Chapitre II : L’oralite et la culture
B. Les effets d’oralité structuraux
1. Du mythe au conte
Na revista Contemporânea encontramos dois assuntos que salientam o fortalecimento das relações entre Portugal e Espanha e, por consequência, o estabelecimento de um vínculo entre as duas nações e os países da América Latina. Podemos identificar nas duas doutrinas uma atitude de defesa em relação ao imperialismo norte-americano e à dominação econômica alemã e inglesa.
Os textos que demonstram as teorias do pan-iberismo são vários; durante toda a primeira fase da Contemporânea encontramos textos em português e espanhol que afirmam a importância dessa aproximação e a justificação econômica e social para tal atitude.
César Antonio Molina no livro Sobre el iberismo y otros escritos de literatura portuguesa, chama a atenção para o manifesto que apareceu no número inicial da revista Contemporânea em maio de 1922 em lugar de destaque, ocupando a página que seguia à folha de rosto:
O Director da CONTEMPORÂNEA propoz em assembleia geral da Sociedade Nacional das Bellas Artes, realisada em 16 do corrente, a fundação da SOCIEDADE DOS AMIGOS DA ESPANHA. – Propoz tambem socio honorário S. Exca. o Sr. Conde de Romanones, presidente da Sociedade dos Amigos de Portugal. – Pela Sociedade dos Amigos de Espanha! Pela Sociedade dos Amigos de Portugal! Por Portugal! Por Espanha!23
Molina em relação a este tema fala sobre o discurso resposta de Ramón Gómez de la Serna que se tratava de uma homenagem a revista Contemporânea destacando algumas das novidades que a revista contribuía para a cultura portuguesa. A transcrição deste discurso apareceu no número 7 da revista em janeiro de 1923.
23 Este texto encontra-se na versão digitalizada da edição número 1 da revista Contemporânea de maio de 1922 sem autoria. Disponível em: http://hemerotecadigital.cm- lisboa.pt/OBRAS/CONTEMPORANEA/1922/N1/N1_master/N1.pdf Acesso em 06 de agosto de 2013.
Sobre António Sardinha24 César Molina fala que foi este pensador que Ernesto
Giménez Caballero em Amor a Portugal o colocava como um dos três portugueses que entenderam a necessidade da comunhão peninsular com a América. Sobre a posição de Sardinha no assunto referente ao iberoamericanismo, Molina afirma:
Sardinha habla de la necesidad de la incorporación iberoamericana y subraya que para llevarla a cabo había que olvidar-se de esas luchas entre Portugal y Castilla que son de carácter familiar y que solamente en família han de resolver-se. El escritor portugués cmo la mayor parte de los ideólogos del iberismo español, se inclina por una «unidad moral» que no tênia por qué ser política. Sardinha habla de la coexistencia de dos estados que por sus vínculos geográficos y raciales «podem chegar ao verdadeiro laço de união entre a Europa, a America e a Africa…». Pero el autor de la Aliança Peninsular va más Allá al hablar de peninsularismo en vez del iberismo «de evidente marca masónica y revolucionaria» (MOLINA, 1990: 99).
O primeiro texto que analisamos é justamente de autoria de António Sardinha intitulado O Pan-Hispanismo. Aí encontramos a apresentação do processo de estreitamento de laços da Espanha com os países latino-americanos e a chamada de atenção para que os portugueses se unissem aos espanhóis nessa empreitada. O autor apresenta as semelhanças entre as duas nações (portuguesa e espanhola) no que diz respeito ao processo de domínio além-mar do passado, o que serve para justificar a ideia de um possível ibero-americanismo:
É a 12 de outubro que passa a comemoração da descoberta da América pelas caravelas de Colombo. Já a Espanha consagrou esse dia como «dia da Raça», – como o dia da festa da sua civilisação. Evidentemente que «raça» se não toma aqui num restricto significado éthico. Enche-se antes dum amplo sentido cultural e histórico em que Portugal e o Brasil cabem perfeitamente, sem ofensa aos seus velhos pergaminhos nacionalistas. (SARDINHA, 1922: 49)
Refletindo sobre a aproximação da Espanha em relação aos países da América Latina, Sardinha questiona por que Portugal e Brasil não haveriam de fazer o mesmo:
24 António Sardinha produziu uma obra que se afirmou como a principal referência doutrinária do Integralismo Lusitano. A sua defesa de uma monarquia tradicional, orgânica, antiparlamentar serviu de inspiração a uma influente corrente do pensamento político português da primeira metade do século XX.
