DISPOSITIONS FINALES
1.3. Nature de la proposition/de l’initiative
Não há outro caminho para a vitória, além de muito trabalho, muito esforço e intransigência contra o erro (RÓBEVA; RANKELOVA, 1991)
Como outras modalidades esportivas, a ginástica rítmica necessita de algumas áreas de conhecimento que a sustentem no esporte de rendimento. No entanto, são raros os ambientes de treinamento que seguem o esquema de rendimento esportivo, em sua maioria pela falta de estrutura física e financeira desses locais, o que acarreta no acúmulo de funções a determinados profissionais e prejuízo às sessões de treinamento.
Entretanto, apesar da situação da maioria dos clubes e entidades brasileiras, a GR, como dito anteriormente, tem evoluído ao longo dos anos, e busca continuamente trazer uma sistematização no treinamento de suas equipes.
Uma das críticas a esta modalidade é a maneira como a mesma organiza as sessões de treino. Os longos períodos de treinamento, a incontável repetição de exercícios, a falta de articulação entre a parte física, técnica e tática, além do pouco conhecimento dos profissionais, fazem parte da gama de inquietações presentes neste ambiente.
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Passé (“passagem”) é um equilíbrio característico do balé, por isso o nome em francês. De fácil execução, é usado para o ensino desta habilidade na ginástica rítmica. É caracterizado por ter uma das pernas flexionadas à 90º, tocando com a ponta dos pés, o joelho da perna de base. Sua importância está enfatizada pela sua presença no código de pontuação (2009-2012).
Pensando neste problema, Laffranchi (2005) buscou dissertar em sua tese acerca desta sistematização, buscando justificar e direcionar a prática desta modalidade. Outros estudos, como Monteiro (2000), também corroboraram para esta sistematização. Em sua pesquisa, Laffranchi (2005) abordou as sessões de treinamento da equipe brasileira de conjunto, bi-campeã Pan- americana e finalista olímpica por dois ciclos olímpicos, organizando cientificamente o porquê do alto volume e intensidade das sessões de treinamento dentro da ginástica rítmica.
Seu trabalho é seguido, atualmente, em todo o território brasileiro e mais difundido em virtude do curso de pós-graduação em ginástica rítmica fornecido pela Universidade do Norte do Paraná (UNOPAR), um dos grandes responsáveis pela formação das técnicas atuantes na modalidade no país.
A vivência e o conhecimento adquirido como pesquisadora, técnica e ex-atleta permite considerar que a maioria das instituições envolvidas com a prática da GR no mundo tem como objetivo o treinamento de suas equipes desenvolvido em dois períodos diários, o que seria justificado pela grande quantidade de ações motoras, capacidades físicas e outras exigências próprias da modalidade a serem trabalhadas. No entanto, a realidade brasileira não condiz com a apresentada nos grandes centros mundiais (Rússia, Bulgária, Bielorússia, Ucrânia, entre outros) que trabalham suas ginastas normalmente em dois períodos.
No Brasil a modalidade é desenvolvida desde centros de treinamento financiados pela iniciativa privada a pequenas academias e escolas (dentro do ensino não formal) que objetivam a prática da modalidade. Esse fato demonstra a forma como a modalidade se organiza quanto à realidade do país, e em decorrência desta necessita de adaptações, quais sejam a de criar associações financiadas pelos pais das ginastas, escolas que permitam a prática da modalidade em seu interior, dentro outras ações, para que atinja o status de esporte competitivo de alto rendimento.
Pensando na estruturação da ginástica rítmica, a literatura e a prática compartilham da necessidade de agregar elementos que componham o treino em seus múltiplos aspectos. Llobet (1996) lembra ainda que as constantes mudanças no código de pontuação implicam em um aperfeiçoamento do gesto desportivo, que por sua vez só é conquistado com a especificidade do treinamento.
Em busca deste aperfeiçoamento a modalidade agrega elementos do ballet clássico e das capacidades físicas condicionais, como a força, resistência, flexibilidade e velocidade, e as capacidades físicas coordenativas para criar uma base sólida para a execução dos movimentos.
Gomes (1999) ressalta que para garantir o alto padrão de movimento dos gestos esportivos na GR, o treinamento deve solicitar e propiciar o desenvolvimento dos mesmos grupos musculares utilizados na competição, trazendo uma aproximação significativa entre o princípio da especificidade e a prática da modalidade. No entanto, apesar da literatura ligada ao
treinamento esportivo 15 defender o trabalho das capacidades condicionantes, a escassa publicação sobre o treinamento esportivo na ginástica rítmica defende que o trabalho nesta modalidade deva enfocar capacidades físicas como a flexibilidade, coordenação, a resistência (anaeróbia, muscular localizada e aeróbia) e a força explosiva.
Segundo Laffranchi (2001, 2005) dentro desta modalidade a capacidade física de resistência também é trabalhada em suas diversas manifestações, com enfoque à mobilização energética e à participação da musculatura. A primeira, quando em relação à resistência anaeróbia, mostra-se importante na sustentação da repetição de um determinado movimento, com constância e mesma eficiência, sendo imprescindível durante as longas repetições realizadas num treinamento técnico. Quanto à resistência aeróbia, apesar de não estar diretamente ligada à modalidade, seu trabalho é justificado, já que quando bem desenvolvida, permite à ginasta sustentar a atividade física por um longo período de tempo. Sobre a participação da musculatura, a diferenciação entre o trabalho geral e localizada, dar-se-ia dependentemente do período de treinamento em que as ginastas se localizem.
