A comunicação se tornou campo central e estratégico dos processos administrativos e de produção das empresas articulando as relações humanas internas e exteriores aos limites físicos das organizações. A administração empresarial apreendeu que as organizações surgem mediante os interesses da sociedade em ver suas demandas supridas e que permanecerão ativas enquanto ela mantiver seu interesse pelos serviços ou produtos dessas empresas, o que vale dizer que houve o entendimento de que a empresa é gestada na sociedade e nela permanecerá enquanto seu coletivo determinar.
É a partir de 1980 que os estudos sobre comunicação organizacional se direcionam para um novo contexto, muito mais complexo e potencialmente rápido e competitivo pelo fenômeno da rede internacional de computadores. Tomasi e Medeiros (2010, p. 36) destacam que, na década de 1980,
Embora não tenha havido ruptura com o passado, houve reviravolta nos estudos de comunicação organizacional. A comunicação passou a ser definida como estudo das mensagens, da informação, do significado e da atividade simbólica que constitui as organizações. Novos campos de estudos foram introduzidos, como sentido dos eventos organizacionais, linguagens, símbolos e cultura organizacional. Passou-se a estudar como os grupos dominantes tinham mais acesso à informação e mais oportunidades para construir interpretações mais abrangentes do que os demais grupos. Constatou-se então que as comunicações não eram neutras. Os discursos e os símbolos utilizados eram os modos pelos quais a ideologia tornou-se legítima nas organizações. A comunicação era o meio pelo qual os grupos subordinados participavam de sua própria dominação.
A vida em sociedade não se rompeu em suas estruturas nem tampouco teve seus problemas e desafios plenamente superados com o advento do imediatismo ou com a chegada da imensa gama de possibilidades de interconexões pautadas pela rede mundial de computadores. Contudo profundas alterações foram rapidamente sentidas pelas pessoas, suas famílias, organizações, comunidades e sociedade de maneira geral. Sobre a possibilidade de trabalhos e processos interconectados, diversos autores falam sobre a construção de
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conhecimentos coletivos como elemento de destaque no novo momento vivido pela sociedade, entre eles Kanter e Fine (2011, p.139), ao destacarem que “um grupo de indivíduos tem mais conhecimento para resolver um problema do que um único indivíduo”; asseveram, ainda, que “a inteligência coletiva cria uma nuvem de informação que muitas pessoas podem distribuir para o uso”.
Importante perceber o quanto os novos contextos midiáticos e de acesso à informação facilitaram nossas trilhas mentais para a busca de respostas a diferentes problemas e situações. Contudo a velocidade com a qual as pessoas evoluíram (ou regrediram) em suas relações sociais trouxe diversos novos aspectos que aumentaram a competitividade organizacional e mesmo profissional, mas podem comprometer as relações sociais humanas e a percepção de felicidade (GUIMARÃES, 2006).
Todo processo comunicacional é composto de mecanismos verbais e não verbais localizados numa amplitude midiática. É um quadro diverso,
[...] repleto de múltiplas e diversas linguagens que permeiam a nossa sociedade, o ciberespaço, como um novo “espaço do saber” ganha destaque substancial, na medida em que um contingente enorme de pessoas é convocado a aprender e a produzir novos conhecimentos - o que implica o reconhecimento de diferentes formas de escrever e representar a realidade e de expressar os imaginários (DIAS; PULITA, 2013, p. 03). A comunicação contemporânea estabelece novos paradigmas e
[...] incorpora e amalgama uma grande variedade de tecnologias de computação, telecomunicações, entretenimento e editorial entre outras. Nela é possível interligarmos textos digitalizados, sons, imagens e vídeo e já está envolvendo até outras formas de informação, como por exemplo o denominado feedback cinestético (sistemas que formam feedback tátil) e até mesmo informações olfativas. A Internet, sendo a rede das redes, facilita e permite a expansão do ciberespaço toda vez que alguém se conecta (WHITAKER, 2000, p. 36).
O tradicional fluxo constituído por fonte, codificação, mensagem, canal, decodificação, receptor, que não incorpora a velocidade impelida tanto pelas redes sociais como pelos inúmeros mecanismos baseados na internet, não são suficientes para prover estratégias de uma organização.
Ao conceber a necessidade de ampliar a celeridade da comunicação organizacional, a empresa evitaria aquilo que pode ser denominado circunstâncias dissonantes. Por exemplo, as situações que ocorrem quando uma mídia veicula o slogan de uma “empresa que respeita o meio ambiente”. Se isso não é uma verdade compartilhada pelos colaboradores, rapidamente ocorre interferência negativa no clima organizacional. Os empregados são “formadores e multiplicadores de imagem e, no contato com os públicos de interesse das organizações ou no convívio com a comunidade, podem, se identificados com elas, contribuir para melhorar sua reputação”. Muitas organizações ignoram que “os funcionários descontentes, mal informados, geram prejuízos imensos às organizações porque podem expressar com mais autenticidade do que outros públicos os valores positivos ou negativos da cultura organizacional” (BUENO, 2005, p. 32).
A comunicação gera integração e abarca um conjunto de signos nas novas mídias. Seja no ambiente interno, onde as práticas de trabalho pressionam para que os funcionários
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se adaptem aos comitês de qualidade, interajam com seus “clientes internos” e busquem continuamente o próprio feedback no desenvolvimento de suas funções, até a valorização do público “consumidor” dos produtos e, com igual importância, das informações sobre a empresa. Desse modo, o interno e o externo estão mais próximos e, metaforicamente, buscam os vínculos.
Se a comunicação é essencial à formulação de estratégias de gestão, conforme destacaram Adler (2002), Bueno (2005) e Keyton (2005), a realidade organizacional interna sempre será “desafiada” pelas informações dissonantes. A resistência individual aos objetivos de uma empresa é facilmente observada em organizações onde a falácia é comum. Concordamos com Adler (2002) que tendemos em não redescobrir significados cada vez que encontramos uma situação similar, ou seja, de forma positiva ou negativa, o passado pressiona o futuro. Com a celeridade do mundo virtual pode ocorrer uma cilada corporativa, já que o ambiente interno se tornou “hiperaberto” e “hiperinfluenciado” pela realidade do entorno.
De acordo com os pressupostos de Bauman (2001), a velocidade comunicacional, característica da “modernidade líquida”, pode levar à propensão de mudar tudo com rapidez e de forma imprevisível. A boa imagem de uma empresa está sob a influência das informações céleres que percorrem aplicativos de comunicação instantânea que “perfuram” o ambiente organizacional e desafiam sua cultura.