3.5 Our contribution: a new hybrid algorithm
4.1.2 Multi-label loss functions
nestes anos de evolução da profissão.
Este breve recorte da literatura vasta e densa sobre as noções de cuidado na percepção de estudiosos de várias bases filosóficas, tem seu objetivo de desvelar o que a Enfermagem possui hoje como elementos teóricos para o desenvolvimento de sua prática e mais à frente, contribuir com a discussão e análise dos dados elencados com tal pesquisa.
3.1 AS NOÇÕES FILOSÓFICAS DE CUIDADO E SUA INTERFACE COM A ENFERMAGEM
O ser humano, ao longo do seu desenvolvimento, adquiriu formas e expressões de cuidar. Estas aconteceram desde o início da espécie, em seu desenvolvimento humano nas amostras de preocupação com a existência. Iniciou-se com a preocupação com os alimentos, a vestimenta, e também com o afeto, mesmo que de forma rudimentar.
Segundo Collière (1989), cada período do desenvolvimento humano apresenta seus artefatos que se aprimoram e sofisticam-se em ordem utilitária para o cuidado com a vida e até mesmo a estética, com o nascimento das obras de arte revelando estas preocupações. Nas diferentes épocas da história, o cuidado e as práticas de saúde que incluem as práticas de cura, as mulheres eram as principais referências de comportamento de cuidado, isto as diferenciava dos homens por sua prática rudimentar de caça.
maternidade, a função privativa de gerar alimento, bem como, o modo de expressar o cuidado a partir do afeto, do toque, do olhar solidário. Collière (1989) reafirma que as mulheres foram as pioneiras das ações consideradas atualmente como cuidado no que se refere a medicações. Eram comuns as práticas de uso de chàs, garrafadas, rezas, benzeduras sempre acompanhadas de um medicamento, hoje, fitoterápicos.
Com o passar dos anos e o desenvolvimento intelectual do ser humano, suas crenças e o poder da religiosidade foram ganhando forças. Os fenômenos da Lua e do Sol, o Eclipse lunar, eram concebidos como manifestações dos espíritos. Muitos rituais das mulheres foram considerados como atos de bruxaria, e o papel social da mulher como cuidadora oficial fora confiscado. A responsabilidade das mulheres acerca do cuidado se mantinha do nascimento a morte, sendo que as mulheres, segundo Collière (1989), faziam conexão com o mundo de maneira única.
O desenvolvimento do ser humano fora ocorrendo de acordo com as necessidades expressas no quotidiano, ou seja, cada vez mais as habilidades precisavam de aperfeiçoamento e as capacidades, não só físicas e biológicas, mas também, as sociais e emocionais, foram ganhando espaço para a adaptação ao meio ambiente. Os recursos para a realização do cuidado ao ser humano foram exigindo busca de novos meios para a sobrevivência, imprimindo à geração de diferentes culturas e histórias que, mais tarde, foram temas para as pinturas de figuras que descreveram eventos do dia-a-dia, crenças, devoções; o quotidiano. (COLLIÈRE, 1989).
Citam Collière (1989) e Waldow (2006) que a arte como forma de expressão cultural, de comunicação e de expressão de sentimentos, registra a história, a cultura de um povo, as formas e rituais de cuidado. As obras de arte expressam os seres humanos e a preocupação com a sobrevivência e com a própria identidade refletindo assim a essência do ser humano.
Historicamente a vida de Jesus Cristo, ser de cuidado e cuidador resgatou a alma, a sensibilidade do cuidado, e foi com sua história que o cuidado passou a ter a idéia de compaixão, solidariedade, amor incondicional, enfim, o que Boff (1999), retrata em seus estudos, a fonte de um cuidado celestial. Mas esta forma de cuidar foi massacrada pelos próprios humanos ao matarem o protagonista desta idéia, uma vez que o poder do cuidado estava na ordem feminina e este poder não era bem absorvido pelos homens, considerados reis e donos do mundo.
Medicina/Artes/Filosofia e da Literatura, sendo o conhecimento científico expresso pelo nascimento de grandes descobertas da ciência, modelos políticos e teoria sobre o surgimento da terra e seus fenômenos. As cidades foram crescendo, a população aumentando, e as guerras surgindo.
Waldow (2006), refere que no Período Medieval a Igreja tentou impor seus princípios sendo intolerante com aqueles que não os seguissem. Surge a era da heresia, os pecados, as indulgências. A vida na Europa, nesta época, era voltada para a religiosidade, para a comunidade e as famílias. A agricultura era a principal fonte de renda e as mulheres exerciam esta atividade, embora todos tivessem terra não havia abundância, pois os impostos eram austeros. Já, na Idade Moderna, habilidades técnicas foram surgindo, principalmente, na área de Oceanografia e Cartografia, e entre os séculos XIII e XIV nasceram as duas primeiras universidades também o contato com o latim, chegando aos manuscritos de Hipócrates. (WALDOW, 2006).
