Os assistentes sociais defrontam-se diariamente, com as mais variadas expressões da questão social, entre elas a violência, pobreza, falta de acesso à saúde entre outras.
A Questão Social surgiu na Europa Ocidental do século XIX, considerado o fenômeno de pobreza entre a classe operária. O processo de urbanização, somado ao da industrialização, deu origem ao empobrecimento do proletariado, mas ao mesmo tempo, conscientizou essa classe da sua condição de explorados e levou à manifestações contra tal situação obrigando o Estado a assumir a responsabilidade pela mediação do conflito de classe. Para Iamamoto (2001), um problema social torna-se efetivamente questão social quando é assumido politicamente; as pressões da classe trabalhadora organizada forçam a sociedade a introduzir os dilemas dessa classe na pauta de atuação dos órgãos públicos.
A questão social diz respeito às:
[...] Expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe operária e de seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de intervenção mais além da caridade e repressão (CARVALHO; IAMAMOTO, 1983, p.77).
Então pode-se assim descrever que o Serviço Social como profissão está diretamente ligado ao surgimento da “questão social”, primeiramente sua conduta e assistencialista, devido o seu aporte teórico ser conduzido pela igreja católica, sendo um mediador de conflitos entre Estado e trabalhadores fabris, que viviam com o mínimo, trabalhando muitas horas por dia, e ainda era possível encontrar crianças e mulheres gravidas realizando atividades perigosas nas fábricas.
Com o desenvolvimento da profissão, o assistente social se torna um profissional que se consolida na busca de contribuir com a garantia de direitos. Contraditoriamente, o assistente social luta contra as expressões da questão social no contexto do modo de produção e reprodução das relações capitalistas e trabalha com essas, pois, é um indivíduo como os demais e necessita de trabalho e dinheiro para sobreviver, não se tem como viver em um mundo paralelo, então amenizam os efeitos do capitalismo já que não a como erradica-lo
A questão social em si e considerada o primeiro plano a se combater nas políticas sociais se destacando o capitalismo concorrencial temos a “questão social” como “objeto da ação estatal”. A relação entre o estado e o capitalismo não é recente, o Estado vem intervindo no processo econômico capitalista desde a pressão da burguesia, que deu origem ao absolutismo, onde o Estado comanda o desenvolvimento do capitalismo monopolista e as funções políticas do Estado se entrelaçam com as funções econômicas.
Neste meio encontram um Estado mínimo para o social, e que destina mais recursos para a reprodução do capital, desta forma transfere suas responsabilidades para a sociedade civil, como entidades filantrópicas se desviando de suas responsabilidades. Então temos uma restrição dos recursos destinados a política pública estatal da Educação, onde falta recursos para as dificuldades apresentadas nas escolas e sobra recursos para investimentos capitalistas, desta forma gerando desigualdades e
As expressões da questão social que são atendidas nas instituições são parte da delimitação do objeto de intervenção profissional. Nesse sentido, o objeto de trabalho do assistente social nas escolas, constitui-se em expressões como vulnerabilidade social, violência, conflito familiar, negligência, etc. Para a materialização das ações profissionais, frente às demandas apresentadas, o assistente social:
[...] Deverá imprimir em sua intervenção profissional uma direção, sendo necessário, para isto, conhecer e problematizar o objeto de sua ação profissional, construindo sua visibilidade a partir de informações e análises consistentes — atitude investigativa. Concomitantemente, o trabalho do AS deverá ser norteado por um plano de intervenção profissional objetivando construir estratégias coletivas para o enfrentamento das diferentes manifestações de desigualdades e injustiças sociais, numa perspectiva histórica que apreenda o movimento contraditório do real (FRAGA, 2010, p. 45).
O Serviço Social tem a questão social como um dos elementos “fundantes” da profissão, uma vez que seus profissionais trabalham na execução das políticas sociais públicas que são respostas às diversas expressões da questão social. Já na contemporaneidade, os profissionais de Serviço Social têm se de deparado, com o aprofundamento da questão social, em função das novas configurações das expressões da questão social.
Nesse sentido, deve-se conhecer o objeto, desvendando suas múltiplas expressões, dando-lhe visibilidade a partir de dados concretos e a partir daí planejando, executando e gerindo estratégias de enfrentamento.
As expressões da questão social tem se agravado nos últimos anos, conforme as transformações societárias cada vez mais rápidas e profundas. Nesse sentido, surgem novas exigências para a atuação profissional do Assistente Social.
