4.3 Formalisme de diffusion des rayons X
4.4.1 Nanotubes AlGe mono-parois
Cada ser humano que nasce, busca se expressar, se conhecer a si e o mundo que o cerca. De acordo com Cavalcante (2007, p.187): “[...] pleno desenvolvimento, depende de cuidados que se iniciam na família e se complementam na vida social, do percurso escolar à profissionalização, da inserção profissional à formação de sua própria família”.
O impacto de uma segunda perda sensorial é grande, pois ao adquirir a surdocegueira na juventude ou na fase adulta os comprometimentos emocionais são inúmeros. Se para a criança o mundo deve ser construído, para os jovens/adultos por possuírem experiências e compreensão do mundo, ao adquirirem uma segunda perda sensorial, é necessário reconstruí-los em função de mudanças importantes.
Quando a segunda perda visual é detectada na adolescência provoca muita dificuldade em se identificar com ele e apresentando, como consequência, a manifestação de outros problemas isolamento comprometendo drasticamente seu desenvolvimento haja vista que o relacionamento grupal configura-se como um fator preponderante na definição de sua identidade. Isso acontece uma vez que o jovem está vivenciando uma surdez ou cegueira e se relaciona com seu grupo, ao adquirir sua segunda perda, não consegue ou (ALVAREZ e OLMOS, 2007).
Alvarez (2004) enfatiza que, a surdocegueira tem características diferenciadas de acordo com a idade em que aparece, pois ao nascermos mantemos contato com a realidade fazendo uso dos cinco sentidos e, “que são processados por nosso cérebro e se transformam em uma informação que impulsiona nosso desenvolvimento” (ALVAREZ, 2004, p.160). Caso não acontecer uma intervenção em relação aos estímulos ambientais, os surdocegos não conseguirão estabelecer modelos de comportamentos, não manterão laços com o mundo, visto que esses laços ocorrem na inter-relação social e cultural, razão pela qual a sua adaptabilidade no ambiente estará seriamente ameaçada e comprometida (ALVAREZ, 2004).
Nasfatd (1991, p.17) refere que: “as crianças surdocegas não têm mapa o suficientemente bons para não perder-se. Necessitam mapas ou gráficos que lhes mostrem a alteração da paisagem porque estão viajando; necessitam ser ajudados, guiados e levados pela mão”. Todavia, para as pessoas que adquiriram a surdocegueira na idade adulta essa situação é diferenciada, pois atinge pessoas que já possuem conhecimentos a respeito do mundo, com experiências visuais e/ ou auditivas.
Em relação aos surdos, Samaniego (2004, p.275) relata que “por dificuldades visuais, começam a perder informação ao não ver os sinais que realizam fora do campo visual, como no caso das pessoas com Síndrome de Usher”, começam a apresentar dificuldades. Algumas vezes, não tem consciência da perda visual e, se eles as têm, não as aceitam. Continuando, explica que como consequência de tudo isso “as relações com seus iguais ficam paralisadas, uma vez que a vivência do grupo de referência, ao desconhecer a realidade é o menosprezo das capacidades desse jovem surdocego, ocorrendo frequentemente o isolamento desse sujeito” (p.275).
O mesmo processo ocorre com as pessoas com cegueira ou baixa visão, quando se deparam com a perda auditiva apresentam “conflitos de relação com seu círculo mais próximo quando se faz necessário à repetição das mensagens e elevação da voz ou quando não conseguem acompanhar as conversas do grupo” (SAMANIEGO, 2004, p.275). Assim, podem rejeitar o seu grupo de referência, uma vez que participavam de características comuns como expectativas e crenças similares e, sobretudo, o mesmo código comunicativo que, agora, parecem distantes.
Samaniego (2004, p.276) apresenta as situações em que mais desencadeiam rejeição e isolamento do grupo, a saber: “a. as dificuldades comunicativas determinadas por suas perdas sensoriais; b. a ‘responsabilidade’ que devem assumir os outros
membros do grupo, visto que eles são dependentes na comunicação e fisicamente deles; c. não podem participar das atividades tanto culturais como de lazer que o grupo propõe; d. a falta de independência diante da nova situação; e, e. o “cansaço” e os esforços que implica a utilização de novas estratégias comunicativas na manutenção de uma comunicação fluida, por parte dos outros jovens”(tradução livre da autora).
Todas essas ocorrências dependerão de estratégias cognitivas para lidar com elas e as características do grupo. Fica claro o apoio das pessoas próximas incentivando-os e impulsionando-os diante das dificuldades.
A autoestima é outro aspecto a ser considerado, pois os jovens se desvalorizam em função das reações das outras pessoas. Nessa idade, a socialização é intensa e, sendo assim, há a necessidade de confirmação da identidade por meio do grupo. Quando estão satisfeitas consigo mesma há influencias positivas na imagem corporal, no comportamento manifestado nas relações sociais.
O fato de uma pessoa com surdocegueira não se reconhecer como tal pode dificultar ou até impedir o seu desenvolvimento no tocante a sua autonomia e independência. A família por superproteção excessiva ou por ocultar a realidade para a pessoa surdocega acaba ocasionando-lhe estados de ansiedade.
