CHAPITRE II. LE CONTEXTE MEXICAIN
3.1 Les relations société/nature
3.1.1 La nature et la culture
A terceira e última abordagem ao estudo das EC foi proposta por um grupo de pesquisadores da universidade de Nijmegen (BONGAERTS, KELLERMAN E BENTAGLE, 1987; KELLERMAN, BONGAERTS E POULISSE, 1987; POULISSE, BONGAERTS E KELLERMAN, 1987; POULISSE, 1987; BONGAERTS E POULISSE, 1989; POULISSE E SCHILS, 1989; KELLERMAN, 1991). O conceito da abordagem psicológica se diferencia daquele apresentado pela abordagem psicolinguística na medida em que enfatiza o processo cognitivo humano na produção da fala.
2.4.3.1 A taxonomia do grupo de Nijmegen
Na segunda metade dos anos 1980, o grupo de Nijmegen, como ficou conhecido, criticou as tipologias de EC existentes, alegando que elas eram meramente descritivas e orientadas ao produto, além de ignorarem o fato de algumas estratégias estarem diretamente relacionadas ao processamento cognitivo. O grupo de Nijmegen apontou dois grandes déficits nas taxonomias de EC orientadas ao produto. Em primeiro lugar, uma falha em distinguir o processo do produto linguístico. Em segundo lugar, a incapacidade de considerar as restrições linguísticas e não-linguísticas que influenciam a escolha de uma determinada EC.
Em face das limitações das taxonomias de EC, o grupo de Nijmegen desenvolveu sua taxonomia com base no processo e sob o ponto de vista psicológico, partindo do pressuposto de que é essencial identificar os processos cognitivos subjacentes à escolha das EC, bem como levar em conta
os fatores envolvidos nessa escolha. Após realizar um dos estudos mais abrangentes no âmbito das EC, o grupo de Nijmegen propôs uma taxonomia baseada em três critérios fundamentais: plausibilidade psicológica, parcimônia, e generalizabilidade. Segundo o critério da plausibilidade psicológica, as estratégias incluídas nessa taxonomia são compatíveis com o processamento cognitivo e com o comportamento voltado para a solução de problemas. A
parcimônia se refere à preferência do grupo de Nijmegen por uma taxonomia
com poucos tipos de estratégias, sem nenhum prejuízo em termos de consistência com os dados. O terceiro critério, generalizabilidade, envolve o fato de que uma taxonomia deve ser generalizável e, portanto, aplicável independentemente dos tipos de tarefa, dos itens, das línguas e dos aprendizes. Em outras palavras, nenhuma EC deveria ser associada unicamente a certos tipos de tarefas ou a certos itens.
A taxonomia do grupo de Nijmegen dá ênfase às diferenças entre a LM do aprendiz e a LAL, bem como à comparação entre a LAL do aprendiz e a língua dos falantes nativos.
Dando continuidade ao seu projeto de pesquisa, o grupo de Nijmegen (BONGAERTS; POULISSE, 1989; POULISSE; SCHILS, 1989) continuou realizando estudos empíricos, dessa vez comparando as diferentes utilizações de EC na L1 e na L2 sob a ótica dos processos psicológicos (RUSSEL, 1993; LITTLEMORE, 2001). Os resultados indicaram uma semelhança do uso das EC tanto na L1 quanto na L2 dos participantes. Posteriormente, o grupo de Nijmegen reformulou sua primeira versão de taxonomia, tomando como base o modelo de produção da fala de Levelt (1989). A nova versão passou a diferenciar estratégias conceituais de estratégias linguísticas. As estratégias conceituais “manipulam o conhecimento do indivíduo acerca das propriedades do conceito. (...) As estratégias de código manipulam o conhecimento do usuário acerca da forma da palavra por meio da construção de etiquetas ad hoc para os referentes...”40 (KELLERMAN; BIALYSTOK, 1997, p. 34). Por exemplo, ao tentar compensar uma deficiência linguística explorando seu conhecimento conceitual ou adotando um plano
40
[...] manipulate the individual’s knowledge of properties of the concept itself. (…) Code strategies manipulate the user’s knowledge of word form by the construction of ad hoc labels for referents.
estratégico, o aprendiz estará aplicando estratégias conceituais. Por outro lado, ao lançar mão de seu conhecimento linguístico, utilizando referentes relacionados ao conceito pretendido, o aprendiz estará empregando estratégias linguísticas.