Porque motivo, brasileiros e portuguêses, não hão-de corresponder ao mesmo sentimento, incorporando-se com entusiasmo na caravana que de dia para dia vai engrossando? (SARDINHA, 1922: 49)
Levantar a questão da aproximação entre os países ibéricos e os países da América Latina representava uma nova busca por fortalecimento econômico diante de uma Europa que já havia passado por uma guerra e se encaminhava para outra. Na ótica de Sardinha os Estados Unidos representavam uma grande ameaça imperialista para os países da América Central e do Sul, países que após o processo de independência da Espanha e Portugal necessitavam de fortes estruturas econômicas para se desenvolverem, em contrapontos à dominação econômica norte-americana.
Sardinha defende oficialmente a importância da aproximação de Portugal e Espanha, desvalorizando as desavenças do passado:
Logo veremos que as lutas de Portugal com Castela são lutas de família, que em família sempre se resolveram. (SARDINHA, 1922: 49)
As disputas entre Portugal e Espanha deveriam ser superadas, ambos os países deveriam olhar-se como irmãos na busca da união das duas nações, deixando para trás as diferenças e estabelecendo um novo vínculo de prosperidade. Esse vínculo garantiria o avanço econômico dos dois países e promoveria a união entre a Europa, América e África:
Pois a hora presente é-nos, como nunca propicia! «Na opinião geral – escrevia há já bastantes anos o general Rodrigues de Quijano – só Espanha e Portugal pelos seus precedentes e índole especial raça podem chegar a ser o verdadeiro laço de união entre a Europa, a América e a Africa…» Em sucintas palavras, se condensa todo o futuro das duas pátrias peninsulares, se olhando para a frente com a coragem e iniciativa, nos resolvermos a executar tão belo programa de acção, para o qual, antes de tudo se estabelece como primeiro passo, a necessária aproximação de Portugal e Espanha. (SARDINHA, 1922: 49,51)
Somente Portugal e Espanha poderiam dar início a uma ação de união entre os continentes africano, asiático, americano e europeu. A “índole” e “especial raça” dos povos ibéricos no discurso de Sardinha refletia seu posicionamento ideológico
integralista. A aproximação com a América Latina garantiria o afastamento da influência norte-americana:
Assim, o desacreditado iberismo, de evidente marca maçonica e revolucionária, será vencido pelo peninsularismo cujas raízes na geografia e na historia, exigem logo de entrada, como condição prévia, que a tolerancia política e económica dos dois Estados da Peninsula seja integralmente respeitada. (SARDINHA, 1922: 49, 51)
O peninsularismo surgiu como uma proposta para substituir o projeto do iberismo do século XIX que não obteve sucesso. Baseado na questão geográfica, ambos os países teriam sua política e diversidade cultural respeitada, no entanto, estariam apoiados economicamente em nome do desenvolvimento social da Península Ibérica.
A atitude combativa em relação ao imperialismo norte-americano e a necessidade de aproximação urgente dos países da América Latina aparecem de maneira mais clara e evidente no seguinte trecho:
Mas o peninsularismo não é senão a jornada inicial! Na margem oposta do Oceano – do Oceano que nós tornámos algum dia como mare nostrum, num perfeito lago familiar –, outras patrias existem que falam a nossa língua e que não ficam insensíveis ao nosso apelo. O pan-hispanismo nos surge daqui como conclusão lógica, constituído por dois elementos estructuraes – o espanholismo e o lusitanismo «Voz clamorosa de la sangre, contra el pan- americanismo,» – foi como definiu o pan-hispanismo o ano passado, por ocasião da Festa da Raça, no seu formoso discurso do Teatro Real de Madrid o conde de la Montera, D. Gabriel Maura Gamajo, acrescentando em seguida que «los pueblos que no se agrupen en organisaciones más amplias que la sociedad nacional, sucumbirán bajo el imperialismo». (SARDINHA, 1922: 51)
Como já havíamos constatado, a aproximação entre Portugal e Espanha fazia parte de um projeto maior que culimnara na aproximação dos países da Península com os países da América Latina. A justificação através da antiga colonização é um argumento recorrente nos discursos desse projeto: uma vez que Portugal e Espanha conquistaram o Oceano Atlântico e dominaram as terras além-mar, possuíam agora o direito e até o dever, mesmo depois da independência desses países, de evitar a
dominação imperialista norte-americana. Sendo os ibéricos uma espécie de “tutores” desses territórios, não poderiam permitir que eles caíssem sob a influência de outros países que não fossem eles mesmos.