Ainda no cenário internacional, Waldow (2006), desvela que diante das explosões científicas, surge Florence Nightingale em 1820-1910. Florence era uma mulher forte, de educação européia, dominava diversos conteúdos como a Matemática, Línguas, Filosofia, Ciências e era extremamente religiosa. Surge com a preocupação de cuidar do ser humano, e, para isto, utilizou seus conhecimentos e foi a primeira enfermeira da história da Enfermagem trazendo a institucionalização da profissão com suas contribuições. Embora tenha atuado em uma realidade hoje concebida como ambiente de não-cuidado, a guerra, Florence foi pioneira em retratar o ambiente e suas influências sobre a saúde do ser humano. Com sua escola de Enfermagem, em 1860, ela contribuiu para a socialização do conceito de cuidar.
Na perspectiva filosófica sobre o cuidado, os filósofos já descreviam que cuidar requer dedicação, conhecimento e capacidade como: escuta e observação, habilidades técnicas, desde Platão, na obra Primeiro Alcebíades (sobre a natureza do homem); Eutifron, sobre a piedade, Banquete, sobre o amor; Fédon, sobre a morte e a natureza da alma, que propõe a existência de formas, essências ou idéias que seriam os modelos eternos das coisas sensíveis, transcrito na obra “Compreender Platão” de Rouge (2005). Sócrates, descrito por Dorion (2006), enfatiza o humanismo e a arte de viver sendo o cuidado da alma como uma missão de cuidar de si, no qual, cuidar de si, implica a prática contínua da virtude. O cuidado da alma é perfeito com o autoconhecimento; tomar conta da vida; liturgia da amizade; a natureza do amor; o que é ser livre; quando transgredir é salvar-se; o indivíduo e o cidadão; viva a arte de morrer.
Na visão de Kierkegaard (1813-1855), o cuidado reflete a existência humana em sua essência e a relação que as coisas têm entre si. Pensamento este compatível com o que Edgar Morin descreve em suas obras sobre complexidade e Michel Maffesoli sobre o quotidiano. Kierkegaard (1813) descrita por Strathern (1999), defendia que todas as relações se processam neste contexto de integralidade e complexidade que determina o modo de o homem estar no mundo. Para ele, o que importa é estar vivo e o significado disto, o indivíduo e sua existência. Já, para Nietzsche (1844-1900), citado pelo mesmo autor no ano de 1997, refere que a verdade analisada do ponto de vista da vida, da afirmação de todos os instintos, revela uma experiência estética da vida.
Na visão de Schopenhauer (1788-1860), a compaixão é compreendida como virtude, uma categoria de máxima elevação ética e metafísica. A compaixão como moral na esfera da única salvação como vontade de viver, estando definida esta abordagem em sua obra Metafísica do amor. (PAUL STRATHERN, 1997).
Emanuel Levinas (1982), colabora para a ciência do cuidado relatando que este é o lugar onde o intencional se faz ético, onde a presença corporal, o homem enquanto rosto é a visitação do outro, é o reconhecimento do outro como outro. O rosto significa infinito, a própria significância ética. Ética da face/rosto, do olhar do outro através das janelas da alma: os olhos são atores do primeiro evento do ser humano e refletem a sensibilidade autêntica para ser infinito e humano.
Para Merleau Ponty (1908-1961), a compreensão da corporeidade é essencial para a percepção como um complemento para a compreensão do ser no mundo. Ele fala de compreensão, sentimentos, percepção. O corpo é o elo do homem com o mundo. Seus principais conceitos estão relacionados à consciência, intencionalidade, percepção, corporeidade, subjetividade. O autor se propõe a explicitar uma forma de reflexão sobre o ser humano a partir do próprio ser humano. (MERLEAU PONTY, 1999).
Já, Michel Foucault (1926-1984), revolucionou o pensamento contemporâneo com a noção de sujeito. Discute as relações de poder, conhecimento, do cuidado de si como ética e estética da existência. O mesmo possui uma frase conhecida no meio acadêmico que diz: “aquele que cuida de si, conhece também quais são os seus deveres e limites nas diferentes relações que estabelece com os outros”. (FOUCAULT, 1987).
