A.3 Syllogismes : figures et modes concluants
A.3.2 Modes concluants
O Papel do Educador na Aprendizagem e no Desenvolvimento da Criança Data: 3 de Abril de 2011
A Acão do adulto na aprendizagem e desenvolvimento da criança deve ser sempre um tema de reflexão a todos os momentos do dia de um educador de infância. Sendo considerada pela Lei-Quadro como a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida, a educação pré- escolar assume um papel de excessiva relevância na vida de todas as crianças que futuramente se assumem como seres autónomos, livres e solidários na sociedade em que se inserem. Assim sendo, conclui-se facilmente que a criança deve ser vista como ‘Actor principal’ na educação pré-escolar, tendo como ‘encenador’ o educador que tem a exclusiva missão de organizar o seu palco e o seu tempo, observá-la, refletindo antes, durante e depois do seu ato, (Schon 1983) orientá-la e avaliá-la para que possa sempre melhorar. É neste ‘palco’ que a criança se vai desenvolvendo autónoma, livre e espontaneamente, sempre rodeada daqueles que contribuem para a sua aprendizagem: pares, família, comunidade educativa e sociedade. Assim sendo, para gerir adequação deste ‘palco’ que é a Educação Pré-Escolar, a anterior lei define que esta deve ter os seguintes objetivos:
“Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança; Fomentar a interculturalidade e o respeito pela diversidade cultural; Contribuir para a igualdade de oportunidades; Desenvolver a expressão e a comunicação; Despertar a curiosidade e o pensamento crítico; Proporcionar a cada criança condições de bem-estar e de segurança; Proceder à despistagem de anomalias no desenvolvimento, encaminhando a criança para um correto acompanhamento; Incentivar a participação das famílias e a colaboração com a comunidade.” (Lei n.º 5/97 de 10 de Fevereiro)
Para cumprir estes objetivos da melhor maneira existe o educador que se define como “o suporte desse processo” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1997:93) tendo a incumbência de manter uma intencionalidade educativa sendo esta sempre caracterizada pela sua coerência e consistência. Piaget diz- nos que “o papel do professor mantêm-se essencial mas muito difícil de aferir:
consiste basicamente em despertar a curiosidade da criança e estimular-lhe o espírito de investigação. Isto é conseguido através do encorajamento da criança para que coloque os seus próprios problemas, e nunca através de imposições de problemas para resolver ou do “impingir” soluções” (PIAGET citado por HOHMANN & WEIKART, 2009:32). Em concordância com o anterior autor, também Dewey determina que a criança deve ter um papel ativo na sua aprendizagem e isso deve ser encorajado pelo educador: “quando a educação
é baseada na experiência e a experiência educativa é vista como um processo social…o professor perde a posição de patrão ou de ditado das atividades de grupo e assume a de líder” (DEWEY citado por HOHMANN & WEIKART, 2009:33). Dewey em 1933 dá ao educador o papel de líder e Piaget em 1976 qualifica esse líder como aquele que essencialmente “deve continuamente
encontrar novas formas de estimular a atividade da criança e estar preparado para adaptar a sua abordagem conforme a criança vai colocando novas questões ou imaginando soluções” (PIAGET citado por HOHMANN & WEIKART, 2009:32). Intrínseca a estas reflexões dos dois autores está a
intencionalidade educativa, que o Ministério da Educação, em 1997, definiu como “um processo refletido” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1997:94) que deve proporcionar o “desenvolvimento de todas e cada uma das crianças e
alargar os seus interesses, curiosidade e desejo de saber” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1997:93).
De facto, a intencionalidade educativa redefine-se dia-a-dia na vida de um educador como um processo e não como um produto. Contudo, não tanto a curto prazo mas mais a médio e longo prazo esse processo vai transformar-se num produto, principalmente quando pudermos ver as ‘nossas crianças’ como adultos socialmente ativos, reflexivos, críticos, e principalmente felizes. E aí sabemos se os fundamentos utilizados na nossa intencionalidade educativa
foram os mais pertinentes. Segundo as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar esses fundamentos devem estar criteriosamente articulados: o educador deve ver o desenvolvimento e aprendizagem como vertentes indissociáveis, deve reconhecer a criança como sujeito de processo educativo, construir o saber de uma forma articulada, globalizante e integrada, e oferecer uma pedagogia diferenciada centrada na cooperação, em que cada criança beneficia do processo educativo desenvolvido com o grupo.