No final do texto de Sardinha nos deparamos com o convite direcionado aos portugueses para que fizessem parte dessa empreitada de aproximação com a Espanha e Brasil, afirmando que a glória do passado em relação aos descobrimentos estava por vir junto com as mudanças políticas e sociais propostas no ideal do pan-hispanismo:
Prepara-se Portugal, pela sua parte, reorganisando-se como nação forte e estreitando cada vez mais os vínculos da sua amizade com a Espanha, nossa irmã, e com o Brasil, nosso filho primogênito. E como numa primavera nunca vista, a flor do internacionalismo hispânico abrirá as suas pétalas de maravilha, ressuscitando a manhã longínqua em que a América se revelou em toda a sua magnífica adolescência, aos pilotos de Christóvam Colombo e a marujada de Pedro Alvares Cabral! (SARDINHA, 1922: 51)
O pan-hispanismo ou “internacionalismo ibérico”, como chama António Sardinha, não se tratava apenas de uma estratégia de defesa contra o imperialismo, era também um processo de crescimento e fortalecimento político e econômico de Portugal e Espanha através da América Latina, como se os dois países desejassem reaver algum controle econômico desses países para poderem deste modo também se fortalecer perante a Europa e o mundo.
Em outro texto de autoria de Martinho Nobre de Melo25, intitulado As relações
luso-hespanholas: o pan-iberismo, encontramos um ponto de vista mais crítico em relação a essa aproximação entre os dois países. O autor aponta a falha das nações ao se aproximarem sem terem se organizado previamente política e socialmente, destina mais atenção em relação a Portugal e demonstra como o país se não se esforçar no sentido de melhorar sua estratégia de desenvolvimento social não conseguiria alcançar o prestígio de formar uma corrente forte econômica com Espanha, Brasil e os outros países da América Latina:
Pois é justamente neste momento, em que a nossa desordem no interior corre parelhas com o desprestígio no extrangeiro, que muitos ousam empreender
25 Martinho Nobre de Melo foi um importante intelectual e jornalista cabo-verdiano, era professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Foi Embaixador de Portugal no Brasil e Ministro dos Negócios Estrangeiros em Portugal.
um movimento de opinião em vista a criar-se um novo círculo de influencias internacional, o bloco federativo das nações de língua hispânico-portugueza! Só as nações poderosas, aureoladas de prestígio, podem promover systhemas de allianças e criar círculos de influencia no conceito mundial. Poude-o a Inglaterra com relação a Europa e não creio que, para a proteção dos nossos interesses, tenhamos vantagens em deslocar-nos para a orbita política de qualquer outra potencia europea. Pode-lo-ha porventura o Brazil com relação á América, quando chegar sua hora. Mas, não ande o carro adeante dos bois. Esperemos que, do outro lado do Atlantico, nos estenda a mão o Brasil. Até lá muito tempos que fazer: arrumemos primeiro a nossa casa que anda disso bem precisada. (MELO, 1922: 06)
Parece que a preocupação do autor é de caráter político. O Portugal republicano vivia um clima de instabilidade política, por isso, para Nobre, resolver estas questões eram fundamentais para poder dar continuidade ao projeto de extensão ibérica. Para o autor, somente nações com prestígio político, econômico e social poderiam dar início a um projeto desse porte. E ainda duvida da capacidade espanhola em se tornar um possível líder de aliança entre países, pois para o autor não haveria vantagens em deslocar Portugal de um vínculo com a Inglaterra para iniciar um novo com a Espanha. Em relação a isso, Nobre afirma que o Brasil poderia exercer tal função futuramente em relação aos países da América do Sul, talvez numa atitude combativa em relação aos Estados Unidos, mas que a ajuda para Portugal deveria partir do Brasil e não o contrário.