Reconhecido como o filósofo do cuidado, Martin Heidegger (1889-1976), compartilha da idéia de mundo da vida, o modo de ser do homem no mundo, o qual discursa sobre a existência do mesmo no universo e suas práticas de cuidar de si e do outro, bem como,
esta interação (BOFF, 1999). O ser humano é visto por ele como cuidado, um ser de cuidado que possui um vir-a-ser, ou seja, a potencialidade de transformação. O cuidar de si e do outro, o relacionar-se com o outro é a estrutura fundamental do ser- aí – no mundo. O cuidado se manifesta a partir da relação com o outro.
Heidegger (1999), mostra que as realidades tão fundamentais como desejar e querer são raízes do cuidado essencial, o cuidado é uma constituição ontológica. Tudo o que o ser humano faz, delimita como forma de viver expressa, e a base de compreensão do ser humano. (BOFF, 1999, p. 90). O filósofo ainda fala de solicitude, desvelo como componentes essenciais do cuidado, assim como o amor.
Milton Mayeroff (1971) em seu livro “A arte de servir ao próximo para servir a si mesmo”, faz uma retrospectiva de aspectos essenciais ao cuidar. Ele retrata as perspectivas do mundo em relação ao cuidado, o cuidado como possibilidade de crescimento do outro e de si mesmo, o cuidado se dá em função de outra pessoa, mas também, por coisas e idéias. Define os componentes do cuidado, citando o conhecimento, a paciência, a sinceridade, a confiança, a humildade, a esperança, a coragem e a reciprocidade. Para Mayeroff (1971, p. 33) “para cuidar, preciso entender as necessidades do outro e devo ser capaz de lhes dar respostas adequadas, e está visto que não bastam boas intenções para garantir isto. Para cuidar, devo conhecer muitas coisas, por exemplo, quem é o outro”.
Nell Nodings (1984), visualiza o cuidado através de relacionamentos que são de base ontológica e ética. Cuidar é engajar em certos comportamentos que incluam dimensões éticas. Os comportamentos de cuidar contêm conteúdo moral. Os elementos essenciais nos relacionamentos de cuidar incluem: receptividade, reciprocidade e conectividade. Enfatiza que estes elementos são mais encontrados na população feminina. O cuidado é discutido sob uma abordagem feminista, privilegiando o aspecto ético e moral, ênfase na Educação. Obra principal da autora que fala sobre o cuidado é: “cuidado: uma abordagem feminina para a ética educação moral.
Boff (1999) em seu livro Saber Cuidar – Ética do Humano – Compaixão pela Terra faz reflexões aprofundadas a partir de filósofos como Martin Heidegger, Gandhi e outros estudiosos que fizeram história como Charles Chaplin. Fornece contribuições importantes sobre Teologia -Filosofia – Espiritualidade e Ecologia. Leonardo Boff, discute em suas obras, a noção de cuidado em várias dimensões da vida pessoal e social. Em suas obras A águia e a galinha – uma metáfora da condição humana (1998), Ética e espiritualidade (2003), Ethos Mundial (2000), A Voz do Arco-íris (2004) ele apresenta sua preocupação com a existência
humana e sua interação com o ambiente, enquanto seu habitat parte de um todo complexo que precisamos cuidar. Ele compartilha das idéias de Martin Heidegger sobre a solicitude, o desvelo enquanto ações de cuidado. Para Boff (1999), o cuidado é um modo de ser e perpassa toda a existência humana. O amor é essencial para o cuidado.
Outros filósofos fazem parte do cenário de estudos sobre o cuidado, segundo trabalho desenvolvido para uma das disciplinas do Curso de Doutorado do Programa de Pós- Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC foi possível reconhecer demais aprofundamentos teóricos sobre a temática, estando dentre eles: Bishop & Scuder (1991; 1996) - contribuição filosófica das mais profundas, pois tenta explicar, interpretar e analisar o cuidar na Enfermagem. O cuidar surge como sendo o sentido moral da prática de Enfermagem, a presença é uma das categorias mais importantes do cuidado. Confirma a humanidade do ser cuidado e cuidador. Enfatizam o conhecimento e a habilidade técnica, bem como, o julgamento clínico.
Na percepção de Griffin (1983), o cuidado é visualizado como estrutura que acompanha o crescimento e desenvolvimento humanos. Novamente, o cuidado é um modo de ser, um estado da existência humana e de alta significância nos relacionamentos com outros seres humanos e com o mundo. Destaca aspectos relativos a sentimentos, maturidade e consciência de si, autoconhecimento. Fala da intuição e sensação no processo de cuidar. Estes fragmentos, parte da história de estudiosos que atuam na área do cuidado se fez necessário para que haja um despertar na academia e no campo de atuação direta de cuidado a reflexão e atualização sobre as noções do que significa o cuidado para os profissionais da Enfermagem.