2. IMPACTS RELIÉS À LA DIMINUTION DES RESSOURCES HALIEUTIQUES
2.3 Perturbation de l’habitat faunique
2.3.1 Modification de l’hydrologie du fleuve
Quanto à questão do letramento, podemos pensar que, devido ao fato do ISD tomar os gêneros como instrumentos de ação no mundo e, consequentemente, de desenvolvimento, ao possibilitar o agir em diferentes práticas sociais, podemos dizer que esse pressuposto teórico- metodológico relaciona-se à abordagem do letramento sem fazer uso dessa nomeação.
Como já mencionado, a abordagem dada à leitura na perspectiva do letramento proposta por Kern (2000) se assemelha aos pressupostos do ISD apresentados no Decálogo para aprender a ler de Cristovão (2001), como demonstrado pelo quadro que segue. Um dos pontos semelhantes diz respeito à questão da inserção dos alunos em práticas sociais autênticas (Kern, 2000), ou seja, a utilização de textos sociais (Cristovão, 2001), de modo que eles (re)conheçam o funcionamento interno (textual) e externo (contextual) dessas práticas de linguagem. Segundo Schlatter (2009), o acesso a diversas práticas contribui para a formação cidadã dos alunos.
Por isso, as atividades de compreensão de textos nos materiais didáticos que se voltam para a formação de leitores ativos ou críticos precisam propor atividades que levem os alunos a pensarem nas escolhas feitas pelo autor do texto, entre elas as lexicais e também suas intenções, não tomando as informações dadas ou o modo como o texto foi escrito e suas opções lexicais meramente como um conjunto de palavras que transmite uma mensagem. Assim, essas duas abordagens definem os textos como destacado pelo quadro abaixo:
Definição de texto
ISD Abordagem ao letramento de Kern (2000) - correspondente empírico das atividades
de linguagem;
- unidades comunicativas determinadas pelas atividades que as geraram.
- artefato físico da linguagem;
- informações linguísticas concretas e observáveis disponíveis para interpretação. QUADRO 02 – Comparação entre as definições de texto pelo interacionismo sociodiscursivo e os estudos do letramento de Kern (2000).
Outro ponto em comum entre os estudos do letramento em LE e o ISD, com relação às atividades de leitura, é o reconhecimento da situação de comunicação. Schlatter (2009) afirma que se faz necessário o reconhecimento de quem fala, para quem, onde e como, além do gênero textual a que o texto pertence. Esse reconhecimento pela perspectiva do ISD é proposto por Bronckart (2007) na fase anterior à análise do folhado textual, denominada de levantamento do contexto de produção.
As principais semelhanças e divergências entre o ISD e a abordagem ao letramento de Kern (2000) estão apresentadas nesse quadro, por meio de uma retomada do Decálogo para ensinar a ler proposto por Cristovão (2001), seguida do conceito correspondente pela perspectiva de Kern (2000).
Item do
Decálogo
Retomada da explicação pelo viés
do Interacionismo sociodiscursivo Comparação com a abordagem ao letramento de Kern (2000) Leitura e ação de
linguagem A ação de linguagem envolve os parâmetros do contexto de produção e do conteúdo temático mobilizados durante a produção verbal.
Pensa na influência do contexto tanto para a produção quanto para a leitura dos textos.
Leitura com base no ensino de
gêneros e
pluralidade de gêneros
O domínio de diferentes gêneros auxilia o aluno a entender o funcionamento da linguagem em diferentes situações.
O contato com diferentes gêneros possibilita a identificação das características de cada um, uma maior ampliação do conhecimento de mundo e de diferentes discursos.
Capacidades de
linguagem Ler demanda a aprendizagem de capacidades de linguagem, que auxiliam na construção dos sentidos do texto.
Não faz menção a capacidades, mas sim aos conhecimentos linguísticos e discursivos que mobilizamos ao ler textos. Leitura e contexto de produção do texto e contexto de leitura
Mobilização de conhecimentos que colaboram para a construção dos sentidos do texto, como o lugar, o momento, o emissor e o receptor, tanto no sentido físico quanto no sociossubjetivo.
