Educação física: das origens ao renascimento
Origens
Desde as primeiras civilizações, dentre elas a egípcia e as do Oriente, como a chinesa e japonesa, a educação física já era praticada, como atesta Gifri (1989, p. 25):
“Desde as origens, no Egito, a cultura física e em particular o esporte em geral, que teve parte primordial na atividade cotidiana, foram parte integrante da educação geral: aos motivos religiosos (...) dava- se extraordinária importância ao físico e mesmo após a morte, tencionava-se assegurar ao corpo uma longa duração, donde o embalsamento do cadáver.”
No Egito, a educação física do jovem merecia grandes atenções, sobretudo entre a nobreza e a família real. Os egípcios cultuavam a atividade a corpo livre, com precisas intenções médico-corretivas também localizadas.
Outrossim, existiam exercícios propedêuticos para as atividades atléticas-militares, com especial atenção à luta. Também particular atenção era dada à flexibilidade, à agilidade, à resistência muscular localizada; e com os pesos se trabalhava a distenção do tronco, visando maior flexibilidade e distensão da coluna. Também eram praticados exercícios de saltos à corda, tanto no Egito quanto na Grécia. Há relatos que falam de tiro à corda, jogo de bola, hockey e pulo a cavalo. (Grifi, 1989, p. 29)
A educação física na Grécia e na Roma antigas
As civilizações cretense, precursora da cultura grega, e etrusca, precursora da romana, tiveram manifestações esportivas. Todavia, podemos
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afirmar que a história da Educação Física e dos esportes começa, verdadeiramente, na Grécia clássica.
Os exercícios físicos exerciam uma importância fundamental na vida dos gregos. Na visão de Grifi (1989), desde os tempos de Homero os gregos fizeram da ginástica um mito, mas somente em uma época posterior os jogos adquiriram significado religioso. Os jogos praticados eram o pugilato, a luta, o jogo de bola, o lançamento do disco, o tiro com o arco, a corrida e a dança. Devemos ressaltar, porém, que não existiu, em nenhum momento da vida grega, a maratona enquanto esporte, como hoje é conhecida. Embora o termo tenha origem em um grego que percorreu exatos 42 km para contar aos atenienses a vitória sobre os persas, trata-se de um fato histórico que, séculos mais tarde, deu origem à maratona enquanto esporte.
A educação Física em Esparta
Na visão de Grif (1989, p. 39-40), desde o século VII a.C. Esparta e Atenas tinham uma relação de corpo com critérios pedagógicos:
“Esparta baseou o seu ideal educativo no reforço do corpo e da moral dos seus citadinos, para fazê-los bons soldados; Atenas preocupou-se, ao invés, de uma completa formação de personalidade humana. Conseqüentemente, os exercícios praticados pelos espartanos eram muito diversos dos exercícios atenienses. As atividades físicas espartanas ficaram ancoradas ao conceito de citadino, isto é, soldado a serviço da pólis; as de Atenas procuraram a formação e o desenvolvimento das qualidades pessoais como a graça, a harmonia dos gestos, a habilidade e a destreza. A educação ateniense, em particular, era entendida como necessidade formativa: educação completa e integral, onde finalidade física e espiritual completavam-se reciprocamente.”
Tendo em vista objetivos tão diferenciados, é importante analisar cada formação social em separado, embora se trate da mesma civilização grega.
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Em Esparta, a cultura fundamentava-se na guerra como tradição, e em uma época remota como o período entre os séculos VIII e VII a.C., a cidade de Lacômia classificou 46 atletas entre os 80 vencedores olímpicos. Mais tarde, por volta do ano 550 a.C., a educação física ficou relegada a solucionar os problemas militares, o que afastou os espartanos das atividades olímpicas.
A ginástica para os espartanos tinha o compromisso de fortificar o corpo, preparando-o para a guerra, e toda a educação era voltada para esse objetivo, procurando incutir nos jovens a força, a obediência, a superação de obstáculos.
A formidável herança deixada pelos gregos certamente alcançou também a Educação Física, pois a prática de exercícios era muito valorizada. Na época clássica, havia especialistas para o ensino de diversas áreas e, em Educação Física, chamava-se pedótriba ao professor de ginástica.
