Implementation, Tools and Case Studies
6.4 NDD Module of Dala Robot
O planeamento anual, tal como já foi mencionado, diz respeito ao primeiro dos três níveis de planificação elencados por Bento (2003, pp. 65-66), tratando- se de "...um plano global, integral e realista da intervenção educativa...".
De acordo com o mesmo autor, o planeamento anual carateriza-se pela primeira etapa no que ao planeamento do processo de ensino e aprendizagem diz respeito, devendo servir de ponto de partida para a elaboração dos níveis subsequentes. Assim, uma das primeiras tarefas do EE prendeu-se, precisamente, na construção do planeamento anual (conforme anexo II). Aquando da primeira reunião do grupo de EF, ficou decidido que caberia ao EE, em conjunto com outros professores de turmas de 3º ciclo, a consecução do planeamento anual para o respetivo ciclo de ensino. Foi utilizada, como ponto de partida, uma proposta de planeamento do ano transato, a qual foi objeto de análise, resultando dessa análise as modalidades a abordar no decorrer do ano letivo. Importa salientar que os professores que acompanharam, quer o EE, quer todo o núcleo, sempre se mostraram prestáveis e compreensivos.
Bento (2003, p. 66), no seu livro acerca do planeamento, questiona-se se "será necessário o planeamento anual?". O autor explica esta questão com o facto de os programas se apresentarem cada vez mais claros e objetivos
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naquilo que pretendem para cada ano de ensino (Bento, 2003). Porém, como foi possível ao EE constatar, colocar todo o programa em ação é inconcebível, portanto, torna-se importante, para o professor, analisar o programa e de lá extrair as indicações que melhor se ajustem à sua realidade, isto é "as indicações programáticas (...) devem ser modificadas, reformuladas e concretizadas de acordo com as condições em que o ensino vai decorrer num ano lectivo" (Bento, 2003, p. 66).
Assim, após a análise do programa e o confronto de ideias, decidiu-se que relativamente ao 7º ano de escolaridade, as modalidades a lecionar seriam: Atletismo, Ginástica (solo, acrobática e aparelhos), Badminton, Jogos Desportivos Coletivos (JDC) (Andebol, Basquetebol, Futebol e Voleibol) e Jogos pré-desportivos. Porém, ficaram algumas aulas reservadas em cada período, quer para matérias alternativas quer para precaver possíveis imprevistos que possam acontecer.
Após a escolha das modalidades a abordar neste primeiro período, o EE passou à fase seguinte, ou seja, qual a sequência das modalidades? Por onde começar? Para tal, contou com a ajuda da professora cooperante Maria Silva, visto a mesma ter muitos anos de experiência. Em conjunto, decidiu-se que, no primeiro período o EE iniciaria com a modalidade de Futebol, seguindo-se o Badminton e o Atletismo, ficando para o final as matérias alternativas. Foram escolhidas as presentes modalidades visto a professora cooperante ter sugerido ao EE que iniciasse o seu EP com modalidades nas quais o mesmo se sentisse à vontade, isto para tentar retirar alguma da pressão sentida inicialmente. Esta foi a razão pela qual se prendeu a escolha das modalidades neste primeiro período.
Importa, ainda, salientar um outro aspeto no que ao planeamento anual diz respeito, a distribuição das horas disponíveis pelas modalidades. Para o primeiro período tivemos trinta e sete aulas disponíveis, distribuídas da seguinte forma: dezasseis para Futebol, doze para Badminton, três para os Jogos pré-desportivos, três para matérias alternativas e três créditos para quando fosse necessário. Como se vê, não foram reservadas aulas para a modalidade de Atletismo, isto porque em conversa com o restante núcleo de estágio, incluindo a professora cooperante, ficou decidido que o Atletismo seria dado em simultâneo com a modalidade de Futebol e Badminton. Por tal motivo
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as horas disponibilizadas para Futebol foram dezasseis. Já para Badminton foram apenas doze, no entanto, as três aulas reservadas para matérias alternativas, foram utilizadas com o torneio de Badminton, logo na prática, esta modalidade foi contemplada com quinze horas. As três horas denominadas por créditos, foram utilizadas para a elaboração da ficha de avaliação, assim como para a avaliação diagnóstica dos JDC.
No que ao segundo período diz respeito, a escolha das modalidades prendeu-se com o facto de o núcleo ter decidido terminar o ano letivo com a modalidade de Voleibol, através do Modelo de Educação Desportiva (MED). Assim, no segundo período foram encaixadas as modalidades que sobraram - Andebol e Basquetebol, não sendo por este motivo consideradas menos importantes, simplesmente foi escolha do núcleo terminar com Voleibol.
À imagem do primeiro período, o Atletismo e o Andebol foram dadas em simultâneo, perfazendo um total de catorze aulas, das trinta e uma aulas disponíveis. Também de catorze aulas usufruiu a modalidade de Basquetebol, ficando a sobrar apenas três aulas (créditos), que foram utilizadas para a elaboração da ficha de avaliação, assim como para a matéria alternativa. De acordo com Monteiro e Pais (1996) é reconhecida a importância de o profissional de educação tomar em consideração os interesses dos alunos, negociando com eles os conteúdos a serem lecionados. Neste sentido, o EE ofereceu a oportunidade aos seus alunos de selecionarem a modalidade alternativa a ser abordada. Ficou então decidido que a modalidade a abordar seria o Kinball, no seguimento de um acordo que satisfez todo o grupo (Valadares & Graça, 1998)
Por último, relativamente ao terceiro período, ficou deliberado que as modalidades abordadas seriam a Ginástica e o Voleibol. Neste sentido, o EE iniciou o terceiro período com a modalidade de Ginástica, estando delineadas para a mesma dez aulas (das trinte e uma). No entanto, no decorrer do período, o EE constatou que seriam necessárias mais aulas, isto devido à coreografia que os alunos teriam de construir, demonstrando mais uma vez a perspetiva preconizada por vários autores, de que a planificação não deve ser vista como uma atividade rígida (Bento, 2003; Leite & Terrasêca, 1995; Peralta, 2005; Vilar, 1993; Zabalza, 1997). Assim, o EE prolongou a modalidade de Ginástica para as doze aulas. Devido a este fator, as dezoito aulas iniciais
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destinadas a Voleibol desceram para as dezasseis, todavia, devido aos exames nacionais de primeiro ciclo, mais uma aula foi perdida, reduzindo para quinze aulas. Relativamente aos três créditos, ficaram reservados para a realização e entrega da ficha de avaliação, assim como para o momento de despedida do EE com a sua primeira turma de lecionação - o 7ºB.
Em suma, segundo Arends (1995), conclui-se que o planeamento anual embora não possa ser executado com total precisão, visto serem vários os fatores que podem ocorrer durante o ano letivo, permite ao profissional de educação determinar as modalidades a abordar e seus conteúdos com base no Programa Nacional de Educação Física (2001), assim como deliberar a sequência das modalidades e número de horas para a sua abordagem (Bento, 2003).
Desta forma, após todos os passos supramencionados terem sido efetuados, estava dado o primeiro passo no que ao planeamento e preparação do ensino e aprendizagem diz respeito, a concretização de "um plano exequível (...) que oriente para o essencial (...) com base nas indicações programáticas..." (Bento, 2003, p. 67). Findada a consecução do planeamento anual, estavam reunidas as condições para a elaboração da extensão e sequência dos conteúdos - unidade didática (UD), que será objeto de análise no próximo ponto do presente capítulo.