A capacidade física de força tem duas de suas manifestações mais trabalhadas na GR, a força explosiva e a resistência de força, que têm como enfoque principal auxiliar na execução dos movimentos da modalidade. A velocidade, apesar de extremamente importante dentro do campo do Esporte, na ginástica rítmica não é desenvolvida especificamente, mas sim em conjunto com os exercícios utilizados no trabalho de força explosiva e/ou rápida.
Já a flexibilidade, por ser uma das principais capacidades físicas na prática da ginástica rítmica, deve receber uma atenção especial.
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Entende-se como treinamento esportivo o processo de treinamento utilizado como base por todas as modalidades esportivas.
Os movimentos dentro da modalidade necessitam de grande amplitude das diferentes partes do corpo (ARCE; PALMEIRO, 1998), e esta depende da mobilidade articular expressa pelas propriedades anatômicas da articulação e da elasticidade muscular (ZAKHAROV, 1992) e deve ser trabalhada diariamente, segundo a literatura, e em quase todos os tipos de exercícios possíveis dentro da modalidade.
Na tentativa de elaborar um plano coerente à preparação física na GR, Laffranchi (2005) propôs um sistema de trabalho chamado de “Preparação Física para Ginastas” (PFG) referente à preparação física específica, cujo objetivo é o desenvolvimento das capacidades físicas através de movimentos específicos da modalidade. Em sua tese, a autora traz a importância de realizar esses exercícios no início da sessão, apoiada em autores como Canalda Llobet (1996), que justificam o fato, ao preparar o organismo da ginasta para realizar a parte técnica com eficiência. A PFG é composta por dois tipos de exercícios, os exercícios na barra, que visam aproximar os exercícios da preparação física à realidade dos elementos presentes no código de pontuação e os exercícios no centro, que visam a utilização do solo para facilitar as correções de postura e posição das articulações (FERNANDEZ DEL VALLE; JASTRJEMBSKAIA; TITOV apud LAFFRANCHI, 2005).
A preparação física geral (PGE) objetiva desenvolver as capacidades físicas julgadas importantes para a modalidade (flexibilidade, resistência muscular localizada, resistência anaeróbia e potência). A PGE deve ser desenvolvida ao final das sessões de treino, pois segundo Barbanti (1997), a fadiga e o desgaste físico provocados por esta parte da sessão prejudicariam o treinamento técnico.
As sessões de treinamento na GR são organizadas visando a execução perfeita dos movimentos; para isso a repetição se apresenta como uma das formas mais utilizadas para o alcance desta perfeição, como cita Róbeva (1991, p. 168) à respeito das longas sessões de treinamento: “Ninguém nasce com vitória e sucesso assegurados; deve-se ao contrário, lutar muito, fatigar-se com a monotonia e a surpresa dos treinos diários. A vitória surge do trabalho e de sacrifícios [...]”. No entanto, apesar da repetição ser uma forma de busca do aprimoramento técnico, quando realizada em alta quantidade pode interferir no rendimento físico e técnico do atleta, impedindo melhoras significativas nas coreografias.
Dentro dessas sessões as técnicas/treinadoras buscam desenvolver a técnica corporal, também chamada de dificuldade corporal (D1), que abrange habilidades motoras de correr, saltar,
equilibrar, girar, entre outras, compondo por sua vez os Grupos Corporais da Ginástica Rítmica, que são divididos em fundamentais (salto, equilíbrio, pivots e flexibilidades/ondas) e outros grupos (deslocamentos, saltitos, balanceamentos e circunduções, giros e passos rítmicos).
As sessões de treinamento ainda buscam desenvolver a técnica de aparelho, caracterizada no código de pontuação como dificuldade de aparelho (D2), e trata de todos os movimentos relacionados ao manuseio do aparelho, ou seja, as diferentes possibilidades de uso desses materiais. Apesar da freqüente conexão entre a ginástica rítmica e alto grau de flexibilidade das ginastas, é a utilização do aparelho a responsável pela diferenciação desta modalidade das outras ginásticas.
Segundo Laffranchi (2005) a pedagogia do treinamento em Ginástica Rítmica, como em qualquer outra modalidade, deve se preocupar em abranger, entre outros campos, a técnica, a tática e a preparação física. Para isso alguns métodos de trabalho são utilizados, que segundo Llobet (1996), deveriam ser trabalhados conjuntamente (vertente analítica e global).
A forma analítica justifica o treinamento de exercícios reproduzidos de forma isolada, também chamada por técnicos e ginastas como elementos isolados, base da compreensão dos procedimentos e execução de exercícios novos e de alta dificuldade. O método global estimula que a ginasta conheça a lógica do movimento, permitindo que esta intua sobre decisões a serem tomadas, percebendo as interações corretas no espaço e no tempo, para a melhor execução dos movimentos.
No entanto, para a exata compreensão do objetivo da pesquisa, fez-se necessário uma revisão dos conceitos a respeito da estruturação de centros de treinamento no Brasil.