Cabendo ao Estado (ou seja, às cidades da região) a educação dos jovens, desde os sete anos as crianças ficavam sob a orientação de instrutores públicos, chamados pedonomo quando chefe, e irene quando era apenas um rapaz mais velho que os demais. Aos dezoito anos, os jovens transformavam- se em irenes e começavam a treinar o uso de armas, aos vinte eram admitidos na milícia e aos trinta tornavam-se plenos cidadãos de Esparta.
Nesse contexto, a ginástica militar era fundamental para o desenvolvimento dos cidadãos, embora também se considerasse o exercício físico uma atividade recreativo-esportiva, valorizando-se o prazer do jogo, da competição e o valor moral e religioso da ginástica.
A educação fisica em Atenas
A respeito de Atenas, pouca diferença havia entre ela e Esparta, no tocante à educação e aos esportes, até o século VI a.C. Mas na metade deste século (550 a.C.), consolidou-se a supremacia ateniense sobre as demais cidades gregas. As reformas políticas de Sólon vieram modificar o costume a respeito da educação, e a ginástica perdeu o caráter exclusivamente militar: em Atenas, tudo era voltado para o “civil”, como afirma Grifi (1989: 42).
Os Jogos Olímpicos já existiam desde o século VII a.C., e eram uma festividade que reunia atletas de todas as cidades gregas. O nome é devido à
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realização dos jogos na cidade de Olímpia, onde havia um complexo desportivo para a realização de todos os jogos que eram praticados, com alojamentos, templos para a oração aos deuses antes e depois dos jogos etc. Para Olímpia afluíam os atletas de quatro em quatro anos, e conta a lenda que assim surgiu a História, ciência que significava, entre os gregos, “contar aos outros aquilo que se viu”. Quem ia - competir ou assistir – aos jogos olímpicos, retornava para a sua cidade natal e contava os resultados, as vitórias, como eram os atletas, quais os índices alcançados etc.
A partir do século VII a.C., surgiram outros jogos: Jogos Délficos, Ístmicos e Nemeos. Em Atenas, ocorria uma das festas mais importantes, as Panatenéias, em homenagem à deusa Atenas, conforme Grifi (1989, p. 44):
“A grande festa panatéia continuou a crescer de importância e de esplendor a partir do período de Pisístrato em diante, tendo sido acrescentado competições musicais, poéticas e de novas competições gímnicas e hípicas. Os atletas participavam das competições gímnicas, divididos em três categorias: crianças, jovens (16-20 anos) e adultos, que se fundamentavam em corridas, pentatlo, luta, pugilato, pancrácio. Os vencedores recebiam como premiação um certo número de ânforas de óleo, feito com as olivas sagradas de Atenas. As competições hípicas consistiam de: competições de bigas, quadrigas, corridas de carros cerimoniais e de carros bélicos.”
Durante essa festa, desenrolava-se também uma competição de dança pírrica e uma espécie de campeonato de perfeição física coletiva: cada time apresentava jovens devidamente escolhidos pela estatura, robustez e beleza dos membros e aos vencedores, seja da dança ou do concurso, era dado em prêmio um boi. (Grifi, 1989: 44)
No século V. a.C., atribuía-se à educação física a função de formar a personalidade ideal grega, e o objetivo principal dos exercícios físicos era aumentar as forças corporais, dando simetria e harmonia às formas, tornando o
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corpo mais capaz de enfrentar a ginástica militar e a guerra, ao mesmo tempo em que contemplava o ideal de beleza tão importante para os gregos.
Grifi (1989, p. 52) comenta que, para Platão, o belo e a ginástica militar se completavam:
“A própria ginástica foi entendida unicamente ou quase unicamente como preparação à guerra. Os exercícios físicos que Platão mencionou com o escopo de adestramento militar, compreendiam: a luta (momento privilegiado, pela preparação direcionada ao combate), a dança guerreira, o manejo das armas, as manobras táticas, as marchas militares, o tiro com o arco, a esgrima, as corridas atléticas em geral, como aquela do stadio e do duplo stadio. (...) A ginástica militar, na República, assim terminava, a fim de identificar-se com a ginástica no geral, a qual tinha, portanto, para Platão, um grande valor psicológico e ético, seja para o corpo, seja para o Estado.”
