3 Généralité
3.9 Modifications physiologiques de la grossesse :
Na tradição sociológica, a mobilidade só existe relacionada à (I) mobilidade social e à (II) mobilidade espacial. Em ambas, a mobilidade foi, primeiramente, entendida como movimento no espaço físico: movimento entre grupos, movimento entre instituições e movimento entre classes sociais. Para Bourdin (2005), entre os vários movimentos existentes no universo das ciências sociais, a "integração e a estabilidade" têm uma função de destaque na mobilidade. A exploração semântica do conceito de mobilidade social e espacial apresenta essas forças de maneira mais evidente (BOURDIN, 2005, p.4).
A exploração semântica do conceito de mobilidade social é composta pelo entendimento do movimento de interação e estabilidade entre pessoas e grupos, entre grupos e grupos (instituições) no âmbito das relações sociais no universo microssociológico, mesossociológico e macrossociológico.
O movimento é uma ação que permite ao sujeito desenvolver atividades. Nem sempre essa ação é portadora de significado e está totalmente integrada a uma estrutura. A mobilidade, por sua vez, é o movimento articulado em que o ator contribui com a definição de seu destino. Nesse sentido, não se trata apenas de uma maneira de agir, mas de um recurso. Para Lévy (2000), Remy (2000) e Kaufmann (2001), a mobilidade é um recurso à disposição do sujeito para auxiliá-lo na obtenção de um dado objetivo desejado.
Marcel Mauss (1923) vai mais longe ao considerar a mobilidade um fato social total, um fenômeno banalizado pelos hábitos ao ponto em que se torna parte integrante das identidades e costumes do cotidiano. Trata-se de um fenômeno presente em toda a sociedade e nas relações por ela produzida e pode ser observado no dia a dia das pessoas, no contato social, nas interações e relações com as instituições.
Figura 9 - O Movimento das pessoas: o contato, interação e estabilidade social
Fonte: Criado pelo autor, 2014.
Devido à interação social, os grupos são capazes de praticar ações conjuntas para alcançar objetivos comuns a todos os seus membros. As pessoas se movem para contactar, umas com as outras, em todos os ambientes e ciclos sociais. O contato fomenta a interação e vice-versa. Quanto mais estável e duradoura a interação entre os membros, maior será a estabilidade e integração do grupo social e manutenção do fluxo de mobilidade.
A complexidade do conceito de mobilidade consiste nos múltiplos motivos que levam as pessoas a se moverem, a saírem de um lugar e irem para outro, por um breve momento ou de forma permanente. A citação de John Urry (2005, p.3), em seu livro
Sociologie des mobilités: une nouvelle frontiére pour la sociologie?, destacada na página 31 desta tese, apresenta alguns elementos que podem ser retirados dessa citação para compor os invariantes operatórios que compõem os esquemas e as situações: as pessoas podem se mover em todas as direções, em mobilidade cotidiana ou não, para os mesmos destinos ou outros; a mobilidade pode ocorrer por meio de transporte ou a pé - "o mundo parece que está se movendo" e a mobilidade é um marco na vida das pessoas.
Esses elementos podem gerar outros elementos de análise. A saber:
I) As pessoas podem se mover em todos os sentidos, não há forças ou leis
que orientem a mobilidade. Podem se deslocar do sul para o norte, do leste para o oeste e vice-versa. As pessoas se movem por fatores internos, como fatores emocionais, necessidade, senso de oportunidade e desejo. E por fatores externos, como fatores políticos, econômicos, sociais ou formativos que exercem forte influência na escolha e direção do destino;
II) A mobilidade pode ser cotidiana ou não. Depende dos motivos que a
definem: o deslocamento para o trabalho é cotidiano, o deslocamento para a escola é rotineiro, o deslocamento para passeio e lazer é frequente, mas não cotidiano, o deslocamento de viagem de férias não é cotidiano e depende de outras variáveis como recursos e disponibilidade, entre outras;
III) A mobilidade pode ocorrer por meio de patins, bicicleta, carro, ônibus, trem, Trens de Grande Velocidade (TGV), jangada, barco, navio, helicóptero ou avião. O sujeito pode utilizar qualquer meio de transporte para se locomover ou pode fazê-lo correndo ou simplesmente caminhando. A maneira e o meio pelo qual o sujeito vai se deslocar depende dos motivos e dos recursos disponíveis;
IV) O mundo inteiro parece estar em movimento: pessoas de todos os
gêneros, todas as profissões, de condições sociais diferentes; de faixas etárias diferentes, homens e mulheres, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, trabalhadores de todas as áreas e estudantes de todos os campos de conhecimento estão em mobilidade constante. Seja para a
mesma região ou para regiões contíguas ou distantes, todos estão a se mover;
V) A mobilidade é um marco na vida das pessoas. Está vinculada ao modus
operandi da maioria dos projetos e da realização humana. Os meios para
a sua viabilidade são elementos constitutivos da grande parte das políticas públicas, inclusive para aquelas que são portadoras de algum tipo de deficiência física. Essas pessoas em particular, na grande maioria dos países, são amparadas por políticas de equidade para auxiliá-las a exercitar-se sem prejuízos a seus direitos.
Outra maneira de se entender a mobilidade social é apresentada pelo sociólogo russo Piritim Aleksandrovich Sorokin (1927), que apresentou os primeiros conceitos para análise da mobilidade social no âmbito das organizações ou classe social e seu reflexo na vida social. Para Sorokin, a mobilidade social é caracterizada pelo deslocamento posicional das pessoas na sociedade ao longo da vida. As posições são portadoras de valores. Esses valores são transferidos às pessoas durante a ocupação desses lugares.
A escala social mensura o status gerado pela posição que o indivíduo ocupa na organização ou grupo social. O estudo da mobilidade assinala as causas e consequências desse deslocamento e os classifica em ascendente ou descendente, vertical ou horizontal. A mobilidade ascendente ou descendente estuda os fenômenos que resultam na mudança de posição ou classe social do indivíduo e implica mudanças na posição relativa à hierarquia social; a mobilidade horizontal ou vertical estuda os fenômenos que implicam em mudança de status ou classe social, mas não envolve nenhuma mudança na posição relativa na hierarquia social.
Por muito tempo a mobilidade, na teoria social, era apenas entendida no sentido de ascensão social, como as questões de status, função ou posição social com base no entendimento de Sorokin (1927). No entanto, questões levantadas pelos pesquisadores da Escola de Chicago (1929 - 1930) reconduziram o olhar da comunidade científica em direção a outro tipo de movimento: a mobilidade espacial.