Outro texto de extrema importância que nos apresenta o projeto de aproximação da Espanha e Portugal como uma ação fundamental ao desenvolvimento dos dois países é de autoria de Eduino de Mora, escritor e diplomata cubano que então residia em Lisboa em 1922:
A pesar de los estrechos vínculos forjados por la Naturaleza, España y Portugal, que parece se sonrien cariciosas, han permanecido vueltas de espaldas, en absoluto divorcio espiritual. España, encerrada en la torre de marfil de su soberbia ancestral, nunca quiso sabe que junto a ella alíenta un cuerpo Hermano, y Portugal viendo siempre en el castellano el enemigo secular de sua independência, echó por encima de la Península un puente de unión com otras naciones de distinas características e sentimientos.
Pero estos dos pueblos que tan aparejadamente hicieron su gallarda galopada por los abruptos montes de la Aventura, pueden llegar a
comprenderse y amarse, no formando una única entidad política, como algunos ilusos quieren, olvidados de que ambos han tenido, tienen y tendrán, próprios derroteros internacionales, sino en unión racial, sin ningún outro nexo; el mismo ideal flotante de comunión anímica de España con sus veinte y dos hijas americanas que en un futuro, no lejano tal vez, será una linda realidad azul.
Y asi, con Portugal imperio colonial y Brazil, completa la grau família ibérica, podrianse realizar elevadas aspiraciones reivindicativas que duermen en un empolvado rincón del cérebro de la Raza…(MORA, 1922: 16)
O texto de Mora levanta a questão da importância do vínculo entre Portugal e Espanha desejando que as diferenças do passado sejam ultrapassadas e possam realizar projetos futuros de desenvolvimento econômico e social dos dois países. Só após a superação das diferenças entre ambos é que seria possível iniciarem uma ligação com os países da América Latina concluindo assim o projeto da expansão e aproximação ibérica.
Com este texto concluímos a apresentação de testemunhos que abordam a questão do pan-hespanismo. Para além destes trechos, encontramos na Contemporânea outros de origem espanhola como a Conferencia cubista sobre la esquizofrenia publicada originalmente na revista El Sol de Madrid, de autoria de Corpus Barga, e o Discurso de Ramon de La Serna (revista número 7). O projeto de aproximação entre Portugal e Espanha não era de todo inovador, como vimos desde o século XIX26
intelectuais de ambos os países almejavam esse vínculo, no entanto, o novo cenário mundial dominado por grandes potências econômicas obrigava Portugal e Espanha a repensarem as suas condições políticas, sociais e econômicas e agora com suas antigas colônias independentes e com grandes potenciais de desenvolvimento econômico, viam nelas a oportunidade de reaverem os antigos laços e assim estabelecerem novos acordos e pactos de apoio financeiro, político e também cultural.
O ibero-americanismo foi um projeto fruto do pan-hispanismo. Na verdade, como vimos anteriormente, muitos autores não pensavam no processo de expansão hispânica sem que este estivesse articulado com a aproximação aos países da América Latina. No caso de Portugal, a aproximação com o Brasil era fundamental para o sucesso do projeto e nesta altura não eram somente os portugueses e espanhóis que viam
26 No século XIX predominava a ideia de união política entre Portugal e Espanha; na década de 1920 o projeto era de aproximação política, cultural à luz de uma ideologia antiliberal.
no ibero-americanismo uma estratégia política e social importante, alguns brasileiros e sul-americanos também comungavam das mesmas ideias.
Todos os textos referentes ao ibero-americanismo aparecem na segunda fase da Contemporânea, isto é, a partir de 1926, as contribuições brasileiras também que aparecem na revista portuguesa não partem de nehum membro do movimento modernista do Brasil, o que nos leva a concluir que ainda que haja participação brasileira neste projeto, ela não parte dos modernistas e sim de alguns intelectuais isolados.
