Chapitre II : Aux premiers jours de The Elder Scrolls : Arena et Daggerfall comme une base
II.3) Modifier le gameplay et les décisions de jeu via la cartographie
Professora: Não, eu, em sala de aula, não.
Coordenadora: Não, muito pouco, a gente tem essa preocupação, né, de respeitar a liberdade, e os meninos eles aprendem numa facilidade, nessa idade, a professora tem um poder muito grande sobre o que ela fala com a criança, tem mãe que diz “poxa, o menino não come lá em casa, chega aqui a professora pede pra comer, ele come”, né, então (...) não que eu não queira, eu tinha vontade de falar mais, sabe, dar até uma catequizada, mas (fala interrompida.)
Professora: Depende da turma também, por exemplo, eu faço uma pesquisa primeiro, eu tive uma turma que todos eram ou católicos ou evangélicos, não tinha nenhum de outra religião ou ateu, uma turma que eu já tive em outros anos, então nessa turma eu já podia falar mais de Deus, eu trazia, falava mais, tudo, mais na época da Páscoa também que a gente falava.
N: Isso na outra escola?
Professora: Em outra escola, nessa turma, eu já fiz pesquisa, já tem religiões diversas, já tem família ateu, então aí eu prefiro não falar, aí pra deixar por conta da família.
(...)
Professora: É um pouco difícil porque a gente traz um pouco de valores religiosos pessoais, quando você vem pro trabalho você tem que fazer de tudo pra não expor pras crianças, porque a gente tem que respeitar os valores que tá vindo da família, aí é um pouquinho complicado porque é difícil você se abster totalmente na hora de entrar em sala de aula, a gente faz o máximo possível mesmo. Que pode ter família que não é cristã, os evangélicos não acreditam em santo, então a gente não pode falar de nenhum santo que fez alguma coisa porque os evangélicos não acreditam, aí se for uma religião que não acredita em Jesus, que seja uma religião não cristã também a gente tem que respeitar, então, e por ser escola laica o melhor é não falar sobre prática religiosa.
(...)
Professora: Eu até acho assim que o fato do governo em si não trabalhar religiosidade, né, como uma disciplina, né, eu acho que às vezes falta um pouco pras crianças essa questão de valores, porque como você não trabalha religião, não é toda escola, aqui a gente trabalha os valores, mas pode ter casos que fique muito em aberto e não seja trabalhado nada, nem cristianismo, nem Deus, nem os valores, então eu acho que às vezes falta um pouco, que tivesse a disciplina pra trabalhar mesmo os valores, o amor ao próximo, a gente sabe que Jesus ensinou o amor ao próximo, então se a gente pudesse falar mais de Jesus, trazer os ensinamentos que ele trouxe, poderia abrir um pouco a mente das crianças para esse lado do amor ao próximo e diminuir um pouco a violência, porque às vezes a falta de uma religião, ou de valores ou a falta da família conversar essas coisas em casa pode levar pro lado da violência, né, eu acho que deixa muito em aberto, pode ser que não seja trabalhado nada.
(...)
Coordenadora: (...) Eu sou a favor de se ter (ensino religioso nas escolas), sim, não sei como seria, em um credo ou outro, saindo daqui, que a Escola Classe, o primeiro ano do ensino fundamental tivesse um, uma coisa com relação para não ficar solta.
Professora- É, uma educação religiosa, mas que não se ponha uma religião em si, pode até os adolescentes fazer um estudo de várias religiões, né, de vários valores que elas trazem, mas eu acho que deveria ter sim educação religiosa, sem um religião ao certo, abrangendo todas, abrangendo mais a questão de valores humanos mesmo, cidadania.
P Isabel: (...) eu também não gosto da ideia de um Deus masculino, que chamam de papai do céu aqui na escola, eu acho que a escola não tem nenhum papel, a escola pública não devia ter nenhum papel ensinando a rezar antes de entrar na sala de aula, o Estado é laico, aqui vem pessoas de todas as religiões, eles não deviam tá promovendo uma delas aqui.