Na Grécia surgiram os ginásios, onde os jovens se exercitavam e competiam. No início, o ginásio consistia de uma simples pista para as corridas a pé e de áreas de solo de areia para a luta e o pugilismo, ambos ao aberto. Mais tarde, o ginásio aperfeiçoou-se com a construção de lugares para a luta e para a natação, próxima ao ginásio. Com o tempo, transformou-se em complexo arquitetônico. É importante ressaltar que nos ginásios, além do pedótriba, ali ensinavam também os mestres de música e da oratória, os gramáticos, filólogos e filósofos.
A educação física em Roma
Em Roma, a sociedade continuou praticando os esportes e atividades herdados dos gregos, e esta situação somente se modificou na Idade Média. A educação física romana tem suas origens nos costumes etruscos e também nos gregos. Entretanto, a ginástica não encontrou um campo fértil entre os romanos, apresentando um certo declínio.
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A educação física tinha, em Roma, um caráter preciso e inconfundível, onde se privilegiava a preparação dos jovens, ficando o esporte em si relegado a um segundo plano. Eram valorizados os exercícios ligados ao vigor físico, ao manuseio de armas, à destreza de cavalgar, natação, tiro com arco, levantamento de peso, luta, salto, todas essas atividades voltadas para a guerra.
Segundo Paul Veyne (1989, p. 32), aos doze anos os destinos dos meninos e das meninas se separam: “somente os meninos, se pertencem a uma família abastada, continuam a estudar”. Conforme Veyne (1989, pp. 32- 33) as meninas, casavam-se aos doze ou catorze anos:
“Nas famílias ricas, a partir desse momento, as moças são encerradas na prisão sem grades dos trabalhos de fuso, que serve para demonstrar que elas não passam o tempo fazendo o que não devem. Se uma mulher adquire uma cultura de salão – sabe cantar, danças e tocar um instrumento (canto, música e dança estavam ligados) – tais talentos serão louvados e apreciados, porém logo se acrescentará que ela é uma mulher honesta. Por fim, cabe ao marido eventualmente cuidar da educação de uma jovem de boa família”.
Entre os romanos, praticava-se poucos esportes, mas dentre eles, tiveram maior divulgação a natação, a equitação e os jogos propriamente ditos: a munda (ou mosca cega), o oscillatio (balanço), e a bola.
Advento do Cristianismo e sua influência na educação física medieval
Especificamente em relação à educação física, o advento do cristianismo modificou a maneira de encarar o corpo, passando a considerar criticamente tudo que fosse material. Ao valorizar o lado espiritual, deixou-se de lado a ginástica e os esportes:
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Assim, o exercício físico e os espetáculos ligados ao velho mundo pagão desapareceram: circos, anfiteatros e termas foram levados às ruínas, e Grifi (1989, p. 139) destaca que:
“Rejeitado pela ideologia dominante, o exercício físico foi utilizado na tradição educativa militar e no gosto pelo jogo, para reaparecer em uma sociedade nova, em lenta e fatigosa evolução. O medievo representa o ponto de partida para o nascimento dos jogos de equipe, para o nascer de uma infinita gama de jogos esportivos (sobretudo com a bola) e para o fomentar do espírito de provincial que, envolvendo toda a comunidade, dará início à expressão folclorística”.
A educação física medieval se baseava na preparação do futuro cavaleiro, e era extremamente rígida. O menino era educado até os sete anos no ambiente familiar e desde cedo começava a cavalgar e a executar exercícios que visavam fortalecer o corpo para a guerra e para as lutas, ao mesmo tempo em que um preceptor cuidava da instrução cultural. O exercício físico visava ensinar a correr, saltar, lutar, lançar pedras e hastas, atirar de esgrima e cavalgar.
Aos quatorze anos o pajem se tornava escudeiro e recebia um cavalo, esporas de prata, lança, escudo, elmo e couraça. O seu compromisso com o senhor feudal se tornava mais intenso, devendo atender a este senhor quando convocado para a guerra. Após um longo treinamento, por volta dos 21 anos, era nomeado cavaleiro, investidura que tinha um ritual preciso e importante, a qual terminava com uma prova de habilidade do novo cavaleiro, que deveria correr a quintana, prova eqüestre.
Os torneios medievais, também denominados imaginariae bellorum prolutiones ou belli praeludia, eram muito importantes, e se difundiram sobretudo na França. Os torneios eram realizados em ocasiões de festas religiosas, de acontecimentos políticos e em casamentos. O senhor feudal desafiava um outro nobre, e se aceito o desafio, convocavam-se juízes responsáveis, publicavam-se editais e realizava-se o confronto.
