4 APPENDIX
4.1 I MPACT OF ISCHEMIA TIME ON ISLET ISOLATION SUCCESS AND POST TRANSPLANTATION OUTCOMES : A
Introdução
O sistema educacional do Brasil apresenta grandes contradições: por um lado conta com cursos de pós-graduação bem sucedidos e de alta qualidade, por outro lado registra inúmeros fracassos no ensino básico, o que provoca a necessidade de manter a Educação de Jovens e Adultos (EJA) como mais uma oportunidade de estudos, apesar do atual decréscimo no número total de matrículas na EJA. A taxa de matrícula na EJA, em 2013, caiu 3,4%, registrando 3.772.670 matrículas. Des- sas 64,9% das matrículas estão no ensino fundamental, incluindo EJA integrado à educação profissional e o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem Urbano) e 35,1% estão no ensino médio, compreendendo EJA integrado à educação profissional.
A EJA matricula cerca de 100 mil estudantes na faixa etária de 60 ou mais anos, 86,1% dessas matrículas está concentrada na faixa etária de 15 a 44 anos e 20% entre 15 e 17 anos de idade de acordo com dados de 2013 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) através doInstituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) registrou que, em 2012, havia 26,7 milhões de pessoas, na faixa
etária de 15 a 44 anos, sem ensino fundamental no Brasil. (INEP, 2014)
Ao discutir a educação de jovens e adultos como um direito humano que pre- cisa ser efetivado com qualidade, é relevante examinar alguns dados sobre a situ- ação educacional dos mesmos e pontuar algumas variáveis que afetam positiva e negativamente o desempenho de estudantes. No primeiro caso, contribuem para melhorar a qualidade da educação, elevar qualitativamente o desempenho dos es- tudantes, incentivar que completem os cursos fundamental e básico e prossigam
com o ensino superior atingindo pelo menos a graduação. Nesse caso, se as polí- ticas se concretizam com sucesso, os jovens não precisarão de cursos de EJA nas condições e padrões atuais. A esperança é que a exemplo de países como Noruega, Finlândia e outros, não haverá jovens ou adultos analfabetos no Brasil desde que observadas as condições necessárias para a aprendizagem bem sucedida e a persis- tência do estudante no sistema de ensino.
Quando a qualidade da educação é deficitária aumenta a probabilidade de evasão, desistência, abandono total ou temporário dos que não conseguem acom- panhar e vencer os desafios postos pelos sistemas educacionais. Esses engrossarão as estatísticas relativas a jovens e adultos que não persistiram com os estudos na “idade considerada oficialmente própria”, mas que, muito provavelmente, retoma- rão ao sistema educacional por necessidade e circunstâncias de vida e de trabalho. Embora toda e qualquer idade seja própria para a aprendizagem, como será visto adiante, as políticas educacionais se referem a “idade própria” para ingresso no sis- tema de ensino e para conclusão dos estudos. No entendimento da autora, prova- velmente, esta expressão tem a ver com planejamento, administração, a estrutura organizacional do sistema e a burocracia decorrente.
Ora, a vida cotidiana em família, em sociedade e o trabalho demandam a cada dia mais educação, habilidades e discernimento para tomar decisões com segu- rança a partir de conhecimentos técnicos, científicos e humanos. O trabalho tam- bém pressupõe habilidades de relacionamento e solicita cognição e emoção. As políticas educacionais voltadas para educação em direitos humanos comtemplam melhores oportunidades de estudo e de trabalho, mas o caminho para que todos usufruam desse direito e tenham sucesso educacional, vai além do simples acesso à educação formal, e, infelizmente, está sendo lentamente construído.
