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Modifications appliquées

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5.6 Optimisation dynamique du placement des LSP avec l’algorithme Best

5.6.2 Modifications appliquées

O movimento faz parte do homem desde a sua concepção por meio da motilidade celular e se estende por todo processo auto-construtivo do organismo. Este corpo altamente organizado, comunica e transmite mensagens de todo tipo e desde a pré-história o homem já se expressava através de gestos e movimentos que constituíam uma linguagem, compreendida por seus semelhantes (Moura, 1998). De acordo com Laban (1990) o movimento é utilizado como um instrumento de expressão, possibilitando que o indivíduo se torne ciente não só das articulações, da anatomia do corpo, como também perceba o estado de espírito e a atitude interna produzida pelas ações corporais. Todos os movimentos humanos estão indissoluvelmente ligados a um esforço o

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qual, na realidade é seu ponto de origem e aspecto interior. O esforço e a ação dele resultante podem ambos ser inconscientes e involuntários, mas estão sempre presentes em qualquer movimento corporal. “São ‘configurações’ ou ‘combinações’ do esforço que dão, de facto, a forma do movimento” (Gil, 2001, p.16). O movimento se apresenta para nós como um mapa daquilo que levamos em nosso interior. Ao observar o movimento de um indivíduo, podemos ter referências acerca de daquilo que ele é (Weil, 1992; Le Boulch, 1982). O corpo fala (Weil,1992) não só porque enquanto se comunica por meio da linguagem verbal, ao mesmo tempo emite uma linguagem não verbal (de gestos, olhares, posturas), que diz tanto ou mais acerca daquilo que comunica por meio da fala, mas também porque para falar, necessariamente realiza movimentos internos e externos para emitir voz, permitindo que a linguagem se concretize.

Se o movimento é esta ação que mobiliza o sujeito desde o seu interior até o que é visível exteriormente, podemos dizer que “o movimento é o pensamento

que age” (Tavares, 2013, p.209). Entender o movimento como pensamento do

corpo - como material organizado - pressupõe dar consciência ao corpo para que se possa através desta consciência ampliar a capacidade de estabelecer relações e intensificar as capacidades que o próprio corpo já tem, utilizando o movimento como um impulsionador de pensamentos (Tavares, 2013, p.246).

O fluxo do movimento preenche todas as nossas funções e ações permite-nos descarregar tensões internas prejudiciais e é um meio de comunicação entre as pessoas porque todas as nossas formas de expressão como a fala, a escrita e o centro são conduzidas pelo fluxo do movimento (Laban, 1990, p. 97).

A vivência consciente e intencional do movimento é um processo privilegiado de relação com o mundo e de interação com o outro, onde é possível consolidar a existência. Pois, como encontramos em Sérgio (2003, p.57): “(...) cada ser humano é um projeto infinito, em que o sentido da transcendência é a transcendência do sentido”. Consciência e transcendência parecem estar num mesmo plano quando avaliamos a consciência como uma forma de evolução, de aperfeiçoamento. E a consciência advém então de um amadurecimento da perceção. E neste amadurecimento, está a necessidade de se auto afirmar, de permanecer o mais estável possível em sua condição individual. “A melhor maneira de um indivíduo se conservar a si mesmo, é experimentar a si mesmo11 (Tavares, 2013, p.194).

Entretanto, o corpo não é um suporte neutro, tudo nele se movimenta, é internalizado e se modifica, inclusive por meio do movimento. No mundo em que vivemos é difícil manter as fronteiras da individualidade e não sucumbir aos padrões e formatações. E ao experimentar a si mesmo é possível entender isso.

11 Em nota de rodapé, Gonçalo Tavares comenta sobre a obra de Peter Sloterdijk, um filófofo alemão da contemporaneidade, que escreve sobre a “aventura da conservação de si próprio” (Sloterdijk, 2001).

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Somos criadores de movimentos e replicadores de movimentos. Seremos, portanto, tanto mais seres individuais quanto menos reproduzirmos movimentos (...) nenhum movimento é seu ou da sua biografia, todos os movimentos que ele faz recebeu-os não os fez, e recebeu-os do país, da cidade, da escola e da família. Não é proprietário das propriedades que importam, pois nenhum movimento lhe pertence (Tavares, 2013, p. 215).

