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2. Une intervention obligatoire

2.2 Les autres moyens de transport

Comparando-se as opiniões apresentadas por cada grupo de consultores, pode-se perceber uma divergência no julgamento efetivado para as mesmas categorias. Assim, considerou-se importante verificar se as divergências de opiniões, entre tais grupos, foram significativas ou não. Percebeu-se que algumas categorias obtiveram discordância significativa (p<0,05), que serão apresentadas em seguida.

Tabela 9: Discordância de julgamentos de categorias entre grupo de consultores

Início Meio Fim

Categorias/ consultores O N O N O N Rigidez pedagógica E 7 1 8 0 8 0 H 8 7 14 2 10 5 A 3 11 4 10 5 9 Prática pedagógica flexível E 1 7 1 7 1 7 H 9 6 7 9 9 6 A 12 2 11 3 11 3 Desvalorização da relação E 8 0 8 0 8 0 H 9 6 9 7 7 8 A 10 4 7 7 5 9 Legenda:

E – grupo dos especialistas O – ocorrência da categoria H – grupo dos alunos da habilitação N – não ocorrência da categoria A – grupo dos alunos da Pedagogia

* números em negrito indicam os momentos em que ocorreu discordância

Encontrou-se uma discordância significativa na avaliação das categorias “rigidez pedagógica” e “prática pedagógica flexível”, ao se comparar os julgamentos realizados pelos diferentes grupos de consultores, em todos os momentos do processo reflexivo.

Na categoria “desvalorização da relação” entre professor e aluno, verificou-se discordância também na etapa intermediária.

A partir das observações apontadas acima, pode-se dizer que, de 10 categorias submetidas à avaliação, nos três momentos distintos, 3 apresentaram julgamentos discordantes entre os grupos de juizes, em algum dos momentos do processo reflexivo, totalizando 8 ocorrências de discordância significativa de julgamentos, no material apreciado. Esse fato parece indicar que um mesmo comportamento pode ser julgado de modo diferente, dependendo de como cada um analisa uma ação, ou seja, as interpretações dadas para um mesmo fenômeno podem ser semelhantes ou não, tendo em vista, exclusivamente, fatores individuais presentes na subjetividade de quem julga.

Dessen (1995) enfatiza a opinião acima e relata que, se um mesmo material for visto por diferentes observadores, cada um verá aspectos diferentes em relação ao mesmo fato. Ainda, “se as diferenças intra ou entre observadores ocorrem em relação às percepções, a causa pode ser atribuída ao sistema cognitivo dos observadores e não ao material gravado, uma vez que a cópia não muda” (p. 225).

Não obstante, ainda que com análises diferenciadas de um mesmo recorte, acredita-se que é de grande importância a averiguação de outros consultores, para que o pesquisador possa efetuar suas observações com maior segurança e também obter novas interpretações sobre um mesmo “recorte” do fenômeno investigado.

Discordância entre julgamento de categorias antagônicas em um mesmo grupo de consultores

Como para cada área de investigação eram apresentadas duas categorias antagônicas, por exemplo, área de investigação “sistema de ensino” - categorias: “rigidez pedagógica” e “prática flexível” - foi averiguado se cada grupo de consultores apresentou discordância significativa, nos julgamentos dados em cada área de investigação. Isso foi feito com objetivo de comparar se os julgamentos dados para as categorias antagônicas eram concordantes, na tentativa de se obter a veracidade nos julgamentos prestados por determinado grupo de consultores. Assim, identificou-se que, em determinadas díades, houve a ocorrência de discordância significativa (p<0,05) na apreciação realizada, conforme a tabela abaixo.