O texto do professor da Faculdade de Direito de São Paulo, Spencer Vampré, nos apresenta uma abordagem partindo do ponto de vista do Brasil sobre o ibero- americanismo. O título do texto é Approximação Ibero-Americana. O que deve o Brasil fazer para completar a sua independência. O autor divide o texto em quinze partes, dessas buscamos pontos específicos que demonstram a importância de tal projeto para o Brasil:
Calculemos as vantagens de uma organização política, fundada na mais profunda sympathia dos dois povos, autônomos, mas irmãos; independentes, mas sócios; livres mas cooperantes. Computemos as consequências agrícolas, mercantis, marítimas, dessa cooperação: – Portugal, abrindo para a America a sua producção, e os seus portos europeus; – o Brasil, encontrando nas ilhas atlânticas portuguezas – nos Açores, em Cabo Verde, na Madeira, – as estações de sua navegação, as bases de sua defesa naval, os provimentos de carvão e aguadas. (VAMPRÉ, 1926: 57)
Vampré apresenta um cenário otimista que possibilitava vantagens na união luso-brasileira; para o autor ambos os países só tinham a ganhar estabelecendo novos vínculos econômicos, mas ao mesmo tempo respeitando suas diferenças políticas, cada país sob sua própria administração. Em seguida o autor diz:
Imaginemos agora o Brasil e Portugal, unidos nas mesmas tendências de paz, de justiça e de ordem internacional, a estender sobre o Atlântico os seus navios pejados de productos industriaes e agrícolas, e as suas bandeiras confederadas tremularem simultaneamente em todos os mares. (VAMPRÉ, 1926: 57)
A visão do autor beirava o utópico, dois países ligados por um único sistema econômico, dominando a hegemonia do Oceano Atlântico, estabelecendo um pacto de cooperação mútua em que os países comercializariam livremente seus produtos sem taxações internacionais.
Vampré demonstra também as desvantagens do Brasil em não aceitar o pacto, pois Portugal era considerado como a porta de entrada na Europa, isto é, nos mercados europeus. Sobre o tema o autor aponta o seguinte:
Que valerá o café do Brasil, e o algodão do Brasil, o carvão, o ferro, o manganez, as madeiras, se não os transportarmos, em concorrência com a França e com a Inglaterra, pelo apparelhamento de uma marinha mercante luso-brasileira que torne possível a concorrência dos nossos productos, nos mercados da Europa, da America e da Asia? (VAMPRÉ, 1926: 58)
Para Spencer Vampré o desenvolvimento econômico do Brasil dependia dessa aproximação com Portugal. E não somente com Portugal, mas também com a Espanha e os outros países da América do Sul. O autor justifica tal argumento evocando a necessidade de formação de uma frente sólida que fizesse contraponto ao bloco anglo- americano:
A política, testificando que é urgente constituirmos um núcleo de resistência ibero-americana, que se contraponha, de um lado, ao núcleo anglo-saxonico, de outro ao panslavismo, e de outro ainda ao colosso nipponico, que ameaça estender seus galfarros dominadores sobre a idealística America Meridional.
(…)
A historia, porque nos demonstra que, em todos os tempos, tenderam-se as nações sul-americanas para a união e a fraternidade de seus ideais, desde as épocas tão próximas, mas já lendárias em que Bolívar e San Martín pregaram a «Liga das Nações Americanas», até as inesquecíveis manifestações de amizade e sympathia ao Brasil no recente Centenário. (VAMPRÉ, 1926: 59)
A consolidação do projeto do ibero-americanismo era complexa e extensa, envolvendo todos os países da América Latina, além de Portugal e Espanha. Cada etapa, desde a firmação entre Portugal e Espanha e depois com suas antigas colônias, dependia de acordos e cooperações, sobretudo de índole econômica. Identificamos que a principal
necessidade que levou esses intelectuais a fomentarem a aproximação entre os seus países foi o combate ao imperialismo estadunidense e o controle econômico inglês.
O combate ao imperialismo não foi uma atitude vinda apenas de Portugal. Os intelectuais brasileiros também viam na influência norte-americana um entrave à afirmação econômica, política e cultural do país. Ainda que o projeto ibero-americanista não tenha sido apropriado pelos modernistas brasileiros, esses em seu modo particular também combateram o imperialismo.
Ou seja, mesmo comungando destas ideias os modernistas portugueses e