O movimento faz parte desta identidade formulada, neste percurso em busca da individualidade, mas que depende do entendimento e da adaptação do que ‘deve ser’ o homem, o corpo e o movimento em (e na) relação com outros homens, corpos e movimentos. E na prática o que temos em comum é um corpo- matéria que possui duas fontes de desenvolvimento: a capacidade de processar informações e a capacidade de comunicação.

Enquanto pedagogo, observei ao longo dos últimos quinze anos uma significativa transformação da relação dos intérpretes com a experiência de formação e, em particular, com os tempos de aprendizagem. Mais precisamente, tenho a sensação de ter menos tempo para trabalhar a relação com o corpo. Mesmo trabalhando no enquadramento “lento” de um programa de formação académica, uma certa velocidade, uma nova urgência, parecem pautar e filtrar o sentido da experiência formativa. Uma “velocidade de edição” motivada, parece-me, pela necessidade de ligar imediatamente as descobertas individuais, decorrentes da experiência do corpo, aos discursos do mundo. A velocidade e o wireless parecem constituir condições prévias de aprendizagem, uma verdadeira “técnica” para a emergência de experiências significativas. A experiência de formação tem, pois, que ser pertinente, tem de "fazer sentido"; mas que sentidos pode gerar a experiência corporal “rapidamente”? (Apréa, 2014, p.11).

A partir deste texto, Apréa (2014) nos põe a pensar que a aprendizagem (como neste caso) tem um tempo para acontecer. O espaço (o físico e o virtual) e a velocidade (o movimento) dos acontecimentos, assim como as relações entre o ‘eu’ e o mundo, interferem no tempo de apreensão e absorção das experiências e dos aprendizados. Estamos na era da velocidade das informações e estas parecem não ter mais a profundidade de outro tempo (Morin, 2001). É tudo rápido, subtil, prático. O trabalho com o (do) corpo não pode se constituir na emergência, na pressa. Mas precisa fazer sentido, provocar o pensamento e a reação. O corpo e as informações dele provenientes situam-se num contexto e num conjunto. A análise de seus movimentos isolados é insuficiente, pois um corpo não é a soma de suas partes, mas um todo organizado e multidimensional, abarcado pela complexidade. Não é possível responder à pergunta sobre quais sentidos a experiência corporal pode gerar rapidamente. Mas reconhecer que há uma emergência latente é um primeiro passo na direção desta resposta. Assim como compreender que para realizar movimentos, o corpo é dotado de uma capacidade de processar informações e perceber como isso acontece, pode ser um dos caminhos para trabalhar a emergência na contemporaneidade.

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1.3.1.1. Processamento de informações

O mundo nos rodeia e esta cheio de coisas que nos distrai de nós mesmos (Tavares, 2013, p.193).

A teoria de processamento de informações pode ser considerada como uma forma de interpretação sobre como o ser humano interage com o ambiente (Schmidt, 1988). A partir das referências encontradas nos estudos de aprendizagem motora, o corpo é entendido como um organismo humano que tem uma ordem interna (e externa) e processa informações a todo momento em todas as suas ações. Portanto, o corpo tem uma inteligência, uma lógica própria. A partir de um estímulo, o indivíduo inicia operações de decodificação e segue processando uma variedade de operações em estágios específicos até que finalmente produz uma resposta (Schmidt, 1993; Schmidt & Wrisberg, 2001; Perez, 1995; Pellegrini, 2000). Para que essa capacidade de processamento se efetive e produza respostas, há uma capacidade muito importante envolvida, conhecida como atenção. A atenção é o mecanismo de alta significação que está ligada ao foco em um único estímulo. Está sempre conectada ao grau de consciência do sujeito, pois ao focar a atenção em algo, o indivíduo seleciona um assunto em sua consciência e o destaca. É uma capacidade mental que dá ao homem um estatuto à parte, entre as demais criaturas, pois a atenção depende de um ato de vontade, é uma escolha do indivíduo de acordo com seus objetivos. Autores como Schmidt & Wrisberg (2001) e Magill (2000) concordam que os indivíduos têm uma capacidade limitada para processar informações do ambiente ou para prestar atenção em vários estímulos simultaneamente. A capacidade de atenção não só é limitada como também parece ser seriada, ou seja, focalizamos uma tarefa de cada vez. E tentar processar qualquer combinação de informações externas ou internas ao indivíduo simultaneamente, pode ser uma tarefa muito difícil. É importante perceber que a atenção (assim como a memória) é um ponto muito importante neste processo, e aqui aparece como fator preponderante no processamento de informações que permite ao indivíduo interagir no mundo. Avaliar estas circunstâncias, pode auxiliar no seu entendimento e aplicação, favorecendo esta ‘necessidade de ligar imediatamente as descobertas individuais, decorrentes da experiência do corpo, aos discursos do mundo’. Entretanto, atenção e memória serão discutidas mais adiante, dentro do contexto da prática, em combinação com os processos de formação e preparação do ator.