Em sua nova versão, o grupo de Nijmegen propõe uma taxonomia que se baseia em um sistema binário dividido em duas categorias: estratégia
conceitual e estratégia linguística. Segundo Poulisse (1987), na estratégia
conceitual “o falante analisa o conceito decompondo-o em traços criteriais” 41 (POULISSE, 1987, p. 146).
A estratégia conceitual se subdivide em duas abordagens: analítica e holística. Na abordagem analítica, o falante se refere ao conceito listando traços criteriais ainda que parcialmente. Poulisse (1987) ilustra a abordagem analítica com o seguinte exemplo:
S: ja, it’s green and uh, you usually uh, eat it with uh potatoes
I: mm S: erm
I: that is a vegetable?
S: yes, uh ja erm, Popeye uh eats it uh I: <rindo> oh ja
S: erm
I: já, I know what you mean now, spinach ja S: oh ja, spinach ja (spinach)
Na abordagem holística, o falante se refere ao conceito pretendido usando uma palavra relacionada a um determinado conceito. Segundo Poulisse (1987), “o conceito relacionado pode ser superordenado ou subordinado ao referente pretendido” 42 (POULISSE, 1987, p. 146). Por exemplo, ‘vegetables’ ao invés de ‘pears’ ou ‘hammer’ ao invés de ‘tool’, mas pode também ser do mesmo nível hierárquico. Por exemplo, ‘table’ ao invés de ‘desk’”. É possível ainda a combinação das estratégias analíticas e holísticas, como neste exemplo: ‘large shoes’ significando ‘boots’, ou ainda neste exemplo fornecido por Poulisse (1987):
41
[…] the speaker analyses the concept by decomposing it into its criterial features. 42
Ex.1: big uh big uh, cars, they’re not uh really cars but big and high cars (trucks)
As estratégias linguísticas, por sua vez, envolvem a manipulação do conhecimento linguístico do falante. Subdividem-se em dois tipos: criatividade
morfológica, que é o uso de regras da LAL por derivação morfológica a fim de
criar aquilo que o falante presume ser um item lexical compreensível na LAL, e a estratégia de transferência, que consiste em o falante explorar as similaridades entre a LM e a LAL. As palavras ou locuções eventualmente transferidas da LM podem vir a ser ajustadas à LAL. Como consequência, o uso da estratégia de transferência pode resultar em palavras já existentes na LAL. Para o grupo de Nijmegen, nem todos os enunciados são essencialmente conceituais ou linguísticos, já que podem resultar de uma combinação das duas estratégias.
Essa última versão da perspectiva psicolinguística, apresentada por Bongaert e Poulisse (1989), faz uma distinção entre as estratégias conceituais e as estratégias linguísticas. Se o falante, por acaso, tenta compensar suas limitações linguísticas explorando seu conhecimento conceitual ou ainda elaborando um plano estratégico, tal procedimento é visto pelos autores como aplicação de estratégias conceituais.
Anos depois, outra classificação das EC foi proposta por Poulisse (1993). Assim como as taxonomias de Bialystok (1990) e do Grupo de Nijmegen (BONGAERTS, KELLERMAN E BENTAGLE, 1987; KELLERMAN, BONGAERTS E POULISSE, 1987; POULISSE, BONGAERTS E KELLERMAN, 1987; POULISSE, 1987; BONGAERTS E POULISSE, 1989; POULISSE E SCHILS, 1989; KELLERMAN, 1991), seu trabalho traz como contribuição para os estudos na área das EC sua própria visão da ‘plausibilidade psicológica’, cuja influência pode ser percebida na própria organização dessa nova tipologia.