Os avanços educacionais com relação as matrículas de estudantes nas redes públicas de ensino fundamental e básico,1 assim como no ensino superior têm sido
constantes no Brasil, contudo não são satisfatórios, nem quantitativa nem quali- tativamente falando, especialmente neste último aspecto. A redução das desigual- dades de acesso a educação de camadas da população que se mantinham fora do sistema de ensino é um fato concreto. O avanço das matrículas de mulheres cons- titui um fator de relevância e deve ser pontuado como de grande importância para a nação, sobretudo pelo efeito multiplicador que beneficia a educação e a saúde das crianças e jovens. Todavia, como é largamente sabido, o Brasil ainda não atin- giu o patamar desejável de qualidade em todos os níveis de ensino. A questionável qualidade educacional parece contribuir para o fato de que apenas uma parte dos que têm acesso à escola completam os cursos com sucesso. Há ainda populações de índios, quilombolas, ciganos, cujo atendimento escolar não condiz plenamente com suas características culturais, acirrando evasão.
Algumas considerações sobre a política de educação de jovens... / 163
Pelo menos cinco atitudes2 são consideradas importantes, pelo movimento
“Todos pela Educação”, para o desenvolvimento dos que buscam a escola formal. São elas: valorizar os professores, promover habilidades importantes para a vida e para a escola, colocar a educação escolar no dia a dia, apoiar o projeto de vida e protagonismo dos alunos, ampliar o repertório cultural e esportivo das crianças e dos jovens. Valorizar os estudantes e a família, elevar a autoestima desses, ouvi- -los, escutar suas demandas e ansiedades, apoiá-los em suas angustias e ajudá-los em suas dificuldades são igualmente relevantes para manter a persistência com os estudos e o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades. A sala de aula, a es- cola, o ambiente respeitoso e acolhedor, currículos interessantes aos olhos dos es- tudantes são determinantes para a manutenção dos mesmos no sistema de ensino, para qualquer pessoa em qualquer que seja a idade, mas, sobretudo para os que já chegam com limitações e deficiências de aprendizagem. Freitas (2009) considera que a instituição tem o dever de estabelecer laços emocionais e culturais com os estudantes, acolhê-los e inseri-los no contexto escolar.
Embora essas questões e circunstâncias sejam conhecidas há longo tempo, quando dados oficias nacionais e internacionais com relação aos excluídos das escolas são considerados, as teorias de aprendizagem, motivos e razões são dis- cutidas, é possível inferir que a gestão da educação e as decisões dos rumos opera- cionais da educação são pouco consideras. Haja vista que as estatísticas, de 2013, relativas ao panorama internacional da educação publicadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (UNESCO)3 indicam um au-
mento no número de crianças e adolescentes que estão fora da escola, atingindo cerca de 124 milhões no ano de 2013. Já em 2014, o site da UNESCO4 registra tam-
bém que havia 781 milhões de adultos e 126 milhões de jovens que não sabiam ler ou escrever uma sentença ainda que simples.
Provavelmente, a situação continua a mesma, pois os recursos financeiros oriundos das ajudas internacionais de acordo com a UNESCO, são insuficientes para atender a meta de universalização dos estudos primário e secundário. É pre- visto que, nestas circunstâncias, 24 milhões de crianças jamais se integrem em uma sala de aula com qualidade didática e pedagógica satisfatórias. A esses é ne- gado o direito a educação na idade considerada própria. Serão, provavelmente, os potenciais futuros jovens e adultos que, se lhes for dada a oportunidade de resgatar o tempo educacional perdido, frequentarão a escola para aprender a ler, contar e escrever o código da comunicação oficial de seus países e as habilidades necessá- rias para enfrentar a vida profissional com crescente competência a partir das no- vas aquisições cognitivas. A partir de um rápido olhar sobre a situação educacional
2 Documento completo disponível em: <http://www.5atitudes.org.br>.
3 Documento completo em: <http://www.uis.unesco.org/Education/Pages/oosc-data-release-2015. aspx>.
dos países em crises econômicas e políticas e sobre os refugiados políticos, é pos- sível antever as dificuldades de cobertura educacional para todos e identificar que a população de potenciais estudantes de EJA tenderá a crescer em vários países.
