2. Multilevel TRILL Issues
2.2. Aggregated versus Unique Nicknames
2.2.2. More Details on Aggregated Nicknames
A intervenção pedagógica realizou-se de modo a investigar e a oferecer recursos para a análise dos mapas conceituais elaborados em dupla e individualmente, durante o processo de ensino, buscando evidências de aprendizagem significativa. A seguir, foram escolhidos aleatoriamente 4 MCs feitos em dupla durante o processo de ensino para serem apresentados e discutidos. Os mapas foram descritos pelas duplas e entregues ao professor/pesquisador para análise.
Análise qualitativa do MC da dupla A1 e A3
A dupla, de acordo com a figura 28, apresentou uma hierarquia conceitual muito simples. Na explicação escrita do mapa percebeu-se a valorização da dupla em descrever certas definições que não aparecem no mapa em relação ao conceito corrente elétrico e deslocamento de cargas, quando os alunos afirmam que “um campo elétrico é estabelecido em um condutor qualquer, as cargas livres aí presentes entram em movimento sob a ação desse campo. Dizemos que esse deslocamento de cargas constitui uma corrente elétrica”. Percebeu- se a ausência de palavras de ligação entre alguns conceitos e dificuldades em elaborar as proposições estabelecidas entre eles, por exemplo, nas relações entre: corrente elétrica – sentidos da corrente elétrica e corrente elétrica – intensidade de corrente elétrica, a fim de deixar clara a interação entre os mesmos. Relacionaram os cinco efeitos da corrente elétrica sem exemplificação e percebeu-se também dificuldade em identificar o que são e o que não são termos conceituais como está demonstrado no mapa. Os conceitos: corrente contínua e a corrente alternada aparecem como tipos de corrente elétrica, entretanto, ao escrever a
explicação do mapa, a dupla conseguiu dar uma explicação relevante, que não estão presentes no mapa, ao dizer que “corrente contínua é aquela cujo sentido se mantém constante e a corrente alternada é aquela cuja intensidade e cujo sentido variam periodicamente”. A relação para calcular a intensidade da corrente elétrica que resulta em uma fórmula matemática não apareceu no mapa nem na explicação escrita do mapa, sendo esse conhecimento importante para a resolução de problemas envolvendo o cálculo da intensidade de corrente elétrica. O sentido real e o sentido convencional também não apareceram no mapa da dupla, mas apareceu na explicação escrita que “o sentido convencional é contrário ao movimento dos elétrons”. Segundo Moreira (2006), os mapas conceituais se constituem em uma visualização de conceitos e relações hierárquicas entre os conceitos que podem ser muito úteis tanto para o professor quanto para o aluno, como uma maneira de exteriorizar o que o aluno já sabe.
Figura 28 – Mapa conceitual da dupla de alunos A1 e A3 sobre corrente elétrica
Fonte: Elaborado pelo autor
Análise qualitativa do MC da dupla A6 e A9
A dupla, figura 29, apresentou um mapa hierárquico com o conceito mais geral, corrente elétrica e subordinado a ele os mais específicos, campo elétrico e condutor, no entanto, observa-se que não houve palavras de ligação entre os conceitos a fim de deixar clara a interação entre os conceitos. Na construção do mapa percebeu-se uma sequência hierárquica entre os conceitos relacionados em dois níveis do mapa, porém, faltou clareza no entendimento na formação de algumas das proposições. Apresentou poucas relações válidas, contudo não nomeadas, o que formaria as proposições, além de mostrar várias relações horizontais e cruzadas. Outra dificuldade foi na identificação dos termos conceituais.
Esse mapa não apresentou nenhum conector em nenhuma relação estabelecida e não nomeada entre os conceitos. Inicialmente, na construção dos mapas, as linhas que apareciam
não possuíam palavras-chave, pois, atualmente a introdução das palavras-chave sobre as linhas aumentam a potencialidade instrucional dos mapas (Moreira, 2006a; Moreira, 2010, Moreira 2011b, Palmero e Moreira, 2018). Essa dupla não explicou o mapa por meio do relato escrito. Os conceitos unidos por palavras de ligação que formam as proposições foram percebidos em algumas relações válidas, como por exemplo, quando relaciona a corrente contínua e alternada aos efeitos causados por ela e cita esses efeitos. No que se refere na relação estabelecida entre a corrente elétrica, campo elétrico, cargas livres e deslocamento de cargas, os conceitos foram relevantes, faltando apenas as palavras de ligação para demonstrar o entendimento do conteúdo. De acordo com Novak (2000), as linhas devem estar rotuladas com palavras de ligação que definem a relação entre os dois ou mais conceitos. Ao ligar de modo hierárquico um grande número de ideias relacionadas, pode-se ver a estrutura de significados de um determinado domínio de assuntos.
