22.4 Les infrastructures de communication et les déplacements
22.4.3 Modes doux
Para melhor contextualizar a participação dos cursos de graduação em Turismo no Enade, em suas edições de 2006, 2009, 2012 e 2015, faz-se, inicialmente, uma retomada global do surgimento e da evolução de oferta desses cursos no país.
O turismo no Brasil foi institucionalizado por meio do Decreto-lei nº 55 de 18 de novembro de 1966 com a criação da Empresa Brasileira de Turismo- EMBRATUR3 (Brasil, 1966). O principal motivo da criação da EMBRATUR era a realização de propagandas no exterior que pudessem melhorar a imagem do país, que estava manchada por causa da ditadura militar, e foi assim que através do Turismo, o governo decidiu construir uma imagem no exterior de um Brasil simpático e feliz no período de grande repressão.
Com o desenvolvimento do setor no país, surgiu a necessidade mão de obra especializada, com formação em nível superior, motivando, dessa forma, os grupos interessados a implementar a graduação em turismo, o que os levou a solicitar ao Conselho Federal de Educação o devido amparo legal para a criação dos cursos (MATIAS, 2002).
O primeiro curso de ensino superior em Turismo no Brasil surgiu na década de 70, período de ditadura militar. No cenário internacional, as universidades estavam presenciando um momento de revolução cultural que surgiu em Paris e se expandiu pelo mundo. No Brasil, os cursos de graduação em Turismo se originaram
3 Em 2003, com a criação do Ministério do Turismo, a EMBRATUR passou a cuidar exclusivamente da promoção e do apoio à comercialização dos produtos turísticos do Brasil no exterior. A partir de então, o Ministério do Turismo pôs em prática uma política pública baseada em um modelo de gestão descentralizado e orientado pelo pensamento estratégico. Além disso, foi implementado um novo modelo de gestão para a EMBRATUR, em que o Plano Aquarela - Marketing Internacional do Brasil e a Marca Brasil passaram a nortear e dar unidade às ações de promoção do Brasil no exterior.
independentes de outros cursos de graduação, diferentemente do que ocorreu no exterior, onde os cursos surgiram como ramificações dos cursos de graduação em Administração Hoteleira e de Geografia.
Esse período também é marcado pela inserção das mulheres no mercado de trabalho, que queriam recuperar o tempo antes preenchido pelas atividades domésticas. No âmbito social, havia a expectativa de ascensão das classes médias que enxergavam a obtenção do diploma superior como prestígio social e um meio de profissionalização. Esses fatores contribuíram para o crescimento da oferta dos cursos de graduação em Turismo. Tendo em conta que instituições públicas não conseguiam atender à elevada demanda existente à época, a abertura desses cursos nas instituições privadas foi expressivamente crescente.
A possibilidade de retorno econômico com investimentos num setor em que havia elevada demanda foi outro fator que impulsionou grupos empresariais a investir na educação como um negócio promissor e rentável. Disso derivou a abertura de cursos superiores em Turismo com o objetivo de qualificação de mão de obra especializada para atender às necessidades do mercado de trabalho. Dessa forma, os cursos de graduação em Turismo se disseminaram muito em instituições privadas e com projetos pedagógicos calcados predominantemente num ensino profissional técnico (BARRETO; TAMANINI; SILVA, 2004).
As pesquisas realizadas por Rejowski e Ansarah, referente ao período de 1980 a 2000, explicitam que a procura pelo ingresso nos cursos de Turismo era alimentada pelo imaginário de que o Turismo se circunscrevia à viagem. Outra constatação nas investigações foi a visão puramente mercadológica que os ingressantes possuíam, pois desejavam ser agentes de viagem com o intuito de usufruir os benefícios da profissão, como as viagens a trabalho.
A perspectiva de formação voltada ao desenvolvimento de competências para suprir necessidades do mercado de trabalho, com a prevalência da visão econômico-comercial do turismo, ainda apresenta resquícios no ambiente acadêmico atual, em detrimento de saberes compartilhados com outras áreas do conhecimento. Nessa direção, Barreto, Tamanini e Silva, já em 2004, questionavam: “Em que momento a universidade desenvolveria competências? Como desenvolver competências sem preparar conteúdo? (BARRETO; TAMANINI; SILVA, 2004, p. 68).
Sob essa perspectiva, educação e treinamento podem confundir-se, não sendo os alunos, como seria o almejado, provocados a pensar criticamente o fenômeno, contribuindo para o desenvolvimento da área. Moesch (2000) ressalta a ênfase dada ao como fazer-saber, em que o foco está sempre em desenvolver técnicas para o trabalho, e não ao seu contrário, o saber-fazer.
Na busca por aflorar outras percepções para o Turismo, diferentes pesquisadores, entre outros, Beni, (2008); Gastal e Moesch, (2002); Panosso, (2005), vêm realizando estudos apresentando à comunidade científica e à sociedade uma concepção de Turismo para além da captação econômica, que ultrapassa a ideia de uma atividade compreendida como deslocamento de um ponto ao outro. Apontam para uma concepção de Turismo como um campo de práticas histórico- sociais, que pressupõe deslocamentos diversos daqueles do cotidiano, cobertos de subjetividade, vivenciando “[...] processos de mobilização subjetiva que o levariam a parar e re-olhar, a repensar, a reavaliar, a ressignificar não só a situação, o ambiente, as práticas vivenciadas naquele momento e naquele lugar, mas muitas das suas experiências passadas”.(GASTAL e MOESCH, 2007, p.11-12); mobilização essa que contribui para repensar as práticas sociais. Maffesoli (2001) introduz a perspectiva da pulsão de errância, do nomadismo atual, da busca pelo “outro lugar”; Panosso (2011) concebe o Turismo como experiência, experiência essa que constrói o “ser” turista. Numa outra abordagem, Perazzolo, Santos e Pereira (2013) propõem uma construção teórica pautada pelo que se poderia compreender pela natureza psicológica do Turismo, tendo em conta a importância de serem aprofundadas discussões que incrementem construções conceituais envolvendo os sujeitos que protagonizam histórias e vivências turísticas.
Dessa forma o Turismo vem avançando academicamente e se estabelecendo como uma área que produz pesquisas que podem contribuir positivamente com a sociedade em diferentes dimensões. Assim, a cientifização do Turismo, processo em claro andamento, já vem ganhando – e deverá vir a ganhar ainda mais- espaço na concepção e na estrutura curriculares dos cursos de graduação, implicando a necessidade de serem pensadas e implementadas novas formas para o ensinar e o aprender na área. Consequentemente, tem-se como suposto que, também, no campo da avaliação, essa mesma cientifização já deverá estar pautando a concepção e implementação de outras/novas formas de processos avaliativos, quer
no âmbito da sala de aula, da instituição de ensino, quer no âmbito das políticas e ações públicas, potencializando uma mútua retroalimentação.
2.1.3 O Exame Nacional de Cursos – Enade para os cursos de graduação em