenas um aluno apresentou um valor de repetições abaixo dos valores normativos portugueses. Nas capacidades da força dos MS e flexibilidade dos MI, apenas três alunos não conseguiriam atingir os valores, respetivamente. A capacidade da flexibilidade dos MI foi a capacidade com pior desempenho, pois apenas um aluno conseguiu realizar o valor reportado por Marques et al. (2014) A tabela 23 apresenta os valores da composição corporal obtida inicialmente. Sexo Idade (anos) Levantar e sentar (reps) Flexão do antebraço (reps) Sentar e alcançar (cm) Alcançar costas (cm) Ir e vir 2.44m (s) 2 Min step (nº) F1 7 9 8 -17 -13 11.6 40 F2 72 11 9 -27 -51 9.69 32 F3 75 15 10 -12 -11 6.46 47 F4 77 9 12 -28 -39 12.66 47 M1 61 16 16 -22 -7 7.48 74.5 M2 79 8 7 -38 -41 9.95 32.5 Média 72.5 11.3 10.3 -24 -27 9.64 45.5

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Tabela 23: Avaliação inicial da composição corporal

Sexo Idade (anos) Peso (kg) Altura (m) IMC (kg/m2) Perímetro de cintura (cm) F1 71 61.8 1.47 28.6 81.6 F2 72 49.3 1.53 21.1 84.0 F3 75 55.6 1.55 23.1 76.1 F4 77 88.2 1.53 37.7 116 M1 61 75.2 1.58 30.1 108.6 M2 79 62.4 1.58 25.0 90.8 Média 72.5 65.42 1.54 27.6 92.85

Segundo os dados da tabela 23, foi possível constatar-se que apenas 3 alunos não conseguiram obter valores de IMC recomendados por Lipschitz (1994) e 2 alunos não obtiveram valores de PC recomendados pela OMS (2000).

4.3.3.2. Planeamento anual – justificação

O planeamento anual desta turma encontra-se no anexo 10. Durante os 9 meses de treino e em todas as 59 aulas lecionadas, tal como sugere o ACSM

(2018), devem ser trabalhadas todas as componentes físicas, incluindo exercícios aeróbios, de fortalecimento muscular/resistência, flexibilidade, aperfeiçoamento do equilíbrio, da agilidade e da força muscular.

Inicialmente, foi necessário implementar um período de adaptação de modo a promover a familiarização com os exercícios e socialização entre alunos e professora. Sendo assim, nas primeiras duas semanas de aulas de outubro, a resistência aeróbia foi trabalhada a 40-50% da FCmax e na força, os exercícios foram realizadas 2 séries de 12 repetições e sem carga; os dois primeiros meses (novembro e dezembro), a resistência aeróbia foi trabalhada a 50-60% da FCmax e na força foram realizados exercícios com 2 séries de 12 repetições; no terceiro mês (janeiro), a resistência aeróbia foi trabalhada a 70%

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da FCmax e na força foram realizados exercícios de 2 séries de 12 repetições; no quarto mês (fevereiro), a resistência aeróbia foi trabalhada a 70-80% da FCmax e na força foram realizados exercícios de 2 séries de 15 repetições; nos restantes meses (março, abril, maio e junho), a resistência aeróbia foi trabalhada a 70-80% da FCmax e na força foram realizados exercícios de 2 séries de 18 repetições. A intensidade das aulas foi monitorizada mensalmente através de cardiofrequencímetros e acelerómetros. Todas as restantes componentes tiveram a mesma duração e intensidades, sendo que, foram 5 a 10 minutos de aquecimento, 10 minutos de exercícios de equilíbrio e coordenação e nos 5 minutos finais de cada aula foi realizado o relaxamento.

A fim de tornar o programa mais eficaz e eficiente, foram incluídas atividades como orientação espacial, perceção e lateralidade durante as aulas, bem como atividades cognitivas através de cores, formas, números e objetos que retratem a vida diária.

4.3.3.3. Plano de aula

Através do planeamento anual, foram elaborados os planos de aula semanais. Estes foram sempre ajustados com o avançar do programa e tiveram como objetivo acarretar melhorias no quotidiano dos alunos, o gosto pela prática de atividade física e melhorar as variáveis inicialmente avaliadas.

O plano de aula foi dividido em três partes: aquecimento: 8 a 10 minutos, incluindo exercícios posturais e alongamentos; parte fundamental: com duração entre 40 a 45 minutos, incluindo 20 minutos de exercícios aeróbios, 10 a 15 minutos de exercícios de força e 10 minutos de exercícios de equilíbrio e coordenação; os 5 minutos finais foram reservados para o relaxamento com alongamentos e exercícios respiratórios que ajudavam os alunos no retorno à calma.

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4.3.3.4. Avaliação final

No final do programa de treino, realizamos uma avaliação final, de modo a perceber qual o impacto que o programa teve ou não nas diversas variáveis inicialmente avaliadas. Os valores encontram-se descritos na tabela 24.

Tabela 24: Avaliação final da aptidão física e funcional através do SFT

De uma forma geral, foi possível verificar melhorias significativas em todas as capacidades avaliadas. As componentes que mais se destacaram foram a força dos MI, força dos MS e agilidade, pois em todas as componentes todos os alunos conseguirem realizar os valores referidos por Marques et al. (2014). Apesar de alguns alunos não terem conseguido realizar os valores recomendados para as componentes da flexibilidade dos MI e MS, estas componentes foram também melhoradas.

A tabela seguinte apresenta os valores finais da composição corporal. Sexo Idade (anos) Levantar e sentar (reps) Flexão do antebraço (reps) Sentar e alcançar (cm) Alcançar costas (cm) Ir e vir 2.44m (s) 2 Min step (nº) F2 72 10 13 -22 -44 9.0 75 F4 77 11 12 -18.5 -39 11.5 66 M1 61 16 17 -12.5 -7 6.3 76 M2 79 9 11 -37 -37 8.8 45 Média 72.3 11.5 13.3 -22.5 -31.8 8.9 65.5

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Tabela 25: Avaliação final da composição corporal

Sexo Idade (anos) Peso (kg) Altura (m) IMC (kg/m2) Perímetro de cintura (cm)

F2 72 55.1 1.53 23.5 78.8

F4 77 81.6 1.53 34.9 100.5

M1 61 72.0 1.58 28.8 105.1

Média 70 69.6 1.55 29.1 94.8

Relativamente às variáveis da composição corporal, descritas na tabela 25, constataram-se algumas melhorias. De um total de 4 alunos, apenas 2 alunos não conseguiram obter valores de IMC e PC recomendados por

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