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Motifs de Prescription des analyses du bilan biologique thyroïdien

DISTRIBUTION DES PATIENTS EN FONCTION DE L'ÂGE

B. Facteurs de variations de la TSH et des hormones thyroïdiennes libres 1. Variations inter et intra-individuelles

B.4. Variabilité en cas d’instabilité de l’état thyroïdien

2 Discussion des résultats de notre étude .1 Caractéristiques des patients

2.2 Motifs de Prescription des analyses du bilan biologique thyroïdien

Q u e m é você?

É u m a p e rg u n ta que freq ü en tem en te nos fazem e q u e às vezes fazem os a nós m esm os...

“ Q uem sou eu ? ”

Q u a n d o e sta p e rg u n ta surge p odem os dizer que estam os pesq u isan d o n ossa identidade* C om o em q u a lq u e r pesquisa, e sta ­ m os em busca de respostas, de conh ecim en to . P o r se tr a ta r de u m a p e rg u n ta feita a nosso respeito é fácil d arm o s u m a resposta; ou nao é?

Se é um conhecim ento que b u sc a m o s a respeito de nós m esm os podem os supor q ue estam os em condições de fornecê-lo. A final se tra ta de dizer q uem som os... E xperim ente]

N5o contin u e lendo a n tes de re sp o n d e r a esta p e rg u n ta : q uem év o cê?

P ronto?

R espondeu de form a a q u a lq u e r pessoa, depois dè ouvir sua resp o sta, poder a firm a r que o conhece? S u a resp o sta to m a possível você se m o strar ao o u tro (e* ao m esm o tem p o , você se reconhecer) de fo rm a to tal e tra n sp a re n te , de m odo a não h aver n e n h u m a dúvida, n en h u m segredo a seu respeito? S ua resp o sta p ro d u z um conheci­ m ento q u e o to m a perfeitam en te previsível? N inguém (n em m esm o você), depois de co n h ecer essa resp o sta, te rá d úvida sobre com o você vai a g ir, p en sar, se n tir, em q u a lq u e r situ a ç ã o q ue surja?

AS CATEGORIAS FUNDAMENTA IS D A PSICOLOGIA SOCIAL 59 A credito que, se você foi sincero, esta s questões todas podem ter lev an tad o algum as duvidas. Será tã o fácil dizer quem som os?

Se, com o esto u supondo, não é tã o fácil .como pode p a re c e r a p rim eira vista, podem os adm itir que este é u m pro b lem a digno de u m a p esq u isa cien tífica (e n ão só p o r c au sa disso). Psicólogos, sociólogos, antropólogos, os m ais diversos cientistas sociais têm estu d ad o a questão da id entidade; filósofos tam b ém . Não só pela dificuldade, m as ta m b é m pela im p o rtân cia que esta questão a p re ­ sen ta, o u tro s especialistas têm se envolvido com ela e não só cien tis­ tas e filósofos: nos trib u n ais, juizes, p to m o to re s, advogados, peritos, etc.; n a a d m in istraç ão , ta n to pública com o priv ad a; na polícia, na escola, no su p erm ercad o etc., enfim , e m p raticam en te to d a s as situações da vida co tid ian a, a questão da id e n tid ad e aparece, de u m a fo rm a ou de o u tra (e ta m b ém fo ra do cotidiano: “ q uem era m esm o a q u e la personagem com quem sonhei o n te m ? ” ). Você já rep aro u com o as novelas de T V ex p lo ra m esse filão? Ê freq u en te u m a personagem viver um g rande d ra m a p o rq u e de rep en te des­ cobre e s ta r en g a n a d a a respeito da identidade de outra personagem (é seu p a i, su a m â e, seu filho, sua irm ã e tc ., e não quem p ensava que fosse); conseqüentem ente, d escobre ao m esm o tem po que ta m b ém estava e n g an a d o a respeito d a p ró p ria id e n tid ad e (afin a l, se esse desconhecido é m eu pai, então eu so u seu filho e não de quem pensava); a id e n tid a d e do o u tro reflete n a m in h a e a m in h a n a dele (afinal, ele só é m e u pai porque eu sou filho dele). O u tro exem plo: nas histó rias “ p oliciais” quase sem pre o enredo é todo m o n tad o p a ra que se d e sc u b ra a id en tid ad e do crim inoso (não só no sentido de sab er q uem com eteu o crim e, m as ta m b é m com o se to m o u “crim inoso” ); p o r vezes, a h istó ria se desenvolve de ta l m o d o que nos (os esp ecta à o res o u leitores) sa b e m o s q u e m é o crim inoso, m as as d em ais perso n ag en s d a história não sab em ; isto nos le v an ta u m a o u tra questão: pelo fato de os outros n ã o sab erem ele deixa de ser crim inoso? Q ue é ser “ crim inoso'1? É com eter um ato crim inoso? (P ense no exem plo, digam os, fictício, de poderosos cidadãos que com etem ato s q ue você considera crim in o so s m as não são p erse­ guidos p e la polícia e p ela ju s tiç a ...) P odem os fa la r n u m a id e n tid a d e o cu lta? Pense n u m a h istória de “ esp io n ag e m ” : a id e n tid ad e do “ esp ião ” e x atam e n te se caracteriza com o u m a identidade o cu lta (peio m enos p a ra os esp io n ad o s...), sen d o que suas av en tu ras p ra ti­ cam en te te rm in am ou deixam de se r a tra e n te s q u an d o essa id e n tid ad e é revelada. Até os su p er-h eró is têm sua id e n tid ad e secreta (aq u ilo de que o S uper-H om em te m m ais m edo é que

