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CHAPITRE 2. ÉTAT DE L’ART

2.4 Adjuvants plastifiants

2.4.3 Modes d’action des superplastifiants

Vitorioso o movimento político-militar que conduziu Getúlio Vargas ao comando do país, a corrente tenentista que aderira à conspiração armada contra Washington Luís começara a mobilizar-se com o intuito de combater a estrutura de poder consolidada pelas hostes oligárquicas ao longo da Primeira República. O objetivo era purificar a máquina político-administrativa do Estado de toda a sorte de regionalismos e facciosismos partidários, impedindo, assim, que as instâncias decisórias do poder pudessem ser novamente instrumentalizadas pelos grupos oligárquicos.

O projeto de governo defendido pelos tenentes “centristas” teria, portanto, como ponto de partida, a negação do quadro político dominante ao longo da Primeira República. Repudiavam-se o sistema federativo e os princípios políticos e econômicos do Liberalismo, colocando-os como antítese em relação ao regime democrático, uma vez que serviam apenas aos interesses de uma parcela da sociedade. Daí a necessidade de adotar uma nova orientação na estruturação do Estado e na organização da coletividade, de forma que o interesse nacional se sobrepusesse aos particularismos e regionalismos e constituísse o fundamento básico da ação dos poderes públicos. Tal seria um dos principais desafios para a fração do Tenentismo que aderira à Aliança Liberal: estabelecer

um programa de governo concreto que funcionasse enquanto polo aglutinador junto às forças ligadas ao Outubrismo85.

De acordo com Juarez Távora (1976, p. 07), já se encontrava firmada, entre os chamados revolucionários “históricos”, no contexto da “Revolução de 30”, a necessidade de que se deveriam processar mudanças de ordem social, política e econômica no país. Contudo, segundo o referido “tenente”, já naquele momento uma inquietação o acompanhava: como poderiam as forças ligadas ao Tenentismo atrair a atenção de seus aliados civis, sem que houvesse um programa de cunho reformador plenamente estabelecido. O líder tenentista acreditava que a criação de um projeto de governo representaria um contraponto tanto às ações tático-políticas dos comunistas, que procuravam galvanizar as massas populares com as mesmas ideias expostas por Luiz Carlos Prestes, quando da elaboração, por este, do Manifesto de Maio de 1930, quanto aos princípios defendidos pela Aliança Liberal, cujo programa, segundo Juarez, “[...] não satisfazia, nem mesmo, aos elementos civis mais moços, que dela haviam participado” (TÁVORA, 1976, p. 15).

Para Juarez Távora, a ativa intervenção das Forças Armadas no ambiente político nacional, no imediato ao pós-1930, far-se-ia necessária, embora não devessem os militares dispensar seus esforços visando conquistar cargos políticos ou privilégios no interior das instituições militares. Sua missão, durante a fase discricionária, era zelar pelo fiel cumprimento, pelas elites civis, dos ideais “revolucionários”, não deixando que a consolidação da nova estrutura do poder se fizesse aos moldes do compadrio, fazendo prevalecer os particularismos e regionalismos sobre os interesses nacionais:

[...] assistia-lhes o dever de não cruzar os braços, em impassibilidade de múmias, diante dos erros ou obliterações dessa partilha política; acrescentando não ser o seu lugar, na mesa em que se banqueteavam os políticos vitoriosos, mas, sim – como já havia dito, uma vez – permanecerem de baionetas caladas, em volta do triclínio, para não permitir que a incontinência dos convivas transformasse a cerimônia do banquete em orgia de ‘rega-bofe’. (TÁVORA, 1976, p. 32).

Assim sendo, deveria a oficialidade “revolucionária” concentrar esforços para que as elites civis que compusessem o consórcio político dominante, após o movimento revolucionário, atentassem para as demandas sustentadas pelas hostes “outubristas”. Daí

85 De acordo com Vavy Pacheco Borges (1992, p. 21), a alcunha “outubrista”, embora seja diretamente

associada ao Tenentismo, tem um espectro mais amplo, abarcando, também, os segmentos que foram “[...] vencedores do movimento de outubro e à sua ação, o ‘outubrismo’”.

a importância de se terem já definidas as diretrizes a serem seguidas pelo novo governo para efetivar a obra de reconstrução política, social, econômica e cultural do Brasil.

Com a instituição do Governo Provisório, em novembro de 1930, os “tenentes” conquistam posição importante no bloco político dominante, exercendo funções de grande relevo nas máquinas administrativas federal e estadual. Assim, o Tenentismo agigantara-se na nova conformação do poder, o que proporcionou aos seus representantes grande margem de manobra no interior das instâncias decisórias do Estado nacional, podendo, dessa forma, viabilizar seu projeto político fundamentado, principalmente, no combate aos pilares que sustentavam a dominação oligárquica e na moralização e racionalização da administração pública. Para tanto, as lideranças do referido movimento, segundo Angela Maria de Castro Gomes,

Contam neste momento inicial com poderosos recursos políticos, consagrados pela legislação de exceção do pós-30; o estabelecimento das interventorias; o fechamento da Assembléia e das Câmaras estaduais e municipais; a dissolução dos partidos políticos; a censura à imprensa etc. Enfim, todo um elenco de condições redimensionava a presença e a atuação do tenentismo, golpeando fundamentalmente os mecanismos políticos do domínio oligárquico. (GOMES, 1980, p. 27).

Desfrutando de uma posição proeminente no interior do Estado, os “tenentes” esforçam-se por conquistar bases sociais de sustentação ao seu projeto político. Uma vez dispondo de considerável influência nas instâncias decisórias do poder, o Tenentismo poderia transformar-se num importante polo aglutinador, diante do apelo que sua prestigiosa condição no aparelho estatal poderia exercer nos vários setores da sociedade. Assim, nos dois primeiros anos do Governo Provisório, os tenentes procuraram se consolidar no interior do bloco dominante, por meio da criação do “Clube 03 de Outubro” e das “Legiões Revolucionárias”, organismos concebidos para funcionarem como núcleos de coordenação e mobilização política a partir do estabelecimento de um projeto de governo unificado. Tais organizações concorreriam para o fortalecimento do Tenentismo junto aos centros de decisão política, ao mesmo tempo em que veriam expandida a sua capacidade de influência sobre os grupos políticos e sociais, pelo fato dos tenentes ocuparem cargos de grande relevância na máquina administrativa do Governo.