Tabela 10: Discordância significativa de julgamentos de categorias antagônicas entre um mesmo grupo de consultores

Início Meio Fim

Área de investigação Categoria / consultores O N O N O N Sistema de ensino Rigidez pedagógica E 7 1 8 0 8 0 H 8 7 14 2 10 5 A 3 11 4 10 5 9 Prática pedagógica flexível E 1 7 1 7 1 7 H 9 6 7 9 9 6 A 12 2 11 3 11 3 Concepção de aluno Aluno ativo E 2 6 3 5 3 5 H 5 10 6 10 9 6 A 5 9 6 8 12 2 Aluno passivo E 7 1 8 0 8 0 H 13 2 14 2 12 3 A 13 1 9 5 7 7 Interação entre alunos Desvalorização da interação

entre alunos interação E 8 0 8 0 8 0 H 10 5 10 6 9 6 A 13 1 8 6 7 7 Valorização da interação E 1 7 2 6 2 6 H 5 10 6 10 11 4 A 2 12 9 5 12 2 Legenda:

E – grupo dos especialistas O – ocorrência da categoria H – grupo dos alunos da habilitação N – não ocorrência da categoria A – grupo dos alunos da Pedagogia

* números em negrito indicam os momentos em que ocorreu discordância

Os dados da tabela 10 mostram que os três grupos de consultores apresentaram avaliações contraditórias, em itens antagônicos. Como exemplo, pode-se observar a avaliação da área de investigação concepção de aluno, no período final, em que a maioria dos consultores do grupo de alunos da Habilitação avaliou a ocorrência concomitante de duas categorias antagônicas, 9 para aluno ativo e 12 para passivo, respectivamente.

No julgamento de categorias antagônicas, espera-se que as respostas sejam opostas, ou seja, a ocorrência em uma corresponde à não ocorrência da outra, o que não aconteceu, nas seguintes categorias:

- “rigidez pedagógica”: no período intermediário, pelo grupo de consultores alunos da Habilitação;

- “prática pedagógica flexível”: no período intermediário, pelo grupo de consultores alunos da Habilitação;

- “aluno ativo”: no período intermediário, pelo grupo de consultores especialistas e, no período final, para os 3 grupos de consultores;

- “desvalorização da interação”: no período final, pelo grupo de consultores alunos da Pedagogia.

Constatou-se, então, divergência interna para o julgamento das categorias “aluno ativo” e “aluno passivo”, da área de investigação “concepção de aluno”, observada nos julgamentos dos três grupos de consultores, no período final e no período intermediário, pelo grupo dos especialistas. Isso indica que, enquanto alguns consultores avaliaram, nos períodos citados, que a ação da professora sinaliza que esta considerava seus alunos receptores passivos, outros avaliaram que esta os considerava ativos, no processo de ensino e aprendizagem.

Ao observar os julgamentos do grupo de consultores alunos da habilitação, nota-se divergência interna também nos julgamentos das categorias relacionadas à área de investigação “sistema de ensino”, no período intermediário. Isso demonstra que a maioria desses consultores considera que a ação da professora indica que ela age de modo rígido, em sala de aula, sem fazer as devidas adaptações para atender às especificidades de seus alunos e, em contrapartida, a maioria também avaliou que ela flexibiliza suas ações em função das peculiaridades dos alunos.

O grupo de consultores alunos da Pedagogia apresenta divergência interna nas categorias da área de investigação “interação entre alunos”, além da apontada anteriormente. Tal fato revela que, enquanto alguns desses consultores entenderam que a professora sinaliza, em suas ações, adotar situações educacionais que permitam a realização de atividades em parceria, outros avaliaram que esta deixa de promover ações coletivas, durante a realização das tarefas.

As discordâncias apresentadas podem representar a dificuldade, de certos consultores, em realizar julgamentos de categorias13, a partir da análise de vídeos, o que pode ser explicado pela eventual falta de familiaridade com

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experiências dessa natureza ou, ainda, pela dificuldade de analisar “recortes” de filmagens de situações interativas, em que se torna difícil, muitas vezes, o desenvolvimento do acontecido na cena analisada.

7.2.1.3 Tendências de mudança apontadas pelos diferentes grupos de

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