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Motor and Sensory Impairments

Dans le document Annexe - GPC TCCMG (Page 122-127)

A técnica para o teste de Papanicolaou foi desenvolvida na década de 1940 pelo médico grego Geórgios Papanicolaou (1883-1962), pioneiro no estudo da citologia e na detecção precoce do CCU. Tal exame foi introduzido na década de 1950 no Brasil, um dos primeiros países no mundo a adotá-lo para a detecção precoce do CCU (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2008).

O teste de Papanicolaou é reconhecido como a principal técnica para detectar precocemente lesões de câncer de colo uterino (TERMINI; SILVA, 2008). A técnica consiste em avaliação morfológica de células de esfregaços colhidas na superfície do colo uterino, especificamente de células da zona de transformação do colo de útero por meio de uma escova (cytobrush) do endocervix, e de células do exocervix utilizando uma espátula de madeira ou espátula plástica de Ayre (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 2007). Até 1988, a Organização Mundial da Saúde propunha para o exame citológico a rotineira coleta de material de fundo de saco e ectocérvice (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1988). Em 1990, a Organização Pan- Americana da Saúde propôs que fosse utilizado o cotonete para colher amostra do canal cervical, associada à amostra da ectocérvice

(ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD , 1990). Em

1996, o Ministério da Saúde do Brasil elaborou um projeto-piloto para o controle do CCU, utilizando a técnica de coleta com amostras da ectocérvice com espátula de Ayre e do canal cervical com a escova cytobrush colocadas em uma única lâmina, deixando de colher amostras do fundo de saco (BRASIL, 1996). Atualmente a OMS recomenda a coleta de amostras do exocervix e do endocervix utilizando uma espátula e uma escova respectivamente (OMS, 2007). As amostras são colocadas no porta objetos e fixadas em uma solução específica de

álcool isopropílico a 96% ou álcool etílico a 95% para preservar as células (OMS, 2007). O porta objetos é enviado ao laboratório de citologia, onde é realizada a coloração, preferencialmente pela técnica de Papanicolau. A amostra é examinada no microscópio para determinar se as células são normais ou não e classificá-las apropriadamente. A mais recente e mais utilizada atualmente é a denominada classificação de Bethesda. Existem outras classificações anteriores, como a classificação de Papanicolau – 1943 e as classificações histológicas, mais usadas para o diagnóstico, como são a classificação CIN ou de Richart – 1973 (RICHART, 1973), e a classificação descritiva segundo a OMS (TAVASSOLI, 2003). Estas últimas classificações ainda podem ser encontradas em laudos citológicos e pesquisas realizadas anteriormente à publicação da primeira classificação de Bethesda, correspondente à reunião de expertos em 1988 na cidade de Bethesda (Canadá). A segunda classificação de Bethesda é resultado do consenso de expertos realizado na mesma cidade no ano de 2001 (SOLOMON et al., 2002).

A classificação de Bethesda serviu de base para a Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais, que é a classificação citológica oficial no Brasil, construída a partir de uma discussão entre profissionais de diversas disciplinas e vinculados a várias instituições de saúde, reunião promovida pelo Instituto Nacional do Câncer. Essa nomenclatura brasileira foi oficializada durante o XVII Congresso Brasileiro de Citopatologia no ano de 2002, na cidade de Foz de Iguaçu, Paraná. A terminologia brasileira inclui “atipias celulares de origem indefinida”, destinada a situações nas quais não pode ser definida com clareza a origem da célula atípica (LONGATTO FILHO; SYRJÄENE, 2008; BRASIL, 2006).

A exatidão da prova citológica depende da qualidade dos serviços de saúde, incluídas as técnicas de coleta de amostras e sua fixação, além da qualidade da preparação da interpretação das amostras no laboratório, e também da localização da zona de transformação escamo-celular na mulher. Nas mulheres que se encontram no período de perimenopausa e com diminuição do estrogênio, o colo do útero diminui e a junção escamocolunar retrocede do exocervix até o interior do conduto cervico- uterino (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 2007). Em condicões ótimas de coleta das amostras, de seu processamento e análise, a citologia convencional detecta até 84 % dos casos de lesões pré-malignas de câncer nas mulheres, e a especificidade da prova pode ser de 90%, embora em piores condições sua sensibilidade se reduza a 38% (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 2007). Nas

últimas décadas, vários estudos têm apontado índices não ideais de sensibilidade de citologia convencional, com variação entre 50% e 60% (AQUILAR, P. et al, 1996). Existem controvérsias entre autores quanto à utilização de citologia convencional como único teste para a detecção precoce de lesões precursoras do câncer de colo uterino (KOSS, LG, 2006). Além disso, há dúvidas sobre a utilização do teste como a única forma de acompanhamento de mulheres com células escamosas atípicas (ASCs), (TULIO et al., 2007).

A coleta deve resultar num esfregaço satisfatório com número apropriado de células do epitélio escamoso, devidamente preservadas e adequado componente endocervical ou da zona de transformação (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 2007).

A adequabilidade da amostra vem, ao longo do tempo, suscitando vários questionamentos e modificações, dado o seu caráter de matéria conflitante e de difícil conceituação plenamente aceitável. A disposição em sistema binário (satisfatória x insatisfatória) caracteriza melhor a definição da visão microscópica da coleta. No atual Sistema de Bethesda – 2001 (SOLOMON et al., 2002), a adequabilidade da amostra também está colocada nesses dois parâmetros (BRASIL, 2006). Contudo, nesse sistema, a caracterização da junção escamocolunar faz parte dessa definição, enquanto na Nomenclatura Brasileira de Laudos Cervicais não é assim (BRASIL, 2006). Na Nomenclatura Brasileira se considera como satisfatória a amostra que apresente células em quantidade representativa, bem distribuídas, fixadas e coradas, de modo a possibilitar uma conclusão diagnóstica, devendo ser informados os tipos de epitélios que estão representados na amostra (BRASIL, 2006). A definição de adequabilidade pela representatividade passa a ser da exclusiva competência do responsável pela paciente, que deverá levar em consideração as condições próprias de cada uma, como idade, estado menstrual, limitações anatômicas e objetivo do exame. Insatisfatória é a amostra cuja leitura esteja prejudicada por razões de natureza técnica e não de amostragem celular (BRASIL, 2006).

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