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Apesar de sua difusão, os torneios acabaram sendo proibidos no século XII pela Igreja Católica, perdendo então sua força e sendo substituídos pelas giostras, que eram combates menos violentos que os torneios, pois nelas eram utilizadas “armas corteses”, ou seja, desapontadas ou cobertas por uma defesa. Os cavaleiros corriam um em direção ao outro, no confronto, sem poder cair do cavalo e visando que o opositor caísse.
Importante registrar, que em 800 d.C. o Império Romano é dominado por um único monarca, Carlos Magno reinando todas as nações cristãs da Europa continental. Carlos Magno ordenou que em todos os mosteiros se ensinasse a ler e escrever. Era preciso contar com pessoas educadas para auxiliar na expansão territorial, então recorreu aos monges e sacerdotes convidando conforme Burns et all (2005, p. 231):
“(...) o beneditino anglo-saxão Alcuíno – aluno de um dos discípulos de Beda – para dirigir uma revivescência dos estudos no continente. Com o apoio ativo de Carlos Magno, Alcuíno ajudou a criar novas escolas para o ensino da leitura, dirigiu o trabalho de cópia e correção de importantes obras latinas, inclusive muitos clássicos romanos e inspirou a formulação de uma nova caligrafia clara, ancestral de nosso moderno alfabeto romano”
Talvez tenha sido este o seu mais notável feito, estimulando o renascimento medieval do saber. Pelas iniciativas por monges e clérigos de efetuar cópias de milhares de livros, quase todos os clássicos latinos sobreviveram na Europa chegando até os dias de hoje. Os estudos superiores eram também os objetivos das escolas episcopais da Idade Média. Cada vez mais era necessário dotar os clérigos de informações aprofundadas e, para isso, eram necessárias as bibliotecas junto às escolas. Também os árabes, na idade medieval, estabeleceram estudos superiores, que ocorriam nas mesquitas. Deve-se aos árabes não só contribuições no aperfeiçoamento de estudos superiores, como também o ensino da prática médica e o cultivo e estudo de plantas medicinais.
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Nos tempos medievais, os estudos e a educação se sistematizaram, passando a existir sob a proteção da Igreja Católica. Cabia a esta controlar, gerir e dar o aval a todo o ensino, que era professado nos conventos e monastérios. Dessa maneira, só tinha acesso ao saber um grupo restrito de pessoas, que podia contribuir com seu sustento nos conventos.
Ali também residiam as pessoas desprovidas, como viúvas e órfãos, mas a regra geral era que se pagasse pelos seus custos. Não havia discriminação no sentido de que a educação fosse apenas para os descendentes da nobreza, pois desde que não fossem da classe camponesas, poderiam ter acesso aos estudos.
De início, havia os preceptores, mas isso só ocorria em famílias muito abastadas; com o passar dos tempos, o ensino foi se localizando nos conventos e monastérios, que concentravam os livros, as pessoas cultas e os grandes mestres.
A partir do século XIII as universidades passam a estudar as generalidades, adquirem independência, sendo que semelhantes às universidades de hoje com corpo organizado seguem pela ordem de fundação a de Bolonha (1119), Paris (1150), Oxford (1166), Cambridge (1200), Palência (1208), Salamanca (1218), Coimbra (1290) e muitas outras.
O Renascimento e a sua influência na educação física
O Renascimento trouxe profundas modificações no que diz respeito à educação física, pois se deixou de criticar o culto ao corpo, retomando-se os exercícios físicos e os jogos. A Igreja Católica foi obrigada a se adequar aos novos tempos, onde corpo e alma eram considerados ambos criação divina e, por isso, não deveriam ser criticados aqueles que cultuavam o corpo e os exercícios.
Grande importância tiveram os pedagogos renascentistas, que buscavam ministrar uma educação completa e harmônica para a formação do homem, desenvolvendo nele todos os aspectos de sua personalidade.