Esta necessidade de um centro de vigilância instalado no corpo, um centro de vigilância que do corpo olha para o mundo e julga e que – depois de julgar - age, este centro é então indispensável para uma certa segurança individual (Tavares, 2013, p.201).

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1.3.1.2. Capacidade de comunicação

Sozinho, tenho um corpo. Na cidade, tenho palavras, linguagem (Tavares, 2013, p.083).

Além da capacidade de processar informações, o outro processo que participa no desenvolvimento do indivíduo é a capacidade de comunicação do corpo, e não só a partir da linguagem, mas também do movimento. Segundo Merleau-Ponty (1994), pensamento e linguagem são duas manifestações da atividade fundamental pela qual o homem se lança em direção ao mundo. A linguagem (verbal, gestual e escrita) é nosso instrumento de relação com os outros e por isso, é importantíssima em nossa constituição como sujeitos. Funcionando como forma de afirmação da condição da existência é através da linguagem e das ações dela dependentes que se confirma que tenho um corpo12. Assim a possibilidade de tocar nos objetos a nossa volta, de sentir o choque contra um volume qualquer, afirma a ideia de ter um corpo, tanto quanto, alguém me diz: ‘o teu corpo’, me convence de que aquele corpo sou eu. Então a capacidade de comunicar do corpo, seja por um aceno devolvido na rua, seja pela verbalização de uma constatação, serve em primeira instância para afirmar a sua condição.

O conceito que temos do corpo interfere na linguagem até porque, diga-se, a linguagem, a gramática, quer também interferir na ideia que temos sobre o corpo (...) (Tavares, 2013, p.227)

Além deste reforço pela linguagem, o corpo transmite uma multiplicidade de mensagens através de expressões faciais, dos olhos e lábios, gestos com as mãos, postura física, ritmo da voz, que atravessam nossa comunicação com o mundo, e numa escala mais ampliada a escolha das cores que usamos nas roupas, os meios de transporte que adotamos, as marcas que nos envolvem e os sorrisos espontâneos ou forçados, comunicam tanto ou mais sobre nós do que uma simples frase proferida. Constituem-se em uma comunicação não- verbal que revela a olhos mais atentos, uma situação econômica, cultural, gostos e experiências de vida. Este tipo de comunicação nem é sempre consciente, pois a grande dificuldade muitas vezes está em percebermos que a fala conta uma história ao mesmo tempo em que o tom da voz, os gestos, movimentos e posturas contam outra. O homem é programado para discernir atitudes e comportamentos e pode perceber mesmo em nível inconsciente, quando o corpo de alguém transmite conflitos, apesar de um sorriso tentar convencer do contrário. O corpo significa embora muitas vezes não o queira. E parafraseando Laban (1978) o movimento em sua brevidade, pode dizer muito mais do que

12 Não voltaremos neste momento a discutir a questão da ilusão de possuir um corpo citada anteriormente, mas nutriremos temporariamente a crença de que o nosso corpo nos pertence, para que possamos ter um motivo para sair da cama na próxima manhã (grifo da autora).

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páginas e páginas de descrição verbal. Assim, o modo que como ‘utilizamos’ o nosso corpo, os nossos gestos e nossa voz para transmitir certas mensagens reforçam, completam ou negam as palavras que dizemos. É possível ainda observar que o verbal e o não-verbal se complementam, tornando a comunicação humana mais rica, compreensível e acessível.

Cada pensamento se reflete no corpo em ação muscular. Assim os músculos expressam nossa moral. Qualquer julgamento é exercido pelo pensamento, mas tem consequências físicas: qualquer julgamento da inteligência é ainda julgamento muscular (Tavares, 2013, p. 084).

