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O desenvolvimento do serviço educativo no interior da MSC teve como principal estratégia a definição de um trabalho em rede que ligasse os diferentes sujeitos, que direta ou indiretamente tivessem uma influência nos percursos desportivos e educativos das crianças e dos jovens da MSC. O objetivo de estreitar relações quer entre sujeitos (diferentes agentes desportivos, jovens, pais) quer entre instituições (a escola de futebol, a

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No espaço exterior à entrada principal do estádio, ali reúnem-se vários grupos de jovens, que se agrupam mediante aos seus grupos de pertença. São os jogadores do Milan, do Boavista e alunos das escolas em frente ao estádio. É um exemplo da forma como os jovens se apropriam de um pequeno espaço urbano, mas que essa apropriação acontece de forma distinta e através de grupos que se distinguem. São os jovens do Milan e do Boavista que vão jogando futebol em grupos separados e os jovens das escolas que se reúnem ali para namorar, fumar, andar de skate, fazer bmx, e/ou apenas socializar.

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família, a escola) e que se traduzisse numa rede, quanto à composição13, pluri-institucional (Lima, 2007), não partindo do pressuposto de que essa relação era, até então, inexistente. Pelo contrário, a ideia foi de tornar essas interações mais eficazes e significativas na promoção de um bem-estar às crianças e aos jovens. Deste modo, e pegando na ideia sobre os laços14 de uma rede (Portugal, 2007), o objetivo foi de fortalecer esses interações, constituindo-se o mediador um catalisador das mesmas.

O sentido e a força dos laços variou conforme as questões que foram surgindo ao mediador educativo, na sua grande maioria relacionadas com problemas escolares. Pegando na sistematização que Sílvia Portugal (2007) faz, poder-se-á perceber a que níveis ou propriedades essa relação se constituiu.

Propriedade dos laços

Propriedade Definição

Conteúdo Tipo de recursos que circulam entre X e Y Diversidade Variedade de conteúdos da relação entre X e Y Frequência Número de contactos e de trocas entre X e Y

Duração Quantidade de tempo despendido na interação entre X e Y Força Influência de X em Y

Interferência Relação entre os comportamentos de X e Y

Tabela 3 - Propriedade dos laços (Portugal, 2007 adaptado de Surra (1988))

A estruturação deste trabalho em rede variou tendo em conta as variáveis que caracterizam os laços. Sabendo da heterogeneidade das crianças e jovens que frequentam a MSC, das especificidades de cada equipa (tendo em conta colegas de treino, treinadores e team-managers), as variáveis familiares, o campo escolar (escola que o jovem frequenta) e a própria condição de jovem e os estilos com o qual se identifica, estamos perante uma rede que representa, em parte, os circuitos juvenis dos atletas da MSC e que por isso as propriedades destes laços terão de ser diferenciadas: os laços ativos e os laços passivos.

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«Nas redes pluri-institucionais (…) participam actores (quer individuais quer colectivos) oriundos de, pelo menos, dois domínios institucionais distintos (por exemplo, escolas e juntas de freguesia).» (Lima, 2007: 174)

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A autora define laços como as relações entre os nós de uma rede. Os nós são os diferentes elementos que compõem uma rede.

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4.1.1 A constituição de laços ativos e laços passivos

A criação de condições para este trabalho em rede poderá conceptualizar-se em termos de composição como uma rede mista e como uma meta-rede15. Rede mista porque ela é composta por um conjunto de atores individuais e coletivos. Meta-rede porque se poderá perspetivar como uma rede de redes (Lima, 2007), isto é, a constituição desta rede acaba por ser a criação de laços entre outras redes existentes, por exemplo, o futebol - não enquanto instituição, mas como campo - a escola e o circuito juvenil como uma rede, levando «(...) em conta tanto os atores sociais com suas especificidades (determinações estruturais, símbolos, sinais de pertencimento, escolhas, valores etc.), quanto o espaço com o qual interagem (...)» (Magnani, 2010: 17).

Poder-se-á pensar que o estabelecimento deste trabalho em rede foi uma forma de construir um mecanismo de vigilância e controlo às crianças e aos jovens da MSC, principalmente, voltado para os percursos escolares dos atletas. Isso foi um aspeto que a determinado momento se sentiu nos jovens, pois alguns viam o mediador como um fiscalizador dos percursos escolares. O objetivo não era estabelecer mecanismo de controlo aos jovens, mas sim estabelecer um trabalho em rede que permitisse resolver alguns problemas que foram surgindo. Talvez a construção dessa imagem do mediador como fiscalizador se deva à prática de algumas outras escolas de futebol em relação ao campo educativo.

«Ela acrescentou que isso era uma atividade importante, que no clube em que o filho estava antes, se fazia isso todos os meses, usando também os resultados escolares (...) Ela não entendeu o porquê, tendo eu explicado que havia pais que não queriam ceder a informação e outros que mentiam nas notas. Disse-me também que isso na antiga equipa era obrigatório, para além dos contactos das respetivas escolas em que cada criança frequentava.» (NT30)

Assim, de modo a contrariar esta noção de controlo, este trabalho em rede entre as escolas dos jovens, a família e a MSC, os diferentes nós, ligou-se através de laços ativos e passivos, ambos importantes no apoio aos diferentes indivíduos (Portugal, 2007). Quanto aos laços activos estes consistiram em acompanhar aqueles casos em que houve solicitação por parte dos pais, treinadores ou team-managers. No fundo foi reforçar as propriedades destes laços (conteúdo, diversidade, frequência, duração, força e interferência), envolvendo os diferentes agentes que têm uma papel relevante nos percursos dos jovens (pais, escola, treinador, team-manager). Como Portugal diz, este tipo de laços «(...) incluem interações

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Lima (2007) identifica 5 tipos de redes quanto à sua composição: redes ego-centradas; redes de actores

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rotineiras que, em geral, envolvem ajudas directas, conselhos e críticas, apoio e interferência.» (2007: 25). Quanto aos laços passivos estes estão diretamente ligados com a construção da identidade do mediador educativo no interior da MSC e às competências que ele tinha de modo a apoiar os jovens quando assim se justificasse. Este tipo de laços são «(...) importantes dos pontos de vista da segurança individual e familiar – os laços existem e os indivíduos sabem que podem contar com eles quando for necessário.» (Portugal, 2007: 25).

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