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Chapitre I : Etude Bibliographique

I. 3.2 « Loop » et « Bridge » :

I.4 Contrôle des structures :

I.4.3 Les champs de force :

I.4.3.1 La morphologie lamellaire :

4.2.6.1 Discurso do Sujeito Coletivo 27

Idéia Central: Criminalidade e violências na comunidade

VARJÃO: O CRIME NOSSO DE CADA DIA

Morar no Varjão é muito difícil. A droga esta por todo lugar. Eles tentam assaltar a casa da gente em plena oito horas da noite com a gente dentro de casa. Aconteceu comigo e eu tenho muito medo. A maioria de meus amigos e amigas aqui do Varjão que cresceram comigo já estão mortos. Minha melhor amiga foi assassinada quatro anos atrás aqui perto de casa. Deram um tiro de 12 nela. Assim foram vários meninos que brincavam comigo. Todos os meus amigos que faleceram deixaram seus filhos ainda pequenos.

Minha vizinha apanha do marido. Ela é sempre espancada. Todo final de semana e eu vou usar esse número de telefone que você me deu para ligar para a polícia anonimamente. A minha vizinha é espancada todos os dias pelo marido dela. Eu tenho uma amiga que está totalmente descontrolada de tanto sofrer violência física com o marido.

Mataram meu irmão (...) aqui no Varjão por causa de uma briga. Ele e outro sujeito estavam bêbados e brigaram por causa de uma chave. Ele foi morto a tiro e

eu nem sei a causa. Foi em pleno dia. Botaram ele de joelhos e encheram ele de tiro.

Meu irmão faleceu (...). Ele tinha vinte anos e foi assassinado a tiros aqui no Varjão por volta das oito horas da noite. Disseram que foi por briga, pois ele esbarrou num cara e o cara se zangou. Meu irmão bateu na cara dele. O assassino era menor de idade e voltou armado e baleou meu irmão. Meu irmão trabalhava de jardineiro, ajudava minha mãe com dinheiro, não era uma pessoa violenta... Mas aqui no Varjão, muita gente não merece, mas acaba morto. Já o irmão do meu marido matou uma moça aqui no Varjão porque ele bebeu uma cerveja e não pagou. Ela o desacatou e aí ele foi lá e matou a moça. Ele fugiu. Faz dois anos que mataram o irmão de vinte e um anos aqui no Varjão. Pegaram o revolver dele emprestado, o amigo dele pegou, e mandaram ele ir buscar. No meio do dia, 10hs da manhã, eles encheram ele de tiro. Meu irmão mexia com droga e não ouvia conselho de ninguém.

Meu marido foi morto a bala pelos moleques daqui do Varjão (...). Ele foi assassinado (...). Até hoje eu não sei por que ele morreu. Muitos falaram que ele foi morto por engano. Ele recebeu o dinheiro do pagamento do mês e um cara bateu muito nele, quebrou a garrafa e cortou o pescoço dele e ele morreu na hora. Roubaram só o tênis dele, pois ele já tinha pagado as contas com o dinheiro que tinha recebido e estava sem dinheiro. Meu atual namorado já foi esfaqueado antes da gente se conhecer numa briga aqui. Deram sete facadas nele. Um dia nós estávamos na rua à noite e um cara começou a brigar com outro e começou a atirar e o segundo tiro pegou no meu marido. Ele ficou um ano na cadeira de rodas e depois ele começou a andar de bengala. Meu marido foi morto a bala pelos moleques daqui do Varjão.

Eu também perdi um filho aqui no Varjão há três anos. Ele tinha 19 anos e um dia desapareceu. Era domingo e na segunda feira o corpo dele foi encontrado com dois tiros e carbonizado (...). A policia nem investigou direito. Até hoje eu não sei por que foi que ele morreu. Meu vizinho estuprou uma criança, mas eu não posso entrar em detalhes, pois tenho medo dele. Ele foi preso, mas ficou só três meses.

Portanto, a gente vive cercada de violência. Aqui no Varjão eu não saio de noite nem para comprar remédio, pois é muito perigoso. Os normais vêm para casa cedo e não saem de noite, pois a noite é perigosa aqui. O que choca aqui no Varjão

é saber que aqui as pessoas matam muito fácil. A maioria das pessoas jovens daqui usa drogas. Eles matam muito fácil. As pessoas morrem no meio da rua.

4.2.6.2 Discurso do Sujeito Coletivo 28

Idéia Central: Outras violências

VIOLÊNCIAS E VIOLÊNCIAS

Eu vivo presa em casa. Quando ele chega do serviço, ele quer ver qual calcinha que eu estou usando. .. Daí ele pergunta por que eu troquei de calcinha, porque eu tomei banho. Às vezes ele cheira minha calcinha para ver se tem cheiro de homem. Eu prefiro às vezes tomar banho só depois que ele chega porque daí ele não fica desconfiado. Aí, ele fecha a porta da casa para eu não ir para a rua e para ninguém olhar para dentro de casa (...). Ele dorme com a chave da porta no bolso que é para eu não sair para a rua. Meu marido já me insultou e me humilhou na frente das pessoas algumas vezes.

Sabe, eu trabalhava de diarista todos os dias e ia juntando um dinheiro para o final do ano para comprar no natal. Um dia meu companheiro achou e gastou tudo. Eu fui ao bar onde ele estava e pedi meu dinheiro de volta. Ele voltou para casa e me bateu de murro.

Mas os palavrões que ele fala são os piores possíveis e me humilha na frente das pessoas. Essas palavras são piores do que levar uma porrada na cara. Na verdade, apanhei muito até quase completar meus dezesseis anos, aí separei dele. Ele era policia militar! Fiquei 1 mês em Minas Gerais e lá eu pude namorar. Agora só vou namorar em dezembro quando viajar de novo.

Quando eu trabalhava no Lago Norte, um rapaz me ofereceu carona e eu aceitei. Ele me levou num lugar escuro do Lago norte. Ele me apertou os peitos, rasgou minha roupa, falava coisas feias, me agarrava pelos cabelos. Quando eu gritei, os caseiros de uma casa perto vieram e ele me empurrou pela janela do carro. Eu me arranhei toda, meu rosto ficou todo arrebentado no cascalho. Denunciei na delegacia, mas a policia nunca o encontrou. Não acho que eles se interessaram pelo meu caso.

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