Figura 29 – Mapa conceitual da dupla de alunos A6 e A9 sobre corrente elétrica
Análise qualitativa do MC da dupla A8 e A19
A dupla, figura 30, colocou o conceito mais abrangente, corrente elétrica, na parte superior do mapa demonstrando certa hierarquia. Realizaram a diferenciação progressiva, quando o conceito, corrente elétrica, estava relacionado com o deslocamento de cargas, diferenciando da corrente real e corrente convencional, conceitos mais específicos. Foram integrados novos significados ao conceito corrente elétrica por meio do uso de palavras de ligação formando proposições válidas que facilitaram o entendimento do mapa junto com a explicação escrita. A corrente contínua e a corrente alternada foram diferenciadas apresentando como exemplos a bateria para a corrente contínua e para a corrente alternada, aquela utilizada nas residências, mostrando ainda que esse tipo de corrente possui determinada frequência. Os efeitos da corrente elétrica e os exemplos que apareceram no mapa demonstraram o entendimento da dupla sobre esse conhecimento.
Assim, a dupla trouxe ainda a equação matemática no final da relação entre – corrente elétrica - cálculo – cargas – tempo, mostrando a razão entre a carga e o intervalo de tempo. Essa relação matemática utilizada para calcular a intensidade de corrente elétrica em um condutor, está relacionada ao conceito corrente elétrica para explicar o deslocamento de cargas. No entanto, não citaram no mapa que é necessário estabelecer uma diferença de potencial para que as cargas elétricas se desloquem de maneira organizada para o aparecimento da corrente elétrica em um condutor. O sentido da corrente elétrica foi diferenciado entre real e convencional. As relações estabelecidas entre os conceitos por essa dupla estão de acordo com o conteúdo que foi estudado em sala. Defendem Mendonça, Barros e Moreira (2013), que a teoria da aprendizagem significativa defende a aquisição e a retenção de significados que são gerados na escola para fundamentar a prática educativa.
Figura 30 – Mapa conceitual da dupla de alunos A8 e A19 sobre corrente elétrica
Fonte: Elaborado pelo autor
Análise qualitativa do MC da dupla A16 e A17
A dupla, figura 31, organizou os principais conceitos relacionados à corrente elétrica obedecendo a uma hierarquia. Notou-se a ausência de palavras de ligação entre os conceitos dificultando a formação das proposições estabelecidas entre os conceitos, por exemplo, na relação entre corrente elétrica – intensidade de corrente elétrica – efeitos da corrente elétrica. Os conceitos: corrente contínua e a corrente alternada aparecem como tipos de corrente elétrica, mas não trazem uma explicação para diferenciá-los. Relacionaram os cinco efeitos da corrente elétrica sem exemplificação e percebeu-se também a dificuldade em identificar o que são e o que não são termos conceituais, como estão demonstrados no mapa. A intensidade de corrente elétrica é relacionada ao conceito corrente elétrica, mas não trazem a relação matemática utilizada para fazer o cálculo da corrente. A ausência da explicação escrita e das palavras de ligação entre os conceitos demonstrou uma fragilidade na atribuição de significados aos conceitos relacionados, mas a forma como foram dispostos os conceitos de maneira hierárquica e a ligação entre os conceitos demonstrou que a aprendizagem dos alunos em relação ao tema corrente elétrica está em construção e pode ser melhorado.
Figura 31 – Mapa conceitual da dupla de alunos A16 e A17 sobre corrente elétrica
Fonte: Elaborado pelo autor
Análise Geral dos Mapas Conceituais em duplas
O uso dos mapas conceituais como instrumento de avaliação da aprendizagem dos alunos em relação ao tema corrente elétrica se mostrou eficaz, pois diferente das avaliações tradicionais que favorecem a aprendizagem mecânica, dando respostas prontas, resultado da decoreba, fazem com que os alunos se esqueçam com facilidade o que foi estudado. Os mapas conceituais estimularam a organização dos conteúdos, a troca de significados e apesar das fragilidades apresentadas em alguns mapas, foi possível perceber indícios de aprendizagem significativa em relação ao conceito corrente elétrica. Os mapas conceituais de algumas das duplas, construídos durante o processo de ensino e aprendizagem, apresentaram algumas fragilidades na seleção dos principais conceitos (conceitos repetidos ou não conectados); na formação das palavras de ligação (pobres que não dizem nada sobre as relações entre os conceitos ou apresentam frases inteiras ou definições) ou ausentes; as relações horizontais ou cruzadas (não aparecem); os exemplos (não foram citados), dando ao professor informações importantes sobre como está sendo desenvolvida a aprendizagem desses alunos do ponto de vista conceitual.
Embora alguns mapas apresentem essas fragilidades, é notório que alguns dos mapas, por conter algumas relações não aceitas no contexto da matéria de ensino, são construções dos alunos que devem sempre ser negociadas, que podem ser melhoradas, reformuladas e enriquecidas ao passo em que eles aprendem significativamente. Por ser um instrumento dinâmico, o mapa conceitual, reflete apenas a compreensão das duplas, no momento em que eles fizeram o mapa, reside aí uma das importâncias do mapa, que está no processo de fazê-lo externalizando assim o significado. Por outro lado, esses mapas não são autoexplicativos e apresentaram uma característica potencial muito benéfica do ponto de vista didático, que foi desenhar o mapa e explicar por escrito (Mendonça, 2012). Os mapas que vieram com as explicações escritas, de modo geral, observaram-se que os alunos conseguiram dar evidências de que estão aprendendo significativamente o conteúdo ao expressar seu conhecimento com certa facilidade.