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Model Initialization in Image with small FOV

K nowledge - based D eformable M odel

5.2.3 Model Initialization in Image with small FOV

Uma maneira simples de se estimar o risco de intoxicação ocupacional com os agrotóxicos foi estabelecida no início da década de 60 por Durham & Wolfe (1962). Baseados em dados de exposições dérmicas e respiratórias de trabalhadores a agrotóxicos, estabeleceram uma fórmula, onde consideraram estes riscos como sendo a fração percentual da dose tóxica do agrotóxico que o trabalhador se expõe por hora de trabalho (%DT/h), ou por qualquer outro período de tempo. A dose tóxica é estimada multiplicando-se o valor da DL 50 dérmica (mg/kg), obtida em estudos com animais de laboratório, pelo peso médio do trabalhador, considerado em 70 kg. A fórmula estabelecida por Durham & Wolfe (1962) é a seguinte:

Exp. dérmica(mg/h)+[Exp. resp.(mg/h) x 10]

DL50 dérmica aguda-rato(mg/kg) x 70(kg)

Nesta fórmula, qualquer fator ou causa atuante no risco terá seu efeito quantificado na toxicidade ou na exposição. Uma vez definido o agrotóxico utilizado, a toxicidade é um fator pouco variável e a exposição é um fator muito variável, pois depende de todos os demais fatores influentes.

A exposição ocupacional pode ser:

a) exposição potencia: quantidade do agrotóxico coletada sobre a pele do trabalhador ou com potencial de atingi-la na ausência, ou completa permeabilidade das roupas usadas no momento, e nas vias respiratória e oral (Turnbull et al., 1985). Verifica-se que esta exposição potencial é característica das condições específicas de trabalho, como resultado da interação dos seus fatores de risco dominantes, e

b) exposição real: é definida como a quantidade absoluta do agrotóxico que entra em contato íntimo com o corpo, ficando prontamente disponível para ser absorvido nas vias dérmica, respiratória ou oral, em um dado momento (Bonsall,1985).

As medidas de segurança são aplicadas na prevenção do contato do agrotóxico nas vias de exposição e absorção no corpo. Por isso, o conhecimento da importância de cada uma dessas vias é fundamental para se selecionar as medidas de segurança mais efetivas, confortáveis, econômicas e exeqüíveis nas condições específicas de uso dos agrotóxicos.

6.1.1. Vias de exposição do corpo aos agrotóxicos

A importância relativa das vias de exposição dos agrotóxicos no corpo tem sido determinada em diversos trabalhos de pesquisa. Em condições de campo, em ambiente aberto, são importantes as vias dérmicas e respiratória (Durham & Wolfe, 1962; Wolfe et al., 1967; Wolfe et al., 1972). Estes autores verificaram que, em média, 99,8% da exposição total ocorreu na dia dérmica e apenas 0,2% na via respiratória.

Além desses aspectos, deve ser considerado também o potencial de alcance da corrente sangüínea, ou de absorção nas vias de exposição. Na via respiratória, a absorção do agrotóxico que chega nos pulmões é rápida e completa

(Durham & Wolfe, 1962). Na via dérmica, a absorção é mais lenta e parcial, pois a pele constitui-se numa eficiente barreira natural de proteção do organismo. A penetração dos compostos na pele depende dos seus modelos farmacocinéticos de absorção (Mathias et al., 1985), podendo variar de 0,8 a 6,0% (Guy et al., 1985) e até 80% (Bronaugh, 1985). Também depende muito do veículo que o composto está diluído. A Agência de Proteção Ambiental - EPA, USA, no Processo de Suposição Contra Registro Refutável-RPAR, quando os dados não estão disponíveis considera a absorção média de 10% da exposição dérmica (Smith, 1984).

Com estas informações estima-se que o potencial de absorção dos agrotóxicos na via dérmica, em média, é de 9,98% (que representa 10% da exposição total) e de 100% na via respiratória (que representa 0,2% da exposição total). Assim, verifica-se que o potencial de intoxicação pela via dérmica é 49,9 (9,98%/0,2%) vezes maior que o da via respiratória. Por isso, as medidas de segurança devem ser mais concentradas na proteção da via dérmica.

