Para realizar este estudo comparativo referido anteriormente resolvemos recolher dados em duas instituições de educação pré-escolar do concelho da Covilhã. Na instituição Peter Pan2 realizámos entrevistas à coordenadora pedagógica e à
educadora da sala onde se encontram as crianças que irão ingressar no primeiro ciclo do ensino básico, no ano letivo 2013/2014. Realizámos também três sessões de observação direta participante na sala da educadora entrevistada e nos locais da instituição onde estas crianças desenvolvem as suas atividades lúdico-pedagógicas. Na instituição Hansel & Gretel3 realizámos uma entrevista à coordenadora pedagógica
da instituição que é também educadora na sala onde se encontram as crianças que irão transitar para o primeiro ciclo do ensino básico e três sessões de observação na sala:“d’Os:Finalistas”:(ver:em:anexo A “Quadro síntese da população-alvo estudada”).
Decidimos fazer uma entrevista semi-diretiva aos coordenadores pedagógicos das instituições e educadores de infância. Na instituição Peter Pan, no decorrer do estudo, tornou-se importante questionar os atores sobre determinadas conceções4 que não
2 Designação fictícia atribuída à primeira instituição estudada. 3 Designação fictícia atribuída à segunda instituição estudada.
4 No decorrer da observação na instituição Peter Pan, a coordenação pedagógica da instituição recebeu um convite
de um órgão de comunicação televisivo, para filmar uma atividade de inovação pedagógica que a mesma instituição tinha implementado e referido a outro órgão de comunicação escrito local. Considerámos importante questionar os atores (coordenadora pedagógica e educadora da sala de atividades em estudo) acerca da atividade pedagógica inovadora e do conceito de inovação pedagógica.
estavam previstas inicialmente, pelo que foi feita mais uma entrevista nesta instituição.
A escolha de utilização das entrevistas semi-diretivas recaiu no facto destas permitirem retirar informações e elementos de reflexão muito ricos (Quivy & Campenhoudt, 1992). Este é um instrumento que nos apraz na medida que se caracteriza:por:“():um contacto directo entre o investigador e os seus interlocutores e
por uma fraca directividade por parte daquele. [Além disso] o conteúdo da entrevista será objecto de uma análise de conteúdo (): destinada a testar as hipóteses de trabalho”:(Quivy:&:Campenhoudt:1992:193):::
Decidimos pela entrevista semi-diretiva, ao invés de outros modelos de entrevista, pois interessava-nos que o entrevistado pudesse falar abertamente e na ordem que lhe conviesse sobre as temáticas.
As entrevistas foram realizadas de forma presencial. O nosso papel foi, apenas, conduzir a entrevista segundo o guião preparado anteriormente (ver:anexo:E:“Guião: de entrevista – coordenador:pedagógico”:e:anexo:F:“Guião:de:entrevista:– educador de: infância”) Quivy & Campenhoudt (1992: 194) referem que neste tipo de entrevistas:“o investigador esforçar-se-á simplesmente por reencaminhar a entrevista
para os objectivos, cada vez que o entrevistado deles se afastar, e por colocar as perguntas às quais o entrevistado não chegar por si próprio, no momento mais apropriado e de forma tão natural quanto possível”:
A observação participante foi de grande importância no nosso estudo uma vez que permitiu recolher comportamentos e atitude espontâneas e inferir a autenticidade das práticas recolhidas através das entrevistas. Optámos por este tipo de observação, ao invés da observação não participante, uma vez que com crianças, o facto de estar uma pessoa que elas não conhecem e com quem não interagem, na sala, pode influenciar a situação, perdendo-se a espontaneidade e o rigor. Durante a observação, o observador participou nas atividades que o educador pediu (sem nunca as liderar) e ficou junto do grupo de crianças enquanto o educador dava as indicações, explicações e interagia com as crianças. Consideramos que só assim as crianças poderiam olhar para o observador como mais um membro do grupo e, consequentemente, as interações entre o educador e as crianças seriam menos alteradas e as práticas do educador:menos:“forçadas”:
A observação foi realizada em três sessões por sala. O observador dirigiu o seu olhar através de um guião de observação semi-estruturado (ver: anexo: H: “Guião: de: observação”) Neste, estavam contempladas as dimensões e indicadores utilizadas nas entrevistas mas era suficientemente aberto para a formação de novas dimensões e indicadores que se considerassem pertinentes, pois as observações foram efetuadas após a realização das entrevistas.
Utilizamos a fotografia como auxiliar de recolha de dados, uma vez que não era possível tomar notas em todos os momentos e não é possível confiar totalmente na memória do observador, pois esta é seletiva e elimina os comportamentos que
aparentemente possam não ser importantes (Quivy e Campenhoudt, 1992). As fotografias tiradas funcionam também como suporte ilustrativo das atividades realizadas pelas crianças. De forma a não interromper as atividades e não alterar a espontaneidade e autenticidade das interações as fotografias foram sempre tiradas de maneira a que as crianças não se apercebessem das mesmas.
Por fim, devido às delimitações do campo de análise, procedemos a uma análise de documentos com vista a encontrar neles informações úteis que não conseguimos obter através da recolha feita anteriormente. Foram analisados os projetos educativos e projetos curriculares de ambas as instituições estudadas. Recolhemos e analisámos, também, da instituição Peter Pan, o regulamento interno, planificações da educadora e documentos apresentados na Universidade de Aveiro acerca de práticas pedagógicas realizadas na instituição. Na instituição Hansel & Gretel recolhemos, para além dos projetos referidos, um documento sobre os modelos organizacionais da instituição, o plano anual de atividades da educação pré-escolar e o projeto curricular de intituição da educação pré-escolar.
No decorrer, e após recolhermos todos os dados, fizemos, então, uma análise de conteúdo:dos:mesmos:Segundo:Vala:(2003:101):“a análise de conteúdo é hoje uma
das técnicas mais comuns na investigação empírica realizada pelas diferentes ciências sociais”: pois: é: “uma técnica de investigação que permite fazer inferências, válidas e replicáveis, dos dados para o seu contexto”: (Krippendorf: 1980: cit: por: Vala: 2003:
103).
Após os analisarmos, comparámo-los e interpretámo-los. Só assim pudemos responder a todas as questões levantadas e atingir os objetivos a que nos propusemos.