Percebemos, nos trechos das entrevistas acima, uma crítica da Professora à falta de regulamentação do Governo sobre o ensino religioso nas escolas de educação infantil. Há uma contradição em sua fala, pois em um momento ela afirma que não se deve conversar com os alunos na escola sobre práticas religiosas, e, em outro momento, diz que gostaria de falar sobre Jesus para os alunos, o que demonstra que ela não é neutra, tem seus posicionamentos, mas não deve fazer doutrinação. Destacamos, também, sua investigação sobre como as crianças são educadas em casa. Porém, a Professora não questiona diretamente à criança o que ela pensa também, o que parece expressar a visão apontada por Andrade (1998), Castro (2001) e Pulino (2008d) da criança vista como um ainda-não, incapaz de ter suas próprias opiniões, concepções, uma tábula rasa a ser preenchida pelos ensinamentos unilaterais dos adultos com quem convive.
Esta visão também é evidenciada quando a Professora declara que falar de Jesus poderia abrir um pouco a mente das crianças, o que parece demonstrar sua opinião de que são os adultos que ensinam, unilateralmente, os valores e a religião às crianças, sem a participação ativa delas nesse processo.
A Coordenadora também se contradiz ao afirmar que não conversa com os alunos sobre Deus para garantir a liberdade religiosa, mas diz que gostaria de poder “catequizar” as crianças, o que denota a forte influência do cristianismo nas práticas religiosas realizadas na escola, conforme os estudos de Diniz e Lionço (2010a; 2010b).
P Isabel tem um posicionamento diferente ao da Professora e da Coordenadora em relação ao ensino religioso nas escolas públicas. Para ele, essas instituições não devem ter nenhum tipo de prática religiosa, pelo Estado ser laico. P Isabel relata, entretanto, que a escola em que foi realizada nossa pesquisa possui práticas religiosas com ênfase no cristianismo, conforme também afirmam Diniz e Lionço (2010a; 2010b). Estas práticas da escola contrariam as orientações da LDB apontadas por Silveira (2008), pois não observamos nessas práticas condutas que promovam a liberdade e a diversidade religiosas, mas apenas a promoção das religiões cristãs.
Destacamos, também, na fala de P Isabel, sua crítica ao gênero masculino de Deus, expressa pela expressão “papai do céu”, nas orações com os alunos na escola. O emprego do gênero masculino de Deus nas orações com as crianças na escola também pode ser decorrente da grande influência da tradição cristã nessa instituição, que utiliza essa palavra dessa forma, como apontam Diniz e Lionço (2010a; 2010b).
Análise das Etapas da Conversação Individual com as Crianças Etapa 1: Completar História “O que aconteceu com o cachorrinho?”
Categoria 1: Morreu.
João: Ele morreu (...) porque ele era pequenininho!
Lucas: Ele morreu com o gato, roubou, não, dinossauro, pode ser, o dinossauro mordeu ele, também teve dinossauro dentro do lobo. (...) O anjo fez ele sobreviver de novo. (...) o anjo teve poder, o poder do Deus! (...) O Deus deu o poder pro anjo. (...) Aconteceu que virou Chapeuzinho Vermelho, virou uma floresta pra vovozinha.
Das duas crianças, apenas Lucas relacionou a morte do cachorrinho com Deus. Ele pareceu se remeter à questão da ressurreição de Cristo quando afirmou que o cachorrinho tinha sobrevivido novamente.
A característica de fabulação do pensamento sincrético infantil proposta por Wallon (1945/1989) que, como vimos anteriormente, se refere à imaginação, à ilusão, à tradução fantasista da impressão que a criança tem das coisas, de forma lúdica, sob o aspecto de fábulas, se fez presente no relato de Lucas. O menino criou uma história bastante imaginativa e fantasiosa, em que o dinossauro estava dentro do lobo, o cachorrinho virou Chapeuzinho Vermelho e uma floresta para a vovozinha.
Categoria 2: Machucado.