A Organização Mundial da Saúde, considerando a esta relação quantitativa de importância as vias de exposição, recomenda em seu Protocolo Padrão (WHO, 1975) que se a exposição respiratória não for avaliada ela pode ser substituída por 10% da dérmica avaliada, e modificou a fórmula de Durham & Wolfe (1962) para:

Exposição dérmica (mg/h) + 10% DL50 dérm. aguda-rato (mg/kg) x 70(kg)

Com esta fórmula, avaliando-se apenas a exposição dérmica pode-se estimar o risco de intoxicação proporcionado por uma determinada atividade. Portanto, o conhecimento dos métodos de avaliação da exposição dérmica torna-se relevante.

6.1.2. Métodos de avaliação da exposição dérmica

Diversos métodos foram desenvolvidos para avaliar a exposição dérmica aos agrotóxicos e a outros agentes tóxicos, que são classificados em métodos diretos e indiretos (Durham & Wolfe, 1962) ou, respectivamente, dosimetria passiva e monitoramento biológico (Reinert et al., 1986).

Com os métodos indiretos, ou de monitoramento biológico, mede-se a concentração dos agrotóxicos em materiais coletados, ou os efeitos dos tóxicos no organismo do indivíduo após a exposição e a absorção. Por exemplo, a determinação da atividade da enzima colinesterase no sangue após a exposição aos inseticidas organofosforados ou carbamatos.

Com os métodos diretos, ou de dosimetria passiva, utiliza- se de algum mecanismo para coletar o material tóxico que poderá atingir as vias de absorção no corpo, durante um determinado período de exposição. A quantidade determinada, por análises químicas ou bioensaios ou outros métodos, é a medida direta da exposição. Desta forma, pode-se medir a exposição dérmica potencial ou real.

Os amostradores tradicionalmente utilizados nestes métodos diretos são almofadas confeccionadas em papel de alfa-celulose pura, com uma das faces impermeabilizada por uma lâmina de vidro ou de papel aluminizado, ou ainda uma folha de plástico. Elas são afixadas sobre ou sob as roupas e, após um determinado período de exposição, são retiradas e levadas ao laboratório para recuperação e quantificação dos produtos.

Um amostrador alternativo, absorvente higiênico feminino (marca Carefree), foi testado e aprovado para esta finalidade, utilizando-se o cátion Cu+2 de um fungicida cúprico como traçador nas caldas pulverizada (Machado Neto, 1990). Este amostrador ajustou-se muito bem neste tipo de avaliação, além de algumas vantagens em relação às almofadas tradicionais. Estas almofadas têm que ser confeccionadas nas dimensões

padrões e são afixadas nas roupas com fitas adesivas. São de manuseio difícil e lento no campo, pois apenas uma determinada área central da almofada é recortada para se realizar as análises quantitativas (WHO, 1975). Já os absorventes são comprados prontos em diversas casas comerciais, têm uma área absorvente de tamanho constante e são aderentes em tecidos. São manuseados fácil e rapidamente no campo, não há necessidade de recortar partes, pois as análises quantitativas são realizadas nos absorventes inteiros.

Reinert et al. (1986) ressaltam que com os métodos de dosimetria passiva mede-se a quantidade de agrotóxico que potencialmente atingirá a pele ou as vias oral ou respiratória, não a dosagem que realmente é absorvida e entra na corrente sangüínea. Fatores como a absorção dérmica ou pulmonar pouco influenciam estas avaliações, influenciam sim a absorção e são altamente dependentes e específicos de cada agrotóxico. Estes autores citam que a EPA continuará estimulando o desenvolvimento de bases de dados para cobrir a validade de correlações prognosticadas. Considera-se que é mais seguro estimar a exposição baseada em uma vasta, cientificamente perfeita e apropriada base de dados do que em resultados de um estudo individual com um número limitado de repetições, mesmo que este estudo seja considerado válido. Dados adicionais de exposição são juntados às bases de dados existentes, expandindo-as e proporcionando-se mais segurança para estimar a exposição a outros agrotóxicos que ainda não foram monitorados.