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d e sc u b ra m quem eie é n a vida co tid ian a» ., com o m uitos d e nós que escondem os algum aspecto de nossa id e n tid a d e e m orrem os de m edo que os outros d escu b ram esse nosso la d o "o c u lto ” . ..). A lite ra tu ra , o cinem a, a TV , as histó rias em q u a d rin h o s, as a rte s n u m sentido bem am plo tam bém lidam com o p ro b le m a d a id e n tid ad e e podem nos e n sin a r m uito a respeito.

V oltem os a nosso p o n to de p a rtid a . Se, com o afirm am os, estam os fala n d o de n o ssa id e n tid a d e q u a n d o respondem os à p e rg u n ta “ quem sou e u ? ’\ a p rim e ira observação a ser feita é que nossa id e n tid a d e se m o stra com o a d escrição de um a personagem (com o em um a novela de T V )t cu ja vida, cuja b io g rafia aparece n u m a n a rra tiv a (u m a h istó ria com en re d o , personagens, cenários, e tc .), ou seja, com o personagem q u e su rg e n u m discurso (nossa re sp o sta , nossa h istó ria). O ra, q u a lq u e r discurso, q u a lq u e r história co stu m a te r um a u to r, que constrói a personagem * C abe p e rg u n ta r então : você é a perso n ag em do seu discurso, o u o a u to r que cria essa p erso n ag em , ao fazer o discurso?

Se você é a p erso n ag em de u m a h istó ria , q uem é o a u to r dessa h istó ria? Se nas h istó rias d a vida real n ã o existe o a u to r d a h istória, será que não são to d as as perso n ag en s q ue m o n tam a h istória? T o d o s nós — eu, você, as pessoas com quem convivem os — som os as p erso n ag en s de u m a h istó ria que nós m esm os criam os, fazendo-nos au to re s e personagens ao m esm o tem p o . Com esta afirm ação já an tecip a m o s o q u e se p o d eria dizer caso nos considerem os o a u to r q ue c ria nossa perso n ag em ; o a u to r m esm o é personagem d a h istó ria. N a verdade, assim , p o d ería m o s a firm a r que h á u m a a u to ria coletiva d a história; aquele q u e co stu m am o s designar com o “ a u to r” seria dessa fo rm a um “ n a rra d o r” , um “ c o n tad o r” de h is­ tória!

C om isso podem os p erce b er o u tro fato curioso: n ao só a id e n tid ad e de u m a personagem constitu í a de o u tra e vice-versa (o p ai d o filho e o filho do p ai), com o ta m b é m a id e n tid ad e d as p erso n ag en s constitu i a do a u to r (ta n to q u a n to a do a u to r co n stitu i a d as personagens).

A tra m a p a re c e com plicar-se, pois é sab id o que m u itas vezes nos escondem os n aq u ilo que falam os; o a u to r se o culta p o r trás da p erso n ag em . M as, d a m esm a fo rm a com o u m au to r ac a b a se revelando através de seus p erso n ag en s, é m u ito freqüente nos revelarm os através d aq u ilo que o cultam os. Som os ocultação e reve­ lação.