Na fase da adolescência, pode apresentar: a. sentimentos de solidão e isolamento, em função das dificuldades comunicativas; b. sensação de descontrole sobre sua vida (educativa, profissional, social,...); c. desconfiança das pessoas de seu convívio; d. perda da autonomia, dependência dos demais; d. estados depressivos frequentes devido as mudanças ocorridas na sua vida, e, atitude de rebeldia diante de indicação de intervenção ou orientação para lidar adequadamente com a surdocegueira. Geralmente, a rejeição inicial prolonga-se por um período de tempo dependendo “das características do sujeito com surdocegueira, das respostas do ambiente e dos apoios que lhes sejam oferecidos para atenuar algumas das consequências mais imediatas” (SAMANIEGO, 2004, p. 280).
Sendo assim, para Samaniego (2004), nesta idade, é importante observar, que aspectos tendem a ser determinantes no equilíbrio da surdocegueira, tais como:
• Projeto e implementação de programas adaptados às suas necessidades específicas (profissional educacional, familiar,...).
• Formação específica, aprendizagem de vários sistemas de comunicação e
de outros programas para facilitar a sua integração no contexto social. • Aprendizagem e aplicação de diferentes programas concebidos para
• Reabilitação e treinamento visando uma melhor utilização dos seus restos visuais e auditivos.
• Treinamento no uso de novos auxílios tiflotécnicas como recursos para expandir o seu conhecimento e permitir alternativas de comunicação com as pessoas de iguais ou diferentes códigos comunicativos, melhorando as possibilidades de integração nos seus grupos de referência para compartilhar a mesma mídia.
• Contatos periódicos com pessoas que compartilham características similares e utilizam os mesmos sistemas de comunicação. Participação em atividades de lazer e tempo livre com jovens surdocegos que tenham a mesma problemática e encaram dificuldades semelhantes.
• Apoio psicológico para o equilíbrio emocional à surdocegueira”.
(SAMANIEGO, 2004, p.280).
Miner (1999) e Basilova (1998) refletem em seus estudos que os impactos emocionais e pessoais na adolescência são grandes ao terem que assumir esta condição, podendo provocar depressões e suicídios.
4. 4 Aquisição da surdocegueira na maturidade
Este grupo é integrado por pessoas que, neste período especial de suas vidas, por diversas razões, têm de lidar com a surdocegueira. Isso pode ter aparecido repentinamente, adquirindo um déficit sensorial (visual ou auditivo) e, na maturidade, podendo ocorrer uma segunda deficiência. Isto implica que, ambos nasceram com uma deficiência sensorial (cegueira ou surdez) e adquiriram uma segunda na maturidade (SAMANIEGO, 2004).
Samaniego (2004) ressalta que as pessoas, nessa fase da vida, já desenvolveram aspectos importantes que lhes permitiram se integrarem na sociedade e, arrola os mais relevantes:
a. dispor de um sistema de comunicação eficaz que lhe permita estabelecer relações no ambiente, desenvolver seu potencial cognitivo e fazer parte da sociedade;
b. consolidação das aprendizagens – conhecimentos adquiridos – proporcionando um nível cognitivo e cultural;
c. Estabelece um contato imediato com o meio em função das suas experiências (visuais e ou auditivas) e com o mundo – com o que acontece ao seu redor; d. a integração a um grupo social, consolidando as relações e o sentimento de pertencimento ao grupo no qual compartilha características comuns;
e. buscar ou continuar a atividade laboral, proporcionando autonomia e independência (pessoal e econômica);
f. maturidade e equilíbrio pessoal porque nessa etapa a personalidade está consolidada e já desfruta de uma etapa mais estável;
g. estabelecimento de relações emocionais estáveis e;
h. se desenvolve em ambiente controlado devido aas experiências acumuladas (SAMANIEGO, 2004).
Entretanto, apesar das circunstâncias serem positivas, há a falta de um código de comunicação, pois a surdocegueira adquirida de maneira brusca, provoca reações e sentimentos precisando de apoio de uma equipe multidisciplinar a fim de amenizar as implicações da nova condição sensorial. A solidão e o isolamento são reconhecidos como as maiores consequências da surdocegueira uma vez que podem ser devastadoras provocando depressão e situações extremas, como a desconexão com o ambiente. Convém ressaltar que quanto maior o tempo em que a pessoa ficar isolada, mais difícil é seu retorno a integrar-se pela falta de motivação, dependência de outras pessoas para executar as atividades que costumava fazer anteriormente, são os principais motivos que expressam como justificativas.
Outro aspecto a considerar se refere à insegurança e desconfiança devido a perda do código de comunicação fluente, exigindo a necessidade de aprendizagem de um sistema alternativo com o uso do tato. Esse sistema deve ser aprendido pela família de maneira peculiar e seus amigos para fazerem uso dos mesmos. Além disso, a perda de seu grupo de referência, podendo provocar problemas de identidade e sentimentos de repulsa, pois o circulo de amizade fica restrito, por diferentes razões: falta de comunicação, vergonha, medo, falta de informação, etc.. Caso haja perda de contato com os amigos e/ou familiares, o surdocego pode apresentar comportamentos depressivos e mudanças significativas no que se refere a seu estado psíquico.
A pessoa com surdocegueira tem a necessidade de um tempo para processar e realizar as adaptações decorrentes de sua condição, pois, geralmente, o golpe psicológico frente à segunda perda sensorial é devastador. Isto implica considerar que há um retorno a busca da cura e a peregrinação interminável aos médicos, se considerarmos as suas adaptações já vividas por ocasião da primeira perda (surdez ou cegueira). Todavia, com a ajuda de um psicólogo a pessoa nesta condição recebe
orientações que auxiliam o seu processo de aceitação inevitável da realidade, fator imperativo na busca de soluções mais adequadas que proporcionem uma vida mais satisfatória.