Deparamo-nos no século XXI com as metamorfoses que a própria questão social vem sofrendo; e como a questão social é objeto de trabalho do profissional de Serviço Social, a prática interventiva sobre a mesma também necessita de ser mais bem explorada e aprofundada. Hoje, um dos maiores desafios que o Serviço Social enfrenta é desenvolver a capacidade de decifrar a realidade e elaborar novas propostas de trabalho que possam atender suas atuais demandas. (SANTOS,2008, p.90)
Neste contexto, os reflexos da questão social estão cada vez mais presentes no dia a dia das escolas, como por exemplo, violência, drogas, gravidez na adolescência. O Serviço Social tem a escola como um espaço de intervenção. Este era um campo de atuação apenas de psicólogos, psiquiatras e agora passa a ser dividida com o profissional Assistente Social, configurando-se como um espaço multidisciplinar.
Sabe-se que é no interior da escola, que apresentam as múltiplas da questões sociais vivenciadas no dia a dia familiar, como desemprego, trabalho infanto-juvenil, baixa renda, fome, problemas de saúde, habitações inadequadas, drogas, pais negligentes, violência doméstica, pobreza, desigualdade social, exclusão social, entre outras que refletem diretamente no ambiente escolar. As demandas emergentes e resultantes da questão social é que justificam a importância da inserção do profissional do Serviço Social, que neste espaço tem como objetivo de receber e encaminhar estas demandas. Neste sentido, Iamamoto (1998) afirma:
O desafio é re-descobrir alternativas e possibilidades para o trabalho profissional no cenário atual; traçar horizontes para a formulação de
propostas que façam frente à questão social e que sejam solidárias com o modo de vida daqueles que a vivenciam, não só como vítimas, mas como sujeitos que lutam pela preservação e conquista da sua vida, da sua humanidade. Essa discussão é parte dos rumos perseguidos pelo trabalho profissional contemporâneo (IAMAMOTO, 1998, p.75).
De acordo com a autora, o assistente social exerce, indiscutivelmente, funções educativa-organizativas sobre as classes trabalhadoras. E, na escola, seu papel não é de professor, pois seu trabalho incide sobre o modo de viver e de pensar da comunidade escolar, a partir das situações vivenciadas em seu cotidiano, justamente por seu caráter político-educativo, trabalhando diretamente com ideologia, e dialogando com a consciência dos seus usuários, assim como compartilhando as informações assim pertinentes com a equipe multidisciplinar.
A violência é apenas uma das expressões da questão social evidenciadas na sociedade atual, nos quais os assistentes sociais se inserem, buscam o conhecimento de como os processos decorrentes da estrutura econômica da sociedade produzem a questão social e como se interpenetram e se manifestam, por exemplo, na vida dos adolescentes que sofrem com a violência na escola bem como as manifestações dos sujeitos para enfrenta-las.
A violência escolar é um fenômeno social complexo que envolve toda a sociedade. Com diferentes causas, os atos violentos encontram-se na Educação Infantil até o Ensino Médio, nas escolas públicas e privadas de todo o mundo. É na escola que se expressam as tensões sociais presentes na sociedade, oriundas das refrações da Questão Social (AMARO, 2011).
A violência, entendida como uma expressão da questão social, é parte constitutiva do processo histórico da sociedade, apresentando-se como uma relação de forças nas relações interpessoais e interclasses. Nesta linha de pensamento, Fraga (2002, apud BEZERRA, 2009, p. 136) conclui que a violência é uma forma de “dilaceramento do ser social”, pois ela aparece concretamente nas contradições sociais.
Nilo Odalia (2004) contribui relacionando o conceito de violência com situações de privação, destituição. Desse modo, toda a vez em que nos sentirmos privados de algo, estamos sendo vítimas da violência.
Com efeito, privar significa tirar, destituir despojar, desapossar alguém de alguma coisa. Todo ato de violência é exatamente isso. Ele nos despoja de alguma coisa, de nossa vida, de nossos direitos como pessoas e como cidadãos [...]. A ideia de privação parece-me, portanto, permitir descobrir a violência onde ela estiver por mais camuflada que
esteja sob montanhas de preconceitos, de costumes ou tradições, de leis e legalismos (ODALIA, 2004, p. 86).
A violência em suas diferentes facetas, quando privados os sujeitos de seus direitos são levados a uma condição de violência.
A violência nas escolas ultrapassa a questão pedagógica e assume o status de questão social, um problema social grave e complexo e que, segundo Lopes Neto (2005, p.165), “é provavelmente o tipo mais frequente e visível da violência juvenil”. Neste contexto é necessário entender o trabalho, a inserção do assistente social na educação.