A aproximação entre a fala e a análise do sentido do gesto corporal para Merleau-Ponty (1994) busca no corpo a origem do sentido da linguagem. O modo de apreensão do sentido da fala do outro é o mesmo que o do gesto corporal: eu os compreendo na medida em que os assumo como podendo fazer parte do meu próprio comportamento. A linguagem é antes de tudo social e sua função inicial é a comunicação, expressão e compreensão. A necessidade de comunicação é também a necessidade de estar presente, de estar em relação com o outro. O atual modo de comunicar do homem ultrapassou as barreiras da fisicalidade concreta e chega ao que podemos chamar de comunicação simultânea virtual concreta (Levy, 2011). É a emergência do indivíduo de estar presente, mas essa presença se concretiza na possibilidade de registo da presença e no compartilhamento desta presença. Registar a objetivação e apropriação das experiências passou a ser a condição da existência destas experiências. Não há experiência, acontecimento, opinião ou cardápio que não esteja registada e compartilhada no mundo virtual. E se não está é porque não aconteceu? Deste ponto de vista podemos colocar duas questões acerca desta necessidade de comunicação do homem: 1ª) a necessidade de aceitação e 2ª) a banalização da experiência (ou da informação). Falaremos rapidamente destes pontos, que são importantes, mas que podem gerar novas considerações que fogem ao campo de interesse deste estudo. Mas importam à medida que entender como a capacidade de comunicação do (corpo) homem, se configura no mundo atual, permite entender melhor também este (corpo) homem. O indivíduo precisa ser aceito, se inserir e evoluir no ambiente. E a necessidade de registar e compartilhar tudo o que faz e vive, passa pelo desejo de pertencer a um determinado grupo, ou ainda de ser admirado por outro do qual não faz parte. Constitui-se um desejo de ser ouvido, de ser reconhecido como alguém que está de facto no mundo. Eu exponho o meu alimento, a roupa que uso, o que penso, não só como forma de estar presente na vida das pessoas assim como elas na minha (o que são as ‘curtidas’ e ‘comentários’ que acontecem pelas redes sociais?), mas também como forma de afirmar minha condição de existência. Não pretendemos gerar uma nova discussão sobre a padronização dos comportamentos, mas deixaremos uma nota sobre esta

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virtualização da capacidade de comunicar do homem: tudo corrobora para afirmar a sua presença no mundo. Mas será que ele está de facto presente, ou apenas vê a vida pelo ecrã do telemóvel, porque naquele exato momento de viver, está a filmar para não ‘perder’ o registo da experiência?

O outro ponto de questionamento é a banalização da experiência (e da informação) onde tudo vira notícia, tudo ‘viraliza’ com uma velocidade impressionante, o que nos dificulta filtrar aquilo que realmente tenha algum significado (É mesmo importante saber o que o vizinho comeu no jantar?). Não estamos gradativamente perdendo o foco daquilo que Duarte (2013) chama de humanização do homem, tornando-o cada vez mais um brinquedo de si mesmo?13

O caráter corpóreo da significação, cuja apreensão está na reciprocidade de comportamentos vividos na dimensão social, carrega o corpo não só da compreensão da utilização desta sua linguagem (do corpo), mas também o entendimento de uma questão mais abrangente: a expressão. Segundo Merleau- Ponty (1994) há um modo comum de apreensão sensível na base da compreensão da fala e do gesto corporal. Apreende-se o significado da palavra assim como apreende-se o sentido de um gesto: “O homem é a metade de si mesmo; a outra metade é a sua expressão” (Maurício, 1995).

1.3.1.2.1. A consciência de linguagem

Pensar numa consciência de linguagem do corpo passa em primeira instância por pensar a inteligência própria do corpo. Se pensarmos em termos de instinto (movimentos e ações instintivas), já percebemos uma lógica própria na manutenção da sobrevivência e proteção do indivíduo.

Os instintos pensam melhor do que a consciência; instintos inteligentes, instintos intelectualmente sensatos, instintos que exibem a racionalidade máxima, a racionalidade simplificada que diz: não quero morrer! Ou diz: prefiro não morrer!14 (Tavares, 2013, p. 248)

Os instintos como uma forma de preservação do homem e de sua condição

provisória no mundo atuam, por exemplo, quando ao perceber um objeto lançado na direção de nossos olhos, as nossas pálpebras fecham-se instintivamente numa ação de proteção. Não pensamos nisto e, conforme o nível de perigo, sequer conseguimos entender como fomos tão rápidos em agir para nos

13 Não queremos aqui, excluir a alegria de viver e compartilhar a vida com aqueles que amamos, nem tornar a experiência de viver dotada de uma profundidade secreta. Mas apenas deixar uma breve crítica baseada na inversão de valores que a humanidade vem vivendo nos últimos tempos. (Grifo da autora).

