A avaliação final incidiu sobre a opinião dos pais e agentes desportivos em relação ao trabalho do mediador socioeducativo. Por outro lado houve também o interesse em saber a opinião acerca de como estes agentes, que tiveram os atletas/educandos acompanhados pelo mediador, viram esse acompanhamento. Neste aspeto as respostas foram aquém do esperado13. Face a isto, na questão da avaliação dos acompanhamentos, optou-se por aproveitar os dados qualitativos em detrimento dos quantitativos, por estes não se afigurarem como uma amostra representativa. Ainda antes de se discutir a questão dos acompanhamentos, será importante referir aqui um dado que acabou por marcar este primeiro ano da intervenção das CE neste contexto e que se refere à construção do serviço educativo e à profissionalidade do mediador educativo, que mais à frente se abordará.
13
No questionário distribuído aos pais e encarregados de educação, responderam cerca de 32 sujeitos. 20 destas respostas era de pais de atletas da formação e 12 de atletas da competição. Só uma resposta foi de um encarregado de educação de um atleta que foi acompanhado pelo mediador.
No questionário para os treinadores e team-managers, responderam 11 sujeitos. 4 eram treinadores principais, 2 treinadores adjuntos e 5 team-managers. Apenas 4 destes sujeitos tiveram atletas da sua equipa a serem acompanhados pelo mediador.
7% 13%
33% 47%
Avaliação global da ação
Muito fraca Fraca
Moderadamente fraca Nem boa nem má Moderadamente boa
81
3.2.1 Análise das respostas dos pais e encarregados de educação
Da totalidade da amostra, apenas um encarregado de educação teve o seu educando a ser acompanhado pelo mediador educativo, o que limitou a avaliação do trabalho realizado a este nível. Ainda assim esta opinião foi importante para se fazer um balanço da ação desenvolvida. Na perspetiva deste pai/mãe, o acompanhamento por parte do mediador educativo foi muito importante para o desempenho escolar do filho, lamentando apenas que este tenha acontecido já para lá da metade do ano letivo, acreditando que «(…) o impacto seguramente seria maior caso tivesse início mais cedo». Esta questão acaba por estar relacionada com o conhecimento que os pais tinham sobre a existência de um serviço educativo de mediação, em que cerca de 62,5% destes sujeitos não tiveram conhecimento da existência deste serviço e apenas 37,5% tiveram conhecimento14. Isto vem demonstrar que a identidade do mediador demorou a ser construída no interior da MSC o que levou que muitos dos encarregados de educação não chegassem a ter conhecimento do serviço e consequentemente a não aproveitar esta valência da academia. O processo de divulgação do serviço foi pouco eficaz e os canais existentes para a comunicação externa não foram devidamente aproveitados, também pela expetativa e desconhecimento que a coordenação teria em relação à mediação socioeducativa. Deste modo as solicitações ao serviço educativo poderiam ter sido maiores a julgar pela opinião deste/a pai/mãe e pela percentagem de encarregados de educação com conhecimento do serviço educativo.
Em relação à estratégia do trabalho em rede com as escolas dos atletas, a grande maioria dos inquiridos considerou ser positiva esta estratégia. Quando questionados sobre se autorizariam no futuro essa ligação entre MSC e a escola do educando, as repostas foram no mesmo sentido e apenas um pai/mãe referiu que não autorizaria essa ligação15. Em relação às estratégias propostas por estes sujeitos para se desenvolver no futuro, estas dividiram-se em 2 categorias. Por um lado visaram a questão do acompanhamento escolar e da submissão do futebol a esta dimensão, especialmente através de estratégias que apelassem ao controlo e à punição pelos possíveis maus resultados. Um número significativo de opiniões centrou-se na criação de uma sala de estudo e algumas aliaram isto a uma visão mais construtiva e pedagógica em relação ao que poderia ser este serviço. Isto vem no sentido dar força à ideia da necessidade de se ter um espaço próprio para o serviço educativo, uma sala onde se pudesse fazer um trabalho mais próximo com os jovens e trabalhar as questões da educação para a cidadania. A segunda dimensão apontada
14
Ver apêndice 16 – gráfico 5
82
centrou-se na abertura da academia aos pais, através de um plano de reuniões periódicas que proporcione uma comunicação fluida e constante. Aponta claramente para a necessidade de se fortalecer os laços criados na relação entre família-escola-academia.
3.2.2 Análise das respostas dos agentes desportivos
Em relação às opiniões dos treinadores e team-managers sobre o trabalho do mediador, embora numa amostra mais reduzida, houve 4 sujeitos que tiveram os atletas a ser acompanhados pelo mediador educativo. Em todas as respostas foram os problemas escolares apontados como o grande problema a ser resolvido. Um team-manager associou também os problemas familiares, pelo modo como a presença nos percursos desportivos dos jovens se caracteriza, sendo um fator prejudicial ao atleta. Em relação aos impactos dos acompanhamentos para estes agentes, ambos foram vistos de forma positiva por todos. Um treinador adjunto referiu que a constância desse acompanhamento foi fundamental para notar melhorias, não só no percurso escolar do atleta, como também no percurso desportivo, o que significa que o fator escola tem um importante papel no desempenho desportivo do atleta, tanto ao nível do treino, como a nível competitivo. Para este técnico, este acompanhamento permitiu criarem-se condições importantes para a evolução do jovem como jogador. Um treinador principal foi também no sentido da opinião deste adjunto, referindo que o trabalho com os jovens jogadores nesta vertente sociopedagógica é importante para consciencializar os jovens no papel que têm enquanto membros de uma sociedade. Outro treinador adjunto fez também referência ao modo como este acompanhamento permitiu ao jovem adquirir competências em termos da gestão dos seus tempos de modo a conseguir conciliar o futebol com as outras dimensões em que está integrado.
Um team-manager referiu que foi ele próprio que encaminhou os jovens da sua equipa ao mediador educativo. Referiu que ambos tiveram resultados positivos, tendo recebido um comentário a comparar a oferta destas valências com outras escolas de futebol: “(…) até houve um comentário que no FC Porto este tipo de iniciativa e preocupação tão aprofundada tinha sido efetuada.” (resposta team-manager). A existência de uma oferta multidisciplinar nestas estruturas, e mais concretamente na componente sociopedagógica, começa a ser visto pelos diferentes agentes como algo comum numa escola de futebol. A formação desportiva nas camadas jovens caminha no sentido de já não se preocupar apenas com a parte desportiva, mas também com outras vertentes, por um lado pela exigência que os “clientes” (os pais e encarregados de educação) fazem neste tipo
83 de oferta, e por outro a crescente exigência das federações nacionais e internacionais em exigirem estruturas multidisciplinares qualificadas.
De um modo geral estes sujeitos apontaram a necessidade de se criarem iniciativas que trabalhassem a formação dos jovens jogadores enquanto cidadãos e também no aspeto das atitudes e comportamentos. Destaque ainda para a necessidade de se trabalhar com os jovens as competências em relação à gestão dos tempos livres e de estudo. Apontam também à importância do trabalho com os pais e encarregados de educação, reforçando a necessidade de envolver os pais na academia no sentido destes desenvolverem comportamentos positivos em relação ao percurso dos filhos no futebol.