Os valores e normas manifestos na cultura organizacional através dos comportamentos humanos sempre estão pautados por padrões morais e de condutas éticas minimamente orientadas. Mas de qual ética estaríamos falando, já que existe diferentes maneiras de se
referir a ela dependendo do contexto de análise, como por exemplo: a ética religiosa, a ética moral, ética do poder, ética política, ética cristã, ética do pensamento, ética da ciência, ética profissional, ética do trabalho etc.
Rothmann e Cooper (2009), psicólogos estudiosos da psicologia organizacional e saúde, em uma visão orientada por sua inserção profissional afirmam que “„ética‟ é a disciplina que lida com as responsabilidades e obrigações morais, as regras básicas ou os primeiros princípios propostos para assegurar uma „boa sociedade‟, uma sociedade na qual as pessoas desejem cooperar para o benefício e o bem de todos”. (p.23). Este entendimento sobre ética envolveria a análise dos valores que ajudam a determinar o que é mais adequado diante de um conflito de valores, quando estão em jogo princípios de comportamentos complexos e muitas vezes conflitantes.
Siqueira (2008) entende que é função da ética questionar, regular e dialogar com o conjunto de obrigações e direitos nos quais nossa atual sociedade está fundada. Conforme o autor, os homens são construídos por meio de múltiplas ações entre a vida, o mundo, as leis e o trabalho, expressos em sua amplitude de homem enquanto humano e não apenas na singularidade laboral. Uma ética do gênero humano a partir da qual o homem possa ser considerado dignamente em qualquer situação, cultura, tempo, além da condição profissional, e por isso, não defende a concepção de uma ética do trabalho mas de uma ética e trabalho, onde este entrelaçamento deveria resultar no fato de que o trabalho deve passar a ser uma melhor forma do homem melhorar a sua humanidade.
Ainda para Siqueira (2008, p 41), “falar em ética e relações de trabalho só faz sentido se for em direção ou em busca de um novo caminho de relacionamento humano, de entendimento e contrato societário”, concluindo que diante dos novos desafios do mundo contemporâneo, os códigos, as relações profissionais e pessoais, acadêmicas e cotidianas precisam ser reinterpretadas, precisam de uma ética fundamental que resista à degradação dos valores fundamentais, ao excesso de tecnologias, de mecanicismos, de materialidades. Uma ética da condição humana, onde mais do que se pensar em novas relações de trabalho, em mais direitos humanos ou em ética, é preciso construir um novo saber sobre o ser para compreender aquilo que ele é capaz de fazer. Pessini, Siqueira e Hossne (2010) afirmam que é consenso na bioética, enquanto ética aplicada, que a irreflexão nos momentos de crise aguda como a que atualmente vivenciamos em nossa sociedade pode ser fatal para a sobrevivência humana e do próprio planeta, numa
visão (quase apocalíptica) de que estaríamos próximos ao precipício (inferno), subjugados pela tirania imposta pelas regras do mercado do consumo. Visão com que concorda outro bioeticista, Alípio Casali (2010), para quem apesar de todo desenvolvimento notável nas ciências, nas tecnologias e nos processos produtivos, seu custo foram as perdas irreparáveis decorrentes do colonialismo, da escravidão, da exploração degradante do trabalho, da exclusão de massas e do processo produtivo, como do negro, do índio e da mulher. Entende o autor, que a “ética nas organizações” também pode ser considerada como um capítulo da bioética se considerarmos que o sistema-vida humana sempre é mediado e não se realiza ou desenvolve fora de instituições ou organizações.
Diante desta crise emergente de um modelo político e econômico que se tornou insustentável e afetou à todos, também o mercado tem se esforçado para reagir e sobreviver.
Quando a empresa realiza a ética empresarial ela sinaliza para seus trabalhadores, assim como para todas “as partes interessadas” em seu negócio (que, amplamente falando, é toda a sociedade), uma disposição à manutenção e desenvolvimento de um vínculo que tende à perenidade. (Casali, 2010, p.322).
Portanto, devido ao importante valor instrumental e estratégico que assumiu na sociedade atual, a ética empresarial pode aparecer como aliada neste cenário desolador , em um tempo de incertezas. Por isso, revela-se como um tema polêmico e ideológico e por suscitar debates tão apaixonados, acaba correndo o risco de se tornar reducionista, conforme adverte Casali (2010). De um lado, encontram-se os que acusam que o lado empresarial busca na ética apenas uma estratégia de competitividade, reduzindo-a a uma etiqueta (no sentido de uma ética pequena e diminuída), um rótulo (um selo a mais) ou um clichê de boas maneiras (do politicamente correto). No outro lado, alguns setores acadêmicos que criticam a instrumentalização da ética como mera estratégia de mercado e argumentam que é indispensável a distinção entre ética e moral, já que a ética não caberia em códigos e normas, sendo portanto, inadequado seu uso na nomenclatura “Código de Ética”, comumente utilizada pelo mercado.
Não obstante, Casali (2010) lembra-nos que enquanto estas discussões são fomentadas, os problemas e as soluções nem sempre
adequadas acontecem no cotidiano das instituições e das organizações, mantendo um abismo entre estes dois mundos.
Concordamos que a distinção entre ética e moral, sem dúvidas é pertinente, contudo, se considerarmos que alguns princípios éticos (considerados “universais” por algumas correntes de pensamento) podem fundamentar os Códigos de Ética e Conduta das organizações para que a gestão das condutas morais não descambe num perigoso moralismo, então a aplicação do vocábulo ética não seria inapropriada.
Um ponto importante desta discussão sobre a adequação da colocação da ética no mundo das organizações de mercado recai sobre a questão dos valores de uso e troca implicados na relação contratual de trabalho. Para Casali (2010, p.319), “servir como instrumento a outro justifica-se, ainda que contingencialmente, quando isso se dá numa relação livre e ética, que gera bens que em troca, mantêm e desenvolvem a vida do indivíduo”, como o direito de ter reconhecidos tanto seus valores instrumentais quanto intrínsecos.
Outra controvérsia acerca da chamada ética empresarial decorre da competitividade, (inerente desta economia que regula o mercado) e que parece colocar as empresas diante de um falso dilema, como se de um lado estivesse a “perda” e do outro, o levar vantagem. Como se não houvesse entre eles a possibilidade de um desenvolvimento saudável e favorável a todos. Neste sentido Pessini (2012) crê que a competição não é por si mesma destrutiva, mas se torna destrutiva quando um projeta valer mais que o outro, causando seu rebaixamento e sua destruição.
4 METODOLOGIA
Para Luna (2001) a ciência se faz por meio de pesquisa, como uma atividade de investigação capaz de produzir conhecimento novo a respeito de uma área ou fenômeno de estudo. Toda pesquisa científica requer sistematização e rigor metodológico. O método é caracterizado no que diz respeito aos objetivos e natureza da pesquisa.