Dentre esses pedagogos, destaca-se Vergerio Pier Paolo (italiano da Universidade de Pádua, século XIV-XV), que sustentava a superioridade da
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instrução pública sobre aquela privada e a necessidade de estudar o caráter do indivíduo para direcioná-lo para os estudos específicos. Situa-se nessa mesma época Vitorino de Feltre, considerado por Grifi “o verdadeiro criador da educação física”. Foi ele quem antecipou, com seus métodos pedagógicos, os princípios da educação física moderna. Convidado pelo duque de Mantua para educar seus filhos, ali criou uma verdadeira escola, no sentido pedagógico e humanista, que se transformou em um centro de educação que lembrava o ginásio grego e os colégios dos tempos modernos. Vitorino Rambaldoni, ou Vitorino de Feltre preocupou-se não somente com a instrução cultural, pois ali se lecionava as letras e os clássicos, mas também com os exercícios: “segundo ele, todo bom cidadão devia estar em condições, em paz e em guerra, de defender o Estado, em caso de necessidade”, afirma Grifi (1989, p. 159)
Outros educadores foram igualmente importantes, como Guarino Veronese – que defendeu a conciliação dos estudos e dos exercícios físicos (natação, passeios, caça, dança, jogo de bola); Leon Battista Alberti – que considerava fundamental o exercício para a saúde; e Enea Silvio Piccolomini – que escreveu um tratado pedagógico de caráter iminentemente militar, pois era dedicado ao duque da Áustria.
Merecem ainda menção Vegio Maffeo - que defendeu os exercícios para a psique; e Baldassar Castiglione - que escreveu uma obra sobre o perfeito cortesão, atribuindo importância à preparação física. Segundo Marinho (1957, p. 48) no renascimento os humanistas, redescobrem as culturas grega e romana e se surpreendem com o grau de evolução destas civilizações. Cita várias personalidades em diversas áreas tais como Erasmo na literatura, Galileu e Harvey nas ciências, Petrarca na poesia, Miguel Angelo na pintura, Leonardo da Vinci na escultura, pintura, arquitetura e engenharia e dezenas de outros.
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A era moderna. Alguns contributos: a(s) ginástica(s)
Devemos aos gregos o termo “Ginástica” Segundo Tubino (2007, p. 871) a palavra ginástica vem do grego Gymna-zen, que significa “exercitar-se” e que tem a descrição de ser um conjunto de exercícios físicos que tem por objetivo melhorar o corpo humano. Desde Maffeo Vegio (Itália) no século XV considerado um dos precursores do denominado Humanismo Pedagógico ao século XX, com o surgimento após a segunda guerra mundial da denominada Calistenia desenvolvida pela Associação Cristã de Moços. (ACM) nos Estados Unidos, desfilaram várias linhas doutrinárias de que destacamos a ginástica sueca, francesa e alemã.
A ponte da ginástica antiga para a ginástica moderna foi proporcionada pelo italiano Jeronimus Mercurialis (1569) que ao publicar Da arte gimnástica, influenciou fortemente os posicionamentos seguintes da ginástica. Já no século XVIII (1712-1778), Jean Jacques Rosseau, considerado um dos maiores pedagogos do século XVIII, teve como seu contemporâneo o alemão Johan Bernhard Basedow (1723-1790) que fundou o Movimento Filantrópico Pedagógico influenciado por Comenius e Rosseau e foi responsável por inserir as aulas de ginástica no currículo escolar da Alemanha estimulando, ainda, as práticas da esgrima, equitação e dança de salão. A linha de pensamento de Basedow teve continuidade em Guts Muths cuja obra Gimnastik fur die Jugend, passou a ser considerado o pai da Ginástica Moderna.
Ainda segundo Tubino (2007, p. 871), “na transição entre os séculos XVIII e XIX, a influência de Guts Muths foi decisiva no início das linhas doutrinárias de ginástica sueca, alemã e francesa...”. A ginástica sueca tinha como característica o agrupamento da ginástica pedagógica, ginástica militar, ginástica médica e ginástica estética. Amoros defendeu a existência de quatro tipos de ginásticas: a civil, e industrial, a médica a militar e a cênica. Foi Amoros que provocou o aparecimento da Linha Francesa de ginástica. Mais tarde, a Linha Doutrinária Francesa substituiu o termo ginástica por Educação Física.
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A ginástica alemã de fundo nacionalista , também substituiu o termo “Gimnastik” para o termo “Turnkunst”, tendo à sua frente Friedrich Ludwig Jahn, sendo o seu seguidor Adolph Spiess (1810-1858). Sendo mais conhecida por “Turn”, desta nasceu a atual ginástica artística. A ginástica calistênica