Segundo o autor, seja nas escolas, nas bibliotecas, em casa, individualmente ou em grupo, deve-se fomentar o hábito e gosto pela leitura criando atividades e estratégias que a promovam. Pode-se fazê-lo enquanto pais, professores, educadores ou animadores. O ideal será haver uma continuidade da promoção da leitura e permitir fazer com que ela esteja presente de uma forma natural em casa, nas instituições de ensino e nas bibliotecas públicas.
O espaço Biblioteca é o local próprio, por excelência, para promover atividades que dinamizem a leitura, criando a todos o gosto e interesse por ela e, sendo ao mesmo tempo, o contexto ideal para a interação e convívio entre as pessoas, com base nessa mesma leitura, (Gascuel, 1987, p. 36).
As bibliotecas podem realizar diversas atividades, tendo em conta o tema e a faixa etária do público-alvo. Elas podem ser utilizadas com diferentes funções e objetivos tais como desenvolver o gosto pela leitura; adquirir novos conhecimentos; promover a animação do tempo livre, (Gascuel, 1987, p. 36,37).
Com a experiência adquirida pela autora no seu local de trabalho (referido no ponto 2.7), é importante tentar conhecer o ambiente em que a pessoa está inserida, de que forma e com que objetivo recorre á leitura e como a “vê”. Muitas vezes, o insucesso e desinteresse estão relacionados com fatores externos ou vivencias passadas. São vários os problemas que podem estar na causa do desinteresse pela leitura, que pode ser potenciado por falta ou deficiência de leitura, pois, esta é imprescindível na aprendizagem e na aquisição de
conhecimentos.
Os vários problemas, normalmente apontados como causa para a falta do hábito e interesse pela leitura são: um ambiente familiar complicado; a falta de apoio e incentivo por parte dos pais, familiares, educadores e docentes; a ocupação com vários tipos de tarefas que não desenvolvam a leitura e o intelecto; os vínculos a amigos ou grupos de influência negativa; algum mau momento vivenciado, mal resolvido, que leva à falta de interesse; a carência de apoio e de esclarecimento; entre outros.
A promoção da leitura, através da realização de atividades expressivas e outras, de onde emergem aprendizagens transversais enriquecedoras, poderá ser um fator de desenvolvimento pessoal gerador de melhores momentos compensatórios para todos. Há que ter em conta alguns aspetos como: os recursos existentes (livros, material didático, etc.); a metodologia utilizada, escolher um método que se adeque a todos os elementos do grupo que está a ser dinamizado, respeitando cada um; o espaço onde é realizada a atividade pode ajudar a que ela seja mais ou menos produtiva, (Gascuel, 1987, pp. 63-66).
Pode-se afirmar que a leitura realizada com atividades atrativas cria mais motivação e sendo em grupo proporciona o diálogo e a convivência.
A Animação surge e dá resposta a uma diversidade de áreas e funções e, claro resposta como meio de promoção da leitura.
A origem da Animação surge, assim, motivada pela necessidade histórica e social da vivência corresponder à convivência e a participação não ser reduzida a um ritual calendarizado, mas antes a uma prática comprometida com o desenvolvimento rumo à autonomia das pessoas e à auto- organização; pela necessidade de o tempo livre não ser ocupado, mas sim animado; de se privilegiar a comunicação interpessoal, em vez da distanciação mediatizada; de se promover a criatividade e expressividade humana e não a robotização; de se favorecer a partilha de saberes em vez de se proclamar um saber unívoco; de se estimular o ator/pessoa em vez do espectador/pessoa, bem como de se valorizar as práticas e as experiências nas dimensões da educação não formal e informal (Lopes, 2008, p. 136).
Com a opinião de Lopes (2008), podemos afirmar que é fundamental que se organizem projetos que promovam o contato entre as pessoas, a aprendizagem, a socialização e, neste caso a leitura, que inovem as bibliotecas, as instituições de ensino, que alterem a sala de aula, que façam com que os livros e a leitura estejam sempre presentes. Criar todas as formas para que as pessoas, com ou sem dificuldades, se interessem e se
motivem pela magia da leitura.
Criar projetos de visitas de estudo, idas à biblioteca, lançamentos de livros ou secções didáticas de leitura e de esclarecimento de diferentes temas, palestras e debates, encontros entre escolas, empresas, lares de idade ou encontros intergeracionais, a criação de diversos clubes como o do jornal e o clube de leitores são exemplos de projetos que podem ser implementados em diferentes instituições, com crianças, adolescentes, adultos ou idosos, onde as pessoas realizam atividades, aprendem novas coisas uns com os outros, onde se possa conviver e que motive para a leitura.
Neves e Lima, no estudo “Promoção da leitura nas Bibliotecas Públicas” referem a importância da realização de atividades de promoção da leitura, abordam toda a dinâmica e procedimentos a realizar nas bibliotecas.
Entre as atividades que visam aproximar as bibliotecas das populações podem distinguir- se duas grandes linhas de força patentes nas expressões animação da biblioteca e promoção da leitura. Podem ser, e frequentemente são, utilizados como sinónimos, mas podem também designar atividades com finalidades diversas. (…) entende-se por projetos de promoção da leitura os projetos que, de um modo continuado, pretendem aproximar o livro dos potenciais leitores, criando uma relação entre as ações a desenvolver e o público- alvo, transformando-o em sujeito ativo, numa tentativa de, assim, formar leitores e diminuir, a médio e longo prazo, os níveis de iliteracia. (Neves e Lima, 2009, p. 32)
Convêm que se criem estratégias de embelezamento do que é lido para chamar a atenção e prender de uma forma saudável à leitura. Uma capa apelativa, um livro bem ilustrado, um tema que agrade, são aspetos fundamentais para motivar.