AS CATEGORIAS FUNDAM ENTAIS D A PSICOLOGIA SOCIAL W A té agora falam os das pessoas com o se elas fossem de u m a d e te rm in a d a fo rm a e n ã o se m odificassem , o q ue é falso. Basta observarm os nossos próxim os, b a s ta nos observarm os. No m ínim o, as pessoas ficam m ais velhas: a crian ça se to r r a adulto; o ad u lto , ancião. No m á x im o ... o que seria no m áxim o? “ Não reconheço m ais F u lan o , é o u tra pessoa!*1 Há m u d a n ças m ais ou m enos previsíveis, m ais ou m enos desejáveis, m ais ou m en o s controláveis, m a is ou m e n o s,.. m u d an ças. O estu d an te que se to rn a um profissional depois de fo rm ad o rep resen ta u m a m u d in ç a bem m ais previsível do que a do jovem , nosso am igo de infância, q u e se to rn a um crim inoso (ê lógico q u e, im plicitam ente, estam os ta m b ém co nsiderando c e rta s condições de classe social); n um a o u tra situação social a previsi­ bilid ad e p o d e ser inv ertid a, infelizm ente. O u tro exem plo: a m oci­ n h a que se to rn a dona-de-casa, m ãe de filhos etc. vive u m a m u d a n ç a m ais desejável do que a d a q u e la que se to rn a p ro s titu ta {novam ente há algo im plícito nesse ju lg am en to : valores, etc.)* O desem pregado que se to rn a alco ó latra (ou crim inoso, etc.) sofre u m a m u d a n ça provavelm ente m enos controlável do q ue a do escritu rário que se to m a gerente (com o você consideraria a q u i a q uestão de classe» de valores* etc.?). H á m u d a n ç a s e m u d a n ç a s... quem m u d a m ais: o heterossexual que se to rn a hom ossexual o u o ad ep to de u m a religião que se to rn a a te u ? O alienado p o liticam en te que se to rn a revolucionário ou o civil q ue se to rn a m ilitar?

Nós nos to rn am o s algo que não éram o s ou nos to m am o s algo que já éram o s e estava com o q ue “ e m b u tid o ” d en tro de nós? P arece que q u a n d o se tr a ta de algo positiv am en te valorizado, a te n d ên cia nossa é a firm a r q u e estava “ e m b u tid o ” em nós ( “ sem p re tive vocação p a ra ser m édico” ); q u ando não desejável, freq ü en tem en te estava “em butido*1... nos outros ( “ sem p re achei que ele tin h a p ro p en são p a ra o crim e” , que ele tin h a u m jeito de ‘b ic h a ’ ” ).

Q u e dizer d a jovem q u e se te m a d o n a-d e-casa? E d o religioso q u e se to rn a ateu ? O escritu rário que se to rn a g eren te está realizando um a “ te n d ê n c ia ” , u m a “ v o c a ç ã o 1?

P odem os im a g in a r as m ais diversas com binações p a ra c o n ­ figurar u m a id e n tid ad e com o u m a to ta lid a d e . U m a to ta lid a d e c o n tra d itó ria, m ú ltip la e m utável, n o e n ta n to una. P o r m ais co n trad itó rio , p o r m ais m utável q ue seja, sei que sou eu q u e sou ussitn, o u seja, sou u m a unidade de c o n trá rio s, sou uno na m u ltip li­ cidade e na m u d a n ça.

Q u a n d o nossa unid ad e é p erce b id a com o am eaçada, q u a n d o correm os o risco de não saber quem som os, q u an d o nos sentim os

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desagreg an d o , tem os m au s p ressen tim en to s, tem os o p re sse n ti­ m e n to de que vam os enlouquecer; a p ren d e m o s a te r h o rro r de serm ds “ o u tro 1' (q u a n d o querem os o fe n d e r alguém can taro lam o s um re frã o bastan te conhecido: *''F u la n o não é m ais aquele. .Z1); não é à to a q ue o tipo clássico de p ia d a de louco envolve alguém que diz que é q u em não ê: “ N apoleão” , “ Jesus C risto ’’, e tc .; nestes casos, é fácil verificar que ele nào é quem diz que é. P orém , será sem pre fácil sab er q ue alguém é (ou não é) quem diz q ue é? N um certo sentido, pode-se con sid erar a c h a m a d a "d o e n ç a m e n ta l” com o um pro b lem a de id en tid ad e: o '"louco" é nosso “ o u tro ” , ta n to q u an to o “ c u ra d o ” é o o u tro do “ louco” . N ão afirm a o d ito p o p u la r que “ de m édico e de louco c a d a um tem um p o u co ” ?

D esde o início estam os jo g a n d o p e rg u n ta s em cim a de p e r­ g u n ta s, provocativam ente, p a ra u m a questão que p are c ia tão sim ples. Talvez valesse a p e n a seg u rar essas duvidas e e x a m in a r a q u estão de form a m enos in terro g ativ a. V am os te n ta r se p a ra r dois tipos de p roblem a: os de n a tu re za em p írica, p rática, e os de n a tu re z a teórica e filosófica.