Para a análise e interpretação dos dados foi utilizado a análise de conteúdo, segundo Bardin. Trata-se de “um conjunto de instrumentos metodológicos em constante aperfeiçoamento que se aplicam a discursos e conteúdos extremamente diversificados. Enquanto esforço de interpretação, a análise de conteúdo oscila entre dois pólos: o rigor da objetividade e a fecundidade da subjetividade. O maior interesse desse instrumento polifuncional, que é a análise de conteúdo, é alongar o tempo de latência entre as intuições de partida e as interpretações definitivas” (BARDIN, 2012, p. 15).
Segundo Bardin (2012), o método de análise de conteúdo organiza-se em torno de três pólos cronológicos: a pré-análise; a exploração do material; e o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.
A pré-análise é a fase de organização propriamente dita. Corresponde o período de intuições, mas tem por objetivo tornar operacionais e sistematizar as idéias iniciais. Esta primeira fase, em geral, possui três missões: a escolha dos documentos, a formulação das hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final.
Nesta etapa foi realizada a escolha dos documentos a serem analisados, quais sejam: os dados obtidos a partir das entrevistas semiestruturadas, após serem transcritas e os dados que emergiram dos registros realizados durante a observação sistemática. Nesta fase foi realizada uma leitura incessante dos dados obtidos, já neste momento foram percebidas semelhanças em algumas falas dos sujeitos entrevistados.
Segundo este método de análise, durante a leitura aplica-se a regra da exaustividade, ou seja, não se pode deixar de fora qualquer um dos elementos por esta ou aquela razão (dificuldade de acesso, impressão de não interesse) que não possa ser justificável no plano do rigor.
A fase de exploração do material é a operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e
reagrupamento. Nesta fase é realizada a conclusão da preparação do material para a análise, em termos de operações de codificação ou enumeração.
Nesta etapa, os dados obtidos foram agrupados a partir de reflexões com base na questão norteadora, nas questões abordadas nas entrevistas semi-estruturadas e nas observações sistemáticas, bem como nos aspectos destacados na sustentação teórica. Após esta reflexão emergiram conteúdos significativos, que possibilitaram a identificação das categorias desta pesquisa, sendo definidas dessa forma quatro categorias, quais sejam:
- Categoria 1- Organização do trabalho e a ocorrência de erros com medicações antineoplásicas. Nesta categoria estão envolvidas algumas subcategorias como: organização e processo de trabalho; condições de trabalho relacionadas aos erros com medicações antineoplásicas; educação permanente/experiência profissional, com enfoque na segurança do paciente e saúde do trabalhador.
- Categoria 2 - O processo de preparo, diluição e administração de medicamentos antineoplásicos, voltados para a segurança do paciente e dos trabalhadores. As subcategorias relacionadas foram: preparo e diluição de medicamentos antineoplásicos; administração de medicamentos antineoplásicos; erros e/ou acidente de trabalho com medicações antineoplásica.
- Categoria 3 – Interface da segurança do paciente e dos trabalhadores na terapia antineoplásica. As subcategorias relacionadas foram: segurança do paciente e cuidados com a saúde do trabalhador enfocando a terapia antineoplásica.
- Categoria 4 – Critérios para uma Política de Gestão de Segurança, esta última categoria emergiu, em certa medida, da interface de todas as subcategorias.
Para finalizar as etapas de análise de conteúdo apresenta-se a fase de tratamento dos resultados. Nesta os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos e válidos. Operações estatísticas simples ou complexas, permitem estabelecer quadros de resultados, diagramas, figuras e modelos, os quais destacam as informações fornecidas pela análise. O analista tendo à sua disposição resultados significativos e fiéis pode, então, propor inferências e adiantar interpretações a propósito dos objetivos previstos, ou que digam respeito a outras descobertas (BARDIN, 2012).
Conforme ressalta Bardin (2012), para se considerar um conjunto de categorias como boas, estas devem possuir as seguintes qualidades: a exclusão mútua, ou seja, cada elemento não pode existir em mais de
uma categoria; a homogeneidade - um único princípio de classificação deve governar a sua organização; a pertinência - deve estar adaptada ao material de análise escolhido; a objetividade e a fidelidade - deve-se definir claramente as variáveis, bem como precisar os índices que determinam a entrada de um elemento numa categoria; por fim a produtividade - um conjunto de categorias é considerado produtivo se oferece resultados férteis.
Ao definir as categorias de análise, o pesquisador imbuiu-se de esforço na tentativa de respeitar as características acima citadas. Dessa forma, após discussão e interpretação dos dados que emergiram das entrevistas e das observações sistemáticas, considerando as bases teóricas estudadas, e observando a instrução normativa do Programa de Pós – graduação em Enfermagem PEN/UFSC nº10/2011, ficou definida a apresentação dos resultados na forma de três (3) manuscritos, quais sejam:
MANUSCRITO 1 - Impacto da organização do trabalho na prevenção e/ou ocorrência de erros com medicações antineoplásicas.
MANUSCRITO 2 - Erros e acidentes no processo de preparo, diluição e administração de medicamentos antineoplásicos: segurança do paciente e dos trabalhadores.
MANUSCRITO 3 - Segurança na terapia antineoplásica: um olhar dos trabalhadores de saúde
Ainda, como resultado dessa pesquisa será apresentado, em forma descritiva como capítulo, os critérios para a construção de uma política de gestão de segurança com enfoque na segurança do paciente e dos trabalhadores.