No Brasil, os dados oficiais afirmam a universalização do ensino fundamen- tal. Lamentavelmente, a qualidade da educação que lhes é ofertada não atende plenamente às necessidades da atualidade e dos estudantes de maneira geral. (OLIVEIRA, 2007) A conhecida pouca qualidade da educação nacional e o des- colamento dos interesses dos estudantes de temas tratados na escola provocam evasão e retenção na mesma série de estudos de crianças e jovens. O desafio não é suficiente para estimulá-los intelectualmente, salvo exceções. Há ainda aqueles que precisam trabalhar para sobreviver e ajudar a família. Em decorrência, mas não exclusivamente, há dois conhecidos fenômenos. Estudantes matriculados na escola pública que são considerados fora da faixa etária apropriada para cada série de estudos. Assim como, estudantes que evadem e não retornam a escola defini- tivamente, ou por longo tempo; esses quando retornam, em geral, seguem para a EJA, onde jovens e adultos convivem com o mesmo currículo escolar e programa de ensino, quase sempre, desvinculados da sua real necessidade.
A política de não reprová-los e a incapacidade de ajudá-los a vencer os seus limites tem levado a conhecida fala dos professores: meus alunos nem escrevem nem leem com a qualidade e desenvoltura requerida para a série na qual estão matriculados. Raros são os sistemas de ensino estaduais ou municipais, incluindo professores, gestores, coordenadores pedagógicos, conselhos escolares, familia- res, que desenvolvem estratégias para resgatar ou compensar a aprendizagem que deixou de ser efetivamente realizada. Em geral, as deficiências de aprendizagem continuam sendo levadas para as séries subsequentes. O sentimento de incompe- tência e fracasso coloca esses em patamar inferior aos que “aprendem”. Mesmo aqueles que conseguem ingressar no ensino superior apresentam dificuldades de- correntes do não atendimento pleno às suas necessidades específicas nas séries anteriores. Levam consigo o sentimento de meia completude e, face aos novos de- safios, tenderão a evadir pelo sentimento de incapacidade e fracasso antecipado. Esses não conseguem vencer os obstáculos reais ou imaginários, sendo necessário apoio psicológico, que a maioria das escolas não oferece.
As universidades e os Institutos de Ensino Superior (IES) apresentam, pelo menos nos últimos anos, vagas excedentes até para os cursos de medicina. O in- gresso de jovens entre 18 e 25 anos não tem atingido o número esperado. Em 2015, essa taxa era de 18,71% e a de permanência 14%, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) (2014)
.
Para alcançar a meta prevista de in- cluir nas IES 33% dos jovens na faixa etária de 18 a 24 anos como previsto pelo Plano Nacional de Educação (PNE/14), é mandatório ensino básico e fundamental de qualidade, que os prepare para o desenvolvimento da cidadania, de conheci- mentos e habilidades que lhes permitam persistir até o fim do curso com sucessoAlgumas considerações sobre a política de educação de jovens... / 165
pessoal, acadêmico e empregatício. A proposição é ensino superior com qualidade superior, desafiadora e, ao mesmo tempo, acolhedora, que permita aos estudantes vislumbrarem sucesso.
É fato que muitos deixam a escola porque precisam trabalhar para sustentar a si próprio e a família. Logo, é possível perguntar como os gestores das políticas po- dem desenvolver uma conjuntura favorável a permanência na escola? Por que não unir a vida dos que precisam trabalhar com os estudos e uma renda que lhes aju- de a manter-se estudando e trabalhando? Bolsas de estudo, estágio, empréstimos bancários, o programa Jovem Aprendiz, todos são alternativas interessantes, mas não atendem ou alcançam a todos que os buscam. A demanda é sempre maior que a oferta, os requisitos nem sempre são preenchidos pelos estudantes e os recursos recebidos não cobrem todas as necessidades.