O autor destaca que o reconhecimento do contexto influencia no entendimento do texto. A leitura (e escrita) são atividades que envolvem relações, suposições partilhadas e convenções no nível social, além da imaginação, da criatividade e das emoções no nível pessoal.
Leitura e uso de
textos sociais Uso de textos autênticos, vindos de contextos reais para preparar o aluno para agir com a linguagem.
Kern (2000) se posiciona contra o uso de textos pedagogicamente elaborados, propondo o engajamento dos alunos em eventos de letramentos reais. Quanto a esse aspecto, as OCN afirmam que a leitura de textos didatizados não
contribui para a formação de leitores, porque na maioria das vezes os textos são escritos utilizando apenas os tempos verbais e o vocabulário estudado.
Tipos de
comparação construtivas
As comparações entre LM e LE podem ser benéficas devido às semelhanças em algumas formas gramaticais e na construção de alguns textos.
Afirma ser interessante apoiar na LM para auxiliar a interpretação dos textos em LE, mas explica que ser letrado em uma língua não necessariamente significa ser letrado na outra.
Progressão em
espiral Um mesmo objeto de ensino é revisto em diferentes etapas da aprendizagem e com diferentes níveis de complexidade.
Não menciona claramente essa questão, mas ao utilizar as categorias propostas pelo The New London Group, entendemos que uma categoria leva ao desenvolvimento da outra, que exige níveis de conhecimento diferentes, porém complementares.
Complexidade
da tarefa Ao contrário de partir de tarefas mais simples para as mais complexas, propõe partir do texto global para as partes mais simples, como os itens lexicais.
Pensa na criação de atividades controladas para o desenvolvimento da tarefa, isto é, não ensinar primeiro o vocabulário ou a gramática a serem abordados no texto.
Uso de recursos pedagógicos para a mediação
Uso de diferentes recursos, que possibilitam a negociação de sentido por parte dos leitores. Alguns exemplos dados são a repetição em voz alta, a leitura em conjunto e o uso de textos de assuntos conhecidos.
O autor menciona principalmente o trabalho com textos de temas conhecidos, aborda que outras modalidades podem ser utilizadas e também propõe como uma das categorias de atividades a escrita de diários de leitura.
Processo
colaborativo e método indutivo
O professor propicia a criação de oportunidades de aprendizagem, fornecendo ferramentas para a compreensão. Também é visto como o par mais experiente, que orienta o aluno na realização de suas tarefas
O professor não é a principal fonte de conhecimento, mas fornece a ajuda necessária para que o aluno reflita sobre os significados expressos nos textos. Além disso, é o responsável pela seleção dos materiais e das atividades a serem utilizadas.
QUADRO 03 - Comparação entre as abordagens de leitura em língua estrangeira pelo interacionismo sociodiscursivo e pelos estudos do letramento de Kern (2000).
Conforme evidenciamos, existem muitos pontos de contato entre a perspectiva adotada pelo ISD e os estudos de letramento de Kern (2000). Embora não esteja mencionada nos trabalhos dessa linha a preocupação em fazer letramento, podemos pensar que o ISD o propõe, isto é, ao pensar os textos como atividades de linguagem e o seu ensino, tanto na leitura quanto na escrita, como modo de agir no mundo, estamos seguindo a mesma linha de pensamento dos estudos do letramento, que se voltam para o ensino da leitura e da escrita como forma de inserção em práticas sociais. É importante ressaltar que essas práticas pressupõem um
momento, um lugar, ocorrem por meio de um gênero e, ao serem tomadas, precisam ter esses aspectos levados em consideração.
Como ler, tanto em LM quanto em LE, exige a mobilização de capacidades de linguagem, a seguinte seção visa a aprofundar em suas definições e destacar sua importância no processo de produção e interpretação de textos.