14Neste trecho Gonçalo Tavares em seu Atlas do Corpo e da Imaginação (2013) cita as ideias de Nietzsche (p.249) sobre esta lógica de proteção do instinto.

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protegermos. Isso nos permite dizer que o instinto (e o movimento instintivo) tem inteligência. E se por vezes nossa linguagem verbal e não-verbal apresenta (um certo) desacordo, que muitas vezes escapa à nossa perceção (não sendo então totalmente conscientes), estes gestos e movimentos não-verbais, não viriam da mesma fonte que nossos movimentos instintivos? E não seriam então estes movimentos (gestos, olhares, posturas, etc.) os mais genuínos, visto que provém de um lugar do corpo que antevem à consciência?

Esta consciência de linguagem do corpo emana do próprio instinto e como encontramos em Merleau-Ponty (1984), a expressão é um fenômeno que não depende do que eu penso, mas do que eu posso. Para ele, o ato da fala é o verdadeiro movimento de expressão. Da própria fala emanam movimentos corporais para emitir voz. A vibração das cordas vocais e a passagem do ar pelos pulmões são movimentos responsáveis por produzir o som. E mais uma vez, não é necessário pensarmos nestes movimentos para que o som aconteça. A voz humana tem um caráter único que depende da estrutura das cavidades de ressonância dos órgãos articuladores de cada um, e é por isso que a voz é uma característica que também nos identifica e individualiza.

O corpo tem a força motriz fundamental para sua auto-organização e o entendimento desta comunicação entre seu mundo interior e exterior, gera uma consciência. Consciência de que o movimento está presente em tudo proporcionando desenvolvimento e mudança. “Em cada movimento o corpo diz: eu já não sou o que fui. O movimento, qualquer movimento, é a fuga de uma posição, da posição anterior do corpo” (Tavares, 2013, p. 243). E promovendo ação, deslocamento e fluência, o movimento modifica o homem ao mesmo tempo em que o projeta no mundo.

Esta consciência do (no) corpo se estabelece na medida em que compreendemos que a linguagem é tanto composta da palavra, quanto do movimento. E a palavra (como linguagem) também produz efeitos no interior do corpo e consequentemente no movimento, pois como dissemos, é em primeira instância movimento. Segundo Tavares (2013): “Cada palavra mexe, interfere, com o interior do organismo: modifica as sensações, muda-as de lugar como se muda um móvel. Estamos no âmbito de uma relação imediata entre palavra e corpo, palavra e sensação” (p.256). E será por isso que a linguagem verbal tem tanto peso em nossa maneira de comunicar?

Para comunicar o corpo utiliza simbolismos que podem amplificar, contradizer ou tornar emocionante o que é dito com a palavra15. De acordo com Laban (1978) a linguagem verbal se completa em três perspetivas: a utilização

15 Merleau-Ponty (1960/1984) escreve sobre a posse do significado e do sentido da palavra: estar na palavra, no ouvinte ou na essência da palavra que é o pensamento? “A palavra ainda está desprovida de uma eficácia própria, desta vez porque é apenas o signo exterior de um reconhecimento interior, que poderia se fazer sem ela e para o qual ela não contribui. A palavra não é desprovida de sentido, já que atrás dela existe uma operação categorial, mas ela não tem esse sentido, não o possui, é o pensamento que tem um sentido, e a palavra continua a ser um invólucro vazio (...), linguagem é apenas um acompanhamento exterior do pensamento”. (p. 240-241)

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do corpo como equivalência às palavras, como reprodução de imagens e como complemento emocional. E neste conjunto expressivo o que se diz, se pensa e pode ser visto e ouvido. Assim, a consciência de linguagem do corpo não é uma consciência pura, mas está sujeita e é determinada pelo corpo em organização no mundo. A consciência de linguagem do corpo é o próprio corpo a atuar no mundo. E o homem quando adquire tal consciência, passa a entender-se não como um ser diante do mundo, mas como um ser que é elemento do próprio mundo. “Tomar consciência é dar-nos conta dos limites enormes que nos condicionam” (Sérgio, 1995, p. 20).

São as relações que o corpo estabelece com o meio e com o espaço em que vive que permitem o transitar dele por diferentes escalas e papéis, em estados de corpo, que ora numa posição, ora noutra, (ora matéria, célula, sangue, músculos, ora um compartimentado ambiente que transmite

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