Com vista a transformar cada criança, em contexto educativo, o educador deve ter sempre em conta os objetivos gerais da educação pré- escolar para que possa ser cumprido o desenvolvimento curricular: a organização do ambiente educativo (o tempo, o espaço, o grupo, a organização do estabelecimento educativo e o envolvimento parental), as áreas de conteúdo (que constituem as referências gerais a considerar no planeamento e avaliação das aprendizagens), a continuidade educativa (tendo em conta o que as crianças já aprenderam associado às aprendizagens futuras) e a intencionalidade educativa (observar, planear e avaliar para adequar).
Esta intencionalidade por que o processo educativo deve ser sustentado invalida que o educador se oriente pelas seguintes ações que constituem um triângulo por serem indissociáveis: observar, planear, agir, avaliar, comunicar e articular. Observar para poder conhecer cada criança e o grupo, conhecendo as suas necessidades e motivações para adequar da melhor maneira o processo educativo e para existir uma diferenciação pedagógica. Planear para e com as crianças, fazendo das atividades proporcionadas momentos de excelência promotores de aprendizagens diversificadas e significativas sempre de acordo com os fatores observados e de acordo com a articulação das áreas de conteúdo. Agir concretizando as suas intenções educativas e adaptando às propostas das crianças tirando sempre partido das situações imprevistas, pondo em prática o currículo flexível. Avaliar com e as crianças de forma a melhorar sempre o processo educativo e a distinguir evolução das crianças. E finalmente comunicar e articular o processo educativo promovendo a
continuidade educativa que não se deve cingir às paredes da sala mas sim a toda a comunidade escolar, família e sociedade.
Todo este processo invalida que o educador organize o tempo, o espaço, o grupo e a relação com os pais e outros parceiros. O tempo deve ser organizado através de rotinas estáveis e intencionalmente planeadas para que sejam promotoras de aprendizagens e do desenvolvimento das crianças. O espaço deve ser constituído por materiais diversificados e deve disponibilizar às crianças momentos educativos intencionais planeados tanto pelo educador como pelas crianças. O grupo deve ser organizado pelo educador de acordo com a distribuição de tarefas, decisão de regras coletivas e aprendizagem cooperativa e deve fomentar situações diversificadas de conhecimento, atenção e respeito pelo outro. A relação com os pais e outros parceiros também deve ser devidamente orientada pelo educador com vista a envolvê- los na aprendizagem das crianças, contribuindo para o seu desenvolvimento.
Em suma, conclui-se que o educador deve ser um profissional reflexivo. Esta reflexão deve acompanhar toda a sua ação, ocupando por isso especial relevo na observação, planificação, ação, avaliação e articulação como nos diz Hohmann e Weikart quando referem que “enquanto as crianças interagem com
materiais, pessoas, ideias e acontecimentos para construir o seu próprio entendimento da realidade, os adultos observam e interagem com elas para descobrir como as crianças pensam e raciocinam” (HOHMANN & WEIKART, 2009:27). De acordo com esta abordagem de um educador cada vez menos ativo na aprendizagem da criança, Teresa Vasconcelos diz-nos, tão poeticamente, que “a arte de uma educadora é facultar às crianças o apoio
necessário, com força, subtileza, sensibilidade e sabedoria” acrescentando que
“nisto consiste a paixão de educar, o silêncio criativo de quem educa: em tornar-se desnecessário” (VASCONCELOS, 1997:208). Esta autonomia/liberdade, que muitas vezes está subentendida no papel do educador, distinguida por Teresa Vasconcelos é um passo muitas vezes difícil de dar por intervenções como a do Pedrinho: “Maria, consegues tirar o vento
que nos sintamos emocionalmente ‘forçados’ a proteger as crianças e ‘dar-lhes’ todas as competências que necessitam para se desenvolver. Contudo, o nosso papel é, realmente, deixá-los voar para que aprendam através das suas experiências e não dos nossos ensinamentos e um dia, no futuro, possam resolver autónoma e criativamente os seus problemas. Dewey intitulou-o de
líder, Piaget definiu-o como encorajador da criança, Teresa Vasconcelos chamou-lhe educadora-mestra, para mim só pode ser educador aquele que faz, com muita magia e muita arte, o Mundo girar.
Bibliografia
-MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, (1997) Orientações Curriculares para a
Educação Pré-Escolar, Lisboa, M.E;
- HOHMANN, Mary, Weikart, David, P., (2003) Educar a criança, Edição da Fundação Caouste Gulbenkian;
- VASCONCELOS, T., (1997), Ao redor da Mesa Grande – A prática
educativa de Ana, Porto, Porto Editora; - Lei n.º 5/97, de 10 de Fevereiro.