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Une négociation paradoxale

Dans le document Les aléas de la transmission (Page 94-97)

Com o crescimento populacional, temos o aumento da geração de resíduos sólidos e, consequentemente, dos problemas ocasionados por eles, assim como a dificuldade de encontrar locais para sua disposição, já que tais materiais provêm de atividades diárias do ser humano. Não há incentivo para que a população participe e contribua com a separação de materiais recicláveis, atividade esta que está diretamente ligada à conscientização ambiental (LEME, 2009).

Segundo Layrargues (2002), existem incentivos através de muitos programas ambientais. No entanto, apesar da complexidade do tema, muitos desses programas de Educação Ambiental são implementados de modo reducionista, já que, em função da reciclagem, desenvolvem apenas a coleta seletiva de lixo, em detrimento de uma reflexão crítica e abrangente a respeito dos valores culturais da sociedade de consumo, do consumismo, do industrialismo, do modo de produção capitalista e dos aspectos políticos e econômicos da questão do lixo.

O lixo é tecnicamente chamado de resíduo sólido e pode ser considerado como qualquer material que seu proprietário ou produtor não considera mais com valor suficiente para conservá-lo. Por outro lado, o lixo resulta da atividade humana, sendo, por isso, considerado inesgotável, além de diretamente proporcional à intensidade industrial e ao aumento populacional. Por esse motivo, uma das grandes preocupações da sociedade atual diz respeito aos resíduos sólidos (NUNESMAIA, 1997).

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) através da Lei n. 12.305/2010 descreve resíduo sólido como todo material, substância, objeto ou bem descartável oriundo das atividades humanas em seus estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível (BRASIL, 2010).

Segundo Lima (2005), são constituídos de materiais heterogêneos (inertes, minerais e orgânicos) que resultam das atividades humanas e da natureza, dos quais podem ser parcialmente utilizados. Trazem problemas sanitário, econômico e estético, uma vez que possuem substâncias facilmente degradantes (FD) - resto de comidas, sobras de cozinha, folhas, casca de frutas, animais mortos e excremento, moderadamente degradantes (MD) - papel, papelão e outros produtos celulósicos, dificilmente degradante (DD) - trapo, couro, pano, madeira, borracha entre outros, não degradantes (ND) - metal não ferroso, vidros, pedras, cinzas, terra, areia, cerâmicas. Sua composição pode variar de comunidade para comunidade conforme os hábitos e costumes da população, número de habitantes, poder aquisitivo, variações sazonais, clima, desenvolvimento econômico e nível educacional.

De acordo com Faria (2013), até um determinado período os resíduos eram definidos como algo que não apresentava utilidade e nem valor comercial (rejeitos), porém com o passar dos anos e da criação de políticas voltadas ao gerenciamento e classificação dos resíduos sólidos, esses materiais passaram a adquirir um valor econômico. Atualmente, a maior parte desses resíduos é aproveitada de forma direta como, por exemplo, a utilização das aparas de embalagens laminadas descartadas pelas indústrias para confecção de placas e compensados, ou ainda de forma indireta como combustível para geração de energia, podendo ser utilizada em diversos processos.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) afirma que o gerenciamento de resíduos sólidos é um sistema de ações exercidas direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequado dos resíduos e disposição final adequada dos rejeitos, de acordo com Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos ou com o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010).

Segundo Souza e Galatto (2017), existem três finalidades para o tratamento dos resíduos sólidos: eliminar ou reduzir sua periculosidade, imobilizar seus constituintes perigosos e reduzir o volume desses materiais.

A destinação dos resíduos sólidos em locais inadequados causa diversos impactos à sociedade e ao meio ambiente. Dentre esses problemas estão a contaminação dos mananciais e corpos d’água, provocados por líquidos lixiviados, degradação do solo, enchentes devido ao entupimento de bueiros, poluição do ar, tornando propícia a propagação de vários vetores e, também, a poluição visual (JACOBI; BESEN, 2011).

Os resíduos domiciliares são os gerados em residências e em pequenos comércios, não sendo contabilizados os resíduos gerados em indústrias, na limpeza de vias públicas, em podas, na limpeza de córregos e outros que são enviados para os aterros sob uma classificação única de resíduos sólidos urbanos (PHILIPPI JR; ROMÉRIO; BRUNA, 2004).

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2017), aproximadamente 50% dos resíduos sólidos urbanos (RSU) gerados no país são orgânicos e poderiam ter como alternativa de destinação final ambientalmente adequada o tratamento por processos aeróbios de compostagem.

No Brasil, 47,5 milhões de toneladas de RSU são produzidos por ano e 130 mil t./dia, ou seja, aproximadamente 0,7kg/hab./dia (LIMA; TORRES; OLIVEIRA, 2017).

Segundo os autores, dentre as medidas mitigadoras que devem ser implantadas para a minimização dos problemas com resíduos sólidos, destaca-se a Educação Ambiental em escolas e em associações, com palestras e cursos para sensibilização quanto à separação dos resíduos em secos e úmidos, diminuição do consumismo e destinação correta do lixo. Deve-se implantar um plano de gerenciamento dos resíduos sólidos, com coleta seletiva e instalação de uma usina de compostagem.

A gestão de resíduos sólidos inicia-se com o controle de produção, perpassando pelo armazenamento, coleta, transferência, transporte, processamento, tratamento e destinação final. Deve-se ter o gerenciamento integrado dos resíduos sólidos com plano de ação na limpeza urbana, projeto de coleta seletiva, reciclagem, disponibilidade de recursos, aprimoramento e capacitação das administrações municipais, a fim de que o gerenciamento adequado seja alcançado (MASSUKADO, 2004).

Diante deste cenário, enfrentamos um momento de mudança de paradigma com relação à concepção de uso de recursos naturais e convivência com o meio ambiente. A crise que vivenciamos pode ser considerada como uma crise de valores, o que tem gerado problemas sociais e ambientais das mais variadas proporções (SANTOS; FARIA, 2004).

Segundo Moura et al. (2013), devem ser discutidos cada vez mais os problemas do meio ambiente. É de fundamental importância o desenvolvimento de atitudes e conceitos relacionados ao meio ambiente, para que todos entendam melhor os problemas e vislumbrem possíveis soluções.

As evidências gritantes, que vão além da acelerada degradação do meio ambiente e da extinção de um grande número de espécies animais e vegetais, passando pelo aumento da violência, da fome, da pobreza, dos casos de doenças com variadas causas, da exploração humana, que acabam passando despercebidas pela maioria da humanidade, são alguns sintomas dessa grave crise que afeta o mundo (PITANGA, 2016).

Com a globalização a responsabilidade com a proteção e melhorias ao meio ambiente passou a ser mundial, pois uma situação de risco ambiental ocorre em uma parte distante e tem repercussão em todo o mundo (QUADROS, 2007).

Diante dessa situação alarmante, ações precisam ser urgentes, levando-se em conta que se deve agir localmente a fim de se obter resultados que beneficiarão a todos. Um dos caminhos para minimizar os efeitos dessa crise, sem dúvida, é a Educação Ambiental.

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